Tryin To Find A Reason Why
23 Capítulo XXIII – Regrets Is Always a Bad Thing
Notas iniciais
Capítulo XXIII – Regrets Is Always a Bad Thing
Respirando fundo quando o lado direito do seu abdômen começou a latejar. Não deveria ter dirigido por duas horas até Akron, principalmente porque só fazia uma semana que ela tinha passado por uma cirurgia. E foi uma cirurgia complicada! Mas ela estava aqui, em frente ao Carmel High com os olhos cerrados por causa do sol.
Era sábado. Claire tinha passado dois dias ensaiando loucamente para as Seletivas, inclusive, ela tinha ligado para a loira na noite de quinta – e Rachel emburrada ao seu lado – e explicou que não conseguiria vê-la até a segunda. Domingo a noite seria as Seletivas do Vocal Adrenaline.
Exalou o ar do ar-condicionado e abriu a porta, saindo com um pouco de dificuldade. Seu pai não sabia que ela tinha saído às seis da manhã de sábado e dirigido duas horas até Akron. Quinn tinha sorte que dia de sábado, Russell só acordava depois do meio dia. O azar seria se Rachel resolvesse ir para a sua casa.
Entrou no colégio e foi logo para o auditório. Abriu a porta silenciosamente e entrou. No palco tinha todos os integrantes do Vocal Adrenaline, eles não estavam ensaiando, mas o diretor estava na frente deles, falando rapidamente e mexendo as mãos em exageros. Um pouco mais afastada, estava Claire com uma expressão entediada.
Sentou-se em uma poltrona ao lado da porta e esperou até que terminasse. Depois que Trevor – o diretor, de acordo com Claire — tinha terminado de falar e cada um foi indo embora. Quinn escutou ele gritar um ‘daqui á uma hora quero todos aqui de novo’ e cada um foi para um lado.
Levantou-se e se aproximou de Claire que tinha puxado o celular do bolso da calça jeans e o ligava. Quinn sabia que ela estava indo ligar para a loira, então esperou, colocando as mãos nos bolsos da jaqueta e vendo cada um deles saindo do auditório, até que ficou somente Claire e Quinn. A morena terminou de ligar o celular e Quinn a observou quando ela levou o celular ao ouvido.
Seu celular começou a tocar e ela sorriu se aproximando da morena, que olhava para todo lado com um olhar confuso.
Quando seus olhos encontraram os castanhos, Quinn começou a se sentir mal pelo motivo de estar ali. Ela mal conseguia acreditar que tinha dirigido duas horas apenas para falar aquilo para Claire.
– O que faz aqui? – Claire indaga desligando o celular, sem tirar os olhos da loira. – Você veio sozinha? Dirigiu duas horas, sozinha? Enlouqueceu?
Quinn soltou uma risada fraca e deu de ombros.
– Estou bem o suficiente para dirigir. – Disse e sorriu para a morena, que desceu do palco para se aproximar da loira.
– Então, o que veio fazer aqui? – Claire questiona, ainda não acreditando na resposta anterior da loira. – É bom que seja um motivo muito bom!
Logo o sorriso de Quinn sumiu. Não era um motivo bom. Ela só não aguentava esperar segunda chegar para conversar apropriadamente com a morena, precisava falar com ela, e logo.
– Claire... – Começou com um suspiro.
– Nem continue. – Claire corta rapidamente com um riso. Levantando os olhos, viu que o riso não era tão verdadeiro. – Eu já sei o que vem depois disso, não precisa ter esse trabalho.
– Mas...
– Apenas me diga se é o que você realmente quer. – Claire pede com os olhos brilhando. Quinn não sabia se eram lágrimas, nunca tinha visto a morena chorar então se aproximou, apenas para que ela pudesse envolver os braços em Claire, mas ela desviou com um sorriso. – Não se preocupe, eu estou bem. Nós duas sabemos que não envolvia sentimentos, era apenas algo para que pudéssemos nos sentir bem. É de boa! Vou ficar muito bem também se você decidir que não me quer mais por perto... Super bem!
