Try Me
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Notas iniciais
POV Regina
Henry foi passou todo o percurso do hospital para casa calado, pensando que eu reclamaria com ele, e eu reclamaria, mas uma outra hora. Eles não estavam realmente encrencados, mas eu sim. Zelena estava em Boston numa época do ano bastante fora de seus costumes e já havia comunicado sua ilustre presença em minha casa com um quadro no meio da sala com seu rosto pintado. Minha irmã era realmente inacreditável. Passei alguns minutos para digerir o fato de que sabia o que aquilo significava: A não tão querida primogênita de minha mãe estava avisando por meio daquela maravilhosa obra de arte que ficaria hospedada em minha residência, o que era um problema, pois eu receberia uma Emma Swan completamente debilitada no mesmo ambiente que ela. Aquilo com certeza não daria certo. Subi as escadas comprovando minha teoria quando esbarrei em uma de suas malas verde-musgo no meio do corredor. Ela só poderia estar brincando, não é possível que alguém seja tão folgado a esse ponto. Completamente enfurecida, cheguei ao quarto de Henry, passando a mão em seus cabelos e sentindo que eles não estavam mais ali. Fiquei um pouco mais irritada com tudo o que estava acontecendo, mas ao menos tinha sido por uma boa causa. Ele me olhou, dando um sorriso torto completamente culpado por ter faltado a escola e eu devolvi, mesmo que sem querer. Eu sei que ele merecia ficar de castigo ou algo do tipo por ter fugido de casa para ver a Emma, ou faltado, ou não ter me dito para onde iria, mas apenas conversaria com ele. Henry entrou no quarto e eu o deixei sozinho para que ele refletisse sobre a situação. Malmente virei meus calcanhares para sair do quarto e encontrei um Sidney completamente desgostoso com alguma coisa. Ou para ser mais específica, com alguém.
— Ela é impossível, Srta. Mills. — Ele falou completamente esgotado. Eu não duvidaria dele nem por um segundo, sabia do temperamento de minha irmã. Era complicado tirar alguma coisa da cabeça dela, e não seria Sidney que conseguiria isso. Suspirei tentando levar tudo como se não fosse um grande problema. — Eu tentei explicar que a senhorita havia me dado ordens restritivas para que ninguém entrasse na mansão sem a sua permissão, e isso incluía ela, mas Zelena não me deu ouvidos. — Ele terminou, e eu apenas concordei com a cabeça dizendo que estava tudo bem. Não sei se fiz isso para ele ou para mim.
— Cuidarei disso, Sidney. — Meu mordomo fez menção a sair dali, mas e o impedi. — Nós teremos outra convidada por esses dias, eu não sei exatamente quando será. Arrume o quarto de baixo para ela, por favor. — Finalmente liberado, Sidney saiu de lá me deixando sozinha com as malas de minha irmã. Eu mesmo as carreguei para um de nossos quartos, deixando-as perto da cama em que Zelena dormiria. Talvez não fosse uma má ideia ter minha irmã por perto. Eu estava precisando de apoio para falar com uma Cora que não veria com bons olhos o que eu estava fazendo. Sempre tão autoritária e severa, com certeza eu precisaria de Daniel e Zelena. Voltei ao quarto de Henry, encontrando-o deitado na cama olhando para cima.
— Eu sei que fiz errado. — Ele suspirou e eu me aproximei dele, pedindo um lugar em sua cama. — Mas eu queria tanto ver a Emma. — Eu sorri, sinalizando que estava tudo bem e Henry me abraçou. Ficava feliz que eles se dessem tão bem, era reconfortante. Ele pareceu inquieto por um momento, como se estivesse querendo falar algo a mais. — Posso fazer uma pergunta? — Ele disse por fim e eu o encarei.
— Quantas você quiser, querido. — Respondi, beijando o topo de sua testa. Eu não queria que ele tivesse que perguntar se poderia fazer algum tipo de pergunta, queria que Henry tivesse total liberdade para falar comigo sobre qualquer assunto que ele quisesse ou tivesse dúvidas.
— A Melody, uma garota da minha sala, tem duas mães. — Ele ficou meio pensativo, e eu estava completamente dura ao seu lado, esperando que ele finalizasse e tentando acompanhar sua linha de raciocínio. — Eu não quero que você pense que não é uma boa mãe. — Henry tentou se explicar, e eu concordei com a cabeça. — Mas é que eu gostaria que a Emma também fosse minha mãe. — Ele falou por fim. Ele não sabia que por trás das duas mães de sua colega de classe havia um casal, apenas queria que Emma vivesse conosco como uma família realmente.
