Trust

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Yooooooooo! Gafanhotos e gafanhotas (?)! Uma one gorduchinha, porque essa categoria está muito carente de LuNas! E o OTP é supremo, merece ser mais amado. u.u Eu estava com essa fic praticamente toda pronta há alguns séculos (não, não estou exagerando -_-), porém, não conseguia fazer um final que prestasse. Até que hoje, minha velha amiga inspiração - dada como desaparecida há algumas semanas (senti saudades) - resolveu dar as caras e consegui finalizá-la! Não sei se ficou apropriado, mas foi a única coisa que me veio a mente e resolvi não desperdiçar! :D Boa leitura! ;) Ps: perdão se Luffy e Nami ficaram meio OCC, realmente não gosto disso, mas o enredo pedia que assim fosse... :c

A chuva caía devagar.

Na rua deserta o único som ouvido era o do salto batendo contra a calçada cimentada.

Era uma chuva fina, mas contínua. A temperatura estava consideravelmente baixa. Sua situação demonstrava que ela estava debaixo da garoa por muito tempo: seus braços encolhidos, abraçando a si mesma; seus longos cabelos colados às costas; sua pele pingando água e sua roupa encharcada e grudada só piorava o frio que se abatia sobre seu corpo.

Nami caminhava com dificuldade, fosse por conta da sandália molhada, fosse por conta do enorme corte que havia em sua cintura. Cansada, fraca, angustiada, completamente derrotada. Havia cansado de correr e agora dava passos lentos e arrastados. Lá no fundo torcendo para que tudo aquilo não passasse de um pesadelo do qual ela acordaria a qualquer momento.

Contudo, ela sabia que não estava sonhando. Aquilo era real e isso a fazia sentir um frio que não se comparava à sensação da brisa gélida vindo contra si. Era um frio muito pior. Ela pouco se importava se seu corpo estava prestes a entrar em estado de hipotermia, aquilo não era nada comparado ao vazio e desespero nos quais sua alma se encontrava àquela noite.

Como seria dali pra frente? Como seria seguir adiante sem eles? Sem ele. Fizera a maior besteira de sua vida e agora estava vagando por becos de uma cidade desconhecida. Sem propósito. Sem a mínima vontade de continuar andando. Na verdade, ela tinha quase certeza de que só permanecia caminhando porque suas pernas tomaram vontade própria e faziam seus músculos continuarem a trabalhar sozinhos.

As lágrimas voltavam ao seu rosto, se misturando às gotículas que escorriam por sua pele.

Ela não conseguia enxergar sua vida a partir dali. Permanecera dois anos distantes de seus nakamas, mas sabia que eles estariam a esperando quando chegasse o momento de reencontrarem-se.

Agora, ela tinha certeza que tudo o que os Mugiwaras não fariam era esperarem por ela.

Nami olhou em frente, suas lágrimas desciam devagar. Um gato soltou um miado agudo e saiu correndo de um dos containers de lixo e então... Escuridão. Era sua única companheira.

Companheiros...

Apertou com mais força seu corpo gelado e voltou a caminhar encarando o chão.

Cerca de 24 horas antes...

― D-do que... Do que você está falando, Nami? ― O olhar de Usopp era de espanto e ele não sabia o que pensar naquele momento.

Pelo visto não era o único, porque toda a tripulação tinha o mesmo olhar estupefato que o atirador. Apenas Luffy mantinha seu olhar diretamente direcionado a face da navegadora, sério, parecia querer lê-la.

― Isso o que vocês ouviram, Usopp. Eu estou deixando o bando. ― a ruiva repetiu de forma calma e incrivelmente fria ao questionamento do rapaz.

Estava sentada em um sofá fofo e de couro avermelhado do bar. Suas pernas estavam cruzadas sob o vestido negro que usava e suas mãos repousadas tranquilamente sobre os joelhos. Um homem forte e pomposo estava a abraçando pelos ombros, com um sorriso satisfeito e arrogante nos lábios. O que parecia ser a tripulação do capitão pirata estava espalhada por algumas mesas próximas e alguns poucos compartilhando a mesa com os dois.

