True Love

12 Capítulo 12.


Notas iniciais
Olá pessoal! voltei!!! Então... Muito obrigada pela recomendação, Mictian! ♥ AMO DE PAIXÃO! E prestem atenção nesse capítulo.

Era uma manhã escura. O sol se escondia, e o chuvisco fraco trazia conforto, mas o frio continuava cruel.
Abria os olhos com dificuldade fazendo parecer que
os mesmos estavam grudados. A pequena claridade que entravam pela janela do quarto escancarada, ardiam suas íris.
Maléfico tentava se sentar na cama soltando pequenos gemidos de dor. Seus cabelos estavam totalmente desarrumados, e suas unhas compridas sujas de terra. Olhou para sua ferida coberta por um pano sujo de sangue coagulado, e o tirou, tendo noção da gravidade do ferimento.
Chingou mentalmente, sentindo fisgadas horrendas tomando conta de seu ombro, e lembrando do acontecido anterior.
"Quanto tempo passei desacordado?" Ele pensava com um horrível pressentimento.
— Oh! Vejo que já acordou. Saremy me pediu para que o ajudasse com a ferida! — A moça que havia retirado o estranho parasita do ombro de Maléfico entrou no quarto. — Ora! vamos, Diga algo! Dói?
— Mas é claro! — Disse carrancudo.
— Não seja tão mal educado! Eu vim para cuidar de você, e pelo visto, seu orgulho não o ajudará nisto! — Ela apontou para o machucado fazendo uma careta.
O Silfo revirou os olhos. Ela estava certa, se piorasse ele corria o risco de perder o braço inteiro.
— Oh!... Me desculpe. — Falava ironicamente. Cruzou os braços, deixando a coberta cair em seu colo, mostrando seu abdômen. A moça nem se preocupou.
Se colocou na frente do ombro ferido, levantou as mãos acima da cabeça e proferiu falavras em uma língua estranha para Maléfico. A pele e os músculos a volta do enorme buraco, começaram a esticar, cobrindo toda a sua superfície.
O moreno segurou a cabeceira da cama arranhando a madeira. Mordeu a língua, reprimindo a dor enquanto o procedimento era feito.
Maléfico todo o tempo preferiu ficar quieto. Ainda lembrava do que a mulher havia dito : " Tenho meus espiões..." Então significava que qualquer um poderia estar o traindo.
A mulher foi embora fazendo uma expressão de tristeza.

§

A princesa acordou completamente desatenta, talvez nem soubesse o próprio nome se fosse perguntada naquele momento. Sentia uma sensação esquisita, fraca e totalmente exausta. Ela não havia feito nada demais na noite passada, a não ser carregar Maléfico junto com Saremy. Sim, ele era pesado, mas isso não era motivo o suficiente para que esta estivesse sentido essas dores horríveis.
Continuava deitada debaixo de suas cobertas de linho egípcio. Apertava o travesseiro contra seu rosto, enquanto se lembrava que deveria levantar imediatamente. Amélia deveria estar furiosa.
Ouviu um barulho da porta do quarto se abrir, revelando a mulher de volumosos cabelos ruivos presos. Ela arregalou os olhos quando viu a princesa ainda na cama.
— Minha senhora! O que faz ainda deitada?! — A criada correu para abrir as pesadas cortinas azuis nas janelas. — Particularmente, acho que está um lindo dia lá fora...
Aurora sequer respirou, ou mexeu um dedo. Continuava deitada.
— Me desculpe majestade... — Amélia puxou as cobertas de aurora, revelando a moça só com as roupas de baixo, encolhida em um canto da cama, escorada na parede. -... Mas já está cedo! Hora de acordar!
— Não estou me sentindo muito bem... — Disse com um fio de voz, completamente rouca.
— Mas... Está gripada? — Amélia chegou perto da loira, passando a mão em sua testa. — A senhora está queimado em febre! Venha, lhe ajudarei a tomar um banho, depois chamarei o médico!
— Não, Não preciso de médico... Acho que é só exaustão.
— Mas Aurora...
— Amélia, por favor. Estou bem, apenas me ajude a chegar no banheiro. — Ela sentava com dificuldade, sentindo um arrepio na coluna quando colocou os pés no chão frio. — Se hoje houvesse alguma boa notícia...
— Ah! Chegaram novos vestidos para vossa majestade! — Três criadas entraram no quarto, arrastando um baú. Aurora andou vagarosamente até ele, passou os dedos sobre a costura com couro, e o abriu.
— São lindos. — Não se interessou por nenhum vestido.
Puxou um tecido duro e bege, revelando um espartilho, e levantou uma sombrancelha.
— Diga que não vou usar isto...! — Aurora sabia bem o que era um espartilho. E também sabia que não se era muito agradável vestir aquilo.
— Mas senhora, todas as rainhas e princesas estão usando isto... — Uma outra moça de cabelos pretos e curtos dizia arrumando uma unha.
— Mas essas peças não têm uma boa fama.
— Sacrifícios fazem parte da vida de uma princesa. E logo será rainha, é melhor ter uma silhueta de acordo. — Amélia deu bronca. Apesar de ela não ser tão velha, ela era madura. Devia estar entre seus trinta e quatro anos de idade.
A princesa suspirou e concordou com a cabeça. As demais criadas sorriram e se retiraram, deixando apenas Amélia para cuidar de Aurora.


