Truques Mortais

13 Capítulo 13 - Corrida Mortal - Parte 1


Notas iniciais
Ok, vamos começar hoje com a minha apresentação... Me chamo Ana Cristina, já que vocês não me conhecem mais depois de tanto tempo que não dou as caras aqui. Bom, dessa vez não foi desleixo meu, pelo menos não 100%. Aqui no bairro onde eu moro a sede da Oi teve um pequeno problema, ou seja, minha Oi Velox foi pelos ares no dia 20 de Setembro... Porque me lembro a data? Porque é a internet :/ e porque essa benção saiu um dia antes do meu aniversário, triste vida, triste. O capítulo já estava pronto, o 14º capítulo também! Mas não tinha como posta-lo, até tentei pelo Notebook no dia em que meu amigo trouxe o modem da Claro, mas a conexão caiu lindamente, só deu tempo de responder algumas mensagens. Mas enfim, a questão é que a internet voltou Sexta-Feira se não me engano... Tratei de assuntos urgentes e voltei aqui. O próximo capítulo já está escrito e ainda nessa semana postado. Desculpem por todo o transtorno, odeio quando acontece.

“ Hoje é Domingo, e eu agradeço por isso. Tenho estado estressada estes últimos dias. Já faz dois meses desde que as aulas começaram, as coisas tem piorada desde então. Juliet só fica com Freddie, Holly diz estar ocupada estudando, mas eu sei que não. E, eu sei que tudo isso é culpa minha... Eu tenho me mantido afastada esses dias. Não sei o que está acontecendo comigo, só sei que está voltando... Voltando aquele sentimento de culpa... Aquela dor e aquele arrependimento... Não quero falar nada disso com ninguém, mas sei que deveria.

No final do mês passado nos foi dado a peça que iriamos apresentar no final do ano. Scott estava certo, a peça era o Fantasma da Ópera, isso me deixa incomodada, afinal... Essa peça é um romance sombrio e eu estou cansada deste tipo de história.

Aqui no campus todos são idiotas, fingem que nada está acontecendo, que tudo está normal... Mas eu acho que é isso que vem me incomodando ultimamente... Tem algo de muito errado acontecendo, e eu realmente quero saber o que é. Acontece, que os estudantes que sumiram no mês passado ainda não foram encontrados, sumiram, sem pistas, sem rastros e, o pior de tudo... Sem suspeitos. O que significa agora... Que qualquer um com quem nos esbarramos pode ser culpado, qualquer um com quem falamos pode nos raptar ou até mesmo nos matar. Isso me irrita... Ninguém faz nada, parece que ninguém se importa.

Holly e Juliet me chamaram para ir até a praia hoje a tarde. Disse que iria fazer outras coisas... Que estaria ocupada, isso é engraçado já que não tenho absolutamente nada para fazer hoje. Mas decidi fugir... Não quero ver ninguém hoje e não quero que ninguém me veja, as vezes... Ser invisível é bom.

Me irrito pelo que vou escrever agora mas... Scott voltou a aparecer nas aulas tem um tempo. Ele não fala comigo, mas sempre está me encarando com aquele olhar absurdamente misterioso... Nunca sei o que ele está pensando, ou o que ele quer, e isso me deixa com uma raiva enorme. Não tentei me aproximar dele... Mas confesso que queria voltar a conversar com ele... É como se ele fosse o único que me visse como realmente sou. Eu sei que ele não me olha com admiração ou com respeito como a maioria dos estudantes daqui... E isso é agradável, tão agradável que eu odeio.”

— Jennifer Green

Jennifer jogou seu diário na primeira gaveta de sua cômoda. Olhou para o quarto após um supiro e pôs a mochila azul por cima do ombro direito. Ia passar o Domingo fora do Campus. Estava levando um livro para ler mais tarde, algumas besteiras para comer. Uma muda de roupas e um pouco do dinheiro que sua mãe enviava todo semestre.

Estava descendo as escadas do dormitório quando alguém a chamou lá de cima. Ela parou no último degrau e levantou a cabeça a procura do dono da voz.

— Não se esqueça da festa da fogueira hoje a tarde. Estamos loucos para que você compareça, Jenny!

