Troy
1 Pilot
1.
Olhos curiosos observavam as chamas que invadiam um antigo prédio, enquanto heróis do fogo faziam seu trabalho. Uma sombra passou como um vulto no asfalto banhado pelo sol das três da tarde. Em cima do caminhão dos bombeiros uma figura feminina se impulsionava para dentro do local em chamas.
“É ela!”
“Então ela existe mesmo...”
“Ela vai nos salvar”
Diana ouvira os mesmos comentários toda vez que parava um carro em fuga, enfrentava algum assaltante de banco ou entrava em um prédio em chamas. Poderia ser uma grande tragédia para aquela, até então, pacata rua do Queens, mas para a princesa de Themyscira era mais um dia comum. Pegava uma pessoa de cada vez e levava sã e salva às mãos dos bombeiros. Depois de ir e voltar, eis que ela pousa com aquele que parecia ser o ultimo que ainda estava no local.
“Eu falei que ela ia conseguir!”
“Graças a Deus foram todos salvos!”
“Palmas para a Mulher Maravilha!”
E as palmas sempre foram o momento certo pra Diana sair em grande estilo sabendo que seu trabalho estava feito. Mas dessa vez foi diferente, aquele mesmo homem que até pouco tempo rodeado pelas chamas, se virou para a sua salvadora, depois de três tossidas, e avisou:
— Tem alguém...
E o cidadão muito debilitado voltou a tossir incansavelmente.
— Acho melhor o senhor sentar um pouco – Falou o policial tentando conduzir o homem para perto de uma ambulância.
— Eu acho que ele quis dizer que tem alguém lá dentro – Teorizou Diana.
— Eu ouvi um choro. Lá dentro. – Tosse – Tem um bebê.
A deusa inclinou sua cabeça, planejando seus próximos passos. Com um salto, atravessou uma parede e foi parar dentro do que parecia ser um quarto, agora destruído. Ela ouvira o choro nitidamente, e estava perto. Ela sabia que a estrutura do prédio não iria aguentar muito tempo. Sem enrolação, ultrapassou as paredes até chegar ao berço. Colocou o bebê no colo usando seu próprio corpo como escudo. Entre destroços, planou de volta ao asfalto.
— Conseguiu!
Diana olhou pro lado para contemplar o cidadão que comemorava o salvamento. Era uma mulher de no máximo 34 anos. Ela se aproximava, enquanto os outros estavam espalhados pela rua, falando com os policias, bombeiros e buscando informações sobre os feridos.
— A senhora conhece os pais desse bebê em meus braços?
— Conheço sim, moça, eu moro ao lado deles... quer dizer, morava.
— Onde estão esses responsáveis?
Os olhos de Diana seguiram os da mulher, que olhava com tristeza para o antigo prédio em que morava, como se estivesse apontando.
— Estavam lá dentro?
— Ouvi dizer que eles que começaram o incêndio. Graças a Deus eu não estava em casa quando tudo aconteceu.
— Tens certeza que não foram salvos?
— Acompanhei você salvando um por um.
— Então, ela ficará com algum responsável.
— Olha, moça, conversei pouco com os tais pais dessa menina, mas eu lembro da mulher ter falado que nenhum deles tem familiares. Os dois tem tragédia na família. Não gosto nem de pensar nisso.
— Essa menina não pode crescer sem um lar.
Diana então para e olha para os lados. Os profissionais cuidavam dos feridos, enquanto familiares preocupados pediam por informações. Os curiosos comentavam afastadamente e espalhados pela calçada. Seus olhos se voltam para o bebê, agora sabendo se tratar de uma menina.
— Se não contar a ninguém sobre esse bebê, prometo que darei um lar para ela. Farei dela uma de minhas irmãs. Ela será Donna. Donna of Troy.
2.
O despertador vermelho sob o criado mudo despertava Donna Troy naquela manhã em Queens. Ainda sonolenta, se sentou na cama e começou a se espreguiçar, quando lhe venho à mente algo que a deixou extremamente elétrica. “Estou atrasada!” – pensou – Pulou da cama e correu para o banheiro. Abriu a porta com prontidão e deu de cara com Sharon Tracy depilando suas pernas. Sharon era sua colega de quarto fazia alguns meses, após Donna perceber que não podia pagar o apartamento sozinha. Elas acabaram se dando bem e a convivência fez com que elas ficassem mais intimas. Troy vai direto para o chuveiro sem falar com a colega e ao entrar no box, começar a jogar suas roupas usadas para o lado de Tracy.
— Bom dia pra você também. – Falou sarcasticamente.
Donna, então, abre uma brecha da divisão do Box e colocou sua cabeça para fora, se dirigindo a Sharon:
— Bom dia! Como você vai? Bem? Que ótimo!
E logo fechou grosseiramente, abrindo o chuveiro.
— Deixa eu adivinhar... Está atrasada?
— Digamos que eu tenha clientes me esperando nesse exato momento.
— Você perdeu o horário mais uma vez? O Carl vai te matar.
— Valeu pelo apoio – Enxugava o cabelo.
— É serio, dessa vez o Carl vai...
— Sharon, você não tem que servir café pra alguém, não?
— Você é muito engraçada. – Diz ironicamente.
Sharon trabalhava como garçonete no Radu’s Coffee Shop, cujo estabelecimento ficava justamente em baixo do seu apartamento. Ela não gostava de reclamar das coisas, e mesmo sendo um emprego cansativo, o dinheiro era necessário para continuar a ter onde morar. Tracey desde menina sempre foi muito fascinada por arte, e por muito tempo alimentou o desejo de se tornar uma grande artista, mas teve que encarar a realidade depois que saiu da casa de seus pais em uma pequena cidadezinha bem afastada de Queens.
3.
