Tryin To Find A Reason Why
14 Capítulo XIV – I Just Want To Move On
Notas iniciais
Capítulo XIV – I Just Want To Move On
– V-você... você quer que eu te b-beije?
Quinn engoliu em seco e fechou os olhos, virando as costas para Rachel que ainda tinha os olhos arregalados. A loira não poderia ter pedido isso. Ela estava enlouquecendo. Seus ouvidos estavam péssimos por causa dos fones de ouvido... só poderia ser isso!
– Quinn...
– Não precisa dizer nada! Eu sei que é idiota. – A loira falou rapidamente, passando as mãos pelo rosto, sentindo-se ridícula. – Não deveria ter falado coisa alguma.
– Mas...
– Não, Rachel, não precisa.
– Não me chame de Rachel! – Virou com os olhos arregalados, encontrando os nervosos da morena. Rachel tinha se levantando e parecia alterada. – Você não me chama de Rachel, você me chama de Rae, ou Rach, mas não Rachel.
– D-desculpa... – Quinn pediu baixinho, olhando para baixo, sem saber o que fazer.
– Você me pediu para te beijar.
Novamente ela fechou os olhos. Seu coração acelerou de medo. Ela tinha medo de passar de novo por aquilo que passaram quando Rachel descobriu sobre os seus sentimentos.
– Eu sei que é ridículo. – Quinn murmurou, andando até a cama e sentando, levou as mãos até o cabelo, enterrando os dedos e respirando fundo. – Mas... eu sinto como se... se eu não tiver o meu primeiro beijo com você...
– Eu achei que você já tinha dado o seu primeiro beijo... Owen Grant... ele não foi o seu primeiro beijo? E aquele seu namorado... como era o nome dele? Jason Thorne?
Quinn riu sem humor, balançando a cabeça e erguendo os olhos para Rachel.
– Não contaram. Nenhum beijo que eu dei com eles...
– Você não sentiu. – Rachel se aproximou, parando na frente da loira.
– Nada. Nem mesmo um choquezinho. Era como uma... uma tortura que eu me obrigava a sofrer.
Rachel a olhou tristemente. Quinn não queria esse olhar para ela. Levantou, passando pela morena e colocando as mãos na parede, respirando fundo. Seu coração ainda batia rápido por causa do nervosismo.
– Achei que você já estivesse beijado a...
– Eu não consegui. – Virou para a morena, suspirando tristemente. – Eu tentei, mas toda vez que olhava pra ela, eu pensava no que Frannie tinha me dito. Eu meio que prometi que teria o meu primeiro beijo com você e agora isso me assombra!
– Então... porque você acha que me beijar irá melhorar a situação?
– Não vai melhorar. – Negou veementemente. Respirou fundo e riu sem humor. – É uma necessidade. Eu necessito que o meu primeiro beijo seja com alguém que eu realmente ame.
Viu como os olhos de Rachel vibraram e um brilho diferente apareceu neles. Engoliu em seco e ignorou.
Não disse mais nada, mas Rachel também ficou calada. Respirou fundo e fechou os olhos. Não queria acreditar no que tinha dito para a morena, preferia ficar pensando que não tinha dito nada, mas sabia que os olhos de Rachel estavam bem atentos sobre ela.
Sentiu uma mão na sua nuca e outra em seu ombros, abriu os olhos a tempo de ver o rosto de Rachel se aproximando, então os fechou rapidamente, a respiração quente da morena sobre seus lábios, para logo depois sentir eles serem pressionados pelos lábios grossos de Rachel.
E então, Rachel está beijando ela. Rachel Berry está beijando seus lábios. Algo que ela nunca pensou que fosse acontecer. Rachel Berry finalmente beijando seus lábios. E não era um beijo simples. Era um beijo cheio de lábios, línguas e dentes. Quinn, instintivamente, levou as mãos até a cintura da morena, apertando seu corpo contra o dela.
Estava tudo girando. Seu corpo estava tremendo. Mas Rachel estava segurando-a. As mãos da morena estavam tão firmes em seu pescoço, os dedos dela acariciando sua mandíbula, enquanto a outra mão acariciava os fios da sua nuca.
Rachel se afastou lentamente, respirando fundo e soprando um ar quente contra seus lábios, e Quinn percebeu o quanto os seus estavam dormentes.
– Uau... – Murmurou, ainda de olhos fechados.
Escutou uma risada baixinha de Rachel e sentiu que os dedos da morena ainda acariciavam seu cabelo.