Era Karen, uma Canadense que ficava no final do corredor. Karen tinha um grupo de amigas que eram muito conhecidas no Campus. Jennifer não gostava de nenhuma delas. Eram todas garotas mimadas e superficiais.

— Pode deixar Karen. Eu voltarei para a festa... — Jennifer falou com um sorriso qualquer no rosto.

Karen bateu palmas em comemoração e depois seguiu correndo de volta para seu quarto.

Jennifer revirou os olhos e continuou seu caminho.

Ainda era bem cedo... As nuvens eram cinzentas e ainda era possível ver a lua naquela manhã. Algumas poucas pessoas passeavam pelo pátio. A maioria dos alunos gostava de dormir até tarde no Domingo e depois irem para festas beber e se divertir perto de um som alto .

Ano passado era assim... Todo Domingo uma festa, toda Segunda uma ressaca. Ela ia para todas as festas que a convidavam. Ela era e ainda é o centro das atenções, e ela amava isso... Mas esse ano muito havia mudado. E ela tinha um terrível medo dessa mudança.

— Olá Jennifer! — A garota revirou os olhos ao saber de quem era a voz — E então, quer uma carona?

Era Mike Thompson o engraçadinho da festa de Boas vindas. Havia brigado com o Scott e não tinha aceitado muito bem ter levado alguns socos de um novato.

Mike continuava o mesmo aparentemente. Mas havia retirado a barba, ficando ainda mais jovem. O cabelo ainda era bem curto e os olhos bem brilhantes cor de caramelo.

Jennifer se virou para trás para encara-lo. Estava em um carro Fiat Azul escuro de quatro portas. Os Universitários tinham um cartão no qual podiam usar para alugar carros para sair aos Domingos e feriados.

O vidro da janela do motorista no qual Mike ocupava estava abaixado. Ele tinha um sorriso no rosto enquanto o braço esquerdo pousava do lado de fora da janela e o direito no volante. Do seu lado tinha outra pessoa... Jennifer se virou para olhar quem era e logo suspirou... Era Liza Johnson. Liza também estava na festa... Ela levava os novatos para o palco para pagarem mico na frente de todos.

Liza estava sempre muito bem arrumada. Ela lembrava um pouco Holly. Também tinha cabelos compridos e loiros, e Jennifer tinha de admitir, aqueles olhos verdes eram lindos, mas nada que amenizasse o ódio que Jennifer tinha de Liza e seus 55 Kg de falsidade. E tinha mais... Holly era muito mais bonita que Liza, isso era certo.

— Jennifer, querida, suba aí! — Liza gesticulou com a mão ao lado de Mike.

— Vocês nem sabem para onde estou indo. — Jennifer continuou andando sendo seguida pelo carro Fiat.

— Ah, deixa de bobagem! — Mike dirigia o carro bem devagar ao lado de Jennifer. — Vamos, nós quatro vamos nos divertir muito!

Jennifer parou de andar e estreitou os olhos.

— Nós quatro?

Mike e Liza sorriram ainda mais.

— Idiota! — Mike gritou com alguém sentado atrás dele, no banco de passageiros. — Abaixa o vidro da janela. Essa deusa quer ver você.

Jennifer olhou para a porta de trás vendo o vidro escuro descer lentamente.

— Oi Jennifer. — O garoto a cumprimentou agora que estava a amostra.

— Ahm... Oi — Jennifer hesitou.

Ela não o conhecia, isso era óbvio, mas ele parecia conhece-la. Ele tinha cabelos castanhos lisos e compridos que paravam um pouquinho acima de seus ombros. Não tinha barba e suas sobrancelhas eram bem desenhadas, olhos castanhos. O nariz parecia ter sido quebrado, mas aquilo não atrapalhava de nada em sua aparência, muito pelo contrário, ele parecia até mais charmoso.

O garoto parecia sério e desanimado com a “diversão” que Liza e Mike diziam ter.

Mike riu alto.

— Ela não se lembra de você, zé ninguém... Quem lembraria? Anda logo e se apresenta.

Jennifer olhou irritada para Mike, ela não era obrigada a se lembrar de todos que via ou que falava. Havia muitas pessoas no campus, mas isso não queria dizer que estas pessoas eram um tanto invisíveis.

— Me chamo Josh, Josh Myers. — O garoto falou.

