True Colours
1 Capítulo 1 - Pai...

Capítulo 1—Pai...
Eram sete horas da manhã e o celular começou a despertar, parecia desesperado por fazer tanto barulho em um momento que mal havia pássaros cantarolando do lado de fora. Uma mão foi direto para onde o tal som estridente emanava, como um soco, para desliga-lo.
— Eu vou te matar... — a voz saiu rouca e com puro ódio. Daisy pegou seu celular para ver as horas, mas acabou por perceber algo pior: — Domingo?! Sete da manhã?! Ah... — bufou.
Daisy levantou lentamente, com o máximo de vontade de viver que conseguia por ter acordado tão cedo em pleno domingo. Apenas o ódio reinava. Lentamente, arrastando os pés no chão por conta do sono, saiu de seu quarto em direção ao quarto de seu pai, que ficava logo à frente do seu.
Cerca de dez passos separavam o quarto de seu pai do seu. No meio desse caminho havia uma estante de parede com alguns porta-retratos com os momentos mais felizes de sua família. Ao olhar para a estante, Daisy percebeu que faltava algo. Andou até o quarto de seu pai e viu que não havia ninguém.
Dirigiu-se para a sala, no cômodo ao lado, e viu sua madrasta, Diana, e perguntou:
— Cadê o meu pai?
Graciosamente a madrasta olhou para Daisy enquanto tomava seu chá. Diana era o símbolo de perfeição para alguém de 40 anos. Loira, alta e de olhos azuis. Talvez seu único defeito seria não saber se conseguiria lidar com Daisy algum dia ou não.
— Está na casa da sua avó — respondeu elegantemente.
— E quem disse para você levar ele lá?
— Foi a sua avó que pediu.
Daisy começou a se estressar. Já houve um tempo em que ela se dava bem com a sua madrasta, talvez quando tinha 14 anos, mas agora, aos 19, certamente não.
— Eu vou lá buscar ele então — disse Daisy com certeza enquanto ia para a porta da frente.
— De pijamas?! — Diana deixou seu chá de lado e correu ao alcance da enteada — Você não vai sair assim na rua, vai?!
— Vou! — Gritou — Fica olhando!
A garota, de pijamas, já estava do lado de fora, andando de forma rápida para sua madrasta não a alcançar. As pessoas que estavam na rua caminhando (quem levanta às sete da manhã em pleno domingo?) olhavam-na confusas.
— Daisy, volta aqui! — Diana gritou de longe.
Daisy somente lhe mostrou o dedo do meio, sem olhar para trás, enquanto ia em direção a casa de sua avó para buscar seu pai.
— Peste...
• •DAISY, A MIMADA • •
Daisy Lamberto, 19 anos. Pálida com cabelos e olhos castanhos, não vê nenhum problema em sua aparência com exceção de seu corpo formato “triângulo invertido” (embora tenha cintura fina). Tem personalidade forte, do tipo "pessoa chata". Cursa o 2º ano de Artes Cênicas na maior faculdade do estado. Por que esse curso? Nem ela sabe...
Na casa de sua avó, Daisy estava sentada em um sofá provavelmente mais velho que ela. A decoração não era das melhores, mas tinha um toque de vintage que melhorava o humor de qualquer um.
Ela simplesmente adorava visitar sua avó corriqueiramente, pois era a única figura materna em sua vida, e sempre tinha um bolo diferente.
A avó apareceu na sala carregando um porta-retratos. Sentou numa poltrona ao lado do sofá onde Daisy estava, e entregou o objeto.
— A Diana veio aqui ontem à noite para me entregar essa foto. Achei que você sabia disso — disse a avó.
— A Diana, claro. Sabia que não era a senhora que tinha pedido — Daisy parecia furiosa.
A avó olhava para a neta com muito afeto. Praticamente criou aquela garota desde quando sua mãe abandonou a família, não foram tempo fáceis, mas felizmente tudo ocorreu bem. Com exceção da última tragédia...
Pelo fato de ter criado Daisy, a avó, Joana, conhecia muito bem sua personalidade. Daisy não era mais uma criança, já era praticamente uma adulta, e deveria agir feito tal.
— Quando que você vai começar a trabalhar?
— Irei começar amanhã à tarde — respondeu sem tirar os olhos da foto.
— Por mais que seja um trabalho de meio período, não se esqueça de levar isso a sério. — Joana apontou com o nariz para o porta-retratos no colo da neta — A herança não vai durar para sempre, não importa quão bem de vida vocês sejam...
Herança. Ah como era bom o tempo em que isso não existia. No colo de Daisy estava o porta-retratos com uma foto de seu pai juntamente com ela quando tinha apenas 13 anos, um ano antes de seu pai falecer. Aquela foto significava tanto para Daisy que a chamava de "pai". Foi a última foto tirada enquanto ele estava vivo.
Daisy olhou para a avó, suspirou e pensou um pouco. Seria difícil se adaptar ao novo trabalho, afinal ela nunca havia feito isso na vida...
— Acho que a senhora tem razão... — Respondeu Daisy.
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