Donna já nem se surpreendida mais com falta de sorte que havia em sua vida, por conta dos últimos acontecimentos. Tudo o que ela queria era ter levantado de sua cama na hora, poder tomar seu café em paz e andar até seu serviço sem pressa alguma. Mas como nada estava a seu favor, ela já se encontrava totalmente atrasada para o seu trabalho na Woods Photo Studio. Estava irritada e com vontade de xingar a primeira pessoa que aparecesse em sua frente, mas sua preocupação falava mais alto sempre. Não era a primeira vez que chegava atrasada ao trabalho, muito menos era a primeira vez naquela semana e ela tinha medo do que podia acontecer. Donna corria entre os pedestres despreocupados, já que estes deviam ter suas vidas perfeitas e nenhuma grande responsabilidade para lidar como a mulher que corria como uma louca para chegar a empresa. Falando na Woods, lá estava a mulher adentrando por suas portas duplas de vidro, da maneira mais rápida que conseguia. Donna só queria correr para o seu posto, fingir que já havia chegado a tempos, mas ao virar o corredor acabou trombando com seu chefe, Carl Woods que lhe não lhe encarava de uma maneira nada boa.
—Precisamos ter uma conversa.
Ele disse sério, dando as costas para Donna, que não respondeu absolutamente nada e o seguiu até a sua sala. Não precisaram andar muito, já que estavam de frente para a sala do outro. Carl deu licença para que Troy entrasse na sala e fechou a porta logo em seguida, ela se sentou de maneira desconfortável de frente a sua mesa, evitando olhar para seu rosto e perdendo tempo com os quadros na parede. Poderia ser agora que sua vida daria uma virada inesperada?
— Você chegou atrasada de novo, Donna.- Ele disse em meio a um suspiro cansado.
— Não foi minha intenção, eu juro.
— Nunca é a sua intenção, já ouvi isso outras vezes.
Ela se calou, observando seu chefe coçar a garganta antes de começar a falar novamente.
— Desta vez eu precisei colocar outra pessoa em seu lugar, foi impossível de te esperar.
— Me desculpa, Carl. Eu perdi a hora, mas juro que não vai acontecer novamente.
— Você jura demais para quem falta todo dia, eu estou bancando praticamente dois fotógrafos para cumprir com a sua carga horária.
— Carl...
Ele se inclinou na mesa, se aproximando mais de Donna e segurando suas mãos.
— Nós somos amigos e eu tenho um imenso carinho por você, mas eu tenho normas a cumprir.
— O que quer dizer com isso? — Perguntou confusa.
— Você está demitida. — Ele disse simplista, dando dois tapinhas no ombro de Donna antes de se afastar e andar até a cafeteira no canto da sala.
— Você não pode fazer isso comigo, como eu vou pagar as minhas contas? Eu preciso desse dinheiro.
— Eu lamento... — Ele respondeu. — Pode ir pegar suas coisas e ir embora.
4.
Já era umas 11 horas da manhã, Kyle Rayner estava sentado em uma das suas mesas favoritas da cafeteria Radu’s, ao lado de uma enorme vitrine. Viu entrar pela porta de vidro uma mulher de cabelos negros que não lhe era desconhecida. Claro! Era Donna Troy, sua colega de trabalho na WPS. O rapaz logo percebeu uma tristeza no olhar da colega que nunca tivera visto antes, e se não conhecesse Troy, poderia jurar que ela iria começar a chorar. Abanou chamando a atenção de Donna, que venho ao seu encontro.
— Kyle? O que faz aqui?
— Estava passando e resolvi parar aqui um pouco. Sente-se, por favor.
A moça tratou de puxar uma cadeira e se sentar em frente à Rayner. Desde que chegou a cidade, Kyle foi uma das pessoas que mais apoiou Troy. Ela sempre foi um pouco temerosa quanto a ter uma amizade com um homem, ela sempre ouviu as amazonas com quem conviveu a vida toda falar sobre como os homens podem ser tão traiçoeiros quanto os mais poderosos deuses. Foi difícil no começo confiar em Rayner, mas ele não era um dos vilões que suas irmãs cortariam a cabeça sem dó.
— Você parecia meio chateada. – Comentou Kyle – Aconteceu alguma coisa?
— Nada demais, apenas o Carl me ligou.
— Carl Orrin Woods? O nosso chefe? O que ele queria?
— Quis saber o motivo de eu não ter aparecido no agendamento, que teve que chamar outro fotografo de última hora, e blá blá blá...
— Olha, eu sei que mesmo brigando você tem certa amizade com o Carl, mas se você continuar vacilando...
— Posso ser demitida? Valeu o conselho, mas eu já fui.
— Como é que é? Você foi demitida?
— Só não conta para a Sharon, ela vai ficar paranóica com a possibilidade da gente não conseguir pagar o aluguel.
No exato momento, Tracy se aproxima da mesa de Troy e Rayner, utilizando seu vergonhoso avental e um bloquinho que utilizava para anotar os pedidos.
— Achei que você tinha que ir pro trabalho.
— Eu fui, mas...
Ela olhou com desespero para Kyle. Nunca foi boa com mentiras, até porque, essa atitude não era bem aceita aos olhos das Amazonas. O rapaz retribuiu o olhar e rapidamente arrumou uma desculpa para a amiga:
— Eu encontrei com ela e contei que Carl está doente.
— Muito doente. – Complementou Donna.
— Tadinho! Deveríamos ir visitar ele. – Sugeriu Sharon.
— Não! – Gritou.
O tom de voz de Donna surpreendeu Sharon, que a olhou espantada e um tanto confusa.
— Ah... Apenas achei que seria educado. Mas tudo bem.
Donna e Kyle trocam olhares preocupantes diante da situação.
— Acho que a Donna quis dizer que o Carl não gosta muito de visitas.