― Por quê? ― pela primeira vez na conversa, Luffy se pronunciara. Ainda a encarava concentrado e com a expressão rígida.

Ele realmente se segurava com os punhos fechados para não voar em cima do homem à beira de Nami. Quem havia lhe dado o direito de estar abraçado à sua navegadora?

Nami, porém, apenas deu de ombros.

― Porque enjoei de fazer parte. Vi que poderia ter algo melhor me esperando. ― respondeu prontamente, como se aquilo fosse nada de mais.

O sorriso do outro capitão aumentara com o fato dos olhos de cada Mugiwara terem saltado para fora.

Eles realmente haviam ouvido aquilo?

― Nami, você está sendo ameaçada por esses caras e por isso está dizendo isso, não é? ― Chopper tinha a voz embargada, não acreditando nas coisas que sua amiga estava dizendo.

― Nami-san! Se eles estiverem te fazendo mal, eu acabo com eles aqui mesmo, com um único chute na fuça de cada um! ― Sanji berrou ficando vermelho de raiva por ter sua deusa sendo mantida de refém por aqueles malditos piratas de merda.

― O Sanji está suuuper certo. Nós acabamos com eles num piscar de olhos, você sabe disso! ― Franky bradou tendo a confirmação de Brook ao seu lado.

Era a única explicação para aquilo.

― Ninguém está me ameaçando. Eu simplesmente decidi que queria fazer outro homem o Rei dos Piratas. Algum problema com isso? ― a voz dela saiu de forma tão insensível que os Mugiwaras deram alguns passos para trás, assustados.

― Algum problema?! Todos os problemas, idiota! ― Zoro se pronunciara furioso. O que diabos ela estava pensando que fazia?

Luffy, no entanto, permanecia em sua posição. A ruiva se achegou mais ao homem ao seu lado, prostrando uma de suas mãos sobre a coxa do mesmo. O pirata pegou a mão da garota como se fosse um verdadeiro cavalheiro e levou-a a boca, abandonando ali um beijo.

― Ela apenas percebeu que tinha apostas melhores a fazer. ― sorriu mais uma vez, encarando cada Mugiwara, satisfeito, e então, para a surpresa até mesmo da ruiva, puxou seu rosto e colou seus lábios aos dela. Logo a garota retribuía como se aquilo fosse o mais normal que existia.

O Chapéu de Palha apertou os olhos, agora realmente furioso com o pirata maldito. Deu um passo firme à frente, mas hesitou apertando os punhos e então cortou entre seus companheiros ― paralisados pela cena ―, indo em direção à saída do bar.

Ele não dissera uma única palavra, mas era visível toda a fúria que aqueles olhos exalavam. Tanto que quem estava pelo caminho se afastara rapidamente enquanto ele passava.

Os outros Mugiwaras, completamente atordoados com a situação, não sabiam exatamente o que fazer, então apenas viraram-se e seguiram o capitão em mórbido silêncio. Robin, no entanto, esperara alguns instantes a mais. Observou atentamente os dois se separarem e um olhar severamente indiferente direcionado a ela por parte de Nami. Manteve a troca de olhares firme por alguns segundos e então mirou o homem ao lado da amiga. A arqueóloga lançava um sentimento de total repugnância para ele, fazendo-o levantar suas sobrancelhas.

― Que foi, Nico Robin? Também quer se juntar a mim? ― ele sorriu desdenhoso.

― Não acho que vá manter esse sorriso por muito mais tempo, Hirashima. Você conquistou um inimigo perigoso. ― ela sorriu de canto e virou-se para seguir o mesmo destino que seus amigos. ― Quando voltar a ser você mesma, Nami, não se esqueça de que é do Luffy que estamos tratando. ― a morena disse tranquilamente enquanto seguia seu caminho e então desapareceu da vista de todos.

― Eles ainda acham que não é sua vontade. ― Hirashima gargalhou alto, fazendo um sorriso desdenhoso surgir nos lábios da ruiva.

― São tolos o bastante para se agarrarem a isso.

―X―X―X―X―

Um vento gélido atravessou a rua, fazendo seu corpo inteiro tremer.

