True love's kiss
1 A maldição
Notas iniciais
Espero que gostem! BOA LEITURA ♥
—Emma, ajudas-me a apertar o corpete?
—Claro princesa!
A loira aproximou-se da morena lentamente e passou-lhe as mãos pelas costas docemente. De forma delicada, como sempre, Emma apertou-lhe o corpete deixando, no entanto, algum espaço para a princesa poder respirar (algo muito criticado pela rainha Cora). Regina adorava sentir aquelas mãos de fada passar por seu corpo, eram como massagens aleatórias e sem intenção, mas ao mesmo tempo as melhores do mundo. Aquela mão quente passando-lhe pelas costas… não havia melhor sensação.
—Prontos, já está! – disse Emma corando e baixando as mãos, assentando-as sobre o seu próprio colo.
—Obrigada… — Regina segurou-lhe a mão por breves momentos, deixando escapar um pequeno riso de vergonha.
Subitamente virou-se, encarando a cara rosada da loira, uma vontade insana de beijá-la. Era agora, depois de tantos anos de espera, depois de tantas noites pensando nela….
—Como estão as coisas com Jones? – perguntou ela perdendo toda a coragem (como sempre).
—B-bem, acho eu. Ele gosta muito de mim sabes… até está à procura de uma casinha modesta no campo.
—É o mal de nossos tempos, as coisas são todas muito apressadas!
—Apressadas? O meu tio James acha que eu estou a ficar velha, e que se eu deixar passar muito tempo nenhum homem me vai querer!
—Velha! Que bobagem Emma! És tão novinha e bonita! Qualquer um te iria querer, não interessa se tens 18 anos ou 50.
—Hahaha, és tão querida Regina… quero dizer, princesa!
—Já te disse que me podes chamar Regina… pelo menos quando estamos as duas sozinhas Miss Swan.
—Eu sei, mas é tão difícil habituamo-nos. Quase nunca estamos sozinhas. Sou a tua dama de companhia desde os 10 anos lembras-te? E sempre me disseram para te tratar por princesa.
—Sim, eu lembro-me… tinha 12 anos e só queria saber de andar a cavalo e sujar os meus vestidos de lama! A minha mãe fez questão de contratar a filha da mulher mais bonita do reino, que por sinal também é a menina mais bonita do mesmo! – Regina disse, colocando o seu colar de pérolas em frente ao espelho.
—Sinceramente, acho que a sua mãe não iria contratar uma menina mais bonita que a sua própria filha.
—Hahaha – dessa vez foi Regina a dar uma grande gargalhada – como se não conhecesses a minha mãe. Além do mais, eu não faço jus à tua beleza!
Emma suspirou e aproximou-se de Regina, que continuava em frente ao espelho. A loira encostou à morena, fazendo-a corar.
—Uma vez a minha mãe disse-me que cada um tem a sua própria beleza, até a Rainha Má que quase a matou. E um dos seus grandes arrependimentos é não lhe ter conseguido mostrar que ela própria era a mais bela de todas, e que não era preciso matar ninguém para o mostra.
—Miss Swan, está realmente a comparar-me à bruxa que quase matou a sua mãe?!
—Não foi isso que eu quis dizer – Emma rodou repentinamente a morena, oferecendo-lhe ambas as mãos e encarando o seu rosto com sinceridade – Regina, tu podes não ser a mais bonita segundo os padrões da corte, mas podes ter a certeza que para mim nunca haverá mulher mais bonita do que tu!
E quando tudo parecia estar a dar certo (pela milésima vez), quando se proporcionara o momento perfeito, uma personagem sóbria e altiva abriu a porta e fez um anúncio.
—Regina, sua irmã chegou de Oz para ajudá-la na preparação para o baile. Miss Swan, peço-lhe que abandone o quarto, Regina tem muito com que se preocupar neste momento – e não dando nem tempo a nenhuma das duas para responder, Cora fechou a porta atrás de si rispidamente.
Regina suspirou alto.
—Por mim iria dançar de calças!
—Hahaha, sim, definitivamente é mais o teu estilo. Mas enfim, até logo à noite prince… Regina – sussurrou a loira.