§

No extremo silêncio, do corredor, Katrina limpava os candelabros de ouro, e trocava as velas gastas e pequenas.

Não queria chamar uma mínima atenção sequer. O rei a havia chamado para uma conversa.
" Ele não me chamaria para uma conversa, se não estivesse desconfiado." Ela pensava com cuidado que tipos de desculpas inventaria para convencer o rei.
Limpava tão rápida e nervosamente, que nem percebeu que já tinha acabado.
— Margô
Mordia a bochecha, e logo sentiu o gosto de sangue espalhar em sua boca. Fez cara feia. Seu sangue era totalmente amargo.
— Margô!
Seu estômago virou. Esse nervosismo não era normal da parte dela.
" Minha vida está em jogo!" Brigava consigo mesma.
— Margô!!
— O que é?! — Ela se virou, vendo a mulher na sua frente. Era Nadja que a atormentava todos os dias.
— Em que está pensando para estar assim nas nuvens?
— Cuide de sua vida!
— Por que o rei está a chamando? — Ignorou Katrina, mostrando uma expressão de deboche.
A Moça de íris lilás, daria tudo para estourar a cabeça dela... "Por que não?"
— Por que não vai chorar a morte de sua amiga, e não me deixa em paz? — Nadja ficou furiosa, chegando a um centímetro de Katrina.
— Deixe eu lhe dizer uma coisa, sua...
— Sua o que? Vamos, diga logo! — Nadja permaneceu calada. — Ah, melhor assim.. Escolha melhor seus inimigos... — Sorriu e deixou a moça remoendo a ameaça.
Katrina andou, até uma mulher com um vestido de anáguas extremamente salientes, fazendo parecer a cintura dela maior que que devia ser. Seus cabelos eram brancos e presos em um penteado alto, destacando seu rosto rígido.
— Você deve ser Margô.
— Sim, eu...
— Queira me acompanhar. — A senhora andou até os corredores do grande salão, no qual estavam limpando e decorando rapidamente.
Chegando em uma saleta, com uma enorme janela, que ocupava toda a parede, uma mesa e duas cadeiras de madeira. A mulher fechou a porta.
As mãos de Katrina soavam. Provavel e obviamente não seria o rei diretamente a falar com ela, mas com certeza essa senhora o enviaria toda e qualquer palavra que ela mesma dissesse. Seus planos estariam por água abaixo caso descobrissem algo sobre sua origem, ou suas intenções, que eram as piores possíveis.
—Então... — Katrina foi tirada de seus devaneios — Me chamo Prudence. Sou responsável pelos criados do castelo. — A voz terrivelmente rouca carregada de tédio, fizeram a moça de olhos lilás os revirar.
Prudence sentou em uma das cadeiras, e se serviu de chá,
—Então, você é a Margô? — Prudence falou em um tom de escárnio. — Vamos aos fatos. A bela moça, cuja os pais morreram por culpa de uma doença... Conte mais sobre você, estou toda a ouvidos.
— Bom, eu falei sobre isso...
— E poderia repetir?
— Claro...
Katrina começou a contar uma história inventada por ela, logo que o a presença dela foi requisitada. Ela mentia com a melhor e mais realista naturalidade. Vendo que a mulher não se convencia, a moça fixou nos olhos da outra senhora, fazendo os mesmos se dilatarem. Pode ver toda a vida e memórias daquela senhora passarem como flashes em sua vista.
A própria cabeça de Katrina começou a latejar, e sua boça começou a secar, mas ela não deu nenhum indício de seus sintomas momentâneos.
"Tem que dar certo! Por favor..."

