True Love
18 Capítulo 18
Notas iniciais
— Não! De jeito nenhum! — O homem velho se sustentava por uma bengala de madeira, que tremia junto com suas mãos e todo o seu corpo. Levantou as mãos com tremedeira para devolver o papel para Carlos. — Não venderei meu precioso navio para um ladrão.
— Não sou um ladrão!- Disse balançando sua cabeleira cacheada.
— Agora a pouco você me ameaçou com esse seu cajado assombroso! — O mais velho quase caiu enquanto dava dois passos para trás.
— Olhe, eu preciso muito desse navio! — Carlos se lamentou na frente do homem. — Tenho que resgatar uma donzela que está presa em um lugar horrível!
— Isso já é problema seu. — Enquanto o senhor se virava para ir embora, a brisa da noite soprou em seus poucos finos cabelos brancos. Seu corpo passou por uma tremedeira violenta antes de olhar para trás esperando o pior.
— E se eu disser... Que dou três diamantes em troca do navio? — O homem se assustou com a figura exageradamente alta. Seu corpo de Adônis não deixou transparecer a beleza de seu rosto na escuridão, mas as pedras ainda brilhavam em suas mãos.
— Jesus! — O mais velho colocou as mãos no coração e sua respiração ficou forte.
— Ah, não seja medroso! — Maléfico descansou seu braço nos ombros de Carlos, que se desviou e revirou os olhos. — Esses diamantes são maiores que os calos de suas mãos descascadas.
O Senhor andou vagarosamente para perto da figura apoiada no mago.
— Pense comigo, a fortuna que terá com esses diamantes pode prometer uma vida luxuosa longe de redes de pesca e barcos para toda a geração de sua família... Se souberem gastar, é claro.
O homem fez menção de tocar nas pedras, mas Maléfico fechou o punho e olhou nos olhos do homem.
— Como se chama?
— Nill. — Ele olhou para as órbitas douradas do Silfo. Sua cabeça estava em constante batalha se aceitaria ou não.
— Nill... Eu apenas quero aquele barco, em troca dessas três pedras.
— O barco é seu.
Toda burocracia foi feita, com um Carlos muito mal humorado. Maléfico colocou na cabeça que aquele barco não estava digno de sua presença e que deveriam reformar.
Na hora de entregar os diamantes a Nill, Maléfico assoprou em seu rosto uma fumaça esverdeada, que fez o velho cair desacordado.
— O que está fazendo?! — Carlos se ajoelhou, vendo se o senhor ainda estava vivo.
— Ah, ele está vivo. Vai dormir por uma semana, o tempo exato que precisamos. — As asas de morcego deslizavam suavemente em suas costas. Carlos se perguntava se ele polia as foices que haviam na junção do meio das asas.
— Tempo exato para o que?! E qual é a sua com o sono?
— Meu jovem mago, tempo o suficiente para reformar o navio e irmos embora. — O Silfo olhou para os diamantes em suas mãos e as fechou novamente. — Eu gosto de dormir.
— Você prometeu os diamantes a esse homem!
— As Ondinas me matarão se eu não devolver! Aquelas piranhas rabugentas me afogarão se souberem que eu tirei isso do lago.
— Você chama as sereias de piranhas? — Perguntou Carlos com uma sobrancelha levantada. — Por que?
— Tem um nome melhor? Elas são piores que o Kraken, aqueles dentes enormes... Urgh!
— Mas e ele? — O feiticeiro humano já de pé, apontava para o senhor dormindo tranquilamente. — Ele ficará sem trabalho para se alimentar...
— Ah, você sente muita pena das pessoas. — Disse se virando e entrando na escuridão.
Carlos, com pena, levitou o senhor com cautela até sua casa. Olhando Nill dormir, com pesar, arrancou um dos diamantes que compunham um de seus cinco colares e deixou nas mãos do idoso.
☆
O sol já estava batendo seus raios quentes nos rostos dos habitantes de ambos lares, dos Moors e dos homens.
— Saremy? — Maléfico parou a frente da mulher, que estava com milhares de livros ao seu redor. Haviam penas, tinta e várias flores secas dentro dos livros. — O que está fazendo?
— Adquirindo conhecimento.
— Não me diga que está lendo... — Cruzou os braços. — Sério?
— Sim, estou. — A mulher finalmente dirigiu seus olhos ao Silfo. Ele achava curioso o modo como que os olhos dela se ajustavam a cores diferentes. Ele ainda não sabia o por quê disso. — Alguma problema?