— Bom, o que vocês vão querer? – Perguntou Sharon, agora falando como garçonete e se desfazendo do outro assunto.
Enquanto Kyle fazia seu pedido, Troy se mantinha distraída pensando sobre tudo que acontecera naquela manhã, quando seu celular começou a vibrar. Olhando a tela pode perceber que era um número desconhecido, que nunca ligou antes, mas sua curiosidade a fez atender. Uma voz feminina e calma falou “Alô” e em seguida perguntou se aquele era mesmo o celular de Donna Troy, que assentiu.
— Meu nome é Helen Alexandros. – Falou a voz no telefone. – Você é fotografa, certo?
— É, sou. – Falou meio desconfiada.
— Minha tia gostaria de seus serviços. Se você puder hoje à tarde...
— Posso! Posso agora se você quiser. Só me passa o endereço.
Donna pegou um pedaço de guardanapo que estava em cima da mesa e uma caneta que guardava no bolso de sua jaqueta. Anotou o pedido e, de supetão, sai porta a fora, deixando Tracy e Rayner sem entender nada.
— Aonde ela foi? – Perguntou Kyle.
Sem respostas, Sharon deu de ombros.
5.
Donna se encontra de frente a uma enorme porta de madeira. Ela pensava no quanto estranho uma mulher até então desconhecida a ligar, e ainda mais alguém com uma casa tão grande, uma verdadeira mansão. O que uma mulher que parecia tão rica iria querer com uma fotografa desempregada? Distraída, olhando a arquitetura da casa, levou um leve susto ao ouvir o ranger da enorme porta se abrindo. Helen, uma jovem moça de cabelos loiros, lhe pediu para entrar. Ela conduziu Troy por um enorme corredor de pisos quadriculados e largas paredes vermelhas que pareciam não ter fim.
— Onde exatamente estamos indo? – Perguntou apreensiva.
— Sra. Kapatelis está esperando por você na sala dela.
— Posso perguntar uma coisa? Como vocês conseguiram meu contato?
— Seu chefe me passou. – Contou, claramente mentindo.
— Carl me despede e depois resolve me indicar para amigas. Qual é o problema dele? – Falou pra si mesma.
— É no fim do corredor.
Helen prosseguiu e abriu uma grande porta, dando uma leve olhada pra dentro, e em seguida, mandando Troy entrar. Lá estava ela, Julia Kapatelis, sentada em uma cadeira em frente a uma mesa. Donna entra com passos calmos e se senta logo a frente da senhora. À primeira vista ela parecia mais uma ricaça em tono de 50 anos de idade que vive solitária em uma enorme mansão. Todo aquele ambiente fazia a fotografa se sentir como em Themyscira, com toda aquela estrutura que lhe fazia lembrar de quando vivera no palácio junto com Hippolyta. Julia, então, se levanta e começa a se pronunciar:
— Donna Troy, certo?
— Isso. – Afirmou Donna. – Então as fotos vão ser aqui ou...?
— 26 anos, nasceu e mora em Queens. Trabalha na Woods Studio Photo e divide com uma colega de quarto um pequeno apartamento em cima de uma cafeteria.
— Como você sabe tudo isso?
Sra. Kapatelis caminha envolta da enorme sala.
— Aos 2 anos foi salva de um incêndio que aconteceu no prédio onde morava com seus pais. Deus os tenha. Dada como morta, foi na verdade levada até uma ilha secreta comandada por guerreiras. Quer que eu continue?
Os olhos de Donna se arregalaram diante das palavras de Julia.
— Como sabe tudo isso?
— Porque sua irmã me contou.
6.
O jato da Mulher Maravilha rasgava o céu alaranjado do final da tarde. Em sua companhia estava a pequena garota que ela havia salvado naquela manhã de um incêndio, quieta, provavelmente assustada com tudo que havia acontecido. Em rumo a seu lar, Mulher Maravilha pensava se aquela era a situação certa a se fazer, se trazer a garota consigo seria uma boa idéia. Qual seria a reação de Hippolyta? Será que aceitaria acolher a pobre menina? Diante de tantos pensamentos, já se avistava a Ilha Do Paraíso. Podia-se ver as amazonas perambulando de um lado para o outro, em uma incrível sincronia. Com um pouso suave, o jato desceu até o chão, pousando sobre um gramado. Descendo do jato, suas botas tocavam a grama quase perfeita da ilha. As amazonas estavam inquietas, curiosas para saber o que Diana viera fazer ali.
"O que Diana viera fazer aqui?"
"O que raios a trouxe de volta?"
"Será que desistiu de ficar na terra dos homens?”
Essas eram algumas especulações que podiam ser ouvidas entre as amazonas. No meio da multidão, Euboea, uma corajosa amazona, toma a atitude e vai em direção a princesa.
—O que te trazes de volta aqui Diana?
— Não és de sua importância Euboea, preciso falar com minha mãe Hippolyta.
Antes que Euboea pudesse se pronunciar, um choro estridente viera de dentro do jato, silenciando toda a multidão, surpresa com o som. Diana parecia séria, sem mostrar constrangimento. Euboea, como um raio, entra no jato e se depara com a situação. A menina em prantos, chorando encolhida em um canto da nave.
—Diana, esse bebê... ? — Diz Euboa, com voz trêmula diante da situação.
—Não! Não! Eu resgatei essa menina, não tinha para onde ir, perderá seus pais em um incêndio
— E a trouxe aqui? — Interrompeu Euboea.- Achas que Hippolyta irá aceitar uma mortal?
— Olhe, para a pobre menina, Hippolyta tende ter piedade.- disse Diana, apontando para a bebê.- Ajude me a convence lá.
