Trust | jjk + pjm
1 Capítulo Único
JEON JUNGKOOK
Há um momento em sua vida, pode ser na sua adolescência ou quando você estiver um pouco mais velho do que isso, onde existirá uma pessoa que fará todo seu mundo virar de ponta cabeça. Pode ser um olhar, um sorriso, ou um conjunto completo, como é o meu caso. Park Jimin é meu melhor amigo, mas sabe bem o quão apaixonado por ele eu sou.
Não sei dizer exatamente o que mais me encantou nele, por esse motivo sempre digo que me apaixonei por ele completo.
Os fios ruivos alaranjados caíam tão bem em contraste com sua pele branquinha; o sorriso normalmente tímido me trazia um calorzinho gostoso para meu peito cada vez que o encarava; o olhar sempre passeando por todos os cantos, evitando de me olhar fixamente; seus olhinhos escuros e tão bonitinhos. Jimin é fofo por completo, e tão lindo que eu fico hipnotizado.
— Bom dia, Kookie. – Fui tirado de meus pensamentos assim que o vi sentar ao meu lado à mesa. – Dormiu bem?
Sua carinha de sono era visível, ele dormiu aqui na noite passada, mas nós dormimos muito tarde por conta de estarmos estudando para a prova de amanhã.
— Bom dia, Minnie. – Sorri, depositando um beijo em sua bochecha. – Sempre durmo bem quando você dorme comigo. E você?
— Eu estava com frio, mas... você me esquentou. – Suas bochechas ficaram vermelhas, me arrancando um sorriso.
— Hoje não vamos estudar, precisamos estar com a cabeça relaxada na hora dessa prova maldita. – Decretei, terminando meu café enquanto ele começava a comer. – Quer fazer algo?
— Vamos ficar longe do nosso grupo de amigos, porque eu não quero aguentar aquele idiota com quem Taehyung está namorando.
Acabei abrindo um sorriso triste. Eu vivia na famosa friendzone, mas não me importava, mesmo que soubesse sobre o meu melhor amigo gostar de outra pessoa, e este seria Kim Taehyung. Jimin sabia de meus sentimentos, e prometeu que evitaria me magoar o máximo que fosse possível. Eu o disse que queria vê-lo feliz, mesmo que não fosse comigo, porque nós somos amigos e eu o respeito. Simples assim.
Óbvio que doía, entretanto eu já estava habituado e tal dor.
— Minnie, eu poderia concordar que você o chamasse de idiota antes, porque ele era só mais um pegador qualquer, mas agora eu vejo que ele está mesmo apaixonado. Ele e Hoseok se gostam de verdade, é triste que você fique mal por isso. – Comentei, tentando me conter para não falar mais que isso. – Eu entendo que doa, de verdade, mas você deveria ficar feliz por ele.
— Não dá para ficar feliz ficando sempre de escanteio, sendo sempre a segunda opção e sendo obrigado a ver quem eu gosto querendo outro.
— Posso te ensinar a lidar com isso... é a realidade que eu vivo todos os dias.
Preferi sair dali após secar a louça que lavei antes que acabássemos discutindo por uma coisa que, certamente, não era culpa dele. Algumas vezes eu ultrapassava o limite de nossa amizade ao citar o fato de ser apaixonado. Isso era errado de minha parte, claro que era, mas eu não controlava.
Eu só queria que ele confiasse em mim, e que permitisse que eu poderia me aproximar dele de forma romântica sem acabar com a nossa amizade – que ele disse ser seu maior medo de todos.
Estava sentado em minha cama quando a porta foi aberta e por ela passou um cabisbaixo Park Jimin, exalando frustração. Ele sempre me dizia o quanto odiava qualquer desentendimento entre nós, mesmo os minúsculos.
— Eu não falei por mal. – Saiu em um sussurro a sua voz, e logo seu perfume já me inebriava com a proximidade que ele estava de mim, bem sentadinho ao meu lado. – Eu só cometo erros quando se trata de você, e eu odeio isso.
— Poderia consertar se confiasse mais em mim.
— Confio mais do que tudo, Jungkookie, você sabe disso. – Seu tom era o de alguém irritado. – Não vou arriscar a nossa amizade só para tentar algo que pode não dar certo.
— Existe alguém que te ama mais do que eu? – Ele negou com a cabeça. – Alguém que te passe mais confiança? Alguém que cuide mais de você? Alguém que te dê mais carinho?
— Não, você é único e sabe disso. – Encarou as próprias pernas. Ele sempre desviava o olhar ao encontrar-se nervoso.
— Se está pensando que dará errado antes mesmo de tentar, é porque não confia tanto assim em mim ou no que posso te oferecer.
