Trunfo
11 Conversando com Quíron
–Sabe que não precisa visitar a enfermaria todo dia, não sabe? – Anna foi acordada por uma voz entediada. Para variar, era o Sr. D. – Você deu um grande show ontem, garota. Deu-me um trabalho louco para controlar os nervos dos campistas; e ainda tive que lidar com um grupinho que matou as atividades pra te ver.
–Sinto muito? – Anna rebateu tão entediada quanto ele.
–Nhé. – Resmungou ele, botando a cabeça para fora do cômodo.
Anna examinou sua pele despida através da roupa de enfermaria; nenhuma cicatriz, nenhuma queimadura restava da noite anterior.
–O que vocês me deram? – Ela perguntou, enquanto Sr. D. ordenava qualquer coisa para qualquer pessoa.
–Um pouco de néctar dos Deuses e ambrosia; mas seu corpo melhorou bastante normalmente.
–O que quer dizer com normalmente?
O Deus soltou um longo suspiro e ignorou a pergunta, então liberando caminho para passarem alguns semideuses.
–Courtney! – Exclamou Kurt, sorrindo.
–Você já está melhor? – Perguntou Piper.
–Cara, ninguém nunca tinha sido reclamado de um jeito tão dramático! – Comemorou Connor Stoll, seguido por um “Muito louco” do irmão.
–Quanto néctar você ingeriu? Você melhorou muito desde que te trouxemos pra cá! – Observou Porsche.
Percy Jackson e Jason Clinn entraram atrás dos cinco, mas em silêncio. Anna sorriu para todos.
–Oi, pessoal. – Disse, simplesmente, ignorando os outros comentários que não sabia responder.
Eles a distraíram com outros assuntos por mais ou menos meia hora, quando Quíron apareceu e todos se calaram.
–Acredito que tenha que falar com você, Anna. – Ele proclamou sério.
Todos começaram a se retirar, porém quando Percy – o último da fila – pisou para fora, ele o impediu.
–Você fica Percy. – Pediu. O meio-sangue não protestou.
O centauro encarou Anna, curioso, por um minuto todo, acompanhado por Percy.
–Você melhorou bastante mesmo. – Confirmou Quíron.
–Sr. D. disse que me deram néctar dos Deuses e ambrosia. – Anna respondeu. – Sejam lá o que forem.
–São alimentos curativos que só os Deuses e semideuses podem tomar. – Explicou ele.
–Filhos de Apolo podem controlar fogo? – Ela pula direto para o assunto que deixa tensa a situação. – Porque eu ainda estou confusa com o que aconteceu ontem...
–Você não é a única, Anna. – Quíron disse. – E filhos de Apolo não controlam o fogo.
Anna pôde ver que um nome surgiu nos lábios de Percy, mas este não ousou pronunciá-lo. A mente dela não conseguiu evitar imaginar a possibilidade de um Voldemort semideus.
–Mas esse não é o assunto que quero discutir. – Quíron prossegue. – E eu acho que você sabe sobre o que quero falar...
–Não fui eu que comecei o fogo, Quíron. Admito que ontem eu deixei meu posto na Captura à Bandeira, mas sinto muito por isso, eu não precisava queimar por isso. – Anna jorrou sobre ele.
–Está tudo bem com isso. Eu só queria que confirmasse se foi você quem apagou o fogo.
–Foi. – Anna afirmou.
–Você tem alguma noção do que aconteceu depois?
–Hã... Um brilho dourado esquisito. – Anna se esforçou, para então encher o peito em orgulho. — E você me reverenciou.
Quíron visivelmente tentou conter um sorriso e assentiu.
–Sabe o que foi aquilo?
–Não.
–Você foi reclamada, Anna. – Quíron informou. – Por...
–Não fala! – Gritou Anna apavorada, se levantando da maca. – Não quero saber, não fala!
–Anna... – Murmurou Percy.
–Não. – Reforçou ela. – Não fala.
–Mas você tem de saber! – Reprimiu ele.
–Não ainda! Não estou pronta. Não fala!
–Anna!
–Lalalalala!
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