Trunfo
9 Preparação para a Captura à Bandeira
Muitos campistas se levantavam, de pé sobre os bancos e mesas, e gritavam revanches, vinganças, sede de guerra e principalmente entusiasmo. Mas a maioria aplaudia.
Ergueu-se sobre a mesa para tentar ver: uma mulher mais velha chegava ao Pavilhão, circundada por dois irmãos seus, carregando uma bandeira prateada com a ilustração de uma coruja sobre um ramo de oliveira. Não conseguia ver seu rosto, pois ela vestia uma armadura que incluía capacete estilo Grego Antigo.
–Aquela é Annabeth Chase, filha de Atena e Conselheira Chefe do Chalé 6. – Travis informou. Então exibiu um olhar malicioso. – Já ouviu falar de Percy Jackson?
–Não, quem é?
Mas Travis não tem tempo de responder, porque o barulho é muito alto quando entra outra bandeira. Anna não tem oportunidade de examinar a bandeira em si, porque seus olhos se movem precisamente até quem a carrega.
–E aquele é Leo Valdez. Conselheiro Chefe de Hefesto.
Leo Valdez.
Quíron bateu o casco novamente, e todos se aquietaram.
–Heróis! – Chamou. – Temos uma nova campista hoje, portanto vou explicar a regras. O riacho é o limite; a floresta inteira está valendo. Todos os itens mágicos são permitidos. A bandeira deve ser ostentada de modo destacado e não pode ser cercada por mais de dois guardas. O prisioneiros podem ser desarmados, mas não amarrados ou amordaçados. E, principalmente, não é permitido matar nem aleijar. Armem-se!
Ao que Quíron estendeu os braços, armas de todos os tipos surgiram magicamente sobre as mesas de cada chalé.
Ainda atormentada pela última parte das regras, Anna só voltou à realidade quando Travis lhe deu uma armadura de bronze realmente pesada e amassada.
–Você é pequena. – Ele justificou. – As armaduras dos pequenos sempre são assim.
Anna tinha 17 anos completados, e mesmo não sendo a mais alta, nunca se considerara tão baixa como quando no Acampamento. Travis pareceu notar.
–Não se preocupe, é que a gente malha! – Ele disse.
Anna vestiu a armadura do melhor jeito que pôde, mas quando terminou Travis já havia ido embora.
–Hã... Travis? – Chamou.
Ele apareceu, já vestindo sua armadura também e acenou.
–Você colocou do lado contrário. – Ele riu, falando para que Anna tirasse os braços das mangas e daí virando a armadura para o lado “certo”. Seu pescoço quase foi arrancado para fora do tronco.
–Estava certo! – Ela reclamou, tendo o trabalho de virar tudo novamente enquanto Travis se engraçava com a imagem. – Idiota.
–Prazer, meu nome é Travis Stoll.
Anna levantou uma sobrancelha.
–Eu sei disso. – Ela disse, estranhando.
Um segundo Travis apareceu atrás do primeiro, cutucando-o com uma lança.
–Eu não estou entendendo... – Anna riu.
–Eu sou Travis. – O segundo Travis disse, empurrando o primeiro Travis. – Esse impostor de meia tigela é meu irmão, Connor.
–Não somos gêmeos. – Connor decifrou sua mente, após se recuperar do empurrão elétrico de seu irmão.
Anna riu, parando para entender que a maior parte dos campistas já se retirava da mesa, em direção a tal floresta onde aconteceria a captura.
–Como funciona esse jogo? – Anna perguntou aos meninos.
–Você por enquanto é do nosso chalé. A gente se aliou ao chalé de Atena, então isso significa que estamos do lado Dourado. Annabeth vai dar, a cada um, instruções e tarefas; e nós a obedecemos.
–Ou não. – Sorriu Connor.
–O objetivo é capturar a bandeira do outro time, que deve estar escondida em qualquer lugar na floresta, até o riacho. Ou defender a bandeira do seu time.
Annabeth reuniu todo seu time, que incluía os chalés de Ares, Poseidon, Apolo, Deméter, Hermes e Afrodite. De acordo com Connor, o time de Hefesto havia feito alianças com os chalés de Deuses menores, porque para fazê-las é preciso oferecer algo; e esses chalés eram menos gananciosos.
–Você não sabe o quanto de maquiagem nós tivemos de dar um jeito de passar.
Anna se lembrou do colega Blaine, que não havia aparecido novamente.
–Vocês viram seu meio irmão Blaine, por acaso? – Questionou.
–O Johnson? Ele não é nosso meio-irmão! – Anna confirmou com a cabeça. – Já viu perto das filhas de Afrodite?
–Vou ver!
Travis a impulsionou com tapinhas nas costas, e ela novamente levou um choque.
–Trouxa! – Reclamou, virando-se para trás. Os irmãos riram; um piscando para ela.
E, como de costume, Anna trombou com alguém.
–Ai caramba, foi mau! – Ela se desculpou, voltando-se para o atingido.
Seus olhos eram verde água e seus cabelos negros estavam bagunçados como se tivessem sido penteados por um pente sem dente. Ele era alto e aparentemente mais velho que Anna, pois sua armadura se encaixava muito bem em seu corpo desenvolvido.
–Tudo bem. – O garoto sorriu; desconfortável por machucar alguém menor do que ele. – Ei, você é a nova campista! Seja bem-vinda, o meu nome é Percy.
–Obrigada. – Então ele era o tal Percy Jackson, relativo à Annabeth Chase.
–Está perdida? – Ele perguntou.
Anna olhou para trás a procura dos irmãos Stoll, mas eles já haviam partido.
–Parece que sim.
Ao redor deles a multidão se espremia em direção a Annabeth, procurando ouvir suas respectivas instruções. Percy, porém, parecia já saber o que fazer.
–Annabeth me disse que te colocou na guarda quaternária. – Percy informou. – O que quer dizer que você vai ser a primeira barreira entre os inimigos e a nossa bandeira.
–Okay... – Anna processou a informação.
–O riacho que Quíron estabeleceu de limite fica a meio quilômetro de um labirinto na floresta. Sua barreira vai ficar ao lado do riacho; ela é feita por: você, eu, e aquele pessoal ali na frente.
–Achei que você fosse proteger a bandeira mais de perto. – Anna supõe, imaginando a relação de Percy com Annabeth.
–Eu sou filho de Poseidon, por isso sempre me põem perto de água.
–Faz sentido.
O que não fazia sentido era Anna ter sido colocada para a primeira barreira. Ela não era tão importante quanto a última, mas também fazia grande efeito. Sem questionar mais, Anna seguiu o colega até o grupo a que pertenciam.
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