– Como foi? – O sussurro de Rachel fez com que seu corpo tremesse levemente e um suspiro escapar dos seus lábios.
– Perfeito...
Ainda com os olhos fechados, Quinn não poderia ver o olhar encantado em Rachel. A morena tinha esse sorriso enquanto observava cada detalhe do rosto de Quinn. Nunca, nunca mesmo, Rachel pensou que iria gostar tanto de beijar alguém. E tudo o que ela queria era colar seus lábios nos da loira mais uma vez, e sentir o que sentiu quando a beijou.
Então os olhos de Quinn foram se abrindo lentamente, e encontraram os seus. Ela sabia que nada entre elas iria mudar, mas Rachel sabia que algo dentro de si tinha mudado.
E ela não estava sabendo como lidar com isso.
__
– Como assim?! – Finn guinchou desligando o Xbox e virando para Quinn com os olhos arregalados.
– Eu não sei! Só... poxa foi...
– Perfeito?
– Muito mais que perfeito... – Sussurrou sonhadora, se jogou para trás na cama gigante de Finn e suspirou. – Mesmo assim, sinto que fiz a maior merda da minha vida.
Finn fez uma cara triste e se levantou do chão, para subir na cama e sentar ao lado de Quinn.
– Pelo menos você conseguiu fazer o que queria fazer a muito tempo. – Finn tentou e Quinn apenas sorriu amarga.
– Tem tantas coisas que eu queria fazer... e ainda quero.
Depois que terminou de falar olhou para Finn e o viu com os olhos arregalados e as bochechas coradas. Bufou e se sentou na cama, rindo levemente e balançando a cabeça.
– Sim, eu penso nisso também, mas não era exatamente do que eu estava falando. – Explicou e viu o garoto engolir em seco antes de assentir e as bochechas voltando a sua cor normal.
– Eu não vou pedir pra que você me diga o que quer fazer... – Ele diz baixinho, suas bochechas corando só levemente dessa vez. – É algo que você tem que guardar para o futuro.
Quinn bufou mais uma vez.
– Pra quê? – Indagou irritada. Não aguentava mais aquele otimismo inabalável de Finn! Ela não queria ter esperanças com algo que ela sabia que não iria acontecer.
– Deixa pra lá. – Finn ergueu as mãos em um pedido de desculpas.
Quinn assentiu e respirou fundo. Passou uma mão pelos cabelos e assentiu mais uma vez, dessa vez, para si mesma. Era uma maneira que tinha de se conformar com a verdade... Mesmo que isso a destruísse por dentro.
– Finn! – A porta do quarto dele se abriu rapidamente e Kurt entrou com os olhos arregalados. – Ops!
Finn não parecia feliz com a intromissão de Kurt.
– Não poderia bater?
– Sim, eu poderia, mas tem gente te esperando lá emb-
– FINNIE!
Uma voz ecoou e Quinn franziu o cenho. Pelo grito, ela tinha certeza de que era Puck.
– Ele está muito bêbado. – Kurt falou rapidamente, os olhos arregalados. – Veio sem carro e já quebrou dois va... – Mais uma barulho de algo quebrando e alguém rindo baixinho. – Agora são três...
Os olhos de Finn se arregalaram e ele correu para se levantar e pegar a chave do carro em cima da mesa de centro. Virou para Quinn com os olhos ainda arregalados.
– Te vejo depois? Beleza! – E ele desceu correndo.
Quinn escutou alguns sons de pessoas falando e então uma alta gargalhada. Logo a porta do andar de baixo bateu e ela respirou fundo, olhando ao redor do quarto. Será que ela deveria se levantar para ir embora?
– O que faz aqui? – A voz de Kurt lhe tirou dos pensamentos.
Levantou os olhos para ele e comprimiu os lábios. Kurt era muito amigo de Rachel, e Quinn não sabia se ela teria contado para ele sobre os sentimentos da loira. Mesmo achando que Rachel nunca iria falar sobre isso com alguém que não fosse ela, Quinn ainda temia que o garoto soubesse. Mas ao ver a confusão expressa nos olhos azuis de Kurt, Quinn entendeu que ele não sabia sobre seus sentimentos. E isso a deixou muito aliviada, e um sorriso pequeno surgiu em seus lábios, involuntariamente.
Mas antes que pudesse arrumar uma desculpa, Kurt arregalou os olhos e seus olhos brilharam perigosamente. Quinn ficou assustada com a semelhança que Kurt tinha com Rachel quando queriam saber de alguma coisa.