Jennifer vasculhou em sua mente por esse nome... Mas ainda não se lembrava quem era o garoto a sua frente, e ela podia jurar de que nunca o tinha visto na vida.

— Esse moleque pegou um belo de um resfriado depois da festa, hein Jenny? — Mike riu novamente.

— Não era para menos — Comentou Liza com um sorriso sínico — Um barril daqueles cheio de gelo deixaria qualquer um doente.

— Barril de gelo? — Jennifer uniu as sobrancelhas confusa. — Desculpe, ainda não me lembro de você.

Liza e Mike pareciam se divertir com isso.

— Sou o cara cujo a sorte não acompanhou na festa. Fui o primeiro a participar do trote... Você mandou seus amiguinhos jogarem aquele barril cheio de água e gelo em cima de mim... Estava com uma máscara azul.

— Ah...

Jennifer jogou o peso do corpo para a perna direita. Ela se lembrava de Josh agora... Ele estava irritado com ela, assim como ela estava irritada com Liza por ter jogado tinta fluorescente nela e nas garotas na festa de boas vindas do ano anterior.

Agora ela percebera, ela odiava Liza por ser a pessoa que era... Mas pelo visto ela havia tomado o mesmo caminho. E Josh parecia ser o próximo. Ela era como ele ano passado... Uma estranha no meio de uma guerra juvenil.

— Então Jennifer? — Liza perguntou impaciente — Vai entrar nesse carro ou não?

Jennifer não iria... Mas resolveu entrar no carro e se sentar ao lado de Josh que a encarou surpreso.

— É isso aí! — Mike gritou dando partida no carro.

— Para onde vamos? — Jennifer perguntou.

— Vamos lá no topo! — Respondeu Mike — Para a estrada do penhasco.

— Aquela perto da ponte de pedra? — Jennifer olhou Mike e depois Liza.

— Infelizmente — Respondeu Josh ao seu lado. Os braços cruzados e um rosto nada amigável. Jennifer só então parara para notar o quanto ele era forte. Seus braços eram grandes... Poderia derrubar Mike num só segundo se quisesse... Mas ele preferia estar ali... Obedecendo as ordens dele.... Devia ter algo de muito errado nisso tudo.

— Não vamos atravessar a ponte, Jenny. — Liza falou se virando para trás no banco da frente.

— Você sabe o quanto aquela estrada é comprida, não é mesmo? — Mike perguntou.

Jennifer fez que sim com a cabeça e pode ver Mike sorrindo pelo retrovisor.

— Pois bem... Lá é ótimo para essa belezinha mostrar a sua potência.

Jennifer ergueu as sobrancelhas.

— Está se referindo ao carro? — Parecia mais uma repreensão do que uma pergunta

Mike riu

— Ainda se lembra da minha potência, não é mesmo, Jenny? — Ele riu mais um pouco — Mas desta vez me refiro ao carro mesmo.

— Ficou louco? — Ela ignorou seu comentário. — Aquela estrada fica no lugar mais alto da ilha! Se você perder o controle do carro nós podemos acabar....

— Não, não! Nós não morremos... Nós somos INVENCÍVEIS!

Liza e Mike riram e em seguida engataram em uma conversa aleatória.

— Só podem estar loucos. — Jennifer bufou resmungando em seu canto.

O resto do caminho se seguiu em silêncio na parte de trás do carro. Mike e Liza bebiam algo de uma garrafa qualquer dentro do carro. Ela rezava para que não fosse bebida alcoólica. Ainda não planejava morrer.

Josh permaneceu encostado na porta do carro olhando pela janela ainda de braços cruzados. Jennifer também não teve vontade de puxar assunto com ele, afinal, do que iriam conversar?

Depois de alguns minutos lá estavam eles, no topo da ilha... Aquela longa estrada era conhecida como Escala Azul, afinal, se você chegasse na beirada e olhasse para baixo veria o Atlântico e acima estaria o céu... O melhor lugar para encara-lo. Do lado direito da estrada tinham os campos dos fazendeiros da ilha. Um milharal imenso seguido de um campo de trigo.

— Agora a diversão começa meus amigos! — Mike saiu do carro parado bem no meio da estrada deserta. Liza saiu e Jennifer logo em seguida.

O vento ali em cima era forte e agradável... Ele parecia sussurrar palavras em seu ouvido.