Uma vez ou outra a mulher fazia uma ruga no meio das sombrancelhas, apertava as pálpebras ou massageava um ponto acima de suas densas sobrancelhas grisalhas .
Terminando de contar sua história, começou a se derreter em lágrimas.
— Oh, minha menina... Por que não falou isso antes? — Prudence esfregava os olhos, e só um voltou ao normal. Vendo que deu certo, Katrina sorriu internamente.
— Não me é agradável falar nisso. — Limpava as lágrimas com uma fingida tristeza.
— Vamos, pode voltar ao trabalho. — Prudence mostrou um sorriso sincero.
Nunca tinha feito ipnose com alguém, sempre treinou com animais, mas nunca conseguia o resultado final. Seus professores também tentavam ajudar, mas nenhuma vez obteve sucesso.
Agora não iria precisar se preocupar tanto, afinal Prudence havia se convencido de seu "sofrido" passado.
Voltou a procurar outra coisa para fazer, mas sua cabeça continuava a latejar, e provavelmente estava fraca. Mais tarde procuraria alguma presa, iria aguentar até anoitecer.



—Pronto! Está linda e delicada como uma rosa! — Amélia comemorava seu trabalho.
Aurora estava impecavelmente linda. Seu vestido dourado era firmemente atado ao busto. Usava um delicado diadema em sua cabeça.
— Amelia... Estou com... Falta de ar! — Olhou para todo o quarto procurando algo para se abanar. Finalmente achou um leque.
— Como eu disse, sacrifícios são necessários. — Amélia colocou as costas da mão na testa de Aurora, constando que a mulher já não estava com febre. — Nossa, já está melhor!
— Foi só um... Um mal estar repentino... Como eu disse... — As caretas que ela fazia eram pelo desconfortável aperto, e pela falta de ar.
— Consegue descer sozinha ou...
— Sim, vá na frente e por favor, veja se Derik está aí?
— Claro princesa. — No exato momento que Amélia fechou a porta, Aurora correu para tentar desfazer os nós e laços de seu espartilho.
Tudo foi em vão.
Abriu a parte da frente de seu vestido e puxou as cordas do tecido que apertava sua cintura.
— Mas que coisa! — Recolocou o vestido novamente. Iria esperar uma boa hora para retirar esse espartilho.
Pegou seu leque, abriu a porta de seu quarto, e saiu.
Andou pelos corredores, procurando Derik, mas infelizmente não o achou.
— Deve estar no estábulo... — Andou vagarosamente economizando ar.
Ele não estava lá.
"Será possível, que eu tive o trabalho de vir até aqui, e ele não estar!" Deu meia volta, e entrou no castelo novamente.
Observou que todas as criadas limpavam o Palácio com fervor.
Sempre que comemorações são feitas, o Palácio ficava impecavelmente limpo. Mas ela não sabia o que seria.
—Bom dia, está bem minha senhora?
— Margô?- Aurora olhou as íris violeta. — Sim, estou.
— Não precisa de nada?
—Não, apenas tomar um ar fresco.
— Tudo bem. Se precisar de algo me chame.- Katrina passeou o dedo indicador pela costura do espartilho de Aurora, e logo saiu.
Katrina era diferente, isso ela não podia negar. Parecia que havia um desenho em seu barco esquerdo. Algo com escamas.