– Rachel disse que você sabe quem é a arma secreta do Vocal Adrenaline. – Ele se aproximou dela lentamente e sentou ao seu lado, um sorriso assustador surgindo em seus lábios.
– Eu meio que não conheço...
– Mas você já viu? Já escutou ela cantar? Como ela é? É um homem? Mulher? É um homem bonito? Porque se for, realmente não sei o que faria sobre isso...
– Ahn... Achei que tivesse um namorado.
Kurt abanou a mão em descaso e Quinn bufou uma curta risada.
– Eu amo o Blaine, mas sou um admirador do corpo masculino! Sempre será muito bom ver outros homens, principalmente se cantarem muito bem. – Ele esclareceu e Quinn assentiu com os lábios comprimidos.
– Bom, é uma mulher e eu só a vi de longe. – Uma meia mentira, mas ainda assim, ela se sentiu mal por dizer que não conhecia Claire. Mas Kurt não precisava saber da morena.
– É muito boa? Melhor do que Rachel? Oh... Ela não é melhor do que eu, né? Ninguém é melhor do que eu!
Quinn apenas suspirou. Ela realmente deveria ter fugido quando Finn saiu com Puck.
__
Sentou nas arquibancadas e respirou o ar frio, cruzando os braços quando o vento lhe atingiu, fazendo-a estremecer. Passou uma mão pelo cabelo, tirando-o dos olhos.
– O que faz aqui? – A voz da latina ecoou um pouco longe, Quinn levantou seus olhos encontrando uma Santana completamente suada.
Sim, Quinn tinha ido assistir a prática das Cheerios. Ela só não queria ficar encarando Rachel com um olhar apaixonado toda vez que a morena passava por ela, então resolveu que iria pular a aula de Literatura que tinham juntas e foi assistir as Cheerios.
– Nada, apenas não tinha o que fazer.
– Assistir aula? – Santana debochou e sentou ao seu lado. – Porque Quinn Fabray iria matar aula?
– Pelo mesmo motivo que você saiu das Cheerios no ano passado. – E sorriu triste, vendo os olhos de Santana brilharem com lágrimas não derramadas.
Sim, Santana tinha saído das Cheerios no ano anterior, porque descobriu estar apaixonada por sua melhor amiga: Brittany Pierce. Ela ficou tão perdida com isso que implorou para a treinadora para que tirasse ela da equipe, precisando ficar longe da loira. E ela saiu por duas semanas, até Brittany implorar para que ela voltasse e ela o fez sem pensar. Então Brittany começou a namorar um cadeirante que a ensinava as matérias mais difíceis. Santana até considerou sair novamente das Cheerios, mas percebeu que não iria mudar nada, e caiu de cara nos exercícios pesados, se tornando a capitã.
– Bom, estamos na merda. – Quinn apenas concordou com a afirmação seca da latina. – Mas o que fez você vir aqui?
– A vontade de não assistir aula.
Santana bufou uma risada e se recostou na grade atrás da arquibancada, suspirando e jogando a cabeça para trás. Quinn imitou sua posição e olhou para o campo, vendo que as Cheerios estavam arrumando suas coisas.
– Então... Era a Berry esse tempo todo? – A pergunta de Santana a fez rir levemente.
Ela nunca tinha falado para a latina sobre os seus sentimentos, mas ela sabia que Santana já tinha descoberto tudo antes mesmo que Quinn pensasse em falar sobre isso com ela.
– Sim. – Respondeu simplesmente, e ainda complementou: — Eu estou muito na merda.
– Com toda certeza, Berry anda bastante feliz com o Jesse St. Jegue. Não queria estar na sua pele.
Quinn bufou irritada. Ela sabia como Rachel estava, afinal, ela era a melhor amiga da morena. E ela a conhecia muito bem!
E tinha beijado os lábios da morena na semana passada.
– Eu não queria estar onde estou agora. – Retrucou, sua voz saindo amargurada e seca.
Santana riu levemente. Mesmo que não parecesse estar feliz, Quinn conhecia Santana, sabia que a latina estava ali porque se importava com ela.
– Pelo menos eu sei que não estou sozinha no barco da Friendzone. – Quando Santana disse isso, Quinn não conseguiu evitar uma longa e alta gargalhada.
A latina a acompanhou logo em seguida.
Bom, pelo menos elas ainda poderiam rir disso.