— Isso é mais complicado do que parece, querido. — Dei uma risada do pensamento infantil que ele ainda possuía, sem nenhum tipo de maldade. Eu tentaria uma aproximação com Emma, não só por Henry, mas por mim também. Aquela médica completamente inconsequente me fazia bem, e sua presença se fazia necessária no meu dia a dia. — Mas você pode perguntar para ela, se ela aceita seu convite. — Fiz cócegas nele, fazendo com que Henry embolasse para o outro lado da cama.
— Você não ficaria triste? — Balancei a cabeça em negativa. Com um pouco de ciúme, talvez, mas nada que eu não conseguisse superar. Ele sorriu para mim, agarrando meu corpo como fazia quando era mais novo. — Você é a melhor mãe do mundo. — Ele falou entre beijos na minha bochecha. Os meus momentos com Henry estavam cada vez melhores, assim como nossa cumplicidade.
— Cheguei! — Uma voz estridente veio direto da porta da frente da mansão até meus ouvidos. Henry deu um pulo da cama para o chão com um sorriso no rosto, talvez ele fosse a única pessoa no universo que gostava do jeito da tia. Tenho que admitir que essa forma de viver de minha irmã era um pouco engraçada, mas completamente irritante. — Regina! Onde você está? — Revirei os olhos, levantando da cama e fui ao encontro de Zelena, que já estava com um Henry todo empolgado ao seu lado.
— A que devo a honra de sua visita tão inusitada? — Brinquei com Zelena apenas para descontrair um pouco. Eu não costumava falar nada com tom de brincadeira, a não ser que fosse com Daniel, então minha irmã arqueou uma de suas sobrancelhas em minha direção.
— De bom humor, querida? — Zelena aproximou-se de mim, dando-me dois beijinhos completamente desnecessários na bochecha. Nunca fomos de formalidades. — Ouvi dizer que existe um motivo para essa mudança de humor repentina. — Sabia que Daniel havia comentado alguma coisa com ela. Bufei com raiva e a encarei para que ela não falasse nada na frente de Henry. Nós nunca havíamos sido amigas de contar segredos uma para a outra, aliás as minhas experiências de tentar confiar em Zelena foram altamente fracassadas, mas nós éramos adolescentes na época.
— Conversaremos sobre isso mais tarde, Zelena. — Falei séria, e ela concordou com a cabeça. Henry já estava completamente distraído com qualquer outra coisa na casa quando minha irmã subiu e eu fui até ele lhe dar um beijo para sair. Eu ainda teria que trabalhar, definitivamente estava precisando tirar um recesso. Saí pela porta da frente, entrando no carro que havia sido roubado no dia em que conheci Emma. Foi muito fácil recupera-lo, pois Graham havia sido policial antes de morrer e eu tinha alguns contatos por lá ainda, fazendo com que meu carro fosse encontrado no mesmo dia. Estava completamente perdida em meus pensamentos quando a tela de meu celular brilhou e o nome "savior" apareceu numa mensagem.
— "Seria uma pena se eu não tivesse fugido do meu quarto de hospital e estivesse escondida no armário da faxina esperando que alguém com bom coração venha me resgatar desse lugar." — Não acreditei na mensagem que li. Emma só poderia estar louca. Ela precisava de tratamento médico e o Dr.Gold havia sido bem específico quando falou que ela teria que ficar cinco dias ali e não apenas dois. Era inacreditável como Emma não conseguia seguir uma ordem, nem que ela fosse para o seu próprio bem. — "Por favor." — Outra mensagem apareceu no visor. Fiz o retorno na primeira curva que encontrei para ir até o hospital. Minha cabeça martelava entre entrega-la e ajudar Emma em seu plano de fuga. Em meio a resmungos e palavras soltas cheguei ao hospital, sendo abordada por uma enfermeira de cabelos ruivos. A mesma mulher que havia entregado Emma e Henry.
— Desculpe está lhe abordando desta forma, senhorita Mills, mas a doutora Swan não está no quarto. Nós já iríamos comunicar a senhorita, pois você é o contato de emergências dela. — Ela falou um pouco rápido demais enquanto eu decidia se contava ou não sobre Emma. Revirei os olhos mentalmente, e não acreditei no que iria fazer.