Euboea olhou nos olhos da menina, castanhos escuros, e pode sentir o sofrimento da garota. Com pena da pobre alma dissera:
—Irei ajudá-la. Vendo ela nessa situação é inevitável não sentir um pingo de pena. Falarei com Hippolyta.
— Não, eu falo, isso é responsabilidade minha, só preciso que afaste essa multidão ao redor.
Euboea então afastou a multidão, pronunciando que não havia nenhum espetáculo a se ver ali. Diana pegará a Menina no colo e usando suas habilidades, voará até o local onde sua mãe repousava. Chegando lá, Hippolyta não esperou Diana vir a sua direção e falaste:
— Diana! O que fazes aqui com uma criança nos braços?!
— Com todo respeito mãe, fui enviada a terra para salvar vidas, e essa pobre garota, perderá sua vida em um incêndio. Não tinha nada, ninguém para contar. Trouxe a aqui, para nós, amazonas, darmos uma chance a ela.
— Uma mera mortal?! O que pensas?! Qual a utilidade dela?!
— Ela pode treinar, pode se transformar em uma amazona.
— Você acha que qualquer um pode se tornar uma amazona? – Contestou Hippolyta.
— Só se for treinada pelas melhores. O que me diz?
Donna agora andava de um lado para o outro na enorme sala daquela mansão. Mesmo depois de ouvir sua historia de vida narrada por aquela desconhecida, não conseguia racionar direito. Como uma desconhecida poderia saber que ela foi criada por Amazonas? Será mesmo que Diana teria contado tudo para ela? A velha mulher mantinha sua expressão calma, sentada na ponta da sua mesa marrom. Troy estava cansada de teorizar, se pôs em frente a Julia e a encarou, esperando algum tipo de explicação vinda daquela senhora. Sem sucesso, se pronunciou:
— Ok, você sabe quem eu sou, mas quem é você?
— Eu sou uma amiga, pode acreditar.
— Onde você conheceu a Mulher Maravilha?
— Por favor, vamos chamá-la de Diana. Não há mais segredos entre a gente, certo?
Sra. Kapatelis se dirige até um balcão onde pega um copo e trata de servir um whisky.
— Eu a ajudei muito no inicio. Conheci Diana em um incêndio no meu apartamento. Foi logo quando ela voltou à ativa, depois de longos anos sem entrar em ação. Eu era uma professora viúva que tinha que cuidar da filha... Bom, não é essa a questão. Eu ajudei a Mulher Maravilha e ela me ajudou quando eu mais precisei.
Julia esticou o copo oferecendo a bebida para Troy, que recusou.
— E por que me chamou aqui?
— Diana achou que fosse melhor se...
— Está me dizendo que Diana armou tudo isso?
— Não é bem assim.
— Olha, eu não preciso de ajuda. Eu vim pra Queens por conta própria, pra conseguir descobrir minha origem. Olha, diz a ela que eu sou muita agradecida por ter me salvado e me dado uma família que eu amo. Mas agora é meu momento de lutar, talvez não seja as grandes batalhas que ela enfrenta, mas é a minha batalha.
— Senhorita Troy! – Disse em tom autoritário. – Deixe-me terminar.
De repente, antes que Kapatelis pudesse falar, o celular de Donna começa a tocar. Era uma chamada de Sharon Tracy. Ao atender, Troy percebe uma respiração acelerada e um certo pânico na voz da colega.
— Sharon?
— Donna, é normal ter uma mulher de armadura querendo derrubar nossa porta? – Sussura.
Sharon estava em perigo.
Donna chega casa depois de um longo percurso corrido. Ela estava preocupada com o que Sharon disse na ligação. O que uma amazona estava fazendo lá? Será mesmo que era uma Amazona? Desde que saiu da ilha, não tinha tido contato com nenhuma. Eufórica, passa por onde antes seria a porta, agora destruída em vários pedaços no chão. Ao entrar na sala viu algo um tanto quanto inusitado, lá estava Sharon e a tal “mulher de armadura” que havia falado. Troy poderia reconhecer uma amazona quando vira uma, mas não poderia imaginar que a encontraria junto a Tracy, tomando café na sala de estar.
— O que ta rolando aqui? – Perguntou confusa.
Sharon tira a xícara dos seus lábios e carismaticamente, fala:
— Eu acho que você se esqueceu de me falar que é irmã da Mulher Maravilha. — disse Sharon, segurando a gargalhada.
— É Donna of Troy, por que não constaste?
Era Euboea, uma amazona que morava na ilha. Ela e Donna não eram muito próximas, mas a jovem reconheceria em qualquer lugar uma das grandes amigas de sua mãe adotiva.
— Euboea o que faz aqui?- perguntou Donna – E você contou sobre a Di... A mulher maravilha para a minha colega de quarto?
— Sua amiga me pareceu uma guerreira honrosa. – Falou Euboea. – E essa bebida que me destes é espetacular.
— É café. – Contou Sharon, rindo simpaticamente para Euboea.
Quando os olhos de Tracy se voltaram para Troy, logo desfez o sorriso diante do olhar indignado da colega.
— Ah, você quer que eu deixe vocês a sós para conversarem? – Perguntou a garota já levantando do sofá e pondo a xícara na mesinha de centro.
— Eu acho melhor.
Sharon Tracy se dirigiu para fora do apartamento. Mas antes de ir embora, ao passar pela abertura onde ficava a porta, se voltou para Donna e falou algo como “Precisamos de uma porta nova” ou alguma coisa parecida, mas Troy não ligou, estava preocupada com a amazona sentada em seu sofá.
— Desculpe pela porta. Não foi uma atitude adequada, reconheço.
— Ótimo, mas um prejuízo! – Falou pra si mesma. — Vamos ser diretas, me diga, o que você está fazendo aqui?
