True Love
9 Um Jantar.
Notas iniciais
Fui correndo para casa me arrumar, teria que ficar bonita para este jantar, estava com certo receio, pois seria na casa dele, e nós não éramos tão íntimos assim... Bom, mas deixei esse meu medo de lada, eu tenho que aproveitar essa chance... Cheguei á casa e corri para o banheiro. Francesca não estava em casa pelo visto. Tomei um banho quente e demorado para relaxar o stress que minha “parceira” havia me causado. Saí do banho e fui ao meu quarto.
Fechei a porta, e fui em direção ao meu armário... Eu não tinha muitas roupas, mas lhe garanto que era o suficiente para sobreviver... Peguei de lá um vestido verde escuro longo e decotado, e um preto, que era acima dos joelhos, e um pouco “colado”, mas extremamente lindo, pelo menos aos meus olhos. Decidi! Eu iria com aquele vestido. O vesti e fui ao espelho, gostei da minha imagem que estava sendo refletida ali. Peguei um salto alto, e pus meus acessórios. Deixei meus cabelos soltos, caindo livremente pelos meus ombros...
Olhei no relógio e eram seis e meia... Fui dar os últimos retoques, afinal eu teria que estar “lindíssima”. Passei uma maquiagem leve e clarinha, totalmente natural, e usei o meu perfume preferido... Eu estava muito ansiosa para este jantar, principalmente porque seria com o Leon, um cara que eu havia conhecido na balada, e que não tinha intenção nenhuma de se aproximar e mim, e de me conhecer como está me conhecendo agora.
Ouvi o barulho da campainha, e deduzi que fosse ele. Peguei minha bolsa e um sorriso nervoso brotou de meus lábios. Corri até á porta e quando a abri, dei de cara com um homem maravilhosamente arrumado e lindo. Leon. Ele estava com uma roupa social, todo bonito. Dei-lhe um beijo no rosto e ele sorriu para mim.
_Está incrivelmente... Linda – Leon disse me olhando dos pés á cabeça, me deixando um pouco envergonhada, mas mesmo assim, me senti especial.
_Obrigada, Leon... E com certeza posso dizer isso também á você. Está... Maravilhoso. – disse o olhando, mas rapidamente pus minha mão na boca, eu não acredito que fui tão idiota de dizer aquilo. O mesmo soltou um risinho fraco, e eu corei.
Ele estendeu a mão, e logo me conduziu para fora de minha própria casa. Saímos de lá e ele me guiou até um carro preto, muito bonito e grande, não sabia qual que era, pois não sou boa com nomes de carros e muito menos, sei distinguir os modelos, e nem iria perguntar á ele. Ele abriu a porta do passageiro e eu sorri encantada com sua atitude e entrei no carro, logo ele fez o mesmo.
_Está confortável para você? – perguntou, e parecia preocupado com isto. Apenas assenti, não sabia que palavras usar para este momento.
Ele ligou o carro e assim fomos... Passamos por um lugar que eu nem sabia que existia em Buenos Aires. Um lugar pobre, mais muito pobre mesmo. Eu fazia doações com resto que sobrava de meu salário, que era pouco, mas dava para o gasto. Eu gostaria de ter condições para ajudar aquele lugar, era tão triste...
Assim que passou daquele local, chegamos num bairro rico, e posso garantir que era chique também. Vi vários prédios grandes e casas super lindas e grandes também. Fiquei encantada com aquele lugar.
Logo o Leon parou o carro, em frente á um condomínio que parecia ser de classe muito alta. Fiquei me perguntando: O Leon era rico? Creio que sim, pois tudo indicava isso... Ele saiu do carro e abriu a porta para mim, estendendo a mão para me ajudar. Sorri novamente.
_Leon... Você mora aqui? – perguntei encantada por ver um lugar como aquele.
_Sim – respondeu-me gentilmente. Era difícil de acreditar que um homem, rico, como ele, poderia ser tão gentil e elegante ao mesmo tempo.
Adentramos no condômino e caminhamos um pouco até entrar no elevador. Não trocamos nenhuma palavra durante todo o percurso, eu estava me sentindo um pouco “deslocada”. Eu não era de classe alta, muito menos sabia agir como gente que tinha essa classe, confesso que estava um pouco envergonhada.
Chegamos ao apartamento do Leon, e assim que ele abriu a porta, fiquei de queixo caído... Era imenso! O lugar era branco, com uns tons mais escuros, com móveis lindos e aparentemente caros. Olhei para ele, e o mesmo indicou que eu entrasse. Pisei ali e rapidamente ouvi o Leon entrando e fechando a porta. Logo uma mulher, que deveria ter uns 38 anos, apareceu ali, vestida com um avental branco. Ela tinha um sorriso no rosto sofrido. Era linda. Seus cabelos, a maioria, eram loiros, tinha os olhos negros, lindos. Provavelmente era a empregada.
