Truly, Madly, Deeply
3 Primeiro dia
Notas iniciais

"You can never say never
While we don't know when
Time, time and time again
Younger now then we were before"
– The Fray
Eu iria começar a trabalhar já no dia seguinte. E eu mal podia esperar!
Voltamos para casa e Juliet disse que iria pedir pizza para comemorarmos; Gabi foi até a locadora mais próxima e alugou sete filmes para nós assistirmos.
Sim, sete filmes... Minhas amigas tem sérios problemas, sei disso.
Quando o entregador chegou com a pizza nós o pagamos e arrumamos a sala de estar para ser confortável para nós três deitarmos, comermos e assistirmos os filmes.
Fiquei deitada entre minhas duas amigas, que falavam alto, gargalhavam alto, mastigavam alto... Tudo que elas faziam era em grande escala e eu não ficava muito para trás.
Quando finalmente terminamos de comer a pizza — e nós três comemos toda a pizza — já estávamos no terceiro filme. Os dois primeiros eram comédia e agora esse era terror e nós três estávamos morrendo de medo.
– Não entra ai, sua idiota! — Juliet gritou se encolhendo ao meu lado. Quis rir da atitude da minha amiga, mas engoli o riso assim que vi o homem todo deformado na tela da televisão.
Nós três gritamos com toda a força de nossos pulmões, mas logo em seguida começamos a gargalhar.
– Odeio filmes de terror — Gabriela disse colocando uma almofada na frente do rosto.
– Então por que raios alugou? — perguntei franzindo o cenho, mas não desgrudando os olhos verdes da televisão.
– Ora, é legal assistir esses filmes com as amigas — ela disse naturalmente alegre, retirando a almofada de frente dos olhos para me encarar, mas começou a gritar por ver novamente o rosto do homem do filme.
Quando o filme finalmente acabou e o homem foi morto pelo protagonista — ou foi aquilo que nós intendemos — disse para as meninas que eu precisava ir dormir, pois no dia seguinte iria começar meu novo trabalho.
Gabriela era a gerente de uma loja pequena de rua. Ela pode ser muita coisa, mas é muito responsável quando se trata de coisas sérias, como dinheiro. Juliet trabalhava como vendedora em uma loja de música, e pelo que eu intendi ela estava quase recebendo uma promoção para elevar o cargo.
Me despedi das meninas depositando um beijo em suas testas, fui até o nosso quarto para me trocar e finalmente cair sobre o macio colchão.
Me lembro apenas de ouvir as meninas conversando baixo e andando "cautelosamente" pelo quarto, mas apenas isso, pois rapidamente cai no sono.
Acordei com o celular de Juliet tocando uma maldita musica da banda favorita delas. Abri os olhos relutantemente e virei meu rosto para procurar a fonte de barulho, mas o celular estava de baixo dos travesseiros da morena, que dormia feito pedra.
– Só pode ser carma... — sussurrei para mim mesma e me rastejei até o banheiro para fazer minha higiene matutina.
Depois de escovar os dentes e lavar o rosto enrolei meu cabelo e o joguei para trás, para que nenhum fio ficasse sobre o meu rosto. Me encarei no espelho e sorri forçadamente para a imagem que eu estava vendo.
Meu cabelo era de uma tonalidade de castanho claro ondulados, mas maltratados, minha pele era clara, mas não chegava a ser quase cor de defunto como Juliet, meus olhos eram grandes e verdes, nas minhas bochechas, quando eu sorria apareciam duas covinhas.
Respirei fundo e me afastei da pia do banheiro; sai do banheiro e fui atrás de uma roupa decente para o meu primeiro dia de trabalho.
Gabriela não estava mais deitada, provavelmente em outro banheiro se trocando e Juliet ainda estava com o rosto enterrado nos travesseiros, com metade do corpo para fora das cobertas.
– Juliet, acorda — disse coçando minha nuca pensando no que eu poderia fazer com ela.
A resposta fora um grunido estranho, que nem Deus poderia decifrar. Revirei os olhos e cutuquei a morena que virou para o outro lado.
Dei de ombros. O problema não seria meu se ela perdesse o dia dormindo.
Peguei um All Star branco, uma saia jeans e uma camiseta de botões branca. Arregacei as mangas da camiseta até o cotovelo e deixei apenas dois botões abertos da camiseta.
– Acorda, se não vai perde o horário, Juliet! — gritei e vi a morena resmungar algo, se levantar e rastejar até a porta do banheiro.
Sorri feliz.
Desci para o comodo inferior, onde Gabriela tomava chá de limão e comia algumas torradas. Ela usava uma camisa branca com seu nome bordado no peito esquerdo, uma calça social preta e um sapato boneca preto. Ela não parecia ser a Gabi que parecia uma criança — tanto no jeito como no tamanho. Os cabelos vermelhos estavam presos em um rabo de cavalo no topo da cabeça, uma maquiagem leve pintava seu rosto e uma expressão serena fazia-se presente enquanto ela tomava café da manhã.
– Bom dia
Disse para minha amiga que ergueu os olhos e falou:
– Bom dia, amiga. Que horas você sai?
Peguei uma xícara e coloquei um pouco de chá para mim. Depois de bebericar respondi ela:
– Eu entro as nove e saio as três.
– No meu almoço eu passo lá e nós vamos almoçar juntas, o que acha? — ela disse feliz deixando a metade da torrada na mesa e batendo palmas do modo que eu sempre vi minha amiga.
– Perfeito — sorri e me levantei depois de beber o chá. Peguei uma maçã que estava sobre a bancada da cozinha e me despedi de Gabriela. Ao chegar na porta avistei Juliet descendo as escadas com uma carranca de colocar medo em qualquer um.