— Certo, não tenho muito tempo. Todas na ilha sabem que você veio para cá por conta própria, sem nenhuma ordem. Hippolyta me mandou aqui no intuito de te trazer de volta para a ilha.
Donna da um sorriso irônico e logo diz:
— Olha, não é como se eu não gostasse da ilha ou não queira ser amazona. Os deuses me deram poderes como os de Diana e eu sei o quanto isso tem significado, mas eu vim pra cidade por um motivo.
— Eu sei muito bem os seus motivos. Não escondeu de ninguém sua vontade de descobrir da onde venho, mas o que está em jogo é muito mais que isso. Hippolyta senti que algo perigoso se aproxima. Ela acha que pode ser... – Começa a tossir. – Pode ser...
De um instante para outro, Euboa começa a se sentir mal, se desequilibrando e se segurando no encosto do sofá. Sua pele fica pálida e sua voz começa a ficar falha, quase não saindo. Donna percebendo o desconforto da guerreira, pergunta preocupada:
— Euboea, está se sentindo bem?
— Estou... eu acho. A atmosfera da vida dos humanos é... diferente, não estou acostumada. — diz com sua respiração acelerada. — Eu só preciso acalmar.
—Tem algo que eu possa fazer?
— Um copo d'água seria bom – Fala, quase sem forças.
—Claro, claro.
Troy se volta rapidamente para a cozinha, pega um copo e enche de água. Ao mesmo tempo, os olhos de Euboea, por hora castanho, brilharam um verde esmeralda. Ao se virar, Donna não vê mais a amazona, e escuta um barulho estrondoso vindo da sala. Chegando na sala, encontra um gigantesco buraco na parede e nem sinal da guerreira que estava passando mal.
9.
Donna,fica paralisada por alguns minutos com a situação. Não tinha dúvidas que fora Euboea que fez aquele estrago. Mas, por quê? Então, em um impulso, desce do seu apartamento pelas escadas. Sharon estava sentada no ultimo degrau, fumando. Parecia ter ouvido o barulho e ao ver a colega descendo as escadas com desespero, pode constatar que algo realmente grave tinha acontecido
—Donna? O que aconteceu lá em cima? Aquela mulher quebrou mais uma porta?
—Sharon, por favor, não a tempo para perguntas, eu só preciso que você fique aqui- diz Donna, com sua voz firme e séria.
— O que ta rolando?
— Eu não sei, mas eu vou tentar descobrir.
Sharon ficou ali na escada, observando Troy saindo pela porta de vidro da cafeteria. O lugar estava deserto, havia fechado justamente naquela tarde. Do lado de fora, Euboea estava no alto de um prédio, com uma expressão séria em seu rosto. Quando Donna dá os primeiros passos para fora do prédio, a guerreira pula em direção a ela, chocando-a com um poste. Preste a socar Donna, ela desvia, rolando para o lado, fazendo a amazona acertar o poste. Troy não queria usar seus poderes, mas estava sendo obrigada. Pensando em outra solução, logo, tentou acalmar a amazona.
— Euboea, o que está fazendo? Acalma-se! Não estou entendendo essa postura. Hipolyta não ficaria feliz em vê-la assim nessa situação.
A amazona ouve aquilo e por um instantes, como se tivesse saído de uma transe diz com dificuldade:
— Donna...
Logo ela entra de novo no estranho estado descontrolado de antes.
— O que aconteceu com você, garota?
Euboea sem responder, parte para cima dela. Troy então, se prepara para defender. Ambas começam a se socar, Donna consegue se defender dos potentes socos da amazona por um tempo, mas por um pequeno descuido, leva um soco em seu rosto, seguido de um poderoso chute, caindo na lataria de um carro vermelho, chegando a amassá-lo. Euboea sobe em cima da garota atordoada, levantando-a pela gola de sua blusa e a jogando para longe, fazendo até a própria amazona perde-la de vista.
Caindo em uma rua, próxima a uma rua vazia, não conseguia enxergar quase nada, a não ser um carro preto que vinha a sua direção. Para sua surpresa, o carro pertencia a Julia Kapatelis, que apareceu na hora exata para ajudar a moça. Do carro, Helen saia apressada e ajuda Troy a se levantar pedindo a ela para se apoiar em seus ombros. Rapidamente, Helen a coloca no banco traseiro e pede para o motorista acelerar o mais rápido o possível.
10.
Após abrir seus olhos, Donna se vê olhando para o teto de algum lugar, sentindo sua cabeça latejar, e seu corpo um tanto dolorido. Estava meio atônica, percebendo um leve ardor em seu braço esquerdo, onde se encontrava Helen, cuidando de um ferimento. Agora parecia reconhecer o lugar, era a mansão de Kapatelis.
— Vejo que você acordou. Estávamos preocupados com você — Não recebendo nenhuma resposta, Helen retorna a proceder — Estamos confusas com o que tem acontecido. Como está se sentindo?
Ainda meio confusa Donna se senta no sofá grunhido baixinho de dor, sentindo seu corpo todo dolorido.
— Estou bem. Preciso deter Euboea, ela não está em sua sã consciência, pode fazer o pior
No momento que a garota levanta e reúne sua força, com só um objetivo em mente, a porta se abre revelando Julia, com uma voz firme e empoderada.
— Você não vai sair desta casa , senhorita Troy.
— O que ?! Mas você não está entendendo! Euboea está fora de controle, e eu preciso deter ela antes que…
Julia a interrompe, com a mesma expressão e postura firme, autoritária de antes, começa a falar:
— Venha comigo Donna, quero te mostrar algo.
Com um misto de sentimentos que navegava entre Confusão e indecisão, Troy continua parada no mesmo lugar.
— Venha! — Insiste a senhora.