__
Observava seu pai pegar alguns pacotes de macarrão e colocar dentro do carrinho. Seus braços cruzados enquanto se apoiava no mesmo. Estavam no supermercado porque seu pai queria fazer um jantar para apresentar a sua amiga para Quinn. A loira sabia que seu pai estava querendo voltar a namorar, e estava meio hesitante por causa dela. Mesmo que Quinn já tivesse dito várias vezes que não tinha problema ele namorar, e que ela iria sempre ficar feliz por ele.
– Qual sabor de sorvete eu devo levar? – A voz do seu pai lhe tirou dos pensamentos.
Um sorriso brincou em seus lábios enquanto ela se aproximava com o carrinho.
– Qual sabor ela gosta?
Seu pai ficou encarando o freezer com uma mão no queixo e uma expressão pensativa.
– Ela nunca me disse de que sabor gostava. – Ele murmurou com os olhos cerrados, que logo se arregalaram. – Mas ela me disse que gostava muito de frutas vermelhas!
Quinn riu baixinho e voltou a cruzar os braços sobre o carrinho.
– Então pegue algo com frutas vermelhas! – Exclamou com um sorriso.
Era como se os papeis estivessem invertidos, seu pai era o adolescente apaixonado e Quinn era a mãe atenciosa.
– Hmmmmm... Achei! – Ele enfiou a mão dentro do freezer e tirou o sorvete de frutas vermelhas. – Vamos?
Quinn assentiu e eles foram caminhando até o caixa. A loira estava tão distraída que não percebeu que alguém tinha os olhos vidrados nela. Ela guiava o carrinho com um olhar perdido enquanto seu pai falava sobre o que iria fazer para o jantar. Até que seu parou de falar, chamando sua atenção.
– Acho que tem alguém te encarando. – Ele diz com um sorriso de canto. Quinn ficou repentinamente tensa.
Ela não sabia se era Rachel, e temia que fosse. Não falava com a morena desde que elas se beijaram, e já faziam uma semana que tinha acontecido. Nem ela e nem Rachel falaram sobre o assunto. Elas apenas se olhavam e sorriam, tudo isso de longe.
Quinn tinha muito medo de que se Rachel se aproximasse iria acabar descendo os lábios nos lábios grossos da morena.
– É a Rachel? – Perguntou temerosa. Seu pai riu baixinho e negou.
– Essa é um pouco mais alta que ela.
Okay, agora eu estou confusa.
– Eu realmente nunca pensei que fosse te encontrar de novo.
Quinn saltou e olhou para trás, encontrando os olhos cor de mel de Claire. A morena tinha um sorriso preguiçoso enquanto suas mãos estavam enterradas dentro da jaqueta.
– Claire. – Ainda estava em choque, seu pai riu atrás dela e afastou Quinn do carrinho.
– Vou deixar vocês conversando. – Ele disse e beijou a têmpora de Quinn. – Quando terminar estarei no caixa.
E ele se afastou.
– Seu pai? – Claire perguntou, os olhos interessados ainda em Quinn.
A loira pigarreou e assentiu.
– Foi mal não ter apresentado vocês.
Claire apenas deu de ombros, seu sorriso apenas aumentando.
– Então, aproveitando que nos encontramos. – Quinn sentia as próprias bochechas corando com algo que ela poderia imaginar que estava chegando. Quando Claire soltou uma leve risada, Quinn sentiu seu corpo relaxar. – Porque não saímos um dia? Não dá pra ficar só se encontrando em lugares inusitados!
Quinn realmente poderia pensar nisso. E ela queria dizer sim com tanta vontade que ficou assustada. Ela queria tanto que seus olhos arregalaram.
– Fique a vontade para responder. – A voz de Claire não estava mais tão animada como antes. Na verdade, parecia meio nervosa. – E-eu não estou dando em cima de você! Podemos sair como amigas, nos conhecer melhor! Nem sei se vo-
– Sim.
– Oh. – Quinn sorriu ao ver os ombros de Claire relaxarem um pouco. – Bom... então.. eu te vejo depois?
O sorriso preguiçoso estava de volta nos lábios da morena, Quinn sorriu junto com ela e assentiu.
Elas trocaram números e logo Quinn já estava andando na direção do seu pai, que tinha um sorriso malicioso no rosto. Quando ele lhe perguntou o que tinha acontecido. Ela apenas deu de ombros e ficou desviando o olhar do seu pai, tentando ver se achava Claire mais uma vez.
Talvez... só talvez... essa fosse a sua chance de seguir em frente.
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