E abandonou o quarto, deixando a princesa sozinha com seus pensamentos. Do outro lado da porta do quarto, Emma caminhava solitária e preocupada, tão preocupada que nem reparou em Zelena, que passava na direção oposta. A ruiva cumprimentou--a, mas não recebeu resposta. Curiosa, decidiu então praticar um dos feitiços aprendidos em Oz, algo que lhe permitia ver o que se passava na mente das pessoas! Algo sórdido, mas eficaz! Um dos feitiços preferidos da ruiva.
Estendeu a mão e agitou o dedo, e um pequeno fio de luz atravessou a mente de Emma, sem que ela desse por isso.
“Como lhe vou contar… como? E como me vou casar com alguém que não seja ela!”
Zelena imediatamente parou o feitiço e soltou um pequeno grito de surpresa, porém escondeu-se mesmo a tempo de Emma olhar para trás. Não vendo ninguém, a loira continuou o seu caminho.
—Puta merda! Como é que eu vou contar isso à Regina!
Zelena caminhou lentamente até ao quarto da irmã, inspirou e suspirou profundamente, e abriu a porta, preparada para lhe contar o que tinha ouvido! Mas ela não já lá não estava, e a janela estava aberta.
—Esta miúda não tem emenda! – suspirou a ruiva, deitando-se na cama alheia, pensando na melhor maneira de revelar à princesa o que sabia.
Na sua profunda ignorância, a morena cavalgava pelos campos verdejantes do reino, tão rápido quanto podia, numa corrida alucinante para fugir às suas responsabilidades. Um dos seus grandes orgulhos era ser das melhores cavaleiras do reino, ainda para mais porque foi ensinada pelo seu pai. E uma das suas melhores memórias de sempre estava relacionada com cavalos: uma vez levou Emma a passear pelo bosque adentro, a menina loira nunca tinha dirigido um cavalo até então… Regina sentou-a à frente e levou as mãos da amiga até à sela, e devagar, ensinou-a a montar. O sorriso de Emma era das coisas mais bonitas que Regina havia visto na vida!
Distraída, a morena quase se ia despistando, mas graças às suas incríveis capacidades de cavaleira conseguiu parar o cavalo a tempo, mesmo antes de chocar contra um velho poço. Curiosa, desceu do cavalo e examinou o local. À volta daquele antigo reservatório de água só havia árvores, relva alta e flores mortas… na verdade, tudo parecia um pouco mórbido! A morena aproximou-se até conseguir ver o seu rosto refletido na água, curiosamente bastante cristalina. Ficou ali por um bom tempo, refletindo sobre as suas opções (não que elas fossem muitas). Quando estava quase a ir-se embora, meteu a mão ao bolso e de lá tirou uma moeda de ouro. Olhou mais uma vez para a água cristalina dentro do poço e, sentindo-se algo estúpida, atirou o pequeno objeto precioso lá para dentro, desejando poder tomar o lugar de Jones ao lado de Miss Swan
Quando se virou, não conseguiu conter o susto, ao ver uma personagem de bom porte, pele verde, narigudo e cabelo espesso. Ela recuperou a sua pose altiva e perguntou, gentilmente:
—Creio não o conhecer senhor. Posso questioná-lo acerca do que faz na minha floresta.
—Hahahaha, bonita e com atitude… gostei! Mas querida, a verdadeira questão será: o que estás tu a fazer no meu poço?
—O teu… — Regina voltou-se para trás e olhou para a placa dourada que dizia “Propriedade do Senhor das trevas”. Parecia ter aparecido ali do nada! – Rumpelstiltskin!? – ela pressupôs.
—Ao seu serviço princesa – disse ele, fazendo uma vénia carregada de ironia.
—É melhor eu ir embora! Peço-lhe imensa desculpa pela invasão de propriedade – disse ela apressada, algo assustada.
—Um momento… se veio até aqui, porque não fazer valer a viagem.
—O que é que quer dizer com isso?
—Uma moeda de ouro vale muito nos dias que correr, até para uma princesa. Se a cedeu propositadamente a um poço, é porque tem um desejo fervoroso de algo… ou de alguém!
Regina não disse nada, ficou ali, quieta e calada, sentindo-se algo que intimidada pelo tão conhecido senhor das trevas, mas sem nunca perder a pose típica de uma princesa.