— Não é isso, você não entende! – Jimin levantou tão rápido da cama que até me assustou, principalmente por ele estar com aquela carinha inundada em uma tristeza que eu não conseguia entender. – Eu não posso, eu não consigo, não dá...
— O que está acontecendo que eu não estou sabendo? – Estreitei os olhos, me aproximando mais dele ao mesmo passo que ele recuou. – Você sabe que eu vou te prensar contra a parede, então não se afasta, por favor.
— Isso é vergonhoso, eu não vou explicar. – Murmurou. – Tá, você não vai parar enquanto não souber. Mas isso é bem vergonhoso.
— Fala logo!
— Lembra do dia em que você me contou sobre ter perdido a virgindade com aquela garota lá que era até mais velha que nós? A época que você ainda não tinha se assumido nem para mim e eu também não tinha. – Assenti, confuso. – Eu tinha vindo aqui naquela noite porque queria falar com você, a porta não estava bem fechada e por isso eu meio que... vi, vocês dois.
— Ok, isso é um pouquinho vergonhoso, mas o que isso tem a ver?
— E-eu... fiquei parado na porta vendo. – Suas bochechas avermelharam-se ao que ele disse isso. E me senti um pouco constrangido, mas nada que fosse me fazer impedi-lo de continuar a falar. – E eu, gostei de ver.
— Como assim? Você queria estar ali com ela?
— Não, Jungkookie. – Se fosse possível ficar mais vermelho eu tenho certeza de que ele estaria. – Eu queria ser ela... e eu me senti errado por isso, porque foram várias as vezes em que eu fiquei pensando sobre isso, até mesmo tendo sonhos onde você estava daquele mesmo jeito, todo suado, segurando com força o corpo abaixo do seu enquanto ia cada vez mais fundo, com a diferença de que não era aquela menina embaixo de você, era eu.
— Ok, deixa eu ver se entendi. Você sente desejo por mim. – Afirmei, e ainda assim ele assentiu como se estivesse respondendo minha pergunta. – Por que você sente que isso é errado?
— Porque você é meu melhor amigo.
— Apaixonado por você! – Rebati. – Se você sente isso, por que quer tão desesperadamente ficar nessa ideia de que estragaríamos nossa amizade? Por que tem tanto medo de tentar algo comigo?
— Porque o que eu sinto por você me assusta! – Quase gritou, se afastando de mim e, por consequência, ficando encurralado contra a parede. – Eu pensei que se eu gostasse de outra pessoa isso iria passar, mas claro que não passou, eu só me iludi!
— Eu realmente não entendo. – Murmurei um pouco magoado. – Durante os dois últimos anos eu te dei milhões de motivos para que ficássemos juntos, te mostrei coisas sobre mim que mais ninguém sabia, te provei o quão verdadeiro é o que eu sinto, e agora você me diz isso? Inacreditável!
— Jungkook, o que você esperava? Você é muito mais experiente que eu, mesmo sendo seu melhor amigo eu me sentia como se não fosse o suficiente para você. Eu nunca nem mesmo beijei na boca, tirando um selinho que você me deu por causa de uma aposta dos nossos amigos. Isso não é motivo o bastante para eu sentir medo? – Seu tom diminuiu, assim como a tensão. – Eu achava que você não iria gostar de me ter, mesmo que me amasse. Pensava que você não iria gostar do meu beijo, não iria gostar das minhas carícias, ou mais para frente de quando tivéssemos algo mais.
— Park Jimin, você é o ser humano mais inseguro desse universo! – Eu sorri, achando, depois de passar minha frustração, que ele era mesmo fofo. E eu pretendia tirar toda essa insegurança dele, fazê-lo amar a si mesmo da mesma forma que eu amo. – Eu te amo, você acha mesmo que eu seria capaz de não gostar de algo que você faça? Você é lindo, eu sou apaixonado por cada detalhe seu.
— Kookie, não faz isso comigo. – Sorriu ainda tímido, pegando minha mão e colocando em seu peito, mostrando-me o quão acelerado estava seu coração. – Olha o que você faz comigo.
— Vou fazer acelerar mais. – Garanti, me aproximando e o puxando pela cintura.
O grudei tanto contra mim quanto contra a parede, não perdendo tempo para simplesmente juntar nossas bocas. Eu tentava assimilar ainda tudo que ele disse, mas naquele instante nada disso importava, apenas o fato de que estávamos com nossas bocas grudadas em um beijo repleto de sentimentos. Eu sabia que era seu primeiro beijo, e não me importava nem um pouco com isso.
Eu o amo, nada além disso é importante.
Quando nos separamos ele me encarou totalmente corado, o que foi uma verdadeira gracinha de se ver.
— Agora você confia em mim? – Perguntei baixinho, vendo sua pele se arrepiar ao que depositei um beijo em seu pescoço.
— Sempre confiei, e sempre vou confiar.
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