Três Almas
24 24° Capítulo
Notas iniciais
Acordei com a luz do sol em meu rosto, olhei para os lados e apenas eu e os poucos móveis em meu quarto estávamos presentes.
Deu-me uma preguiça, pela primeira vez em muito tempo, de levantar. Mas eu sabia que eu tinha que aproveitar meus dias restantes com os dragões, e hoje anunciaremos que vou me afastar por questão de doença.
— Minha filha? — disse minha mãe quando me viu andando no corredor.
— Bom dia mãe. — eu falei meio sonolenta. — É hoje mãe.
— Sim, Daniel está conversando com seu pai sobre como vai ser a consagração.
— Vamos tomar café? — eu disse abraçando Laila de lado.
Chegamos à sala do café, estava papai, Daniel, meus conselheiros e Paulo. Sentei do lado de minha mãe.
— Tem certeza que vai consagrar o Daniel? — perguntou meu pai.
— Sim, por quê? — eu falei.
— Para saber se você está ciente de sua escolha.
— Será que eu vou capotar igual à luna? — perguntou Daniel.
— Acho que sim. — eu respondi e ri.
Túlio disse que havia pedido para todos os dragões se reunirem em frente ao castelo, para que pudéssemos dizer os nossos recados. Durante o café Paulo disse que nos comunicaríamos pela internet da terra para Drakenyard, assim como ele sempre fez para falar com Finn e Roberto (que já estavam na terra).
A facção dos dragões estava montada na terra (os mesmos dragões e humanos que me ajudaram a invadir uma unidade dos Preminger’s), então que já conhecia os que iriam me ajudar, mas eu não comunicaria muito com a facção, pois me infiltraria nos onedara’s.
—Quer dizer ou eu falo? — perguntou Helias para mim, eu estava nervos para anunciar o fato.
— Diz você primeiro e depois eu complemento — falei.
Ele fez que “sim” com a cabeça e deu um passo para frente das escadas do castelo — Dragões e Dragonas, — começou Helias — Estamos aqui presentes com algo que jamais aconteceu, dois imperadores consagrados, o terceiro e a quarta. Porem somente a quarta governa — ele parecia nervoso no começo, mas logo se tornou firme — E como sabemos a Quarta é uma três almas, e possui oni’s dentro de si. Isso é um problema. — os dragões escutavam pacientes e curiosos pelo fato de todos serem reunidos, eles ficaram nervosos com o que Helias disse, então meu pai prosseguiu:
— Oni’s são complicados como sabemos e precisam de certa atenção para ser usados, ou seja, precisam ser dominados ou eliminados. — Helias dizia agora serio e com uma voz impactante — E se assim não for feito o portador morre — a cara dos dragões era de pânico, medo e preocupação — Nos sabemos que nossa imperatriz é forte e sempre controlou bem seus oni’s , nada aconteceu perante sua estadia aqui — ele mentiu, pois eu perdi o controle duas ou três vezes, mas não foi nada perigoso — Mas ela ainda esta crescendo e teve um passado assustador como experiência dos preminger’s e para evitarmos estragos, vamos isolar ela. — depois dessa palavras os dragões mostraram insatisfação, com ruídos e vaiadas — Para que ela domine por completo seus oni’s e estude sobre tal.
— Não por completo. — eu falei em voz alta e com tristeza — Não vou me isolar por completo, vou apenas não ser muito presente, mas meus conselheiros serão de ajuda ao comandar o reino. — eu fiquei a frente de Helias — Sempre que eu tiver um intervalo vou retomar com minhas obrigações e estarei presente com meu povo, mas antes preciso fazer o certo para que tudo ocorra bem, então deixarei um imperador substituto para comandar em meu lugar — Olhei para Daniel o chamando — Meu irmão: Daniel.
Os dragões não ficaram muito satisfeitos, mas entenderam e não reclamaram (nem todos reclamaram).
Daniel tomou o sangue de kalaram que vou entregue por Lisa. E desmaiou.
