Três.

51 51. Grávidos!


Notas iniciais
UAU! 50 capítulos, 200 comentários, quase 5000 visualizações, 48 pessoas acompanhando e 2 recomendações. Nem acredito! Vocês são incríveis! Obrigada, obrigada, obrigada!

— Eu ia te contar. – Rebecca respondeu, repousando as duas mãos sobre sua barriga.

— Quando você pretendia me contar? Quem mais sabe? Quando isso aconteceu? Como foi que você deixou isso acontecer? Peter...? Ah meu Deus, Becky! – exclamei, encostando-me a pia do banheiro. – Como foi que isso aconteceu?

— Olha, Rora, vou te explicar como isso acontece. – Rebecca disse, sorrindo. – Um homem e uma mulher se tocam...

— Ah, Rebecca, pelo amor de Deus! – repeti. – Isso é sério! Não me venha com gracinhas numa hora dessas!

— Não é gracinha. Só não estou pirando como você. Porque eu estou feliz, e achei que você também fosse ficar.

— Bom – murmurei, sentindo-me culpada. – Talvez eu consiga ficar feliz depois que eu estiver respirando normalmente. E isso só vai acontecer quando você me contar o que diabos está havendo aqui.

— Acho melhor nós nos sentarmos – Becky deu de ombros, voltando para o quarto e sentando-se em minha cama. – De onde você quer que eu comece? – indagou enquanto eu me sentava a seu lado.

— Do começo, é óbvio – respondi. Eu simplesmente não conseguia parar de encarar sua barriga.

— Mesmo que o começo faça você ficar brava comigo? – indagou e eu assenti, já me sentindo nervosa. – Pois bem, lembra quando eu, você e Travis brigamos porque eu fui ao baile com Josh? – assenti novamente, desconfortável. Rebecca sabia o que uma simples menção ao nome de Travis causava em mim, e vivia me dizendo que eu tinha que superar aquilo. Ela revirou os olhos e continuou. – Eu não contei exatamente a verdade à vocês.

— Oh, não, lá vamos nós de novo – resmunguei, cruzando os braços.

— Eu realmente estava convencida de que ainda gostava de Josh e realmente queria tê-lo de volta para mim – ela continuou, ignorando meu comentário. – mas eu também estava envolvida com outro garoto. Ele nunca soube de Josh, e espero que não saiba. – Rebecca desviou o olhar, provavelmente notando meu olhar de desaprovação. – Você se lembra do dia em que Miles tentou te contar que eu estava de conversinha com Claire, e nós acabamos todos brigando?

— Lembro sim, o dia que você sumiu com a vaca ruiva – respondi.

(n/a: gurias, quem não estiver conseguindo acompanhar essas confissões e lembranças da Becky, abra uma aba e volte lá no capítulo 39 (Remember) pra poder entender direitinho.)

— Então, aí temos outra mentirinha. – ela murmurou. – Eu apenas encontrei Claire, mas não sai com ela. Eu fui para a casa do garoto que eu estava vendo. E, bom, nós estávamos sozinhos... Aconteceu.

— E porque você não me contou? – questionei, ofendida, e fui ignorada mais uma vez.

— Depois do... Ocorrido, eu me arrependi. Disse que não queria mais vê-lo, e o fiz jurar que nunca contaria sobre aquilo para ninguém. Ele jurou, dizendo que nunca faria nada para me magoar. Eu passei alguns dias sem vê-lo, mas ele simplesmente não saía da minha cabeça.

— Espera, quem é ele? – fui ignorada pela terceira vez.

— Acontece que alguns dias depois, Miles e Travis surgiram dizendo que queriam me apresentar um amigo que estava interessado em mim.

— OH, MEU DEUS! É O PETER! – berrei. – EU SABIA, EU JÁ SABIA! É O PETER!

— CALA A BOCA, SUA LOUCA! – Rebecca também berrou, jogando-se por cima de mim e tampando minha boca com as duas mãos. – Você enlouqueceu? – ela riu.

— Desculpe – tentei murmurar. – Eu apenas fiquei feliz. Acho vocês muito lindos juntos.

— Obrigada – ela sorriu docemente. – Bem, então, foi isso. Depois disso, eu e Peter fingimos que nada havia acontecido e que tínhamos acabado de nos conhecer.

— Então é por isso que você estava tão relutante em aceitar ir à festa com ele, e no fim, acabaram se dando super bem – constatei, a encarando. Era óbvio. – Mas e porque você não me contou, amiga?

— Porque eu fiquei com vergonha. Sabe, nem você e Travis que eram quase namorados... E eu mal conhecia Peter... E... Eu me arrependo. Disso, me arrependo.

— Oh, Becky! – exclamei, a abraçando. – Desencana disso! Peter já sabe?

— Sim. – ela murmurou, desviando o olhar novamente. Eu sabia que mesmo feliz, ela estava envergonhada e com medo. – Eu descobri há umas duas semanas, por causa da minha menstruação. Você sabe que meu ciclo é totalmente regulado. Eu contei a Peter sobre minhas suspeitas, e ele comprou um daqueles testes de farmácia. Só que nós não sabíamos como contar à ninguém.

— Com quanto tempo você está agora?

— Não sei exatamente, mas em torno de dois meses.

— Uau. – foi tudo o que pude dizer. Estendi delicadamente a mão e a repousei sobre a barriga de Rebecca. Era incrível e assustador pensar que ali existia uma nova vida. Fechei os olhos por alguns segundos, imaginando como seria ter uma miniatura de Becky (ou talvez de Peter) correndo pela casa e enchendo a mesma de risadinhas. Como Rebecca previra, eu estava feliz, afinal, aquilo era maravilhoso. Eu só temia a reação de Ferdinand, embora achasse que no fundo, ele se tornaria um avô babão. Ele com certeza teria dificuldade em aceitar o fato de que sua única filha estava grávida aos dezessete anos, mas, eu sabia que aquilo era o que aquela família precisava. Um descanso do mundo real. Uma criaturinha que pudesse os afastar dos problemas. Uma criança que os fizesse renovar todos os laços de amor há muito esquecidos.

— Qual foi a reação de Peter? – indaguei.

— Eu achei que ele fosse pirar. – Becky respondeu, sorrindo largamente. – Já estava imaginando que ele teria aquelas crises de ‘oh meu Deus, meus pais vão me matar’, mas isso não aconteceu. Afinal, ele é o Peter. Sempre me surpreendendo. Disse que nunca havia se sentido tão feliz. Ele beijou minha barriga e murmurou inúmeras vezes algo como ‘papai já está ansioso para te conhecer, pequeno anjo’. – Olhei para Rebecca e senti meu coração se aquecer ao ver seus olhos brilhando. – Ele disse que sua única exigência é escolher o nome.

— Porque? – questionei, curiosa.

— Ele disse que eu sou muito brega. – Rebecca revirou os olhos.

— Peter é mesmo um garoto incrível. – murmurei. Espalmei a mão sobre a barriga de Becky, fazendo carinho nela. – Quando é que você pretende contar a eles?

— Contar o que? – a voz de Ferdinand soou como um raio, vinda da porta do quarto. Eu não sabia se era impressão minha ou se até mesmo a criaturinha na barriga de Becky havia dado um pulo.