Robin tinha razão.

Era Luffy. Aquele que sequer deu importância à sua traição antes de entrar oficialmente para o bando; que fora resgatar Robin mesmo que ela já tivesse dito que não iria voltar com eles; que perdoara Usopp antes mesmo dele lhe pedir perdão por ter abandonado a tripulação. Aquele que sempre confiou em seus nakamas mais do que em qualquer outra coisa; que nunca, jamais deixava um amigo para trás.

Contudo... Ela já fizera aquilo outras vezes. E aquela ali, especificadamente, havia sido uma traição dupla. Além de ter traído como navegadora e companheira pirata, abandonando o bando e dizendo tais coisas absurdas, também traíra como mulher.

Fazia alguns meses que surgira outro tipo de relacionamento entre ela e o moreno. Algo que ela nunca imaginou antes que poderia acontecer, mas que aconteceu. Sem perceber, se viu apaixonada pelo idiota do seu capitão e para sua surpresa descobriu algumas semanas depois que era correspondida. O navio ficara uma loucura com os gritos de Sanji contra o garoto ao descobrir que ele havia tomado sua Nami-swan, e a algazarra que Brook e Franky faziam ao comemorar o novo casal durou dias, enquanto Robin e Zoro observavam tudo se divertindo com a situação e Chopper não parava de fazer perguntas sobre quando eles começaram a se relacionar daquela forma, curioso. Perguntas às quais ela tinha certa dificuldade de responder. Nenhum dos dois fazia realmente ideia de quando aquilo surgiu e como chegou àquele ponto ― principalmente o borrachudo, que ainda tentava entender tudo sobre essa tal paixão, antes completamente desconhecida por ele.

Mas bem, quem se importava realmente, não é?

Aos poucos as coisas voltaram ao normal e tudo permanecia no seu lugar, quando então atracaram naquela maldita ilha e encontraram um grupo de piratas cujo capitão ficou obsecado com as habilidades e a beleza de Nami.

Foi exatamente a partir daí que as coisas fugiram a seu controle. Deixou-se cair numa armadilha de Hirashima e nela foi feita vítima da Fruta do Diabo que o mesmo possuía: fora hipnotizada e passou a seguir todas as ordens do homem. Era como se ele manipulasse seus sentimentos, porque enquanto fazia tudo que lhe era indicado fazer tinha plena consciência das coisas e não se importava com isso. Era outra pessoa, outra Nami.

Isso era o que mais assustava a garota. Não fizera nada contra sua vontade. Fora extremamente sincera em todas aquelas palavras e atos. Apenas quando se libertou do efeito da Akuma no Mi que percebera o quanto aquilo era absurdo e terrível.

Agora, depois de conseguir fugir das mãos de Hirashima, estava vagando por aí. Pela primeira vez na vida, não estava preocupada com a direção que tomava. Perdida na cidade e presa dentro de jaulas poderosamente obscuras e frias. Presa a seus atos e consequências.

Perdera seu sonho, seu lar, seus companheiros, seu capitão. Por um simples descuido ridículo tivera que enfrentar as piores consequências que poderia querer pra sua vida.

Perdera tudo que mais amava...

Depois de caminhar por mais uns bons minutos, suas forças foram sugadas e suas pernas pareciam finalmente se render, perdendo a vontade própria de trabalhar.

O barulho do salto cessara e a chuva engrossara um pouco mais. A única luz que existia ao fim da rua apagara em um estalo surdo e seus olhos finalmente se fecharam.

Ela não sentira quando seu corpo batera com força contra o chão, pois havia perdido todos os seus sentidos antes disso.

―X―X―X―X―

Sentia seu corpo rígido, a boca seca. Seus olhos abriram-se devagar e com dificuldade. Estava tudo embaçado e demorara alguns bons segundos para conseguir focar a visão do teto amadeirado.