— E agora? — Jennifer estreitou os olhos... A claridade a cegava.

— O nosso amigo Josh sabe o que fazer! — Mike foi até a porta do passageiro e tirou Mike a força do carro.

— Isso vai ser muito legal! — Liza comentou empolgada.

— Vamos logo garoto! Suba nesse carro!

— Espera aí! — Jennifer deu dois passos até o carro, ficando de frente para Mike e na frente de Josh.

— Você não vai fazer o que eu estou pensando vai?

Mike sorriu.

Jennifer observou Josh esperando que ele levantasse a mão para Mike... Mas isso não aconteceu. Ao invés disso, o garoto deu um salto ficando em cima do capô do carro e depois subiu para o teto.

— Vamos minha linda — Mike olhou para Jennifer — Faça as honras!

Ele entregou as chaves do carro para Jennifer.

— Você é louco! Eu não vou dirigir com ele aí em cima! — Jennifer falou.

Liza Johnson revirou os olhos e tomou as chaves da mão de Jennifer.

— Então eu faço!

— Gosto de mulheres de atitude! — Mike abriu a porta para Liza se sentar no banco do motorista e em seguida deu a volta para sentar ao lado dela.

Jennifer olhou para Josh ainda incrédula.

— Josh! Desce logo daí... Você vai acabar se machucando...

O garoto a olhou de canto.

— Você se importa com alguém além de você? Até parece.

Jennifer revirou os olhos irritada.

— Você está mesmo afim de fazer essa besteira?

— Olha aqui... Jennifer Green — Ele deu ênfase em seu nome — Não se preocupe comigo... Se eu me machucar não irei contar a ninguém que a culpa foi sua!

Jennifer o encarou por mais alguns segundos.

— Quer saber? — Jennifer perguntou — Se você se machucar vai ser ótimo mesmo!

Em seguida ela entrou no carro batendo a porta com força. Aquele garoto era um idiota completo.

Liza deu partida indo com calma de início... De início.

As coisas começaram a ficar assustadoras quando o carro passava de 250 km/h. A velocidade era absurda e Jennifer não conseguia imaginar o que Josh fazia para conseguir se manter em cima do carro sem proteção alguma.

— Vão mais de vagar! — Josh gritou lá de cima — Não estou conseguindo segurar muito bem!

Jennifer começou a estalar os dedos nervosa.

— Ele pediu para irmos mais rápido? — Liza perguntou.

— Acho que sim, Liza! — Mike riu.

Liza pisou com tudo no acelerador. Jennifer estava começando a ficar assustada com a situação... Não só por Josh, mas por ela também.

Tudo pareceu girar quando Mike perguntou algo:

— O que é aquilo ali na frente? — Mike se aproximou mais do painel do carro. Só via um borrão vermelho.

— Seus idiotas aquilo é um carro! — Jennifer se agarrou no banco do motorista para olhar a sua frente.

Ela não estava errada... Aquele borrão vermelho realmente era um carro parado bem no meio da pista.

— É melhor você frear esse carro Liza! — Mike gritou nervoso.

— Claro que não! Ficaram loucos de vez? — Jennifer perguntou apressada — Se vocês frearem esse carro Josh irá cair longe!

— O que quer que a gente faça droga? — Foi a vez de Liza gritar.

— Da pra passar pelo lado dele. Se acalmem! — Disse Mike se repondo.

— Ah claro que sim! — Jennifer falou irônica — Se ela for tentar passar pelo lado esquerdo daquele carro nós só iremos correr o risco de cair de um penhasco de mais de 6 metros de altura!

— Temos o lado direito!

— E se o carro capotar? Isso é uma inclinação!

— Calem a boca vocês dois! — Liza gritou e o silêncio se fez... O carro vermelho estava cada vez mais perto quando Jennifer pode ver duas pessoas sentadas no capô.

— O único jeito é frear! Sinto muito pelo Josh... — Disse Liza em seguida puxando o freio de mão fazendo o carro derrapar em um giro de 180º por entre a pista.

Jennifer se agarrou ao banco do motorista a sua frente tentando não gritar.

— Essa parte da ilha é interessante. — Falou Lola.

Scott deu um meio sorriso torto. Os óculos escuros refletindo a longa estrada a sua frente. Seus cabelos negros e lisos se agitavam com o vento. A barba feita deixando seu maxilar largo totalmente à amostra.