— A doutora Swan disse que estava no sétimo andar, resolvendo algumas coisas. Ela não me disse exatamente o que era, mas está lá. — Inventei qualquer coisa para Mérida, e ela sorriu para mim agradecendo a ajuda. — Não acredito que fiz isso" — minha cabeça martelava. Assim que a moça de cabelos cacheados saiu de perto de mim enviei minha mensagem à Emma. — "Saia por trás, estarei esperando você lá.". — Enviada.
— "Ok." — Veio a confirmação na tela. Segui para parte de trás do hospital muito sorrateiramente. Logicamente que estava com medo de ser pega, mas aquilo estava sendo muito divertido e ao mesmo tempo estava ferindo todos os meus princípios. Eu sempre fui aquele tipo de pessoa extremamente correta e Emma Swan estava acabando com isso. Passei pelos corredores praticamente voando, até que uma porta se abriu no meu rosto fazendo com que eu ficasse extremamente tonta. — Desculpa. — Ouvi Emma falar baixo e levantar os ombros. Aquilo me deixaria com um galo na cabeça.
— Vamos logo, Swan. — Falei irritada, tomando sua mão. Eu estava com a adrenalina a mil e talvez tenha feito Emma correr mais do que deveria ali. Chegamos ao meu carro, completamente esgotadas pois tivemos que fazer um contorno grande no hospital. Entramos dentro dele e nos trancamos ali. — Você é uma péssima influência, Miss Swan. — Foi o que eu consegui dizer, e ela sorriu para mim completamente avermelhada.
— E você é uma excelente aprendiz, senhorita Mills. — Olhei para ela encarando-a e fazendo cara de reprovação. — Vamos sair logo daqui. — Ela disse, e eu liguei o carro, logo pisando no acelerador. Já estava ficando tarde quando chegamos em casa por volta das oito da noite, pois fiz Emma ficar me esperando acabar meu trabalho dentro da MMC vestida com aquela roupa de hospital cheia de bolinhas na recepção do prédio como castigo por ser tão cabeça dura. Eu tinha que passar na empresa para resolver algumas coisas que estavam pendentes, então ela teria que me esperar de qualquer forma.
— Henry está em casa, assim como minha irmã Zelena. — Alertei-a. Emma me olhou um pouco desconfiada, imagino que tenha sido por conta da segunda informação que recebeu. — Não se preocupe, Zelena não morde, apenas ameaça. — Ela concordou com a cabeça e esperamos cerca de vinte segundos para entrar na mansão.
— Ainda bem que você chegou! Já estava morrendo de fome! — Ouvi Henry falando das escadas, sem ver que Emma estava ao meu lado. Henry tinha esse costume de ficar me esperando para fazer todas as refeições. — Emma! — Ele finalmente a viu, e veio correndo abraça-la. Acho que ficou confuso depois que se afastou um pouco e viu a roupa que ela estava usando. — Onde estão suas roupas? — Ele perguntou em meio ao riso.
— Eu fugi do hospital. — Ela disse, achando a coisa mais natural do mundo e fazendo com que Henry arregalasse os olhos para mim. — E sua mãe que me ajudou. — Ela completou com as exatas palavras que nunca deveriam ter saído de sua boca.
— É verdade? — Henry perguntou rindo da situação. Lógico que ele jamais imaginaria sua mãe ajudando outra pessoa a fugir de um hospital, mas Emma já havia feito o favor de estragar minha imagem de pessoa correta para meu filho. Concordei com a cabeça, pedindo para que Henry desse espaço para que nós pudéssemos passar. Ele sorriu para mim e me deu um abraço apertado. — Obrigado por ajudar a Emma, mãe. — Eu dei um sorriso bobo de volta para ele.
— Não foi nada, querido. Agora vamos comer, pois acho que todos nós estamos com muita fome. — Falei, e Henry concordou com a cabeça colocando a mão na barriga. — Vá chamar sua tia para o jantar enquanto a Emma vai ao meu quarto trocar de roupa e eu ligo para o hospital e invento qualquer coisa para dizer que Emma está aqui na mansão. — Os dois concordaram comigo e cada um seguiu para seu destino. Liguei para o hospital e inventei que Emma havia fugido do hospital dentro de um taxi e chegado à minha casa, mas que estava tudo bem e que eu cuidaria dela por aqui. Logo Henry apareceu com Zelena e fomos à mesa esperar por Emma que apareceu logo depois chamando a atenção de nós três.
— Sempre soube dessa sua preferência por vermelho. — Minha irmã riu de sua própria piada com a cor que Emma carregava no corpo. Swan estava completamente vermelha e havia pego um de meus vestidos de dormir mais leves. O tecido em contato com a pele realmente deveria doer. Ela estava linda e completamente desconcertada com o comentário de Zelena.