Por um momento não se lembrava de absolutamente nada e então numa velocidade absurda uma enxurrada de lembranças atacaram sua mente e fizeram sua cabeça doer. Aos poucos conseguiu se lembrar da ilha, dos piratas que a hipnotizaram, as palavras frias e duras que lançara contra seus companheiros, Luffy envolto de fúria lhe virando as costas, as horas que passara junto de Hirashima, sua volta a si, a fuga que lhe rendera um ferimento profundo no abdômen, as ruas desertas e nada.

Não se lembrava de mais nada a partir disso.

Tentou forçar a memória, esperançosa que pudesse vir algo à sua mente, mas foi inútil. Permanecia a lembrar de mais nada. Até Nami só vinha todo o sentimento de tristeza e angústia que sentia antes de desmaiar pelas ruas da cidade desconhecida.

Virou seu rosto de lado em busca de informações sobre o lugar em que estava e uma surpresa absurda lhe atingira ao reconhecer o cômodo.

Aquelas coisas eram de Chopper, estava na enfermaria do Sunny.

Tinha sido tudo um sonho afinal? Um pesadelo horrível?

Mas parecia ter sido tão real...

― Você acordou! ― era a voz de Chopper.

Nami encarou o pequeno amigo, confusa, mas ele pareceu não ter percebido tal sentimento na face da navegadora. Olhava-a com os olhos brilhando de felicidade.

A rena se aproximou da ruiva com intenção de examiná-la melhor. Nami tentou se sentar, mas uma dor aguda atingiu suas costelas e um gemido alto lhe escapou dos lábios.

― Não se mova! A ferida irá abrir novamente se você fizer esforço. ― o médico alertou tão rapidamente que quase gritou as palavras, preocupado.

A garota obedeceu e se aquietou, ainda em dúvida sobre o que estava acontecendo.

― Chopper... ― chamara roucamente e só então percebera o quanto sua garganta parecia seca.

Eficientemente, o amigo pegou um copo de água com um canudinho numa mesinha ao lado da cama e aproximou do rosto de Nami, ajudando-a a beber o líquido. A ruiva sentiu a umidade de sua boca voltar aos poucos e então voltou a falar.

― Chopper... O que... O que aconteceu? ― ela o encarou suplicando por explicações.

― Você não se lembra de nada, Nami? ― perguntou o pequenino ainda preocupado, mas agora um tom levemente triste aparecera em sua voz.

― Eu não... Eu não sei... Lembro-me de muita coisa, mas não sei bem se foi um pesadelo ou se foi real. ― ela explicou completamente atordoada.

― Chopper, nós estamos indo até a... ― mas o espadachim não completou a informação. Vira Nami acordada antes disso. ― Então finalmente acordou. ― Ela, por sua vez, não soubera decifrar muito dos sentimentos do guerreiro. Ele parecia surpreso, aliviado, preocupado e hesitante ao mesmo tempo.

― Ela acabou de acordar. ― Chopper informou voltando ao seu estado inicial de animação. ― Eu vou avisar aos outros! ― e saiu correndo em direção ao convés do navio para dar a boa notícia.

― É melhor se preparar... ― Zoro alertara se sentando em uma cadeira ao canto do cômodo. ― Vão te encher de perguntas e... Luffy ainda não voltou ao normal. Pela primeira vez desde que o conheço, está bem mal humorado, na verdade.

― Então... Tudo foi real? Não foi um pesadelo? ― a ruiva sentiu um aperto no coração, como se alguém estivesse o esmagando com a força de um gigante.

― Nami-swaaaan! Finalmente seus lindos olhos estão abertos novamente! ― Sanji rompeu a porta gritando escandalosamente.

― Suuuper seja bem-vinda de volta, Nami!

― Estou tão feliz que meu coração salta do peito! Oh, mas eu não tenho coração. Yohohohohoho. ― Franky e Brook entraram em seguida com sua animação característica.

Usopp e Robin vinham logo atrás, sorriam junto de Chopper, que voltara à enfermaria acompanhado de todos os seus nakamas.

Por último, quieto, embora também exalando alívio, entrava Luffy. Os olhares de ambos se encontraram no meio de toda àquela algazarra e o que vira só aumentara ainda mais o aperto em seu peito.