Convencida, Troy começa a seguir Julia, caminhando por um corredor extenso, até entrar em uma sala. Ela reconhecera aquele lugar, era o escritório onde conheceu Sra. Kapatelis pela primeira vez. Prestando mais atenção, pode ver varias prateleiras lotadas de livros e as cortinas de um vermelho frio, uma daquelas clores com nomes específicos mas que nunca decoraria. Tinha também uma pequena estatua sob a mesa central, cujo Donna não sabia distinguir entre um bulldog ou uma gárgula. Julia se aproximou daquela peça de cera, girando-a para o lado. A garota pode ver que aquela pequena estatua estava presa na mesa, e o movimento fez acionar algo naquela sala. Diante de seus olhos, a mesa começou abrir compartimentos até então invisíveis. Das paredes, monitores saiam, transmitindo imagens em tempo real das inúmeras câmeras da cidade. Um quadro preso na parede revela armas como lanças, espadas e havia também um escudo. Em questão se segundos, aquela sala até então normal se transformou em uma base super tecnológica, mas o que mais surpreendeu Donna foi um manequim que acabara de sair de dentro de um armário.
— Eu acho que aquela pancada foi forte.
— Você gostou? – Perguntou Julia.
A senhora se referia ao uniforme usado pela manequim. Era uma roupa totalmente preta com botas prateadas e braceletes que lembravam muito os de Mulher Maravilha.
— Essa roupa é bem estilosa. – Falou em um tom até um pouco cômico.
— É pra você. Diana não quer te proteger, não mais. Ela quer que você mesma se proteja. Tudo que Diana queria era alguém que a ajudasse a enfrentar o mundo. As coisas seriam tão mais fáceis e muitas vidas seriam poupadas.
— Ela quer que eu lute?
— Vamos ser realistas, você não é uma civil que trabalha como fotografa e tenta pagar suas contas. Você é mais que isso, é uma Amazona, e isso não é um fardo. Mas temos inimigos que não pensariam duas vezes antes de atacar.
Donna fica contemplando aquele uniforme. Muitas coisas passavam pela sua cabeça, mas com o apoio de Diana tudo parecia ficar mais fácil.
— Essa casa foi construída justamente para ser sua sede. Pode morar aqui e sempre que a cidade precisar de ajuda saberá. — Julia dá a volta na mesa, e se encontrado em frente ao traje.
— Diana construiu essa casa?
— Com ajuda de um amigo rico dela. – Sorri. – Então, já fez sua escolha?
11.
Uma barreira policial é formada no centro de Queens. Armas são apontadas para a mulher de armadura descontrolada, enquanto repórteres tentam registrar o que daria um pouco de vida para seus canais falidos. Euboea estava fora de si, destruindo carros e quebrando vitrines, quando, um policial tomou partido e com um megafone começou a tentar contado com a guerreira.
—Isso é uma operação policial, não se mecha ou iremos atirar. Coloque suas mãos para cima, onde podemos vê-las e renda-se. Entregue-se a nós, é o melhor que você pode fazer!
Euboea olha para o policial, com um olhar de repudio e, como se fosse uma provocação, e começa ir na sua direção. No mesmo momento, a ordem de atirar é dada. A amazona, retira de suas costas uma espada, e começa a se desviar dos tiros com a própria, manuseando-a de uma forma suave e ágil. Com a combinação de sua espada mais sua amadura, ela parecia invencível, desviando de todos os tiros. Poucos passos depois, ela chega até o policial que parecia liderar a equipe e com sua espada ameaça cortar a cabeça do homem. Os outros policiais a cercam, mirando armas em todo seu corpo. Euboea joga o policial contra um dos carros que compunha a barreira e pega o megafone que ele segurava, levantando em direção a sua boca.
—Apareça sua tola, onde esta você Don...
—Estou aqui — diz Donna.
Com um sorriso maligno, Euboea corre em direção a Donna, assim acabando por deixar sua espada cair no chão. Preste á socá-la, Troy desvia e derruba a amazona com um poderoso soco. Levantando rapidamente, a guerreira chuta a adversária, que consegue segurar seu pé e a joga na calçada.
— Olha só, a bastarda acha que pode me vencer.
— Até o jeito de falar é diferente. Eu não sei quem é você, mas não é Euboea.
Euboea então se levanta e com toda sua força empurra Donna, chocando-a com uma parede. Depois de vários socos, Donna, já sangrando, consegue imobilizar as mãos da amazona, que a olha surpresa. Troy logo após um grito de raiva, da uma cabeçada na amazona, fazendo-a dar passos para trás, mas ainda se mantendo equilibrada. Euboea revida, impulsionando suas pernas e dando um poderoso salto que joga Troy dentro de um apartamento, no qual bate contra a parede. A guerreira logo aparece, pronta para acabar de vez com Donna, quando, com suas ultimas forças, dá uma rasteira na amazona que cai do apartamento direto no asfalto.
— Eu acho que vou me aposentar. – Fala sentindo muitas dores.
Donna se levanta com dificuldade e salta do apartamento em direção a Euboea, deitada no meio da rua. Com ressentimento de chegar perto, Troy cuidadosamente se aproxima, ficando diante do rosto de Euboea, que mantinha o aspecto de desmaio. Eis que sem esperar, Donna é atacada com socos pela Amazona e por fim sendo imobilizada. Por infelicidade do destino, elas estavam exatamente no lugar onde a espada caiu á minutos atrás. Com a arma em suas mãos e prestes a enfiar no cérebro de Donna, a mesma começou a sussurra para os deuses, pedindo misericórdia para sua alma. Ela lembrara de quando ouvia Hippolyta falar com os deuses para pedir conselhos e ajuda. Com os olhos fechados, percebeu que seu braço antes imobilizado agora estava livre. Ao abri-los e se levantar, fica surpresa com o que estava vendo, Euboea estava desmaiada, sem explicações, apenas desacordada. De repente.