—O silêncio diz tudo! Bingo! – ele começou a andar em círculos, em torno da mulher – Sabes querida, há quem me condene pelo meu ofício, mas a verdade é que essas pessoas não conseguem apreciar verdadeiramente o meus… talentos, digamos. Eu posso adiar a morte, quanto tempo a eternidade o permitir, viajar entre reinos, até enfeitiçar corações…
—Podes fazer alguém apaixonar-se? – perguntou Regina num impulso.
—Temo que o amor seja uma área desconhecida até para a arte das trevas – a desilusão cresceu no olhar da princesa – No entanto… com a estratégia certa, talvez o coração faça o trabalho pretendido.
—Como assim?
—Minha querida, eu tenho uma proposta, na qual talvez uma pobre alma desafortunada, como tu, possa estar interessada, penso eu.
—Fala! – ordenou Regina, como se tivesse autoridade sobre o senhor das trevas.
—Existe um reino para além da floresta encantada, um reino onde a magia é escassa, assim como a realeza. Eu posso, quem sabe, mandar toda a Floresta encantada para uma realidade alternativa, um sítio onde todos usam máscaras sem saber, onde tu podes começar de novo! – a princesa parecia assustada, mas interessada, e Rumpelstiltskin percebeu isso. Sacou de um pequeno frasco do bolso, que continha um pó de um roxo reluzente – Neste pequeno frasco, tens a solução para todos os teus problemas! Caso aceites a minha proposta, terás 3 meses, e nem mais um dia para começares de novo. Pensa nas possibilidades! 3 meses com todas as vantagens possíveis, para alcançares o teu objetivo, para conquistares o que quiseres… para conquistares Emma Swan! – a esta altura os olhos de Regina reluziam como duas pedras brilhantes – Mas lembra-te, toda a magia tem um preço!
—E qual é? Diz-me! – implorou ela, deixando-se seduzir cada vez mais.
—Nada demais, só um pequenino detalhe! A tua alma. – Ele riu seriamente – e consequentemente o domínio sobre o teu futuro reino.
Regina perdeu as suas certezas, não queria ficar sem o seu reino, e muito menos sem a sua alma! Mas pensou, de que vale uma alma sem a sua verdadeira gémea? Entretanto, o senhor das trevas continuou:
—Isto claro, só se não conseguires alcançar o teu objetivo.
—E como posso eu provar que o alcancei?
—Miss Swan tem de te dar um beijo, mas atenção, não um beijo qualquer, o beijo do verdadeiro amor, a mais poderosa de toda a magia de todos os tempos. E sinto-me na obrigação de te transmitir um aviso: no sítio para o qual eu vos posso mandar, a esperança no amor é escassa!
Rapidamente tentou ponderar, pensar no que estava em jogo, e tentando ignorar as piores das consequências, fez-lhe um pedido:
—Pode dar-me algum tempo para decidir?
O senhor das trevas atirou-lhe o frasco, e Regina apanhou-o sem sequer se vergar.
—Fazemos assim, tens até amanhã de manhã para decidir. Já sabes o contrato, se o aceitares eu saberei, caso contrário esse pequeno frasquinho voltará à minha posse, e cada um seguirá o seu caminho, o que obviamente não evitará contratos futuros, os quais eu julgo que não serão necessários – fez uma pausa dramática e finalizou o seu discurso – Foi um prazer princesa, espero vê-la em breve, talvez num sítio menos… irritantemente verde.
Regina olhou para o frasco e quando ia encarar de novo Rumpelstiltskin, ele já tinha desaparecido. Nervosa, guardou o frasco no mesmo bolso de onde tinha tirado a moeda e lentamente, subiu para o cavalo e voltou ao castelo.
***
Ao cair da noite, o palácio estava numa autêntica euforia! Por todo o lado havia pessoas bem vestidas de copo na mão, as mesas repletas de iguarias, os guardas atentos a qualquer sinal de perigo, artistas entretendo os convidados, a decoração mais sumptuosa, e um destaque especial para o salão principal.
O criado real anunciava a chegada dos convidados, vindos de todos os reinos.
—A princesa herdeira do Reino da floresta encantado, Regina Mills!
Todos se curvaram perante a morena, que ostentava um longo vestido preto; o cabelo selvagem, mas perfeitamente penteado, pontuado por uma coroa ornamentada com diamantes; maquilhagem suave, clareando o seu tom de pele; o colar de pedras preciosas preenchendo o seu pescoço e parte do peito; e sapatos não muito altos, feitos de cristal. Uma autêntica rainha.
