Truths And Lies Of A Girl
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Até lá em baixo o/
Acordei antes da hora no dia seguinte. Não consegui me acostumar com o novo clima do quarto, a nova cama, a nova casa. Olhei para o relógio, eram 06h19min, então levantei numa boa, sentei na beira da cama e me espreguicei Inspirei aquele ar frio que entrava pelas brechas da janela e levantei da cama. O céu aparentava madrugada. Lá embaixo estava tudo num silêncio total. Fui até o banheiro, olhei pra o espelho e vi uma menina que não queria nada daquilo; que queria voltar ao normal. Um vazio preenchia meu corpo e me fazia perder o entusiasmo pelas coisas mais simples e que antes me faziam bem. Mas por outro lado me arrependia das coisas que já havia feito. Lembro vagamente do tempo que me sentia assim. Depois da morte do meu pai, raramente eu ficava assim. Gostava de lembrar que ele ainda estava aqui. Gostava, também, de lembrar os momentos bons que tive com ele, das risadas, das piadas sem graça, das viagens que ele resolvia fazer do nada, das palhaçadas em festa de família. Pensar nessas coisas me fazia bem e fazia com que as pessoas notassem que eu estava bem. Vissem que eu não estava sofrendo, mas ninguém nunca notou o buraco no meu coração depois da morte dele. Acho que a vida é isso, não fazer nada e se sentir infeliz ou, ir atrás do que nos faz bem e quebrar a cara porque não era aquilo que você procurava.
Balancei a cabeça para tirar essas lembranças que corriam pela minha mente, abri a torneira e lavei meu rosto. Olhei para o espelho novamente e pensei comigo mesma, “um pouco de rímel e um batom podem melhorar essa cara”. Escovei os dentes, passei a maquiagem “solucionadora de problemas”, me vesti e desci para a cozinha. Mamãe já estava fazendo o nosso primeiro café na casa nova. Argh! Não consigo me acostumar com essa palavra: “casa nova”. Me dá um embrulho no estômago. Mas, o cheiro da panqueca tirou minha atenção de tudo. Sentei-me a mesa, peguei umas três panquecas que já estavam prontas, coloquei uma calda por cima e comi. Meu irmão chegou de viagem quando eu já estava terminando o café e indo para a escola. Primeiro dia de aula e esse menino já queria me fazer chegar tarde. Ótimo! Nada melhor que isso.
— Filho! — falou minha mãe, que saiu correndo da cozinha para a porta de entrada, largando a panqueca no fogo. Levantei da cadeira, desliguei o fogo e fui até a sala. Meu irmão já estava se sentando no sofá após ter deixados suas malas no chão.
— Finalmente chegou Pedro! — falei, com uma cara de “te odeio por deixar a mudança toda nas minhas costas”. — Pode, por favor, me dá uma carona até a minha escola?
— Tá maluca, Jane? Seu irmão acabou de chegar! Vá a pé! — falou minha mãe.
Bufei e revirei os olhos, surrando um “tá bom, mãe!”. Andei até a porta dando tchau para minha mãe e Pedro. Lá fora estava sol, mas com o típico frio londrino. Vesti meu casaco, ajeitei minha mochila sobre meus ombros e iniciei meu caminho até a nova escola.
No caminho, meus pensamentos param em um assunto: Gustavo. Ah, Gustavo! Aquele que por tanto tempo julguei amar. E, Letícia, aquela que tanto disse ser minha amiga. Aquele dia não queria sair da minha memória. Os dois se beijando no meio da festa de fim de ano do colégio. As palavras que ela me disse: “Ele não é só mais um cara que encontrei por aí em busca de sentimentos passageiros. Ele é exatamente tudo aquilo que sempre procurei. O que sinto por ele é além de um sentimento de uma adolescente. Sei que você gosta dele, mas não era para serem vocês. Sinto muito”. Lágrimas estavam prestas a cair, mas eu acabei, sem querer, esbarrando em uma menina mais ou menos da minha idade.
— Me desculpe! Estava distraída com a musica — disse a menina, timidamente.
— Não, tudo bem. A culpa foi minha. — disse, abaixando o olhar.
— Qual seu nome? — perguntou a menina.
— Jane — falei rápido de mais. Não sei por quê. Deve ter sido pelo motivo que eu queria fazer logo algum amigo nessa cidade nova.
— Sou Megan, mas pode chamar de Meg — falou ela, estendendo a mão para mim. Gentilmente, apertei a mão dela. Abri um sorriso sincero por me sentir confiante naquele simples aperto de mão. Ela também não deixou de sorrir.
— É nova aqui no bairro? Tá estudando onde? — perguntou Meg, numa empolgação igual à de uma criança ganhando seu primeiro doce.
— Sim, sou nova. Mudei-me ontem. Estou estudando Westminster School — falei.
— Sério? Eu também estudo lá — Meg pulou na minha frente me dando um susto e pular para trás. Ela me olhou com aqueles olhos arregalados. —Vai fazer que série lá?
— 1º ano do Ensino Médio, e você? — Eu perguntei, animada.
— 1º ano, também! Parece que vamos ser colegas de classe. — Ela disse, arregalando os olhos de felicidade. — Então, você mora aqui por perto?
— Sim, naquela casa vermelha ali atrás. — Eu disse, apontando a minha casa.
— Sério?! Eu moro na casa amarela! — Ela disse, apontando animadamente a casa em frente a minha.
O restante do caminho para a escola Meg e eu conversamos e percebemos que tinha bastante coisa em comuns. E pela primeira fez eu não fiquei com medo dessa coisa toda de “escola nova”, pois já tinha uma amiga para me ajudar a superar isso. Depois de 10 minutos andando, chegamos a escola.
Notas finais
Tchau!
o/
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