Quinn sentia seus olhos aguando e ela sorriu com isso. Nunca pensou que um termino de um namoro fosse ser tão calmo, mas ela não queria ter que terminar um relacionamento com a morena, gostava dela na sua vida.
– Eu gosto de você, Claire. – Admitiu com um riso leve. – Gosto muito, mas...
– Você a ama. – Claire sussurrou e Quinn viu as lágrimas começarem a cair e a boca da morena se contorcer em um sorriso amargo, antes de um riso ofegante sair dos seus lábios. O coração de Quinn se quebrou um pouco com isso. – Poxa, achei que iria doer menos quando isso acontecesse.
Ela ficou confusa com isso. Franziu o cenho e pegou a mão de Claire, puxando-a para que se sentassem na beira do palco.
– Você já sabia que iria acontecer? – Indagou e Claire soltou uma risada antes de limpar as lágrimas, Quinn se inclinou e ajudou a morena com isso.
– Se lembra daquele dia na fogueira? Antes do infame Riff Off? – Quinn assentiu com um leve riso e Claire a imitou antes de continuar. – Bom, da mesma maneira que eu vi que você a ama, eu vi que ela te ama. Eu reconheço aqueles olhares em qualquer lugar, Quinn.
Olhando-a profundamente, Quinn começou a se perguntar quem era que estava na friendzone com a Claire. Mordeu o lábio inferior. Não hesitou antes de perguntar:
– Quem você deixou na Friendzone? – Questionou e viu a morena respirar fundo.
Parecia ser um assunto delicado, Quinn viu pelos olhos castanhos que Claire não queria falar sobre o assunto, mas antes que pudesse se desculpar, a morena começou a falar.
– Ela não era minha melhor amiga. – Explica antes de começar a contar a historia. Quinn apenas assente. – A irmã dela era minha melhor amiga. Ela era mais velha do que eu, então eu sempre ia á casa dela e ela me levava para festas da faculdade e tudo mais... Um dia, quando cheguei na casa dela, a irmã dela estava lá. Era linda. Mesma idade que eu, loira, olhos castanhos. Era doce, uma pessoa incrível. Só consegui conversar com ela por meia hora até que Caithlyn terminasse de se arrumar e nós saíssemos para uma festa.
– Caithlyn é a sua amiga? – Indagou á loira, sua voz sussurrante fez Claire sorri e assenti. – E onde está ela agora?
– Não faço ideia, seu pai foi ficando cada vez mais rico e ela foi me abandonando. – Deu de ombros com um suspiro. – Mas o que me interessava era Emily.
Emily... Quinn não quis pensar que a Emily da historia da Claire era a mesma Emily que ela conheceu na aula de biologia.
Será?
Hm.
– Então, como você a deixou na Friendzone?
– Quando comecei a namorar. – Respondeu a morena exalando. – Ele era um cara muito fofo e eu realmente gostava dele. Mas... um dia, quando eu estava em casa, alguém tocou a campainha e era Emily. Ela estava chorando e tremia por causa da chuva... – Claire respirou bem fundo mais uma vez. – Ela dizia que tinha que falar comigo, deixei que ela entrasse, ajudei ela a se secar e ficamos no sofá, enquanto ela tomava chocolate quente. Tive que insistir para que Emily me falasse o que queria falar, e ela me disse que tinha uma admiração muito grande por mim e que... Que achava que estava apaixonada por mim.
Quinn arregalou os olhos. Isso era realmente interessante! Ela poderia assistir a uma novela com esse tema.
– Achei que vocês só tinham se falado uma vez. – Comentou confusa, ela estava tão atenta na historia que não estava deixando passar nada.
– Não, nós conversávamos sempre que eu tinha que esperar Caithlyn, e por sorte, ela realmente demorava pra caramba! – Brincou soltando um riso fraco e suspirando logo em seguida. – Quando Emily me contou isso, eu... Não tive reação. Fiquei sem saber o que falar, então falei a pior coisa que tinha pra falar.
