True Friends

4 Capítulo 4


Angie já havia se acalmado ao lado de Marty no sofá, e seu braço ainda estava ao redor do corpo da outra. E depois de alguns minutos assim, o garoto a soltou e disse:

— Devíamos ligar para alguém.

A garota o olhou, assentindo. Seus olhos estavam com uma cor mais avermelhada e suas bochechas mais rosadas que o normal. Logo se levantou e foi em direção a cozinha, lugar onde o telefone está. Ela voltou de lá digitando os números, logo colocando o aparelho no ouvido. Quando estava descendo as escadas de dois degraus, demonstrou que a pessoa atendeu.

— Alô? Pai? – Angie cerrou as sobrancelhas – Pai? Está me ouvindo? Onde você está?

Marty pôde ouvir um barulho que vinha do telefone de onde estava sentado, que cada vez ficava mais baixo. A expressão da garota foi de preocupação a choque e a raiva muito rapidamente, o que fez o garoto ficar confuso.

— Eu não acredito! Você foi para uma balada? Num domingo? Só para sua concepção, mamãe está desmaiada no sofá! – A voz da garota era trêmula de raiva – Quer saber, nem vem pra casa! Fica aí, se divertindo! Se você não se importa com sua família, não vai ser sua família que vai se importar com você!

E desligou. Logo digitando outro número, provavelmente da emergência.

— Alô? – A voz ainda estava trêmula, como se estivesse prestes a chorar de novo – Então, minha mãe está desmaiada, vocês podem mandar uma ambulância, por favor? – Logo após, ela disse o endereço e o bairro, desligando calmamente.

— Não precisa ser tão educada assim. – Disse o garoto depois de um tempo, para quebrar o clima. – “Por favor” nessas situações não é necessário.

— Educação em primeiro lugar, sempre. – Respondeu, rindo. Depois de alguns outros minutos eles ouviram a sirene e a morena foi abrir o portão, dizendo que ela está na sala. Os enfermeiros entraram pela sala com uma maca, a abaixando e colocando a Sra. Domingues em cima, logo empurrando com cuidado até o carro. Quando a menina foi junto, depois de fechar toda a casa e estava prestes a subir na parte de trás, junto com sua mãe, se virou para o amigo.

— Se você quiser pode ir embora, eu posso ir sozinha. – Disse, gentil.

— Tudo bem, eu tenho certeza que não é nada grave. – Abraçou-a em resposta.

— Obrigada, se não fosse pelo incrível-Marty, eu estaria na cozinha chorando de raiva do meu pai e preocupação da minha mãe. – Riu pelo nariz. O garoto a imitou.

— Qualquer coisa liga.

Eles se despediram pela segunda vez naquele dia, e então Angie subiu finalmente na parte de trás do carro, se sentando do lado da maca. Uma dos dois enfermeiros conversou com a menina.

— Seu namorado? – Perguntou, com um sorriso no rosto.

— Não. – Respondeu com um sorriso, olhando para a rodinha da maca.

Ela pensava em como era agradecida pela amizade com Marty. Se não fosse por ele, quantas coisas ela teria que enfrentar sozinha. Sem irmãos, seus amigos se resumiam nele e mais duas garotas, que conhecera no mesmo ano letivo.

Seus pensamentos foram interrompidos quando ela notou que a moça perguntou alguma coisa.

— O quê? – Perguntou Angie de volta.

— Estou vendo aqui que sua mãe está com a pressão bem baixa. Ela sempre teve?

E assim foi o trajeto inteiro até o hospital, a enfermeira (que depois de um tempo Angie descobriu que se chamava Melanie) ficava fazendo perguntas sobre a saúde da mãe e a outra tentava ao máximo responder.

Depois que chegaram no hospital, levaram a Sra. Domingues para os exames. Claro, depois de ela acordar no caminho do quarto.

A adolescente ficou no corredor, sentada. Quando pegou seu celular, tinha algumas chamadas perdidas de seu pai. Soltou um palavrão. Ligou de volta para ele.

Depois de algumas chamadas, ele atendeu.

— Quê? – A morena disse.

— Filha. Onde vocês estão? – Sua voz parecia preocupada.

— Huh, não sei. Talvez no hospital? É onde sua mulher está fazendo exames. – Respondeu, irônica.

— Estou indo aí.

— Huh, acho que não. Eu disse, vai lá. Se diverte. Eu fico com ela. – Angie ainda estava com ironia na voz.

