Tryin To Find A Reason Why
4 Capítulo IV – I Felt The Earth Beneath My Feet
Notas iniciais
Capítulo IV – I Felt The Earth Beneath My Feet
Passou as mãos pelo cabelo e entrou em casa. O som de panelas batendo e risos vindo da cozinha a fizeram relaxar instantaneamente. Andou pelo corredor e parou na porta da cozinha. Sua mãe ria das coisas que seu pai fazia e Frannie ria quando seu pai brincava com ela. O sorriso nos lábios da sua mãe a fizeram sorrir.
– Quinn! – Seu pai guinchou quando a viu. Quinn gargalhou e sentiu seu corpo ser levantado por um abraço apertado do seu pai. – Chegou cedo em casa! O que aconteceu?
– Rachie com o novo namorado dela? – Frannie provocou se inclinando na bancada da cozinha.
O sorriso sumiu dos lábios de Quinn. Lembrando de como Rachel era envolvida pelos braços de Finn e como seu coração doeu ao ver o sorriso nos lábios dela.
– Não é engraçado, Frannie. – Sua mãe bronqueou, batendo levemente no braço de Frannie que fez um beicinho e se inclinou para pegar um pedaço do melão fatiado na tigela. – Como você está, querida?
Quinn respirou fundo e andou até o balcão, parando ao lado de Frannie e sentando no banco.
– O mesmo de sempre. – Murmurou e abaixou a cabeça, deitando a testa na bancada.
Sentiu dedos de Frannie massagearem a sua nuca e sorriu para a mesa de mármore na sua frente.
– Você só tem 11 anos, Quinnie. Tudo vai melhorar. Um dia, quem sabe, Rachel vai perceber que o grande amor da vida dela é a pessoa que está bem na frente dela, e vocês viverão felizes para sempre.
– Achei que eu fosse a sonhadora, Frannie. – Quinn zombou e tirou a cabeça da mesa.
– Mas sua irmã está certa. – Seu pai pontuou com um sorriso. – Rachel ainda não percebeu que você é o amor da vida dela, lhe der um tempo.
Quinn olhou para o seu pai e quando sua mãe melou o nariz dele com farinha.
– Acho que sim, papai. – Comentou depois que pararam de rir.
– Confie nele, Quinnie. O homem que ainda acha que eu uso frauda. – Frannie zombou gargalhando quando seu pai lhe encarou sério.
– Você é o meu bebê, não importa quantos anos tenha.
– Eu tenho 17, papai. Só estou esperando a minha carta de aceitação da UCLA para sair daqui. – E encenou uma decolagem de avião, fazendo Quinn rir e empurrar sua irmã levemente.
– Eu não quero saber de você indo embora, vamos mudar de assunto. – Russel fez beicinho e pegou um morango da tigela, ainda fazendo beicinho enquanto comia.
– Oh, querido, sabe como é. – Judy acariciou a nuca do marido e sorriu beijando seus lábios avermelhados pelo liquido do morango. – Daqui a pouco aparecem os netos!
– Não mesmo! – Russel e Frannie guincharam no mesmo tempo e Quinn riu com sua mãe.
__
Abriu os olhos e encarou a parede na sua frente. Respirou fundo e tentou lembrar de onde estava. Biblioteca pública. Estudar. Prova no dia seguinte. Suspirou e passou as mãos pelo rosto. Arregalou os olhos para se manter acordada e encarou o notebook que estava hibernando na sua mesa. Engoliu a saliva e mexeu o mouse para ligá-lo novamente.
– Tudo bem? – Sentiu uma mão em seu ombro e levantou os olhos, encontrando olhos azuis.
– Hmmm. Sim, tudo bem. Apenas cansada. – Respondeu, ainda sem saber quem era a pessoa na sua frente.
– Oh. Talvez devesse ir para casa. – A mulher murmurou e Quinn olhou para sua pasta ao lado do notebook. Talvez ela realmente devesse arrumar as coisas e ir embora, estava muito cansada. Não dormia tranquilamente a alguns dias.
– É... acho que sim. – Balançou a cabeça e olhou para a mulher mais uma vez.