– Tenha um bom dia, Juliet — sorri para ela e vi os enormes olhos azuis se revirarem o que me fez rir. Ela sempre odiou acordar cedo.
Fui andando até a Starbucks, mesmo sendo preguiçosa gostava de andar de manhã, parecia que o ar era menos poluído do que quando se é tarde ou noite.
Ao entrar na cafeteria ouvi o pequeno sino do lugar tilintar avisando a entrada de alguém. Já havia algumas pessoas sentadas tomando café, outras em uma fila para pegarem seus pedidos e irem embora. Avistei Richard parado na frente da sua porta e ao me notar sorriu abertamente.
Me aproximei dele e o mesmo me cumprimentou com um beijo na bochecha.
– Susan ira te ajudar com o preparativo dos pedidos, caso você tenha algum problema com isso nós mudamos você de área — ele disse naturalmente entregando-me um avental de corpo inteiro verde com o logo da Starbucks no peito.
Assenti e fui para trás do balcão. Uma mulher muito alta, mas realmente muito alta se aproximou de mim e sorriu amigavelmente.
– Sou Susan, vou te ajudar no que precisar, novata — ela piscou para mim e apertou meu ombro o que fez meus joelhos falharem.
Engoli em seco e tentei dar o meu melhor sorriso.
Um rapaz pediu café puro e eu não achei tão difícil de fazer, mas estava redondamente enganada.
Aquela máquina realmente parecia me odiar. Quanto mais eu descia a alavanca para o café sair, mais ela rangia e menos café saia.
Não queria chamar ninguém, muito menos a Susan, pois ela estava ocupada fazendo o pedido de outra garota.
O rapaz já estava ficando irritado e quando finalmente pensei em desistir e chamar alguém, um mar de café saiu de dentro da maquina molhando a mim, ao chão e até mesmo quem estava atrás do balcão.
Richard, que havia entrado em sua sala, apareceu ali com os olhos arregalados. Pediu para Susan e mais um rapaz limparem aquela bagunça e para eu começar a entregar os pedidos para quem estava sentado.
Respirei fundo e fui até o banheiro ver como eu estava.
Felizmente minha roupa não estava manchada de café, mas o avental estava. De verde ele havia passado para o preto, o que me deu um ataque de risos.
Troquei de avental — por sorte havia um sobrando — e fui entregar os pedidos para quem estava sentado. Inicialmente estava me dando bem com aquele tipo de trabalho. Não havia tropeçado em ninguém, sujado ninguém, nem caído.
Ouvi o sino da Starbucks tocar e um rapaz alto, de cabelos negros, olhos em um castanho que fez meu sangue gelar e um sorriso encantador se sentou em uma mesa mais afastada.
Fui atende-lo e ele pediu apenas um café com leite, o que me deixou aliviada.
Quando voltei para o balcão para pedir o pedido do rapaz vi um grande alvoroço da parte dos atendentes. Franzi o cenho e cruzei os braços esperando o café dele ficar pronto.
– Não acredito que eles estão aqui na Irlanda! — disse uma garota que preparava um frapuccino.
– Acho que vou pedir um autografo — Susan disse quase se desmanchando.
Revirei os olhos tentando não prestar atenção no que estavam falando e infelizmente meus olhos se voltaram para o rapaz que estava sentado falando ao telefone e só então me toquei de quem se tratava.
Era um dos integrantes da bandinha One Dream.
Respirei fundo para não ir até ele e bater em seu rosto mandando-o parar de ser falso e marqueteiro, mas preguei meus pés no chão e abri o meu melhor sorriso.
Peguei o café e fui até o mesmo, mas como já disse, o mundo ama me foder, tropecei em alguma coisa — que desconfio ser o meu próprio pé — e fiz o café ir de encontro com o meu tronco manchando toda o avental e dessa vez minha blusa branca.
O garoto da boyband começou a rir de mim o que fez meu ódio aumentar. Bati o pé no chão e o encarei com o maxilar trincado.
Como ele ousava fazer aquilo? Rir de mim?
Voltei para o balcão e pedi outro café para o maldito. E incrivelmente ele continuava rindo! Se não for agora eu não tenho a chance nunca mais de bater nesse garoto.
O café rapidamente ficou pronto, eu segurava ele com uma força desnecessária e ao colocar o copo com o logo da Starbucks na mesa o café deu um leve pulo voltando para o copo, o que assustou o "cantor".
– Aqui está, senhor — disse com os dentes trincados.
Virei as costas e preparei minhas pernas para voltar para perto do balcão, mas senti fortes mãos segurarem o meu braço.
Trinquei mais uma vez o maxilar e virei o rosto para trás.
Ele me olhava com seus grandes olhos castanhos e um sorriso galanteador que só me deu mais vontade de bater nele.
– Esqueceu do dinheiro — ele disse me soltando e estendendo uma nota.
Respirei fundo me controlando e peguei a nota. Virei os calcanhares na direção dele e apoiei uma mão no quadril.
– Mais algo?
Ele já estava com o copo de café nos lábios e os olhos fechados degustando o sabor. Acho que ele não ouviu minha pergunta, pois quando devolveu o copo à mesa me olhou confuso com as sobrancelhas arqueadas.
– Quer um autografo? — perguntou exibido.
Franzi o cenho e bati fortemente o pé no chão. Ele só podia estar de brincadeira comigo.
Urrei e virei as costas para ele finalmente voltando para o meu posto esperando mais alguém precisar de mim.
Garoto exibido, metido a cantor!
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