Trunfo
38 Desculpas
Ela viu a claridade diminuir sob a copa das árvores, aninhada entre as raízes grossas de uma árvore no fundo da floresta. Quando percebeu já era noite, e o ar já se encontrava frio. Desejou ter um casaco.
-Oh Deuses, Anna! – Escutou um conhecido sotaque britânico por perto. Olhou em volta de si, mas a escuridão a atrapalhava.
Tomou um susto quando se virou novamente e viu que Jason corria até ela, se soltando e deslizando sobre a grama de joelhos. Tocou em seu ombro, mas Anna se levantou e deu alguns passos para trás.
-Anna... – Jason a encarava com um olhar pidão. – Não faz isso.
-Não faz o quê? – Ela retrucou, cruzando os braços em cima do peito.
-Não fica brava comigo... – Lentamente, Jason deu um passo em sua direção. Ela deu um do mesmo tamanho para longe dele.
-Vai me bater se eu ficar? – Ela replicou, cerrando os lábios. Agradeceu pela escuridão, que a impedia de se derreter pelos olhos do garoto.
-Não, eu nunca te machucaria! – Ele exclamou, dando dois passos rápidos para perto, e parando quando ela fez o mesmo, mas ao inverso. – Por favor, por favor, me deixe explicar!
-Explicar o quê, Jason? Você acabou de brigar com um menino por nada! Vai inventar uma desculpa qualquer, me olhar com esses olhos bonitos, e acabou: nada aconteceu?
-Eu tenho uma explica- Ele se deteve por um segundo e Anna pôde distinguir um sorriso em seus lábios. – Disse que meus olhos são bonitos?
-N-Não. Pare de mudar de assunto. – Hesitante, ela se afastou mais um tanto. Jason se aproximava lentamente, mas sem parar.
-Disse sim, você disse!
-Tá legal, eu disse. – Ela disse, ficando nervosa com a proximidade de Jason. Regressou mais cinco passos. – Não aja como se nunca tivessem te dito isso... Você ainda me deve uma explicação razoável.
-Eu devo mesmo. – Ele admitiu.
E subitamente Anna sentiu as mãos de Jason ao redor de seu pescoço e nuca, viu seus olhos azuis realmente próximos dos dela, sentiu o calor emanando de seu peito e sua respiração tocando o nariz dela. Engoliu uma exclamação surpresa quando sentiu ser puxada ao mesmo tempo lentamente e rapidamente até ele.
Fechou os olhos logo depois dele, por poucos milésimos de diferença. Seus lábios se tocaram meio segundo depois, se encaixando facilmente. Acabou levando sua mão até a nuca de Jason, onde seus cabelos fizeram cócegas nos dedos de Anna. Instintivamente, se esqueceu de todo o resto e se concentrou nos dois. Sorriu, entre um beijo e outro – sem nenhum dos dois abrir os olhos.
Até que Jason se afastou um pouco, e Anna decidiu fazer o mesmo para buscar ar, se é que ela se lembrava de como fazê-lo.
-Eu gosto muito de você, Anna. – Ele disse, abrindo os olhos e sorrindo timidamente. – Essa é a única minha desculpa.
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