Tinha mais ou menos a sua altura, um pouco mais baixa. Era morena, olhos azuis e lábios grossos. Pelo uniforme azulado, uma calça jeans e uma camisa de botão azul clara, e um colete azul mais escuro, Quinn percebeu que ela trabalhava na biblioteca. Balançou a cabeça mais uma vez e cerrou os olhos para enxergar o nome do crachá, mas estava sem seus óculos.
– Bownder. – A mulher disse quando percebeu a dificuldade de Quinn. – Ashley Bownder. Nós estudamos juntas. Inglês?
Quinn arregalou os olhos e pegou os óculos em cima da mesa, colocando-o e sorrindo ao enxergar melhor a pessoa na sua frente.
– Ashley! Nossa, eu... eu estou realmente desligada esses dias. – Murmurou mais para si mesma do que para a morena na sua frente.
Ashley abriu um sorriso que fez outro se formar nos lábios de Quinn. A morena era realmente uma mulher bonita. Seus olhos se arregalaram ao lembrar que o nome dela estava na lista de Rachel. E logo foi tomada por uma magoa que fez o sorriso de Ashley desaparecer e uma expressão preocupada tomar conta do seu rosto.
– Você está bem? Parece meio triste.
– Eu nem sei o que dizer. – Murmurou e passou as mãos pelas sobrancelhas, sentindo sua cabeça começar a doer. – Então... você trabalha aqui?
Ashley riu e olhou para trás, se esticando e pegando uma cadeira.
– Se importa se eu sentar com você? – Ela perguntou e Quinn balançou a cabeça com um sorriso. – Sim, eu trabalho aqui, achei que fosse obvio. – E apontou para a roupa que usava.
Quinn riu sem graça e levou uma mão até a nuca, lembrando que seu cabelo não era mais curto para puxar. Lembrou-se mentalmente de cortar o cabelo.
– É, eu percebi.
– Isso tem alguma coisa a ver com Rachel Berry? – Ashley perguntou, olhando Quinn de cima a baixo.
– Como você...?
– A sua cara. E eu sei que você é a melhor amiga dela e tal. – A morena sorriu e Quinn sorriu com ela. Era quase impossível, os lábios grossos dela atraiam a atenção da loira o tempo inteiro. – E ela meio que me perseguiu a semana passada inteira.
É o que?
– É o que?
– É... Eu ainda não entendi. Ela ficava me perguntando essas coisas...
Quinn respirou fundo e se controlou para não ligar para Rachel naquele momento. Ela realmente não achava que a morena tinha ido tão longe.
– Que tipo de coisas? – Perguntou rapidamente, pressionando os dedos na têmpora. Sua cabeça latejava mais ainda.
– Se eu namorava. O que queria fazer da vida. Se trabalho. Se tenho algum histórico de doença na família... – Ela respirou e fez um bico. Quinn sorriu minimamente. – Realmente, ou ela quer me obrigar a fazer um cartão de alguma loja de roupa, ou ela é realmente louca.
– Eu estou realmente começando a considerar isso... – Murmurou baixinho. Ashley a olhou confusa.
– O quê?
– Hmmm? Nada. É que eu lembrei que tenho que ir em um lugar. – E começou a arrumar as coisas rapidamente. Olhou para a morena que ainda a observava com um olhar confuso.
– Eu falei alguma coisa errada? Te ofendi?
Levantou os olhos e encarou os azuis da morena. Sorriu de canto, para aliviá-la.
– Não, você não fez nada errado eu só... preciso resolver uma coisa.
– Okay... Ahmmm. Te vejo na segunda?
Quinn apertou a bolsa do notebook contra o peito e sorriu. Ashley era obviamente gay. Talvez nisso Rachel tinha acertado.
– Claro. Aula de inglês, né?
– Sim. Inglês.
Assentiu e saiu andando.
__
– RACHEL! – Gritou subindo as escadas. Ela tinha a chave da casa da morena, e sabia que os pais dela não estavam em casa. Do contrário, ela nunca gritaria pela casa, a procura da morena.
– O quê? – Rachel abriu a porta do quarto, confusa e com os olhos arregalados de preocupação. — Aconteceu alguma coisa?
– Oh, aconteceu. – Entrou no quarto e passou as mãos pelo cabelo e pelo rosto, em um sinal claro de irritação.