12.
Julia observava toda a luta pelos monitores de sua sala secreta, e mesmo após o fim da luta, continuou concentrada, nem mesmo percebeu Helen chegando. A garota se posiciona ao lado de sua Tia, acompanhando Donna carregando Euboea desacordada em seus braços e saindo voando logo em seguida. Quando percebeu, Kapatelis já havia perdido Troy de vista. Helen até tenta achar algum rastro da heroína, sem sucesso.
— Pra onde ela foi? – Perguntou Julia.
— Me dê um minuto.
Tudo aquilo era muito tecnológico para a Sra. Kapatelis. Ela preferia algo mais simples, por sorte tinha Helen, sua sobrinha, sempre ao seu lado. Mexendo nos aparelhos com agilidade que os olhos de Julia não conseguiam acompanhar, a garota consegue reproduzir o mapa em uma das enormes telas. Havia um pequeno ponto vermelho piscando que se movia por toda a cidade, era Donna.
— Você botou um rastreador nela?
— Botei. – Respondeu Helen.
— Boa. E parece que ela está vindo pra cá. – Concluiu.
Julia já se virava para sair da sala, quando sua sobrinha lhe chamou a atenção.
— Você acha que ela dá conta?
— Ela é irmã de Diana. Eu confio nela.
— Quer dizer, ela derrotou uma amazona. Grande coisa! Pelo o que você me disse elas treinam entre elas todos os dias.
— O que você quer dizer? – Questiona Julia.
— Será que ela está pronta para encarar algo mais poderoso? Ela não é Diana.
— Eu espero que esteja pronta.
A senhora, então, dá as costas para a sobrinha, quando, a terra estremece, fazendo com que Julia perdesse o equilíbrio. Felizmente amparada por Helen, as duas se vêem curiosas com o que possa ter causado isso, e correm para fora da casa. Ao abrir a porta que dava a um jardim, encontram Donna caída num canteiro, enquanto Euboea estava desacordada a uns 7 metros dela.
— O que aconteceu? – Perguntou Julia.
— Eu tenho que melhorar minha aterrissagem.
13.
Euboea abria seus olhos castanhos com rispidez, ainda bastante tonta e com uma forte dor de cabeça que não conseguia ignorar. A visão dela estava turva, mas conseguia ver uma figura feminina, com os braços cruzados, olhando-a seriamente. Foi quando sua ficha caiu, era Donna, mas por que estaria tão seria? Logo, tentando se mexer, pode perceber que estava presa e amarrada em uma espécie de tubo de vidro.
— Nossa, Diana pensou em tudo.
Donna se referia a uma pequena prisão que havia ali na mansão, mais precisamente na mesma sala onde Julia apresentou o uniforme preto a Troy horas atrás. Desde que chegara com Euboea, a amazona permanecia adormecida.
— Onde estou? – Perguntou a guerreira um tanto confusa. – Donna? O que estas havendo? Por que não consigo me mexer? Que tipo de feitiçaria fizesses comigo?
— Não se lembra do que aconteceu?
Donna dá alguns passos pra frente, se aproximando da parede de vidro que as separava.
— Donna, cuidado. – Disse Helen.
— Libertem-na. – Ordenou Troy.
— Tem certeza? – Perguntou Julia.
— Tenho, ela está no controle de seus atos agora.
— Céus! Alguém pode explicar-me o que estas acontecendo?
Helen se dirige até a mesa de comandos e desativa a barreira e as amarras de Euboea, deixando a livre, porem continuava muito enfraquecida.
— Você não se lembra de ter lutado comigo?
— Eu só lembro-me de ter tido uma terrível dor de cabeça e mais nada.
— Eu vi olhos verdes em você, o que pode ter sido?
— Estas vendo? Esse tipo de coisa que acontece quando estamos fora de Themyscira. Precisa voltar.
— Não me peça isso, Euboea. Eu já expliquei porque estou aqui e quero que vá e diga a minha mãe que estou bem.
— Não entendes...
— Diana está do meu lado agora, ela acredita que eu possa resolver meus próprios problemas.
— Sabia que não seria fácil lhe convencer, então trouxe isso. – Ela retira do pescoço um colar com uma grande pedra vermelha na ponta — Se precisar de ajuda use-o para nos chamar que iremos ouvir.
As duas se abraçam em despedida.
14.
Donna se sentia extremamente exausta após a conversa que teve com Julia Kapatelis, a única coisa que queria era ir para sua própria casa, mesmo que está ainda estivesse totalmente destruída, e deitar, se possível dormir. Depois da batalha e da conversa que tiveram com Euboea, Donna sabia que talvez as coisas não seriam mais as mesmas porém ela ainda tinha as suas responsabilidades. Estava preocupada, sua mente não parava de perguntar a si mesma como estaria Sharon, queria saber se ela estava bem. E foi com esse pensamento que decidiu voltar logo para a sua casa, a cafeteria ainda estava fechada, até porque a destruição da casa acima pode ter prejudicado o estabelecimento também. Donna tinha a chave, já que a única maneira de entrar em sua casa era passando por dentro da pequena loja. Conseguiu destrancar a porta, porém antes de entrar sentiu uma mão lhe tocar o ombro, ação que de certa forma lhe obrigou a olhar para trás.
—Donna?
-Ah, oi Kyle. — sorriu gentil, encarando o homem a sua frente.
—Fiquei preocupado com você, soube o que aconteceu com o seu apartamento.
Seu rosto foi tomado por uma expressão preocupada, enquanto continuava a tocar o ombro da outra.
-Como você está? Se machucou?
-Eu estou bem, não foi nada. — Respondeu tentando passar convicção.
-Mas o que aconteceu? Quem foi que fez isso com sua casa?
—Ah? Isso, foi...