Scott estava mais simples neste dia. Usava uma camiseta de mangas curtas preta e uma calça jeans escura acompanhada de um tênis esportivo.

— Sabe Lola, aqui é o melhor lugar que se tem para refletir. — O rapaz falou encostado na frente de um carro esportivo vermelho com os braços cruzados. Lola se encostou ao lado de Scott com um sorriso.

— Posso saber o porque? — Ela perguntou curiosa sentindo o forte cheiro do perfume de Scott, era ótimo.

Scott deu de ombros.

— Aqui é bonito, calmo, sem pessoas de mentes perturbadas, mimados ou qualquer coisa desnecessária no mundo.

— Mas eu estou aqui.

Scott sorriu e virou o rosto ficando bem próximo dela.

— Você não é desnecessária para mim. — Scott sussurrou e sorriu ao vê-la se arrepiar.

Lola cursava jornalismo na universidade local. Era uma rebelde sem causa. Não gostava que ninguém mandasse nela e nem gostava de mandar nos outros. Era espontânea e ao todo uma pessoa feliz com a simplicidade do mundo.

Seus cabelos eram castanhos cacheados. Olhos esverdeados. Era mesmo bonita. Vestia uma camiseta preta curta e uma calça jeans clara com um all star branco. Alguns anéis no dedo e um piercing no nariz.

A garota distribuiu um sorriso tímido para Scott.

— Sabe, quando te vi na festa de boas vindas... Com aquele seu truque da toalha em chamas... — Lola começou a dizer. Scott contraiu o maxilar trincando os dentes ...voltando a encarar a estrada. — Nossa, foi incrível! E, olha só... Estou conversando com você agora, você não é nem um pouco idiota como os garotos de lá.

Scott ia falar algo para Lola, mas algo chamou sua atenção. Era um som que vinha de longe, mas que era irreconhecível naquela estrada deserta. Era um carro. Ele virou o rosto para trás ainda não muito preocupado com o que veria e lá estava! Um carro azul escuro vindo a toda velocidade, mas tinha algo de inovador... Uma pessoa no teto? Scott riu por dentro e se virou ainda mais para olhar a situação.

Lola quando percebeu ficou um tanto desesperada. Estava prestes a sair do meio da estrada quando Scott segurou seu braço com força a impedindo de ir para qualquer outro lugar. Ele permaneceu encostado no carro esportivo enquanto via o outro carro vir a toda velocidade em sua direção.

Lola ia dizer algo, mas Scott a interrompeu:

— Apenas assista... Confie em mim.

A garota ao lado de Scott conseguiu apenas fechar os olhos ao ver que iria morrer atingida pelo carro.

Scott sorriu de canto ao ver que o freio de mão do carro havia sido puxado. O carro azul derrapou rodopiando na estrada em que estavam. O garoto no teto do carro voou para a esquerda e saiu rolando em direção a elevação que levava para a plantação. O carro ainda continuou vindo na direção de Scott, Lola e o carro esporte sem conseguir parar. Quando finalmente isso aconteceu o carro parou em meio a fumaça a poucos centímetros do carro vermelho de Scott.

Scott soltou a mão de Lola e se levantou virando na direção do carro desgovernado que havia parado bem na sua frente. Ele cruzou os braços e esperou que saíssem do carro. Lola respirou fundo aliviada e foi se colocar ao lado de Scott.

— Droga — Praguejou Liza pondo a mão na cabeça. Estava doendo, havia batido no volante assim que o carro perdera o controle.

Mike foi o primeiro a sair do carro. Enquanto Jennifer sentia uma queimação no rosto graças ao corte em sua bochecha. A janela ao seu lado havia quebrado para o seu azar. Ao ver Liza sair ela suspirou ouvindo uma conversa.... Ela conhecia a voz, então por fim ela saiu do carro encontrando Scott Vitorino bem na sua frente.

— Vocês quase arranharam o meu carro — Scott falou com Mike e Liza assim que saíram do carro.

— Era você! — Mike se aproximou mais de Scott irritado — Porque não tirou o maldito carro da frente quando viu que estávamos perto?

Scott lembrou de Mike imediatamente. Era o garoto idiota da festa. Com certeza ele ainda não tivera o que merecia, e não iria passar de hoje...