Pela primeira vez em toda sua vida, ela não conseguia decifrar o quê aqueles olhos lhe transmitiam. A única certeza que tinha é que definitivamente não eram a alegria e espontaneidade que sempre traziam.

― C-como... Como eu vim parar aqui? ― ela perguntou desviando seu olhar para os outros companheiros, fugindo de seu capitão.

― Nós estávamos passando por uma rua da cidade, quando Chopper viu alguém caído na calçada do beco ao lado... Com uma poça de sangue enorme em volta do corpo... ― Usopp começara a explicar, escolhendo as palavras cautelosamente.

― Ficamos muito surpresos quando vimos que era você, Nami! ― Chopper continuara. Seus olhos marejando, provavelmente relembrando a cena. ― Então eu corri pra te ajudar e você estava inconsciente, se tivéssemos te encontrado alguns minutos mais tarde não teria conseguido te salvar... ― a voz dele baixara consideráveis decibéis e sua cabeça estava voltada para o chão.

― Tínhamos acabado de voltar de um bar da cidade em que você foi parar. Uma garotinha de cabelo rosa disse que você esteve no porto procurando por nós e que estaria nos esperando nele. Não entendemos nada quando ela nos contou. ― Zoro continuou a história encarando fixamente à Nami, como se estivesse a lembrando de tudo o que ela havia dito a eles. ― Mas fomos até lá mesmo assim e então você não estava lá. Aquilo realmente nos deixou mais irritados do que já estávamos. ― ele informou, fazendo-a baixar a cabeça, contendo as lágrimas. ― E aí te encontramos.

― Eu... Eu pedi ao Luffy pra te trazer pra cá, pra que eu pudesse cuidar de você... E... E ele deixou. ― o médico do navio terminou, receoso em citar o nome do amigo no meio de tudo.

Por um momento Nami voltou seu olhar ao moreno, mas logo tratou de encarar Robin que começara a falar.

― Eu logo supus o que havia acontecido, mas há algumas coisas das quais ainda não tenho respostas. ― ela se aproximou da cama hospitalar. ― Sei que Hirashima fizera alguma coisa para ter você com ele, mas não sei o quê. Sei também que provavelmente você fugira dele e fora até o porto à nossa procura, mas não sei como. Possivelmente você deixou o recado para a garotinha e foi para o bar nos esperar, escondida o dia todo por lá. Suponho, contudo, que já de noite ele te encontrou e lhe fez isso. ― apontou para a ferida que agora estava escondida sob as faixas brancas. ― Então você conseguiu fugir novamente e nós a encontramos naquele beco. Estou certa?

― Sim... Como... Como conseguiu supor tudo isso? ― Nami pôde ouvir vários suspiros aliviados pela enfermaria.

Seus nakamas tinham um sorriso tímido no rosto. Pareciam ter arrancado toneladas de suas costas.

Mais uma vez seu olhar encontrou-se com o de Luffy, ele parecia menos tenso, mas permanecia quieto. Ficaram assim alguns instantes e então ele virou as costas e saiu do cômodo, surpreendendo a todos. Contudo, ninguém se pronunciou quanto ao ato.

Zoro então resolveu responder a pergunta de Nami que ficara no ar.

― Quando já te trazíamos para o navio, Hirashima nos encontrou no caminho. Parecia estar furioso e quando viu você conosco só faltou explodir. Perguntamos a ele se fora ele quem havia feito isso. Ele respondeu prontamente que sim e ordenou que devolvêssemos você a ele. Bem... Não disse muita coisa depois disso, porque todos os golpes que Luffy guardara na noite anterior, ele recebeu ao mesmo tempo assim que admitira que havia te ferido.

― Foi assustador. ― Usopp completou, sacudindo o corpo pelos calafrios que sentiu ao lembrar-se da cena.

― Yohohohoho. Nunca tinha visto o Luffy-san tão furioso.

― Foi bem merecido. Não deveríamos ter impedido o resultado final. ― Sanji comentou irritadiço, enquanto acendia seu cigarro.

Franky terminara de explicar diante da confusão de Nami com a última informação.

― Nós tivemos que segurá-lo pra não acabar matando Hirashima, que já estava inconsciente e completamente derrotado no chão.