— Não fale assim comigo. – Respondeu Sr. Domingues, severo. – Eu estou indo aí. – E desligou.

— Na minha cara. Obrigada. – Disse a garota, bloqueando o celular e o colocando no bolso.

Desejou não ter dito onde estava.

*

Marty chegou em casa e estava quase escuro. Ouviu um barulho dentro de sua casa e notou que seu pai chegara.

Quando chegou na frente da porta, a abriu sem rodeios, logo entrando e a fechando novamente, agora a trancando.

— Pai. – Disse, alto, mostrando que chegou em casa.

— Filho. O sorvete estava bom? – Disse Sr. Alvez, mostrando apenas a cabeça pela porta da cozinha.

Em resposta, o loiro murmurou um “uhum”, assentindo com a cabeça.

— A Sra. Domingues teve que ir para o hospital. Aposto que não foi nada sério, mas eles vão fazer os exames lá.

— O que aconteceu? – Perguntou da cozinha. Estava provavelmente arrumando as coisas para fazer o jantar.

— Angie me ligou desesperada falando que ela havia desmaiado. Provavelmente passou a tarde inteira sem comer. – Respondeu, calmamente, indo para a cozinha, onde seu pai estava.

— Espero que ela fique bem. – Disse o Senhor, respeitoso.

Em resposta, o loiro soltou um “Uhum”, pegando uma maçã da fruteira quase sem frutas. Deu uma mordida e grunhiu – estava deliciosa e suculenta.

— Vou começar a fazer o jantar daqui a pouco. – Disse Sr. Alvez em tom de censura por ver o menor comendo.

Marty assentiu com a cabeça, desanimado, subindo para seu quarto. Subiu as escadas imaginando se Angie havia feito o dever de química.

*

A morena continuava na cadeira da sala de espera do hospital. Seu pai havia dito que estava indo para ali, e sua mãe provavelmente estava fazendo uma bateria de exames. Estava pensando agora que fora muito boba por ter entrado em desespero, pois ela havia apenas desmaiado. Com certeza não era nada demais. Havia se preocupado completamente em vão.

Entre seus devaneios, Angie viu que um homem com jeans surradas e um casaco “Sam Winchester” entrou rapidamente pela porta de vidro do hospital. Logo que ele a viu, a expressão de preocupação diminuiu um mínimo possível, ao saber que sua filha estava bem. Querendo ou não, era pai. Quando chegou mais perto, seu olhar de preocupação se tornou olhar de censura.

— Que shorts é esse? – Perguntou, alterando a voz.

— Hum, um dos meus. Eu sempre usei ele.

— Filha minha não usa shorts desse tamanho. Olha, está quase mostrando sua polpa!

— Pai. Você está fazendo chilique. No. Hospital. – A garota se sentou reta e olhou-o nos olhos.

Ele a pegou pelo braço e a levou pra fora.

— Vamos pra casa agora! Você vai trocar esse shorts e colocar uma calça. – Sr. Domingues apertava o braço dela de uma forma que quase machucava.

Ela tentou soltar-se dele, mas o homem era forte.

— Não vou a lugar nenhum. – Sibilou, quase sussurrando. O outro virou-se pra menina – Vou ficar aqui com a minha mãe. Trate de me soltar agora. – Disse calmamente, quase em tom de ameaça.

— Tá bom! Se você for abusada não venha chorar comigo. – Disse o senhor, no mesmo tom e ameaça que a garota usara com ele.

Angie não conseguiu responder aquilo, pois estava incrédula.

Voltaram para dentro do hospital e alguma pessoas os espiavam. Os dois emburrados, sem olhar para a cara do outro. Eles se sentaram nos mesmo bancos de antes e não se dirigiram o olhar ou a palavra, como antes.

Depois de uns vinte minutos, Sr. Domingues foi chamado na recepção para assinar alguns papéis e – finalmente – puderam ver a mulher.

Quando os dois entraram na sala junto com o médico, Angie pulou no seu pescoço. A mulher passou a mão em suas costas e logo se separaram. O moreno foi ao lado de sua mulher e colocou a mão em seu ombro, com um olhar de cumplicidade. Logo todos olharam para o doutor, esperando respostas.

— A senhora não tem nenhum problema grave. – Disse o médico, tranquilizando a todos – Seu desmaio foi causado por uma baixa repentina de sua pressão, – O médico se virou para os três. — que foi causada por uso dos remédios pesados demais que toma.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.