As batidas frenéticas na porta fizeram que eu e Sherry saíssemos da crise de risos gótica.

– São os zumbis? — ela perguntou.

Dei um suspiro e respondi:

– São, vá dormir que eu lidar com eles.

Ela não exitou e deitou em uma pilha de roupas sujas.

– Por que você não deita nas roupas limpas? — sugeri.

Mas ela não respondeu, já estava roncando.

Fui até o corredor da loja, e depois até o estoque de roupas, achei três tábuas de madeira, um martelo e alguns pregos, parece que a loja estava em reformas.

Voltei até a entrada, fiz uma barricada com esses materiais, e ela parecia segurar muito bem os zumbis. Percebi como estávamos na mesma situação da última vez.

Sherry ainda estava dormindo mesmo com os altos ruídos que os zumbis faziam, fui para a minha cama improvisada feita de roupas e adormeci.

Acordei com a língua nojenta de Sam na minha cara, coloquei ele para trás, Sherry ainda estava adormecida, me levantei e fui até a minha mochila para pegar algumas latinhas para fazer o café da manhã...

Peguei uma latinha de sopa e a faca eu havia encontrado na casa que estávamos anteriormente, abri a latinha com um pouco de dificuldade, logo depois peguei a de feijão e fiz a mesma coisa.

– Sherry, acorde! — gritei.

Ela deu um pulo do nada, olhou para mim assustada e fez uma cara feia.

– Muito engraçado! — ela gritou.

Dei uma risada, e voltei ao normal.

– Está com fome? — perguntei.

– Um pouco... — ela disse com a mão na barriga — O que você pegou no mercado?

– Latinhas de feijão, sopa e alguns doces.

– Ótimo! — ela sorriu — Vamos comer.

Peguei alguns feijãozinhos e comi, ela também pegou e comeu tudo com uma mordida.

– Temos que alimentar Sam — disse Sherry.

– Ah é!

– Você achou que eles não comiam?

– Bem...

Ela jogou alguns feijões para o cão que deu um pulo e comeu todos, depois ela se abaixou e fez carinho em sua cabeça.

– Bom garoto!

Depois de enchermos a barriga de feijão e de sopa, atacamos os doces.

– Você pegou tantos doces! — ela disse.

– Pois é — falei mastigando uma balinha.

A nossa paz foi interrompida por tiros.

– Mas o quê? — Sherry murmurou.

– Alguém está próximo — falei.

Sherry me abraçou forte, a segurei.

– Vai ficar tudo bem.

De repente, alguém tentou abrir a porta.

– Socorro! — um garoto gritou — Eles vão me pegar!

Sem pensar duas vezes, tirei os pregos das tábuas com uma parte do martelo, abri a porta e puxei o garoto rapidamente.

Caímos um em cima do outro, corei no mesmo momento, junto com ele. Sherry fechou a porta imediatamente.

Ele tinha cabelos escuros encaracolados e olhos escuros também, ele abriu um sorriso desastrado.

– Me desculpe — ele disse.

– Ei vocês dois! — Sherry gritou — Dá pra pararem de namorar e me ajudarem?

Corri para a porta e tentei segurar ela, mas ela simplesmente desabou, peguei Sherry e saí correndo para o estoque com o garoto.