Revirou os olhos. Não devia cuidar da vida dos outros... Apesar de não ter nada melhor para fazer.
Aurora perguntava para as servas o que faziam, mas nenhuma delas sabia, ou não queriam dizer.
Foi até a sala do trono de seu pai, onde dois guardas estavam parados, só se mexeram para abrir a porta para a saída de uma pessoa.
— Derik? — O rapaz saiu totalmente branco do local. — O que houve?
— Nada. Por que?
— Você está totalmente pálido! — Ele olhou para o leque que Aurora movimentava rapidamente.
— Está com calor?
— Não, é que eu estou...— Aurora percebeu o que o rapaz tentava fazer. — E não mude de assunto! O que houve?
—Nada. Por que acha que aconteceu alguma coisa?
— Ah! Derik, você é impossível!- Deu as costas ao homem, e entrou na sala do trono, encontrando seu pai conversando com um guarda.
— Pai, o que está acontecendo? Está tudo... Errado hoje! — Bartolomeu o dispensou, e se virou para falar com Aurora.
—Errado?
— Sim! Errado! Todos estão limpando o castelo com tanta pressa, que é até difícil de acompanhar os movimentos. — Contava nos dedos — Deirk saiu daqui como se tivesse visto uma assombração ; E eu fui obrigada a esmagar meus pulmões!
— Não seja tão exagerada! — Revirou os olhos para a filha.
— O que está acontecendo? Não é possível que as servas estejam fazendo algo com tanto desespero, e não saibam o motivo! — Levantou uma sobrancelha. — E o que disse a Derik?
— Mais tarde saberá! — Bartolomeu sorriu.
— Não estou gostando disto!
— Aurora, você me faz tantas perguntas... Que me lembrou algo. — Desceu do trono coçando a cabeça. — Onde estava noite passada?
— Lugar nenhum. — Mentiu.
— Isso quer dizer reino dos Moors?
A princesa permaneceu calada. Queria ver ainda hoje se Maléfico estava bem.
Se algo de ruim acontecesse com ele, ela nem conseguiria pensar em sua vida. Ainda que ela não o visse tantas vezes depois de que voltou para o Palácio, ela ainda sentia uma forte ligação com o moreno.
— Seu silêncio responde por você. -Bartolomeu respirou fundo, e andou em círculos. — Eu já não sei o que fazer. — Passou as mãos no rosto, levando-as até a cabeça.
— Pai, desculpe! Ele realmente estava precisando de mim!
— Precisando do você? Faça-me o favor! — Bartolomeu riu incrédulo.
Aurora ficou emburrada, mas não deixou de abanar o leque. O rei olhou para ela novamente, e fixou o olhar na loira, juntando as sombrancelhas e fazendo uma cara de espanto.
— Aurora, qual é sua relação com ele?
—Como?
— O que você tem com ele? Porque... Você é pura como um anjo, e aquele demônio deve estar usando você para fins...- Aurora arregalou os olhos.
— Mas o que é isso papai? Como pode pensar uma coisa dessas? — Alterou o tom de voz- Não sou ingênua, e Maléfico nunca faria nada de ruim para minha pessoa!
— Por que sempre que vamos conversar, você começa a alterar o tom de voz?
— Por que o que o senhor acabou de falar, foi um absurdo! — Levantou a bainha de seu vestido para andar, e saiu do salão.