A ruiva não poderia estar mais surpresa. Mesmo que ainda acreditassem que ela os traíra, resgataram-na e derrotaram Hirashima. Seus olhos voltaram a marejar e então ela não conseguiu mais segurá-las. Começou a chorar continuamente, levando suas mãos ao rosto, escondendo-o pela vergonha de ter sido uma traidora.

― M-me, me d-desculpem! ― ela pedia em meio aos soluços. ― Eu nunca diria aquilo tudo! Nunca. Aquela não era eu. Por favor... Acreditem... Não era...

Ela sentiu alguém pular sobre sua cama. Era Chopper se sentando ao lado dela e puxando suas mãos, deixando seu rosto úmido à mostra novamente. Ele sorria.

― Nós acreditamos em você, Nami!

― A Robin nos contou o que ela achava que tinha acontecido enquanto te trazíamos para cá. ― Usopp completou. ― E nós aceitamos como o que mais provavelmente havia ocorrido.

A ruiva aos poucos parara de chorar. Não sabia descrever o quão aliviada e feliz estava em saber que tinha seus companheiros consigo. Em saber que eles não deixaram de acreditar e confiar nela mesmo após todos os últimos acontecimentos.

― Mas o que realmente aconteceu, Nami? ― a arqueóloga perguntou curiosa.

Então os próximos minutos se passaram com Nami contando toda a história para os companheiros. Ao final dela, eles não poderiam estar mais felizes, o que realmente trouxe uma imensa vontade de sorrir à Nami.

Não havia perdido seus nakamas.

―X―X―X―X―

Nami permanecera por mais quatro dias na enfermaria e então fora liberada por Chopper para dar um passeio pelo convés. Debaixo de muitas advertências do médico e caminhando com certa dificuldade por conta da dor que ainda deixara alguns resquícios em suas costelas, a ruiva foi ao encontro dos outros Mugiwaras.

De cara, pôde ver Usopp pescando num canto, enquanto Franky passava uma mão de tinta na madeira polida do Sunny, retocando-o. Zoro dormia em um canto qualquer da grama no convés e Brook conversava tranquilamente com Robin enquanto tomavam uma xícara de chá. Sanji provavelmente estava na cozinha e Chopper a acompanhava de perto.

Sorriu ao ver seus companheiros agindo como sempre agiam, mas estava faltando alguém e então aumentou seu sorriso ao perceber a ponta de um chapéu de palha esvoaçando por trás da proa do navio.

― Chopper, me dá um minuto? ― pediu gentil.

Logo a pequena rena percebera para onde ela olhava e autorizou, voltando para a enfermaria logo em seguida.

Luffy encontrava-se observando o mar, quando a ruiva aproximou-se.

― Luffy... ― chamou, pronta para dar continuidade, mas fora interrompida antes.

― Não precisa. ― respondeu o outro de forma tranquila. Encarou-o, confusa, e logo recebeu um olhar de volta.

Um olhar acompanhado daquele sorriso que só ele sabia dar. O sorriso mais iluminado que um dia já tivera o privilégio de conhecer. Não conseguiu evitar que seus próprios lábios se contornassem alegremente e então se sentou ao lado do jovem pirata.

Somente com aqueles míseros segundos, ele conseguiu dizer a ela que estava perdoada e que não precisavam de pedidos de desculpas para isso.

Ainda sorrindo, bateu em seu colo, chamando-o para deitar-se ali. Foi prontamente atendida, com direito a mais um sorriso gracioso de seu capitão. Ficaram ali por alguns bons minutos. Em silêncio. Ele tinha seus olhos fechados, perdido em seus próprios pensamentos ― coisa rara de se ver ― e ela observava a imensidão azul. Contudo, uma pergunta surgira à ruiva e a mesma não se conteve em compartilhá-la.

― Luffy.

― Hum... ― aquele resmungo parecia bem sonolento. Muito provavelmente pelo fato dela estar acariciando os cabelos negros há algum tempo.