Depois o anuncio todos estavam dispensados, eu conversei com vários dragões pessoalmente explicando que eu estava bem, e essa era somente uma medida preventiva para que não ocorressem problemas em meu reinado. Os dragões me compreenderam e eu via tristeza nos olhos deles e eles viam nos meus, é triste abandonar quem você ama. Abandonar? Não, eu não vou fazer isso. Vou dar meu máximo para vir aqui sempre.
— Quando eu vou para terra? — perguntei para Paulo.
— Acho melhor esperarmos o Daniel acordar — Disse Paulo olhando para os dragões que saiam da frente do castelo — Ele deve acordar amanha.
— Você sabe como as coisas funcionam na terra, certo? — perguntei me sentando em uma poltrona qualquer.
— Acho que entendo, por quê? — Paulo se sentou na outra poltrona.
— Vocês ainda não descobriram quem é o garoto das espadas, não é? — perguntei, mas não esperei resposta, pois já sabia qual era: Não — Porque sempre que ele luta, os onedara’s escondem tudo e sempre dão um jeito de manter segredo, mas eu já sei quem é...
— Eu também. – disse Paulo me cortando e me deixou em uma desilusão.
— Como assim? — eu perguntei.
—Os ondera’s anunciaram quem é ele – Paulo cruzou as pernas –É o garoto mais competente dos onedara’s, ele é quem comandou os onedara’s nesses últimos anos, apesar de ter só 17 anos ele que iniciou a caça aos preminger’s.
— Você ta zoando? – eu disse revoltado, pois achei que eu tinha uma carta na manga — É o Hatori, certo? — eu tinha conhecido ele quando abri o portal pela primeira vez.
— Sim — disse Paulo — Quem te disse isso?
— Eu sou amiga dele — teu falei cruzando os braços — Tenho certeza que ele vai nos ajudar!
— Amiga dele? — Paulo perguntou confuso.
— Vai dar certo Paulo! Vai dar certo! — eu disse saindo da poltrona e indo para meu quarto.
Fiquei pensando o dia inteiro sobre como eu iria ver o Hatori e falar com ele, sei que ele não acreditou por completo em mim quando o vi pela primeira vez, mas quando eu abri o portal ele ficou surpreso. Bem, o jeito seria falar a verdade e pedir ajuda mesmo. Acabei dormindo por um tempo e acordei três horas da manhã. Que infortúnio.
— Acho que não vou conseguir dormir — disse baixinho sem necessidade, pois os cômodos eram longe um dos outros e ninguém escutaria, só gritando que alguém me escutaria — E se? — eu pensei em ir para terra. — Porque não? Vou lá reconhecer território, e só três pessoas saberiam que eu iria lá, meu pai, Dhiren e agora meu irmão.
Sai da cama sem medo do que os outros consagrados iriam dizer, alias a Imperadora real sou eu! E abri o portal, não com uma determinada localidade, mas tentei abrir perto de onde vi o Hatori pela primeira vez. E entrei.
Ops, não estava no lugar onde vi o escolhido das sete espadas pela primeira vez, nem sabia ao certo onde eu estava, era de noite e eu estava em uma cidade, só não sei qual. Resolvi andar um pouco, sem medo, porque ninguém pode me machucar, sou mais forte, pensei orgulhosa de mim.
Identifiquei um grande castelo, mais ou menos do tamanho do que eu morava no meio da cidade que eu estava. Conforme fui andando vi que tinha algumas pessoas noturnas na ruas, alguns homens e mulheres trabalhando. — Oi. — eu disse para alguns e eles me responderam, eram educados aqui.
Tinha uma senhora lá na frente me olhando e eu sorri para ela — Minha jovem venha cá. — a senhora me chamou.
— Olá — eu disse.
— Você é muito bonita para ficar andando sozinha assim. — disse a senhora — por mais que os crimes diminuíram pela forte guarda dos onedara’s ainda tem um perigo ou outro por ai. — a senhora olhava para o lado e vi que tinha um guarda lá.
— Os ondera’s moram no castelo? — perguntei para senhora.
— Sim. — ela sorriu — Você é estrangeira? — me encarou de forma suspeita.
— Sou amiga no garoto das espadas. — eu menti, mais ou menos, eu o conhecia.