Maléfico vestia suas roupas à beira de um pequeno lago, após se lavar.
Ainda se sentia completamente fraco, não poderia usar magia de grande porte, pois poderia desmaiar.
Observava seu reflexo na água enquanto limpava suas longas unhas sujas de terra, vendo seu estado deplorável: Estava com olheiras, e cansado.
Aquela mulher disse algo sobre espiões... Talvez ele não pudesse confiar em mais ninguém? Não seria grande coisa para ele, ninguém confiava nele, por que ele iria confiar em alguém?
Apertou as pálpebras.
Levantou-se, e pegou um grande galho, para servir de apoio enquanto andava. Tentou parecer o melhor possível, mas sem sucesso. Por onde andava, todos olhavam.
Possivelmente ele estava pior do que pensara. Andava curvado, poderia ser comparado a um velho com os dias de vida contados.
Foi até o início da floresta, sentando-se com dificuldade em uma pedra.
Um barulho nas folhas, o fez por instinto olhar para trás. O barulho aconteceu de novo, só que mais abrupto.
Maléfico suavisou sua expressão, e mostrou sua fileira de dentes brancos em um sorriso acompanhado de uma pequena gargalhada.
— Pode sair Saremy... Sei que é você. — A morena corou. Ele sabia que ela estava ali.
A moça saiu de trás dos arbustos vagarosamente.
O Silfo coçou a cabeça
— Por que está me espiando?
— Porque eu... Não, eu não espiando o senhor.
— Sabe que eu sei quando você está mentindo, não é? — Deu um meio sorriso.
— Tudo bem! Eu o estava vigiando. A curandeira disse que deveríamos ficar de olho no senhor, já que o veneno foi grave.
— Deveriam? Quem mais estava com você? — Uniu as sobrancelhas.
— Aurora. Ela veio e me ajudou e levá-lo. — Maléfico tomou a expressão de pensativo enquanto pegava uma borboleta morta no chão.
— Nossa, há tempos eu não a vejo... — Contornava os desenhos das asas do pequeno cadáver, até a mariposa começar a movimentar as asas.
— Ela disse que viria hoje. — Saremy revirou os olhos. — Mas acho que não acontecerá.
— Por que diz isso? — A pequena borboleta decolou de seu dedo e alcançou vôo, pousando em seu chifre.
— Por que desde que ela voltou para o reino, quase nunca vem. — Maléfico viu que era verdade o que Saremy dizia, mas na sinceramente, achava que ela culpa dele. Ele não acreditava no amor, mas isso não significava que a princesa também não deveria crer.
— Enfim... Quero que vá até o Palácio para mim.
— Palácio?
— Sim, tenho um pequenho anúncio a fazer para todos, e também quero Aurora aqui.
— Mas por que Aurora? Por que ela deve estar aqui?
— Porque ela também faz parte do reino dos Moors.
— Mas...
— Saremy, pare de fazer perguntas! — O silfo apoiou a cabeça com o braço. — Você me aborrece.
A morena se calou, enquanto o seu senhor escrevia em uma pequena folha com as próprias unhas.
— Entregue para Aurora. — Estalou os dedos e a moça era um corvo. — Eu não quero saber de desculpas se você perder esta folha!
Ela pegou a folha com suas unhas e voou com destino do Palácio. O problema seria encontrar a princesa.
Podia muito bem dizer que Aurora não estava no Palácio, ou que não a havia achado. Mas pelo tom de voz de Maléfico, a situação era muito ruim.
Concordava que estava ridiculamente ciumenta, e que Aurora não tinha nada haver com tudo aquilo, então qual seria o motivo de Malefíco querer vê-la?
Grasnou de raiva.

