Truly, Madly, Deeply
1 Prefácio
Notas iniciais

"Under your command
I will be your guardian
When all is crumbling
I'll steady your hand"
– The Fray
Bati a porta sentindo minhas pernas tremerem de tanto nervosismo, minhas mãos estavam geladas e minha cabeça estava dolorida.
– Não me deixe falando sozinha, Marie Valerie! — a voz da minha mãe estremeceu atrás da porta e eu me joguei na cama sentindo o impacto macio do colchão contra meu corpo — Estou falando com você, garota!
Seus gritos eram tão altos que pareciam estar sendo ao pé de meu ouvido. Toda essa maldita briga por causa de uma maldita pergunta; mas também o que tem de mal em uma pergunta?Minha mãe vê mal em qualquer palavra que eu dirija a ela.
– Marie Valerie, abra essa maldita porta!
Me levantei e obedeci a sua ordem abrindo a porta e mostrando minha nítida irritação. Ela estava vermelha de raiva e seus olhos só faltavam pular da orbita.
Trinquei o maxilar e fiquei apertando a maçaneta nos dedos.
– O que você quer?- disse quase amassando a maçaneta dourada com a mão.
– É impossível entender você, garota! — ela disse batendo o pé como se fosse uma criança mimada e virou as costas para mim.
Senti a raiva começar a trasbordar pelos meus olhos em formas de lagrimas, continuei apertando a maçaneta e olhando para a direção que minha mãe estava quando abri a porta. Eu era impossível?
Bati com força a porta mais uma vez vendo as paredes tremerem por causa do impacto, me joguei na cama e afundei o rosto no travesseiro deixando as lagrimas de raiva escorrerem molhando o tecido fofo do travesseiro.
A voz máscula e grossa do piloto do avião ecoou no meu ouvido me fazendo abrir os olhos.
Fora apenas um sonho... Ou uma recordação.
Me arrumei e espreguicei-me na poltrona do avião e olhei para a janela ao meu lado. O sol estava nascendo e muitas poucas nuvens cobriam o sol alaranjado.
Mordisquei o lábio e senti meus dedos formigarem. Estava muito feliz por estar ali.
O piloto havia comunicado que em poucos minutos a nave iria pousar no aeroporto de Mullingar.
Quando finalmente o avião tocou no solo, meu coração deu um solavanco. Eu finalmente estava ali, iria recomeçar minha vida.
Me levantei da cadeira e peguei minha bagagem de mão — lê-se a bolsa do meu computador — e esperei no corredor do avião, junto aos outros passageiros, a porta da nave se abrir.
Quando a porta se abriu andei para fora do avião junto a avalanche de pessoas. Meu cabelo estava preso em um rabo de cavalo, e incrivelmente uma maldita brisa gelada bateu em minha nuca fazendo todos meus pelos se arrepiarem.
Peguei todas minhas bagagens e fui atrás de um banheiro decente, pois ficar mais de uma hora sem ao menos mexer as pernas não é para ninguém.
O banheiro que eu fui era mais próximo da saída do aeroporto, o que foi melhor, pois não tinha muitas mulheres, diferente dos pertos dos portões de embarque e desembarque, que se fazia uma fila quilométrica.
Depois de usar o banheiro resolvi que precisava procurar minhas amigas, já que elas seriam as minhas próximas amigas de quarto e iríamos dividir as contas juntas. Senti meu celular vibrar no bolso de trás do jeans.
Soltei uma das malas de rodinha, parando de andar, para ver o motivo de o celular ter vibrado. Vi no visor do celular o nome de uma das minhas amigas e uma mensagem logo em baixo:
“Onde você está, Val?”
Digitei uma resposta rápida falando onde estava e fui me sentar e esperar minhas amigas me acharem.
Não se passou nem cinco minutos ouvi gritos agudos seguidos por risadas estridentes. Olhei para frente e vi a imagem de duas garotas correndo de braços abertos em minha direção.
Sorri abertamente e me levantei esquecendo minhas bagagens ali mesmo. Corri até elas facilitando a diminuição da nossa distancia e abraçando as duas meninas ao mesmo tempo.
Fale com o autor