Estava prestes a dizer algo quando mais uma pessoa saiu de dentro do carro. Era Jennifer.

Vitorino prendeu sua atenção na garota enquanto ignorava completamente o que Mike gritava para ele.

Jennifer o encarou tentando compreender qual seria sua expressão por de trás dos óculos escuros. Depois de tanto tempo ela estava ali de frente pra ele e isso a deixou nervosa, mas ela não sabia o porque.

— Dessa vez você não escapa seu mauricinho de merda! — Mike disse indo em direção a Scott.

— Deixa ele em paz Mike. — Jennifer pediu.

Todos olharam para ela. E ela pode jurar que vira Scott sorrindo.

— Ele pretendia deixar a gente morrer! Será que não notou isso Jenny?

Jennifer suspirou e olhou para Mike.

Assim que ela virara o rosto Scott reparou em seu corte. Estava realmente feio.

— Você se machucou... — Scott falou quase para si mesmo.

Jennifer o encarou pondo a mão no rosto e vendo a mão suja de sangue em seguida.

— Isso por culpa sua! — Mike gritou com Scott, o indicador apontado para ele.

Scott continuou a olhar Jennifer

— Não, isso foi quando o Josh caiu... — Jennifer parou no mesmo instante. Ela havia esquecido de Josh.

Scott riu alto. E ao perceber o que ela pensava ele apontou com o indicador para a esquerda.

Todos olharam.

Jennifer correu para lá sendo seguida por Mike e Liza. Scott foi bem atrás com Lola.

Josh estava caído no meio de trigos. Seu rosto tinham pequenos arranhões e seu antebraço direito sangrava... Provavelmente se cortou ao atingir o vidro da janela.

Jennifer se ajoelhou perto de Josh e começou a sacudi-lo.

— Josh! — Ela gritava tentando acorda-lo.

Mike passou a mão pela cabeça enquanto andava de um lado para o outro. Liza parecia nervosa.

— Droga, droga, droga! — Mike aumentava cada vez mais o tom de voz.

— Ele morreu? — Liza perguntou baixo.

Scott bufou impaciente.

— Vocês são muito dramáticos. — Ele em seguida se ajoelhou ao lado de Jennifer que o encarou surpresa. — Ele não está morto, está respirando. Vocês devem tira-lo daqui.

Mike pareceu aliviado, assim como Liza.

— Muita informação para um dia só, Scott — Lola falou ao lado de Liza.

— Sinto muito. — Scott deu de ombros — Quer que eu te deixe no dormitório?

— Não — Ela olhou uma mensagem no celular — Eu vou passar em um lugar aqui perto... Não se preocupe. Mas depois irei querer terminar aquele assunto.

Lola piscou antes de sair.

Jennifer encarou Scott.

— Já está com outra?

Scott sorriu e olhou para Jennifer.

— Ciumes?

Scott ajudou Mike a levantar Josh. O puseram no carro de Scott no banco de trás.

— Podem ir embora — Scott falou com as mãos nos bolsos de sua calça jeans — Eu levo ele para a enfermaria lá da universidade.

Mike estreitou os olhos.

— Deixa que eu levo! Pensa que eu não sei que você vai ferrar com a gente e contar tudo.

Scott fechou a porta traseira do carro e balançou a cabeça.

— Não seja imbecil! — Ele falou no mesmo tom de Mike — Não vou deixar um desajustado que nem você levar ele até o outro lado da ilha. Quase morreram ainda agora!

— Se acalma Mike. — Liza o repreendeu já que ele queria avançar em Scott. Scott nem se importava, parecia não ter o menor medo. Mas acontece é que o Vitorino adorava provocar.

— E não... Não vou ferrar com você... Infelizmente. — Se eu contar o que aconteceu teria de contar o que eu estava fazendo aqui e obviamente eu me daria mal também.

Jennifer olhou toda a cena em silêncio.

Mike apontou o indicador bem próximo ao rosto de Scott

— Acho bom mesmo! — Em seguida ele se virou junto de Liza e foi em direção ao carro.

Scott o puxou pela camisa virou o rosto de Mike e o deu um soco tão bem dado que ele caiu no chão com um corte na boca. Jennifer abriu a boca em choque.

Mike se levantou e encarou Scott sério.