Ouviu gritos e alguns barulhos dentro do estábulo. Parecia ser a voz de Aurora. Ela estava gritando com alguém. Entrou no estábulo, e viu Aurora dando tapas e socos em um jovem, chamando-o de mentiroso.
— Como não teve coragem de me contar? Desde quando vocês estavam tramando isto?! — Puxou a orelha do rapaz.
— Ai! Desculpe majestade, mas... Ai!
— Responda logo! — Deu um tapa no nariz do homem.
— Por que está me tratando assim?
— Porque você é um mentiroso!
— Não foi uma mentira!
— Então o que foi?!
— Uma omissão. — Aurora soltou o rapaz e abaixou pegando uma pedra no chão. — O que você vai fazer com isso?
— Exatamente o que você está imaginando! — Jogou a pedra na direção de Derik.
—Ai! — Ele se desviou, mas o pedregulho acertou a lamparina desligada a quebrando, e passando de raspão em Saremy, que grasnou e saiu de perto. — Mas o que é isso?! — A princesa estava com outra pedra na mão. — Aurora, sou seu amigo! Pare com isso!
— Você é um mentiroso horrendo! — Mirou em Derik, mas quando a mesma iria jogar, o rapaz segurou os braços da moça.
— Eu sei que devia ter contado para você... Mas é para sua segurança. — Saremy observava entediada aquela cena. — Sou um novo soldado real, mas minha responsabilidade é você.
— Me solte! — Aurora tentava o chutar, acabando com seu penteado. — Vou até o reino dos Moors, e você não vai me impedir!
— Princesa, se continuar assim, terei de tomar medidas drásticas! -Derik se colocou em sua frente. Aurora gargalhou.
— E o que fará? irá me agredir?
— Não, mas a senhora escolhe... Poderia passar vergonha, sendo arrastada até o Palácio, ou vir comigo civilizadamente. — Aurora respirou fundo.
— Me solte! sei andar sozinha! — Segurou a barra de seu vestido, enquanto Derik a seguia.
Não seria fácil entregar a mensagem a Aurora, então voltaria mais tarde, e Maléfico desistiria de chamar a princesa.



Saremy voltou para o reino dos Moors, e aconteceu tudo que ela previu. Maléfico a encheu de perguntas sobre o motivo de a mensagem não ser entregue a Aurora.
Saremy contou que ela agora tinha um soldado real, cuja a responsabilidade era a loira. Maléfico fez cara feia para essa parte da conversa.
— Tudo bem, não precisa voltar até lá... — Saremy sorriu internamente. — Eu mesmo irei. — O sorriso desmanchou.
— O que? mas... Mas senhor! Eles vão matá-lo! — A animação da morena havia acabado naquele instante.
— Ah! Minha querida, não me subestime...

Saremy revirou os olhos, e pediu para que ele não tivesse visto.
Entrou na floresta e segurou as mãos em punhos contendo sua fúria.

Ela não iria reclamar com Bartolomeu. Não mais.
Quanto mais ela o criticava, mais ele a provocava.
Ela teria de mostrar que Maléfico não era esse monstro que ele imaginava.
Apesar de o crepúsculo não ter chegado, ela se dirigia aos seus aposentos.
— Majestade! Tente me entender!
— Prefiro não escutar nada! — Aurora continuava a dar passos ligeiros evitando Derik.
— Me escute! — O moreno puxou os ombros da princesa, fazendo-os ficar de frente.
— Me obrigue! — Se soltou do rapaz e subiu.
Seus pulmões já quase gritavam socorro. Quanto mais o tempo passava, mais apertado o espartilho ficava. Os nós eram muito apertados, tanto que não conseguiu retirar.
As escadas pareciam triplicar de tamanho, e pareciam estar se mexendo.