Parou a ação assim que percebeu que ele estava prestes a dormir, recebendo outro resmungo em resposta. Desta vez, porém, reclamando pela ausência do cafuné. Resposta a qual foi completamente ignorada pela garota.

― Por que saiu da enfermaria daquele jeito? ― ele pareceu pensar um pouco antes de responder, ainda de olhos fechados.

― Porque provavelmente eu iria ficar com mais raiva. Daquele infeliz e de mim mesmo. ― admitiu, finalmente abrindo os olhos e se levantando. Uma seriedade rara perpassava as expressões sempre tão alegres do moreno.

― Raiva de você? Por quê? ― perguntou confusa.

― Porque eu deveria ter te protegido daqueles caras! ― ralhou consigo mesmo, se exaltando um pouco. Mas logo baixara sua cabeça. Parecia... desapontado? ― Essa é a minha função. Proteger todos vocês. Principalmente... você. ― voltou a encará-la.

Ela sorriu. Um sorriso tão doce que nem mesmo parecia a costumeira navegadora esquentadinha. Nem mesmo parecia que um dia fora a bruxa demônio, como dizia Zoro.

Levou suas mãos à face do rapaz.

― E não foi o que você fez no final das contas? Se estou aqui é porque você me salvou. E não apenas dessa vez. ― concluiu ainda docemente, para milésimos depois sua expressão mudar completamente.

Agora estava séria e parecia prestes a se transformar na tão temida bruxa a qualquer momento. Luffy a encarou receoso. Sabia reconhecer as feições de Nami quando estava irritada.

― Então pare de dizer besteiras! ― ralhou. ― Eu é quem deveria estar me redimindo aqui. Não você, seu idiota! Tire isso da sua cabeça, entendeu? ― parecia ameaçadora.

― H-hai... ― acuou o pobre garoto.

Nami, por sua vez, logo em seguida voltou a sorrir e, dessa vez, era ela quem deitava no colo de Luffy, que ainda permanecia um tanto quanto paralisado pela recente ameaça subliminar que recebera.

Ele definitivamente ainda tinha dificuldades em saber lidar com a dupla personalidade de sua namorada.

Como uma pessoa podia ser tão gentil e demoníaca ao mesmo tempo?

Era assustador!

Voltou seu olhar para a navegadora que repousava em seu colo e que naquele momento se encontrava de olhos fechados. Um singelo sorriso no rosto. O que será que ela estava pensando?

Sorriu também.

Era sempre assim. Sempre que via um sorriso passear nos lábios que tanto amava beijar ― uma descoberta bem recente, embora realmente viciante aos olhos dele ―, uma imensa vontade de também sorrir lhe abatia. Robin dizia que aquilo era efeito colateral de estar apaixonado. Bem, deveria ser mesmo, contando que ele não conseguia evitar aquilo de forma alguma. E nem tinha vontade, na verdade.

Olhou-a por mais alguns instantes.

― Nami. ― chamou, gentil.

― Sim. ― respondeu sem abrir seus olhos.

― Tem mais um motivo para eu ter saído da enfermaria naquele dia. ― confessou, para a surpresa de sua nakama.

A mesma abriu os olhos, curiosa.

― Mesmo? E qual é?

― Eu não precisava ouvir o que você iria contar. E nem o que a Robin tinha dito pra gente quando te achamos. ― explicou, ainda de forma gentil. ― Porque eu já sabia que alguma coisa ‘tava errada desde o início. Só ‘tava realmente irritado por não saber o que era e como te ajudar. ― completou, o que a fez abrir mais olhos, em surpresa.

― Luffy... como consegue confiar tanto em nós? ― perguntou, atônita pela informação. ― Em mim? Já te dei tantos motivos para que fosse o contrário... ― explicou seu questionamento em um tom levemente entristecido.

Ele, por sua vez, nada fez além de abrir seu sorriso único. Iluminando sua visão e surpreendendo-a ainda mais com a resposta que se sucedeu.

― E não é isso que fazemos quando amamos alguém?

Notas finais
Até a próxima! E reviews fazem pseudo-autoras muito felizes! Até mesmo se for para criticar algo que precisa ser melhorado, viu? ;)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!