— Isso é pra você aprender a não apontar esse seu dedo imundo no meu rosto. — Scott falou normalmente.

Mike trincou os dentes sendo observado por Liza e Jennifer, se levantou limpando a calça jeans com as mãos. Encarou Scott por um tempo, mas em seguida deu as costas.

— Vamos embora meninas.

Jennifer olhou para os dois e balançou a cabeça.

— Vou ir com Scott.

Scott piscou sem acreditar

Mike a olhou incrédulo, mas não disse nada, apenas virou e saiu andando até o carro que havia alugado.

Scott cruzou os braços vendo o carro Fiat azul dar ré e fazer a curva voltando pelo mesmo caminho no qual veio. Logo ele se virou para Jennifer que já o encarava.

Scott retirou os óculos escuros e os pôs pendurados na gola da camisa. Seus olhos estreitos e escuros a encaravam com cautela.

— Vai entrar no carro ou não? — Ela perguntou tentando parecer irritada. Scott deu dois passos até ela ficando bem perto de seu rosto. Isso deixou Jennifer completamente nervosa. Ela sentia seu perfume e sua respiração, e aquele olhar? Aquele olhar misterioso pesava sobre ela. E, ela gostava.

— Não lembro de te-la convidado.

Jennifer revirou os olhos e entrou no carro. Ao se sentar cruzou os braços e ficou quieta.

Do lado de fora Scott soltou um suspiro pesado e deu a volta para se sentar no banco do motorista.

— É incrível. — Scott bateu a porta do carro e soltou o freio de mão segurando no volante.

— Você que é incrível.... Incrivelmente idiota.

Scott olhou para Jennifer e parou de dirigir, se virando para ela.

— Eu sou idiota? Você acabou de sair de um carro com dois idiotas e entrou em um com um cara que você nem sabe o que pode fazer com você!

Jennifer riu debochada.

— E o que você pode fazer a mim?

Scott ficou calado, ele a olhava tão furioso que a sua vontade era de sair do carro agora mesmo. Ele não conseguia ter paciência com Jennifer, isso era quase impossível.

Passou a mão pelos cabelos e se virou novamente para a direção voltando a por o carro para funcionar. Ele deu o retorno e seguiu em direção a universidade.

— Vou deixa-lo na enfermaria... E você... Faça o que quiser desde que isso não me envolva. Não tenho estado muito animado para joguinhos estes dias.

Jennifer descruzou os braços e suspirou encarando a janela.

— Por onde você andou esses dias? Ninguém te viu em nenhum lugar.

— Andou me procurando?

— Não gosta de responder perguntas, não é?

Scott deu de ombros.

— Não acho que seja necessário você se intrometer na minha vida. Não é nada minha.

— Ok.... Então eu tenho outra pergunta que se refere a mim, e eu tenho total direito de ouvir a resposta.

Scott riu.

— Vá em frente então.

Ela olhou para ele que ainda estava atento na estrada.

— Porque andou me evitando?

Scott ficou calado.

Jennifer o encarou.

— Eu... Se sabe que estou te evitando porque vem atrás de mim? — Scott olhou rapido para ela.

— Também queria saber. — Ela falou quase que para ela mesma.

Scott suspirou e parou o carro novamente.

Ele se virou e pegou no rosto dela fazendo com que ela o olhasse nos olhos.

— Olha Jennifer... Eu não sou a pessoa adequada para você ficar seguindo ou conversando. Não venha atrás de mim.... Eu tenho meus segredos, isso é humano, todos temos, mas os meus... — Scott sorriu fraco — Meus segredos são sombrios e eu os carrego nas costas, como Atlas sustenta os céus com as próprias mãos, isso é uma maldição. E, a minha história? Bem... Não queira conhece-la, não é nenhum conto de fadas ou um simples drama como a sua. A minha história se trata de um terror, Jennifer... E eu estou certo ao dizer que esta história ainda mal começou.

— Então que ela comece logo — Jennifer falou — Porque eu estou começando a ficar entediada.

Scott riu e voltou a por os óculos segurando de novo o volante.

— Tenho que admitir, Jennifer. A sua teimosia me atrai.

— E isso é bom?

— Só se você for masoquista.

Jennifer balançou a cabeça sorrindo e voltou a encarar a janela... Estavam chegando.