— Não ligue para Zelena, ela consegue ser completamente desnecessária as vezes. — Falei, ouvindo uma risadinha por parte de minha irmã. Emma sentou à minha frente e ao lado de Henry, fazendo um afago nos cabelos dele. Todos nós comemos em silêncio, a não ser por algumas perguntas aleatórias que meu pequeno príncipe fazia vez por outra e pelas coçadas de garganta de Zelena a cada vez que Emma respondia as dúvidas de Henry.
— Não me esperem. — Avisou minha irmã assim que saiu da mesa. Ela estava extremamente arrumada, provavelmente iria à uma boate ou algo parecido. Zelena não era do tipo de um cara só e normalmente gostava de praticar algumas orgias pela cidade. Aquilo não era novidade para ninguém. Como nós éramos bastante visados pela mídia por conta de nossas empresas, já havia acontecido de ser publicado matérias sobre as andanças de minha irmã, mas ela não se importava. Zelena era um espírito completamente livre e por vezes muito solitário. Acho que ela tenta preencher algum espaço dentro dela e para isso ela usava de sexo, drogas e poder. Não cabe a mim julgar, cada um tem sua forma de extravasar.
— Tenha juízo. — Zelena não esperou que eu terminasse a frase e bateu a porta da frente. Saímos da mesa e nós três fomos à sala, sentando no sofá e ligando a televisão. Henry sentou no meio de nós duas e abriu o Netflix, escolhendo uma série de televisão completamente sem sentido para mim, mas que para ele fazia. Falava de três garotos e uma garota que parecia um garoto, acho que ela tinha poderes, algo assim. Não demorou muito tempo até que Henry ficasse com medo de um monstro que saiu da parede da casa da mulher.
— Mãe, você falou com a Emma? — Ele perguntou. Demorei um pouco para entender sobre o que ele estava falando, mas logo lembrei da proposta que ele queria fazer a ela. Emma olhava confusa para ele e para mim, sem saber do que nós estávamos falando.
— Não tive muito tempo, querido. — Lamentei. Eu até que tive tempo para falar com Emma, mas achava que aquilo era uma coisa deles dois, não minha. — Bem, ela está bem aqui. — Incentivei-o a falar. Henry era tímido, mas tinha total liberdade com ela. Eu sei que não era qualquer mãe que deixaria aquilo acontecer, mas cada um tem sua realidade. Meu filho amava Emma, e ela havia salvo sua vida, além de que ela já estava todos os dias conosco. E bem, se essa era uma vontade de Henry, não seria eu que iria impedi-lo de buscar sua felicidade.
— Bem, Emma... — Ele começou um pouco acanhado, mas ela lhe deu um sorriso encorajador, apesar de não fazer a mínima ideia do que ele pediria. Henry tomou fôlego. — Tem uma garota na minha sala que tem duas mães e eu gostaria de saber se você também quer ser minha mãe, ai eu terei duas mães também. — Ele falou muito rápido e Emma tentou seguir o raciocínio dele enquanto eu piscava desesperadamente para não chorar. — Quer ser mina mãe número dois? — Ele perguntou novamente, dessa vez mais tranquilo. Emma olhou para mim que apenas concordei com a cabeça, afirmado que concordava com aquilo.
— Sim, Kid! — Ela falou um pouco abalada. Tentando entender o que realmente havia escutado. — Eu quero ser sua mãe número dois. — Terminou eufórica e abraçando nós dois. Sabia que para Emma aquilo era um presente e tanto. Sabia que em toda a sua vida ela nunca tinha conseguido manter um relacionamento, nem mesmo de amizade, com alguém. Então aquilo era um passo gigante que ela estava dando, e eu ficava feliz em saber que fazia parte daquilo, mesmo sabendo que era apenas uma coadjuvante ali. Eu tinha certeza, a partir daquele momento, que teria Emma ao nosso lado pelo resto de nossas vidas. Ela se faria presente em cada momento e em todas as horas. Aquela aproximação também iria interferir em minha relação com ela, o que eu ainda tinha um pouco de medo, mas tinha plena convicção de que era aquilo que eu queria.
— Então agora somos oficialmente uma família. — Henry disse, apertando o abraço entre nós três. Eu amava fazer parte daquilo. Eu amava estar com os dois em meio àquele abraço. E eu amava ainda mais o fato de saber que eles também amavam estar comigo e fazer parte de nossa nova família
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