_Olá Leon – ela disse sorridente. – Devo lhe avisar que o jantar que o senhor me pediu para organizar está pronto. – continuou.
_Olá Jack – Leon disse retribuindo o sorriso. – Obrigado por preparar o que eu pedi.
_Sem querer me intrometer em sua vida particular, mas já me intrometendo... Quem é essa bela moça, Leon? – Ela perguntou e eu fiquei sem graça, até as empregadas eram elegantes e educadas.
_Essa é a Violeta – ele disse me apresentando á Jack. – Minha convidada de honra, desta noite. – Leon disse alegre.
_Prazer – falei tímida.
_O prazer é meu, senhorita. – ela disse fazendo uma reverência, na qual não me agradou muito, aquilo me incomodou um pouco. – Bom, já vou me retirar e os deixar a sós, mas só mais uma coisa: Á que horas devo servir o jantar, Leon? – perguntou.
_Daqui poucos minutos de preferência, irei apenas trocar uma palavras com Violeta, então em meia hora, você pode nos trazer... Obrigado. – Ele disse sorrindo e a mesma assentiu e a saiu de lá, nos deixando sozinhos na sala imensa.
Leon indicou que eu sentasse, e assim eu fiz. Sentei-me no sofá grande e branco, e muito macio também. Eu estava quieta, quieta de mais, tudo bem que eu era tímida, mas naquele ambiente, minha timidez parecia que havia crescido de uma hora á outra.
_Violeta – Leon chamou-me e eu o olhei imediatamente. – Você está se sentindo bem? Digo... Está tão calada. – ele murmurou.
_Não sei Leon – respondi baixo. – É que eu me sinto um pouco deslocada neste tipo de ambiente, você não vai entender, mas é o que eu sinto. – falei deixando as coisas claras á ele. – Sinto-me um pouco desconfortável, não sei nem como devo me comportar nesse tipo de classe.
_Desculpe... – ele murmurou. – Queria que se sentisse bem, não queria deixar essa noite um pouco torturante para você.
_Não se preocupe Leon. Não é torturante, é que... Eu nunca estive em uma situação como esta, onde não sei como devo me comportar. – expliquei.
_Se comporte como deve achar. – ele disse sorrindo. – Seja você independentemente da situação, Violeta.
_Obrigada, mas realmente eu nem sei como achar isso – rimos.
Ficamos conversando sobre isso e até “debatemos” um pouquinho, mas logo acabou entre risadas. Depois de nosso pequeno bate-papo, Jack chegou á sala e disse que o jantar estava servido. Levantamos nos e fomos para a mesa de jantar, que nos aguardava com um grande “banquete”. Sentei-me um pouco sem graça, e ele se sentou á minha frente com uma elegância terrível. Jack nos serviu e logo se retirou indo até á cozinha.
_Isso está... Lindo – disse surpreendida com o jantar espetacular.
_Espero que o gosto também seja bom – rimos.
Vi todos aqueles talheres e me desesperei um pouquinho, eram muitos e eu não sabia muito bem usá-los, na verdade, eu não sei como usá-los. Leon percebeu meu desespero e pegou o garfo e a faca, apenas essas duas peças, e começou a comer... Ufa! Pelo menos garfo e faca eu saberia usar...
Comecei a comer. O prato que estávamos saboreando era simples, mas muito fino, posso garantir. Jack havia colocado em nossas taças champanhe, divinamente bom... Eu não era muito de beber, então aceitei uma pequena e única dose. No jantar, eu e o Leon trocamos algumas mínimas palavras, eu estava me sentindo mais á vontade, então os nossos sorrisos contagiavam, de alguma forma ou vibração, o espaço.
_Estava... Perfeito – falei assim que finalizamos o jantar. – Obrigada pelo convite Leon. Senti-me honrada. – falei bebendo suavemente o último gole de champanhe.
_Eu que agradeço por ter aceitado – ele disse sorrindo. – E também me senti muito honrado com sua companhia, foi uma das melhores, até agora. – ele falou me deixando um pouquinho sem graça, mas mesmo assim lhe dei um sorrisinho tímido.
Nós nos levantamos e fomos em direção á sala. Peguei minha bolsa que estava em cima do sofá. Já estava tarde e eu precisava ir á minha casa, descansar. Amanhã eu trabalho... E terei de trabalhar muito! Leon se aproximou de mim, pegando a bolsa de minha mão e colocando novamente no sofá, o olhei confusa e ele riu. Segurou firmemente em minha cintura e assim, sem muita demora, selou nossos lábios de uma maneira doce e meiga, mas ao mesmo tempo com um pouco de urgência e ardência, me fazendo delirar por alguns segundos. Sem muito pensar, minhas mãos envolveram sua nuca o puxando para mais perto...
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