– O quê?
– A lista que você fez. – Disse apontando para os papeis em cima da escrivaninha da morena. – Como você conseguiu as informações?
Voltou os olhos para Rachel que corou notavelmente.
– Bom, eu...
– Você interrogou cada uma dessas garotas, Rachel?
– Bom...
– Apenas diga: Sim ou não?
– Sim!
Quinn a olhou, esperando que Rachel continuasse falando, mas a morena olhava para todos os lugares, menos para ela. Soltou uma risada cheia de sarcasmo.
– Não sei por que estou surpresa. – Murmurou e andou até a porta do quarto.
– Para onde vai?
– Minha casa.
– Mas... você vai chegar assim e simplesmente vai embora? Nem ao menos, me explicar o porquê de estar chateada?
Quinn parou de andar e se encostou no canto da porta. Abaixou a cabeça e balançou-a. Achando cada vez mais ridículo que Rachel não tenha percebido sua magoa. Afinal, a morena era para ser sua melhor amiga, e para notar sempre que ela estivesse mal.
– Você só pensa em si mesma, e nem percebe o que está na sua frente. Sob o seu nariz. – Murmurou baixo, não esperando que Rachel escutasse. Mas a morena escutou.
– O que quer dizer? – Rachel perguntou, sua voz soando tremida. Quinn não levantou a cabeça para ver se Rachel estava chorando ou irritada.
– Que você é egoísta. – Disse simplesmente e saiu do quarto.
Estava quase chegando na porta, depois de descer as escadas, batendo os pés com força no chão, apenas para demonstrar o quão irritada estava, mas antes de chegar na porta, escutou os passos rápidos de Rachel e a morena parando na sua frente, com as costas contra a porta.
– Rachel...
– Como você ousa dizer que eu sou egoísta? – A voz da morena estava tremida, e Quinn viu que ela estava irritada. Muito irritada. Tentou ignorar isso, mas sabia que teria que enfrentar, ao menos se ainda quisesse falar com Rachel depois. Abriu a boca para falar, mas Rachel a interrompeu. – Eu fiz de tudo para que você não se sentisse mal por não ter alguém. Passei a semana inteira tentando conhecer garotas aleatórias para poder ver se elas eram boa o suficiente para você!
Quinn gargalhou. Não deveria, mas gargalhou. Rachel arregalou os olhos.
– Em tudo o que você disse, sabe o que realmente você esqueceu de analisar? – Rachel balançou a cabeça e Quinn se afastou, virou de costas e olhou ao redor da sala. Sua raiva era tanta que ela sentia a cabeça doer. – Você queria que eu não me sentisse mal, porque você se sentia mal quando me via sozinha, sendo que, eu nem ao menos, me importo com isso. Era algo que você não queria mais sentir, porque lhe incomodava.
Virou para Rachel, vendo como os olhos castanhos estavam cheios de água.
– Isso não é verdade...
– Sim, é verdade sim. – Sorriu sem saber o que fazer. Tirou a franja dos olhos e continuou encarando Rachel. – Sabe por que eu não arrumei ninguém? – Rachel balançou a cabeça em negação. Quinn acenou e sorriu mais ainda, seus olhos começando a derramar lágrimas que ela nem sabia que estavam caindo. – Porque a pessoa que eu queria... a pessoa que eu queria já tinha alguém que a tratava bem, e isso... isso eu não posso competir.
Rachel a olhou, confusa deu alguns passos para frente, para, talvez, tentar alcançar Quinn. Mas a loira deu a volta na morena e abriu a porta da casa, saindo às pressas para alcançar o seu carro. Sabia que Rachel não tinha conseguido lhe alcançar, e que a morena ainda estava parada, olhando para o nada, tentando pensar nas coisas que ela tinha lhe dito.
Ela sabia, que se Rachel tivesse notado alguma coisa nela, algum olhar, qualquer coisa, ela iria perceber que a pessoa de quem Quinn falava, era ela.
E por algum motivo, ela não sabia se era isso mesmo o que queria. Pensou que, talvez, teria sido melhor guardar segredo de Rachel, até o momento em que ela iria perceber que Quinn a amava e iria largar quem quer que estivesse com ela para se jogar nos braços da loira. Sim, claro, isso era uma fantasia. Mas Quinn tinha, sim, essa esperança.