A moça estava completamente tonta.
Tratou de ir mais rápido, pois podia desmaiar ali mesmo, e cair de uma escada não parecia ser algo convidativo.
Subiu degrau por degrau, o mais devagar que podia, e se apoiando nas paredes.
Abriu a porta de seus aposentos e logo entrou, se jogando na cama. Começou a abrir seu vestido desesperadamente, e puxar as fitas que prendiam o tecido.
Não adiantava, e parecia que quanto mais ela tentava retirar mais apertava.
Desistiu de tentar, e deitou de barriga para cima, puxando o ar com cuidado.
— Sabe? A primeira vez que vim aqui, pensei que seu quarto fosse maior... — Aurora olhou de onde vinha aquela voz, e se surpreendeu ao ver Maléfico folheando alguns livros em sua estante.
— Como... Como entrou aqui?
— Tenho meus truques. Devia saber disso mais do que ninguém. — A princesa bufou.
— Já que invadiu meu quarto, me faria um favor?
— Depende..
— De que?
— De que eu não precise sair daqui.
—Não. Não é isso. É esse corpete, ele está me deixando sem ar.
— Corpete?
— Por favor... — O Silfo revirou os olhos.
— Sim. Sim tudo bem! — Puxou a peça com toda a força possível, mas o material não se atreveu a sair.
Olhou os fios que prendiam o tecido, mas que estavam envoltos por uma estranha poeira avermelhada.
Era magia.
Com toda a certeza, isso era algum tipo de feitiço. Mas quem faria isso com Aurora?
Juntou as mãos e no meio das palmas, estava uma esfera amarelada. Maléfico colocou sua mão sobre a poeira, que logo se desfez.
Uma magia tão fraca, que até um ser humano poderia desfazer e ao mesmo tempo tão fatal... Se em algumas horas isto continuasse comprimindo o abdômen da moça, todas costelas iriam quebrar, e os órgãos iriam ser esmagados, causando a morte dela.
— Que alívio! O que fez? — Aurora se sentou na cama, e olhou para Maléfico, que estava há poucos centímetros agachado, remoendo preocupações.
— Aurora... — Levantou — Quem colocou isto em você?
— Amélia, minha criada. — Ele formou uma carranca, juntando as sombrancelhas. — O que houve?
— Desde quando a conhece?
— Quando eu vim morar no Palácio. — Caminhava pelo quarto.
— Como ela é?
— Por favor, me diga o que está acontecendo!
— Havia magia naquilo. — Apontou para a peça caída no chão. — Alguém tentou assassiná-la!
—O que?! — Maléfico pediu silêncio, para que ela falasse mais baixo. — Como? Amélia?
— Não sei. Você que disse que ela colocou aquilo em você! — Agora eles sussurravam.
— Você não está enganado?
— Aurora! eu vi com meus próprios olhos!
— Mas nós não temos certeza se foi ela, ou alguém do Palácio. — Se engasgou nas últimas palavras.
— Claro! Como eu não pensei nisso antes?! — Abriu as asas com brusquidão, derrubando alguns vidros da penteadeira de Aurora.
A princesa começou a empurrá-lo para a janela -que era o lugar que provavelmente ele havia entrado- quando ouviu a voz de Amélia.
— Venha comigo. — Estendeu a mão para a moça.
Ela continuou no mesmo lugar. Se ela fosse com Maléfico, seu pai mandaria que a buscassem quando desse sua falta, e teriam novamente problemas entre um reino e outro.
Deu três passos para trás e baixou a cabeça.
— Não posso, meu pai...
— Então venha à noite. Terei um pequeno pronunciamento sobre o que aconteceu ontem e provavelmente vou ser mais odiad...
— Você melhorou? — Aurora quade rasgou as roupas de Maléfico para ver se a ferida estava curada. Passou os dedos pela pele lisa, sem mancha nenhuma. — Como é possível?
— As curandeiras. Elas fizeram um ótimo trabalho. — Sorriu. Pegou a mão da moça, e colocou algo áspero em suas mãos.
O silfo pulou a janela. Aurora correu para ver onde ele estava, mas não exergou nada além de uma grande mariposa azul. Abriu a mão, e lá estava uma borboleta amarelada mexendo as asas.

Notas finais
Bom pessoas! Desculpem qualquer erro. Estou em processo de " Procuram-se betas" Até logo!