Agora eles estavam negros.
— Ah, claro que não. Continue sua leitura. — Abanou as mãos para a mulher a deixando só.
Saremy aprendeu um novo afazer, ela se distraía das dores e do pensamento de morte iminente quando escrevia e lia.
— Aurora não vai sentir falta desses livros. — Disse sozinha enquanto fazia um desenho abaixo das escrituras ainda molhadas de tinta preta.
Maléfico andava distraído pela floresta, até que percebeu Niana andando na mesma direção. Não queria ouvir os sermões da elfa, muito menos aturar seu mal humor. Se atirou atrás de uma árvore e lá ficou.
— Eu sei que está aí! Saia logo! — Ela o havia visto. Maléfico se preparava para aparecer, quando uma terceira pessoa aparece em cena. — Ah! Te achei! Não ande pela floresta assim, podem ver você!
Era uma criança pequena, que aparentava ter suas sete estações. Ela apareceu com seus lábios rubros, pintados de sangue e sorria inocentemente. Ao seu lado, havia o corpo de um unicórnio coberto pela substância vermelha pegajosa.
Um barulho fôra ouvido por Niana e pela criança demoníaca. Maléfico partiu um galho caído com o pé, em seguida, colocou as mãos sobre a boca.
— Venha criança! Venha! — Niana puxou as mãos da criança e a levou embora.
Maléfico estava estático. O que havia acabado de acontecer?
Quando teve a certeza de que Niana estava longe, caminhou até o animal, que fazia grunhidos de agonia. Maléfico tentou usar seus dons de cura, mas serviam apenas em animais pequenos.
Passou os dedos pelo chifres do animal e deslizou sua mão, chegando ao coração do unicórnio. Pressionou o lugar enquanto uma fumaça verde tomava conta do animal, e finalmente o pequeno fio de vida dourado se esvaiu, voando até o céu.
Quando olhou, o corpo do animal já não estava lá, havia apenas folhas secas, nada de anormal.
Ele saiu da Floresta. A agonia e a ansiedade passavam por seu corpo como correntes elétricas.
" Há uma criança Sgrated na floresta!"
— Maléfico? — Olhou para seu lado e viu Carlos, que transbordava bom humor, o que piorou o seu.
— O que é? — Saiu andando enquanto Carlos o seguia.
— Consegui uma reforma para nosso navio.
— Nosso? Eu ouvi bem?
— O que?
— Sem essa de nosso, nunca teve nenhum nós! — Carlos Cruzou os braços e levantou as sobrancelhas.
— Tudo bem, o navio é meu.
— Seu? — Ele gargalhou — Eu dei os diamantes para o pescador!
— Não, você não deu. Você o enganou, é diferente.
— Se eu não oferecesse os diamantes, você nunca conseguiria o navio.
— Exatamente, eu consegui, eu paguei por eles.- Ele dizia dando ênfase na palavra "eu".
— Não foi isso que eu uso quis dizer! — Levantou a palma aberta na direção de Carlos, pedindo que fosse devagar. — Eu disse que...
— Não importa, o navio é meu.
— Claro que não!
— Você sabe velejar? — Perguntou Carlos. Maléfico abriu a boca várias vezes mas nada saiu. — Foi o que eu pensei. Por isso, tratei de ter a liberdade de chamar a tripulação do MEU navio.
— Tripulação? Não precisamos de tripulação! Vão morrer antes de chegarmos!
— O que?
— É o lar de Hecate! Hecate!
— Tá, tá! E o que tem lá?
— Pergunte o que tem no caminho pra lá! O que eu não sei, mas deve ser horrível.
Carlos revirou os olhos, era impossível discutir algo com Maléfico. O mago se perguntava se ele realmente era insuportável ou só na sua presença.
— Eu vou voltar para a floresta, tenho muitas coisas para resolver. — Passou as mãos pelo rosto cansado, como se estivesse se preparando para algo.
Tinha uma criança Sgrated na floresta, e a última coisa que ele queria, era matar uma criança.
☆
Katrina contou o vigésimo nono dia que dava a mistura a o rei, a porção estava fazendo efeito. Aquela bruxa que havia encontrado sabia preparar o antídoto para Bartolomeu acordar. Ela pensou bem se daria a porção do trigésimo dia, o qual ele acordaria.
Decidiu que sim.
No dia seguinte o rei acordaria de seu sono profundo, ele acordaria junto com o senhor dos ventos e do gelo: O inverno.
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