—É a mesma que estava destruindo a cidade?
—Eu...
Donna fez uma pausa, pensando no que diria. Até que uma ideia lhe veio a cabeça e ela continuou, olhando para o próprio pulso como se estivesse usando um relógio.
—Opa, olha a hora!
-O que?
—Tenho que ir, mas obrigado por se preocupar comigo.
Sorriu entrando na cafeteria, fechando a porta logo em seguida e não dando chances de Kyle continuar com seu interrogatório desnecessário. Suspira assim que se vê livre, olhando para a cafeteria que estava com pouca iluminação naquela hora. Atravessou aquele ambiente, indo até as escadas que levavam para seu apartamento, único lugar que aparentemente não estava destruído. Assim que se encontrou dentro do apartamento, deu de cara com Sharon sentada no sofá queimado, com seu rosto perdido encarando toda aquela destruição.
—Eu sabia que ia te encontrar aqui. — Disse calma, atraindo a atenção da amiga.
Sharon não lhe respondeu, apenas lhe observou com o mesmo olhar de antes.
— O que foi? – Perguntou Donna.
—Estou pensando no que vou fazer agora, foi difícil encontrar alguém para dividir o aluguel e principalmente achar esse apartamento.
— E você já pensou em alguma coisa?
— Acho que vou ter que voltar a morar com os meus pais, até eu conseguir me estabilizar direito.
—Ai meu deus! Você ai voltar a ordenar vacas?
— Parece que é minha vocação. – Disse Sharon, tentando ser bem humorada.
Donna ficou em silêncio, andou até onde sua amiga estava e se sentou ao seu lado no sofá.
—Saiba que pode contar comigo para qualquer coisa.
-É, eu sei. — Sharon agradeceu com um pequeno sorriso, abraçando a amiga pelos ombros com um único braço.
—Mas e você?
—O que tem eu?
-Para onde vai?
-Eu vou morar na casa de uma amiga da minha irmã por um tempo.
—Amiga da Mulher Maravilha?
— Poxa, eu esqueci que você.
— Tudo bem, eu não vou contar pra ninguém lá em Smallville. Eles nem devem conhecer algo que não seja uma vaca ou uma galinha.
Depois disso as duas se mantiveram em silêncio, cada uma perdida em seu próprio pensamento enquanto seus olhos ficavam presos em toda aquela destruição do lugar. Até que Donna teve uma brilhante ideia, chamando novamente pela amiga.
— Você poderia ir morar com a minha amiga também?
— O que? — lhe olhou surpresa — Melhor não, não quero incomodar.
— Mas você não vai incomodar. Eu estou te convidando, só aceite logo.
15.
Era noite em Themyscira, o brilho das estrelas iluminavam toda a ilha. Uma amazona caminhava em direção ao palácio de Hippolyta, com o intuito de informá-la sobre a chegada de Euboea. Ao chegar, avisa a rainha com poucas palavras, que Euboea tende a espera-la na praia, com informações sobre Donna Troy. Hippolyta, sem mais delongas, deixa o palácio em direção a praia, com uma lamparina em mãos, cuja iluminava seu rosto. Em minutos chegava ao local. Euobea estava de costas, observando as ondas do mar, mais calmas do que nunca, que traziam uma certa sensação de tranquilidade para a amazona.
— Euboea! Disseram-me que tens informações sobre Donna. O que conseguistes? — Pergunta Hippolyta, com um pingo de ansiedade.
Com um leve suspiro, Euboea se pronuncia:
— Não tenho as melhores informações majestade. Donna não quis voltar...
Antes que pudesse terminar, Hippolyta interrompeu:
— O que?! Como ousa me dizer isso. Euboea! O que fizeste?! Por que não insistisse mais?
— Com todo respeito a vossa majestade, tentei tudo que pude. Mas ela sempre negava. Estava impossível, parecia realmente decidida em ficar.
— Oh céus...
— E, além disso, Diana já sabe sobre Donna.
— Não pode ser! Diana está apoiando essa maluquice? Diana era especial, os deuses sempre me alertavam que ela poderia fazer o mundo um lugar melhor, mas Donna é diferente. Raios... Sinto que algo está a observar nossa Donna. Será que estou ficando doida?
— Acredito que essa preocupação não faz sentido, Donna está bem, vivendo uma vida mortal como sempre quisera — diz Euboea – Agora, se me der licença...
— Claro, deve estar certa, Euboea, lamento afortuná-la com minhas preocupações.
— É uma honra servi-la, minha rainha.
A guerreira faz uma saudação e ambas seguem seus caminhos. Hippolyta volta ao palácio, inconformada com as péssimas notícias e ao mesmo tempo preocupada com o que há de vir para sua filha de coração. Já Euboea, vai caminhando até sua moradia pensativa sobre ocorreu. Pallas corre em sua direção. A amazona percebe o ar de preocupação de Euboea e a pergunta o que houve na terra.
— Estás estranha, Euboea. Pude notar.
— Pallas, minha amiga, prometa-me que não vás contar isso para ninguém, muito menos Hippolyta.
— Claro, mas o que tanto esconde? — pergunta Pallas.
— Algo terrível aconteceu lá, perdi meu controle, destrui uma parte do lugar. E teria acabado com tudo se não fosse Donna me impedir.
— Como assim? Por que fizeste isso? — pergunta Pallas, assustada com o que acabara de ouvir.
—Não era eu, juro por Zeus.
— Então quem era Euboea?
— Era a magia, eu penso que aquilo poderia ser causada por magia.
— Não me digas que acha que isso foi causado por...
— Sim, ela mesma. Tenho quase certeza que é Circe.
O olhar de espanto de Pallas não era inesperado. Será que Euboea estava certa? Se sim, Donna teria graves problemas em mãos.
Fale com o autor