Trunfo
24 Confusa e perigosa
-Ruiva?! – Anna e Jason gritaram, entendo a situação.
-Ah! – Gritou a ninfa, assustada, voltando a ser uma árvore.
-Pra que lado ela foi? – Perguntou Anna, chacoalhando a árvore. Não obteve nenhuma resposta.
-Tá legal, ela deve estar amedrontada e, pelo jeito, está armada. – Disse Jason. – Mas não deve ter saído da floresta ainda. Eu procuro por aqui e você vai por lá.
-Fechado. – Nem terminou de concordar e Anna já estava correndo.
Olhava freneticamente de um lado para o outro, procurando por alguma sombra entre as sombras da floresta. Ou, mais provavelmente, a visão de um cabelo ruivo-sangue.
Correu e correu até que suas pernas não aguentassem mais e ouvisse – ao longe – Jason chamando seu nome ao desistir.
-Vamos chamar Quíron! – Berrou ele. – Anna?
No entanto aquilo não foi preciso.
-Who are you? Who is Chiron? – Perguntou a garota, se revelando de trás de uma árvore, misturada com sua sombra.
Acordada, a garota era ainda mais bonita... Seus lábios eram finos, nem muito longos nem muito estreitos, e pintados de um vermelho natural; Suas sobrancelhas também eram finas, retas e bem arrumadas, um pouco mais escuras do que o seu cabelo; Além de seus cabelos, que caíam magnificamente num longo rabo de cavalo alto até seus quadris, seus olhos eram a coisa mais... Mais intimidadora sobre ela.
A maioria da população tem os olhos coloridos com castanho, outros mais sortudos são verdes, alguns raros são abençoados pela cor favorita de Anna. Valerie e outras três pessoas no mundo inteiro tem olhos lilases. Mas bastou olhar para aquela garota para saber que ela era única... Seus olhos eram vermelhos como o sangue de um machucado profundo e dolorido.
-Who are you?! – Ela repetiu a pergunta, avançando e levantando mais alto o abajur que segurava.
-Meu nome é Anna. – Respondeu Anna em português, tentando acalmá-la. Por pouco tempo, a técnica pareceu funcionar, mas a garota logo voltou a se preocupar.
-Onde estamos?
-Long Island, Nova Iorque, Estados Unidos. – Respondeu Anna, temendo a resposta. Lembrou-se de sua confusão anterior, e como ela devia estar pior. – Num acampamento de verão.
-Por que estamos aqui? – Estranhou a outra.
-Este é um acampamento para pessoas especiais. – Anna omitiu informações mais específicas.
-E qual é o problema dessa gente?
-Dislexia. – Mentiu ela, sabendo que nem todos os semideuses tem esse problema. – E Déficit de Atenção.
-Eu não tenho isso! – Enfureceu-se a menina.
-Ops. – Disse Anna, sem nenhuma outra saída.
A garota avançou sobre ela, diferindo um golpe com a luminária que segurava.
-Oou! – Exclamou Anna, desviando do objeto por pouco tempo.
-Me diga a verdade! – Exigiu a menina.
-Calma! – Pediu Anna, se esquivando de outro golpe. A novata não lutava como alguém que se livrou recentemente de um coma.
-A verdade! – Ela berrou, revelando que podia ser quem a voz dos sonhos de Anna informara.
-Se acalme e eu conto! – Ofertou Anna.
-Não! – Gritou de volta a menina, pulando para frente e estourou a lâmpada do abajur na têmpora de Anna.
Anna urrou de dor e caiu de lado no chão, com a cabeça sangrando. Pressionou a palma da mão contra a abertura e tentou se sentar, sem sucesso. Teve de se virar ao arrastar-se deitada mesmo para longe dos cacos de vidro da lâmpada quebrada.
-Ugh! – Reclamou ela. Olhando para cima, porém, não viu a menina arrependida, e sim ainda mais assustada. Demoraram três segundos para ela se dar conta do que tinha feito e se agachar ao lado de Anna para se desculpar; o mesmo tempo que levou Jason para chegar até onde elas estavam.
-What the Hades happened here? – Perguntou ele indignado. Correu para o lado da garota, encarando-a com certa suspeita.
-I’m fine! – Anna gemeu, tentando não transparecer a dor.
-Tira a mão. – Ordenou Jason, em inglês.
-Não, estou estancando o sangue. – Recusou-se Anna, com medo de que Jason soubesse da provável gravidade do machucado.
-Tira a mão, Anna! – Ele elevou a voz, o que fez Anna obedecer. – Di Immortalis, o que você fez garota?
-Ela não fez nada, Jason – Mentiu Anna, entendendo que a garota estava amedrontada e confusa, e machucaria qualquer um que a ameaçasse. – Eu raspei a cabeça no galho de uma árvore e assustei-a. Ela deixou o abajur cair.
O garoto considerou a ideia por uns segundos, mas então decidiu que deveriam primeira cuidar do ferimento de Anna.
-Classifique sua dor de 0 a 5. – Brincou ele, tirando levemente a mão ensanguentada de Anna da sua cabeça.
-2? – Respondeu Anna, tentando sorrir.
Ouviram-se passos se aproximando, e assim que Jason levantou a cabeça deu de cara com Annabeth Chase, tirando seu famoso boné do Yankees da cabeça.
-Ouvimos o barulho e viemos ver o que houve. – Disse ela, dando um sinal de cabeça para Percy Jackson, que saiu de trás de uma árvore sorrindo para sua namorada. Então mudou sua linguagem para um Grego tão antigo e de nível avançado que Jason teve dificuldade em entender. – Ela é a novata, não é?
Jason assentiu, observando a reação da garota. Não era de menos confusão que anteriormente.
-Preciso falar com você, pode ser? – Pediu Annabeth, andando até a menina e segurando seu braço com mais firmeza do que o que se consideraria gentil.
-O que aconteceu com Anna? – Perguntou Percy, se aproximando dela.
-Ela raspou a cabeça em um galho. – Jason o informou.
-Galho mau. – Comentou Percy, vendo mais sangue escorrer do ferimento. Anna perguntou-se por que Jason ainda não fizera a mágica dourada de cura.
-Pode buscar ambrosia ou néctar, Percy? – Pediu Jason, ameaçando tirar a camisa para estancar o sangue de Anna.
-Tenho uma ideia melhor. – Disse o semideus, passando os braços por baixo dos joelhos e braços de Anna.
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