Um sonho que estava ficando cada vez mais longe.
Principalmente depois de hoje.
__
Tinha o rosto escondido contra o peito do seu pai, tremia em soluços fortes enquanto seu pai acariciava suas costas. Tinha chegado em casa e corrido para a sala, sabendo que seu pai estaria lá, assistindo televisão, como sempre. E foi exatamente o que encontrou, ele estava perdido no que passava na televisão, e nem percebeu quando Quinn se jogou nele, chorando copiosamente. Um choro de partir o coração de qualquer pessoa. Ele se assustou e apertou Quinn em seus braços, sabendo que só poderia ser uma coisa.
Rachel.
E quando a loira começou a murmurar algumas coisas sobre uma lista e sentimentos, Russel entender que Rachel tinha aprontado e que Quinn jogou nela como ela se sentia. Respirou pesadamente e beijou o topo da cabeça da filha, tendo a certeza de que não sabia como aliviar a dor que ela sentia.
– Eu a amo tanto, papai. — Quinn murmurou, depois que finalmente conseguiu parar de chorar. – Tanto... eu nunca pensei que conseguiria amar alguém assim.
Russell assentiu. Ele não sabia o que dizer. Lembrava bem do dia em que Quinn lhe disse como ela se sentia em relação a Rachel e que ela achava que era gay. Ele ficou um pouco desapontado, mas Judy lhe explicou. Ela lhe disse que Quinn era especial, e que esses sentimentos eram especiais. Judy a fez abrir a cabeça. Abrir a cabeça para algo que ele não estava vendo.
Como o amor de Quinn por Rachel.
Sorriu de canto e começou a fazer um leve cafuné na cabeça da filha, sentindo-a soluçar levemente contra o seu peito. Doía nele saber que Quinn tinha passado por tanta coisa em tão pouco tempo de vida. A morte da mãe e da irmã... um amor não correspondido. Tanta dor para alguém tão nova como ela.
– Sabe Quinn, quando você era mais nova, antes de você me contar sobre os seus sentimentos por Rachel, eu percebia que você tinha alguma coisa de diferente. – Ele começou a falar, sabendo que Quinn estava lhe escutando. – Eu sabia pelo modo como você sempre gostou de assistir os jogos de futebol comigo, como você não gostava de brincar com os seus primos, só com sua irmã ou com Rachel. Como reagiu quando conseguiu o seu primeiro namorado, e a sua expressão quando o apresentou para sua mãe e eu. Mesmo que isso do namorado só tenha vindo depois que você nos disse como se sentia, e que eu já queria destruí-lo por estar obrigando você a ficar com ele. – Ele terminou brincando e Quinn riu fracamente, apertando a mão contra a camisa do pai. – Eu via os seus olhares, para Rachel quando você achava que ninguém estava olhando. Via o seu sorriso quando ela entrava em qualquer cômodo em que estava. Quinn... Eu assisti você se apaixonar por Rachel, aos poucos, até você ter idade o suficiente para entender o que é o amor.
Ela levantou a cabeça e encarou o pai, olhando-o nos olhos. Estavam vermelhos, perdidos. Russell sentiu seu coração se partir mais um pouco. Era terrível ver a sua filha sofrendo tanto assim.
– Acha que eu fiz a coisa certa?
– Mesmo que tenha sido totalmente por impulso. – Ele fala e Quinn sorri sem graça. – Acho que você já deveria ter feito isso há muito tempo.
Quinn sorriu e assentiu, abaixando a cabeça e respirando fundo. Russell viu seu sorriso sumir aos poucos.
– Ela não vai corresponder. – Quinn murmurou baixinho.
– Como sabe disso?
– Eu tenho certeza. – Sentou no sofá e Russell bateu a mão em seu ombro.
– Não tenha tanta certeza, minha querida. – Ele disse e pegou impulso para levantar. Rindo quando Quinn fez uma expressão totalmente confusa para ele. – A vida é uma caixinha de surpresas. Quem sabe ela possa lhe surpreender com uma coisa muito boa?
E foi para a cozinha, fazer algo para eles comerem.
Deixando Quinn perdida em pensamentos.
Fale com o autor