Mal chegou ao fundo da escadaria foi abordada pela irmã, que lhe fazia lembrar a sua mãe, em parte devido à voz autoritária.
—Onde raio é que tu andaste? Andei a tarde toda à tua procura!
—Não interessa, estou aqui não estou?! E impecavelmente aprontada, certo?
—Não tem nada haver com isso! Tenho uma coisa importante para te contar, mas tens de prometer que vais manter a calma…
—De que se trata? – indagou a morena curiosa, não esperando nada de bom.
—Regina… A Emma e Mr. Jones… eles estão noivos.
De repente o coração da morena caiu-lhe aos pés, sentiu-se pesada, a cabeça a andar à roda, poderia rebentar em lágrimas ali mesmo, fraquejar em frente a todos, mostrar a sua maior fraqueza!
—A duquesa Emma Swan e o capitão da marinha real Killian Jones! – anunciou o criado.
Os dois desciam as escadas de mãos dadas, o vestido vermelho de Emma voando sobre o mármore à sua volta, Jones com um sorriso triunfante, e duas pedras reluzentes, divididas pelos dois, as alianças!
Para Regina tudo parecia estar a passar em camara lenta, um minuto preso na eternidade. Ela só conseguiu voltar ao normal quando os olhos verdes do seu cisne encararam os seus.
—Princesa – cumprimentou ela com uma vénia.
—Miss Swan, já recebi as novidades… — disse ela, balbuciando, ainda incrédula.
—É verdade! Casaremos em breve! – comentou Jones sorridente, sem dar tempo à loira para se explicar.
—Peço imensa desculpa princesa, aconteceu tudo tão rápido! Não encontrei o momento certo – esclareceu Emma atrapalhada, numa tentativa vã de se explicar.
—Emma, estou tão feliz por ti… estou mesmo! – disse a morena abraçando-a. Nunca uma mentira tão grande tinha saído da sua boca.
A conversa não continuou, pois a orquestra tomou o lugar do bobo da corte.
—Dançamos? – questionou Killian à loira.
—Claro! – respondeu ela arrastando-o rapidamente para o meio do salão.
—Eu tentei avisar-te mais cedo… lamento imenso minha irmã! – disse Zelena com sinceridade, passando a mão pela cabeça da irmã mais nova – Eu abdiquei do trono para poder viajar pelo mundo, e encontrei o meu lugar em Oz… talvez tu também tenhas de abdicar de algo. – E com aquilo dito, a ruiva retirou-se.
Regina ficou ainda mais incrédula, era como se a irmã soubesse muito bem que Regina tinha de facto uma opção. O barulho à sua volta era ensurdecedor, as vozes arranhavam-lhe os ouvidos, os sorrisos causavam-lhe um estranho incomodo. Olhou em volta e viu a última coisa que queria: dois corpos unidos pelos lábios, duas pessoas que pareciam verdadeiramente apaixonadas, expostas à mais alta corte da sociedade, à família, aos amigos, e à Princesa. Foi a gota de água! Regina não conseguiu conter a mágoa de não ser ela a mergulhar nos lábios rosados se Emma Swan. Os seus olhos tornaram-se mais negros do que o breu e a sua postura mudou completamente. Sem dizer nada a ninguém, subiu a escadaria até ao topo da sala, parecia possuída pelas forças das trevas que estava prestes a libertar, percorreu o castelo inteiro cruzando-se com vários aristocratas que se sentiram insultados por terem sido ignorados pela princesa herdeira. Entrou no seu quarto, lágrimas pesadas caiam-lhe sobre o rosto. Aproximou-se do parapeito da sua grande varanda, relembrando cada palavra do acordo que mudaria a sua vida, de uma maneira ou de outra. Retirou cuidadosamente o frasco do bolso do vestido e, segurando-o firmemente abriu-o e despejou todo o pó pela mão direita. E num segundo deixou-o voar, transformando-o involuntariamente numa penumbra roxa e, vendo o seu próprio reino mergulhar na penúria e provavelmente na inexistência temporária, deixou-se abraçar nas trevas.
Notas finais
BJS & ATÉ AO PR?“XIMO!!!
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