– Você disse que amava o seu namorado. – Quinn adivinhou e viu Claire a encarar confusa e chocada. Rindo, Quinn balança a cabeça. – É... Pois é, parece que essa coisa de dizer que ama o namorado é algo que as pessoas fazem hoje em dia.
Claire arregalou os olhos e riu levando uma mão até o cabelo negro, assentindo lentamente.
– Ela chorou. – Continuou com a voz baixa. Seu rosto escurecendo e Quinn quis abraçá-la, mas queria escutar o resto. – Mas o que mais me impressionou foi... Ela me beijou. Depois se afastou e disse... Disse que iria esperar por mim. Então foi embora.
Quinn a olhou e abriu os braços, a morena foi rapidamente para os braços da loira, enterrando o rosto em seu ombro e chorando.
Então era isso. Claire meio que deixou alguém na Friendzone. O ‘meio’ é porque ela tinha sentimentos pela tal Emily. Mas o que estava intrigando Quinn era se essa Emily era a mesma que ela conhece. Loira, olhos castanhos, doce, rica com uma irmã que gasta o dinheiro do pai.
Anotou para lembrar-se de perguntar isso para Claire antes de ir embora.
Depois de tudo isso, Claire acompanhou Quinn até o carro.
– Eu realmente iria te acompanhar se não tivesse um ensaio daqui a vinte minutos. – Claire diz e Quinn assente com um suspiro.
– Qual é o sobrenome dela? – Questionou, não tinha nada a ver com o assunto, mas ela tinha isso martelando na cabeça.
Claire a olhou, confusa e cerrou os olhos, parecendo pensar.
– Tinha alguma coisa a ver com Fitz... pati? Patris?
– Fitzpatrick? – Adivinhou ofegando. Ela estava certa!
– Sim! Como você sabe?
Sorriu ao ver os olhos da morena ter um brilho diferente, cheio de esperança.
– Ela é minha parceira de Biologia. – Respondeu dando de ombros, vendo o brilho de esperança nos olhos castanhos aumentar.
– V-você... como assim?
Rindo baixinho, Quinn coloca as mãos nos bolsos e assente para a morena. Mesmo não gostando de fazer esse tipo de coisa, ela iria juntar Emily com Claire, e é claro que iria ter a ajuda de Rachel nisso. Será que Rachel tinha algum remorso com Claire?
Elas se despediram, Claire ainda estava atordoada com tudo, mas não deixou Quinn ir embora antes de falar para ela lhe ligar ao chegar a Lima.
A viagem foi longa, Quinn sentia seu abdômen latejando de dor e tudo o que ela queria fazer era deitar na cama o resto do sábado. Mas depois de uma hora de viagem seu celular começou a tocar insistentemente. Um arrepio subiu pela espinha e ela riu baixinho, uma risada nervosa e baixa.
Parou o carro na frente da sua casa e suspirou ao ver a porta da sua casa se abrir e Rachel sair dela rapidamente e ir até o carro.
Saiu do carro com um sorriso, mas ao colocar a perna direita no chão gemeu de dor. Levou uma mão até onde estava o curativo e viu os olhos de Rachel se arregalarem quando ela chegou perto.
– Onde é que você estava?! – Guinchou a morena e se aproximou mais, agarrando a barra da camisa da loira, levantando e suspirando aliviada ao ver que não estava avermelhado ao redor do curativo. – Não está inflamado, pelo menos isso.
– Eu estou bem, Rach. – Garantiu com um murmúrio, sentindo os dedos finos e delicados da morena tocarem o seu curativo, sorriu carinhosamente.
– Onde você estava? – Choramingou a morena e levantou os olhos para a loira. – Eu liguei para o seu celular várias vezes e você não atendeu, falei com o seu pai e ele parecia tão preocupado e...
– Está tudo bem, Rach, eu estou bem. – A interrompeu com um suspiro, seu corpo pedia por descanso.