— Veio ao lugar errado então, essa é a divisão dos Onedara’s e Scarlet’s . — A senhora levantou — Depois desse reino tem os onedara’s, somente eles. – ela apontou para esquerda — e depois no outro reino os onedara’s e lustoffor’s, o que a criança das espadas vive.
— Eu sabia que eu era ruim em direção, mas isso foi sacanagem – falei surpreendida pelo meu erro enorme de abrir o portal no lugar errado.
— Não fique falando muito sobre as outras divisões minha jovem, nem todos são relativos como eu. — disse a senhora se sentando novamente — Estamos em tempos de uma grande tensão entre as divisões, então não fique expondo o lado que você está.
— Muito obrigada. — eu sorri para ela e continuei andando, eu ia em direção ao castelo, queria ver como era. O guarda me olhou de maneira estranha quando eu passei do lado dele.
A cidade era linda e muito grande, eu nem cheguei perto do castelo e já estava quase amanhecendo, tinha mais pessoas na rua que me olhavam de lado, mas o que mais me assustava era o fato de Helias não ter vindo me procurar.
— Meu deus! — disse uma menina da minha idade com cabelos pretos curtos e ondulados e olhos azuis — Que cabelo lindo!
— Senhorita July, vamos! — disse um homem a chamando para entrar em um carro.
— Espere! — ela se virou para mim — É difícil ver pessoas loiras, de onde você é? a maioria são preminger — fez cara de nojo virando os olhos, ela nao gostava da família.
— De Drakenyard.
— Draken... o que? Nunca ouvi falar! — July ri, e eu ri junto, ela parecia ser legal.
— Você é daqui? — eu perguntei.
— Você é estrangeira, por isso não me conhece, sou July Onedara, a filha de Julio Onedara!
— Uma onedara! — eu falei animada — Quem é Julio?
— Você deve ter vindo de muito longe para não saber! – July ficou chocada com minha pergunta — É o Onedara líder da divisão três essa divisão que é unida com os scarlet’s.
— Desculpe-me, eu meio que não aprendi muita coisa – falei pensando que eu deveria ter estudado alguns detalhes sobre os Onedara’s.
— Qual seu nome? – ela perguntou.
— Luna. Quer dizer Lunally Dragnell.
— Tudo com Dra! — disse July rindo — Você deve ser daquelas famílias milenares que viveram com os dragões. Isso explica o fato de você não saber sobre meu pai, pois essas famílias são fechadas.
— Isso — eu menti, nem sabia que tinha famílias assim que, achei muito legal.
— O estranho é que você é loira, bem você sabe que loiros são meio discriminados, por causa do Preminger’s.
— Entendo — falei um pouco nervosa, pois eu era uma preminger’s, mas fui batizada em Drakenyard como Dragnell o sobrenome da família de Helias.
— Lunally, você está com quem aqui? — July perguntou.
— Me chame de Luna! — eu sorri — Eu apenas conhecendo a cidade.
— Minha senhora, se não formos agora teremos problemas — disse o moço que esperava no carro.
— Luna vem comigo! — a July me puxou pelo braço até o carro e eu entrei.
— Eu tenho uma reunião com o Helio, caso não saiba é meu namorado e um dos líderes dos Lutosffor’s — ela me explicou — Você pode estranhar esse relacionamento, mas eu sempre estive com Helio, e amo ele, e esses problemas com as divisões não atrapalharam meu relacionamento!
— É uma forma até de conseguir a paz, se você casar com Helio. — eu disse surpresa pelo fato deles serem “inimigos” e estarem juntos. Lembrei-me dos meus pais, Laila e Helias.
— Pois é casar está sendo difícil com todos esses problemas. Você já sabia do conflito das divisões? — Perguntou July, ela era mais esperta do que imaginei.
— Uma senhora na rua me explicou — eu disse, e meio que é verdade. O carro parou em frente ao grande castelo e descemos, os trabalhadores do local me olhavam de forma estranha, me constrangida, mas eu sabia que a cor de meus cabelos era algo ruim, pior se eles soubessem que realmente sou.
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