– O que você precisava fazer de tão urgente a ponto de ter que fazer mesmo estando recém-operada? – Questionou a morena que a puxava delicadamente pelo braço para que entrassem em casa.
Antes que pudesse responder, Russell abriu a porta e respirou, aliviado ao ver que sua filha estava de pé e parecia muito bem, apesar de estar bem pálida.
– Graças a Deus você está bem! – Ele caiu no portal da porta com um suspiro aliviado.
– Estou muito bem, só tinha que resolver algumas coisas. – Explicou rapidamente e viu Rachel franzir as sobrancelhas, mas não disse nada porque Russell se aproximou para ajudá-la a entrar em casa.
Foram para o sofá e Rachel foi para a cozinha pegar alguma coisa para Quinn comer – de acordo com ela, Quinn estava pálida de fome, mas a loira não disse nada, afinal, Rachel estava certa. Russell passou vários minutos perguntando se ela estava sentindo alguma coisa e Quinn respondeu sinceramente que era somente um incomodo e tomou remédio para dor.
Depois de algum tempo, Quinn e Rachel estava sozinhas no quarto da loira. Rachel tinha a cabeça dela em seu colo e acariciava os fios loiros com carinho. Quinn estava quase adormecendo quando a morena decidiu lhe questionar:
– O que você tinha que resolver? – Sua voz saiu em um sussurro calmo, mas mesmo cansada, Quinn conseguiu distinguir o ciúme na voz da morena.
Abriu os olhos e virou a cabeça para encontrar os olhos castanhos, os dedos de Rachel agora estavam acariciando o rosto da loira com delicadeza, passando os dedos nas linhas de expressão da outra, quase que a memorizando.
– Não precisa se preocupar, Rae. – Ergueu uma mão, tocando a bochecha da morena e sorrindo ao ver que ela se inclinou para o seu toque.
– Não tem como eu não me preocupar, Quinn. Preciso que você, ao menos, me explique o motivo de ter saído tão cedo e entrado em um carro recém operada! Você não pode nem ficar muito tempo sentada!
Sorrindo mais ainda, Quinn tocou a ponta do nariz da morena, apertando-o com uma risada. Impulsionou para cima, gemendo e se arrumando para ficar de frente para Rachel.
– Fui até Akron. – Começou e viu os olhos castanhos se arregalarem. – Mas antes que comece a falar sobre os riscos que corri lembre que estou bem aqui na sua frente. – Viu o olhar da morena se suavizar e ela assentir com o lábio inferior se projetando para frente em um beicinho. Sorrindo amorosamente, Quinn continuou a falar. – Fui apenas conversar com alguém.
Esperou que Rachel processasse a informação. A morena ia de uma expressão confusa para uma ciumenta até que seus olhos ficaram brilhantes, então voltou para a confusão.
– A Claire estava com o Vocal Adrenaline, certo? – Questionou a morena, Quinn assentiu com um sorriso de canto. Deveria dizer logo tudo, mas era divertido ver Rachel pensar. Ela ficava linda com a expressão pensativa. Ela ficava linda fazendo qualquer coisa. Ela é Rachel Berry porra! – Você foi falar com ela, certo? O que você foi falar com ela?
– Nós conversamos e terminamos. – Disse simplesmente e viu os olhos castanhos arregalarem mais uma vez, mas dessa vez, vinha acompanhado de um belo sorriso.
– Isso é muito bom! Não para Claire é claro, ela perdeu uma pessoa como você, isso é péssimo para ela. Mas é muito bom para mim! E pra você também! E...
– Eu sei, eu sei, Rach! – Interrompeu rindo, mas seu sorriso foi desaparecendo. – Você sabe o que vem agora.
Rachel assentiu e respirou bem fundo.
– E eu vou resolver isso também. – Sua voz foi baixa e bem determinada.
Quinn sorriu timidamente e assentiu.
– E... o que vai ser depois?
Ambas suspiraram e se encararam. Não sabiam o que viria depois, mas esperavam que desse tudo certo, e que ninguém saísse machucado.
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