Notas iniciais
~~ n sei oq dizer aq então vou falar algo aleatório~ Batata Kawaii

Acordei, ainda me sentindo tonta. Surpreendi-me com um objeto que invadiu minha boca de repente. Era gelado e metálico e estalou, quando entrou em contato com meus dentes. Foi tirado da tal, mas o sabor doce que trazia consigo permaneceu. Tentei mastigar, mas era algum tipo de doce molenga, que dissolveu-se sobre meus dentes e agradou-me o paladar. Finalmente cocei os olhos e os abri, olhando para frente. O mesmo garoto de antes jazia a minha frente, com um prato pequeno em uma das mãos, com um pedaço de pudim nele servido, e na outra a colher com a qual me alimentava.

– Fico feliz que tenha acordado. — ouvi-o dizer, enquanto me espreguiçava. — Você passou tanto tempo naquele lugar, que pensei que nunca mais iria lhe ver.

– O que aconteceu? — minha voz soou fraca.

– Não se lembra? — rebateu, cerrando um pouco os olhos.

– Não.

– De nada?

– Bom.. A única coisa que lembro é meu nome.

– Não lembra.. De mim? — sua expressão parecia arrasada.

Olhei para cada canto de seu rosto, para o fundo de seus olhos, procurando qualquer vestígio de lembrança daquele estranho. Toquei um pouco seu rosto, com dificuldade por ainda sentir meus membros pesados.

– Desculpe... — balancei a cabeça em sentido negativo.

Ele abaixou a cabeça por um momento, depois voltando a me olhar. Colocou o prato sobre a cama onde eu estava deitada, chegou mais perto de mim e me surpreendeu ao pressionar seus lábios contra os meus. Sua boca tinha gosto de algo doce, não sabia se era por conta do pudim que houvera acabado de ingerir, ou se ele também teria comido algo açucarado. Nossas línguas dançavam ritmadas, me fazendo perder o fôlego vezes seguidas. Podia sentir, de algum modo, um certo sentimento vindo dele, não só pelo fato de o desconhecido ter me beijado.

Finalmente deixou os meus lábios, olhando-me com esperanças em seguida. Respirei pesadamente por algum tempo. Estava muito confusa com tudo que havia acontecido.

– O que foi isso? — empurrei-me contra os travesseiros em minhas costas. — Quem é você?

Finalmente desanimando, ele nada respondeu. Pegou o prato e saiu do quarto, batendo a porta um pouco forte demais. Toquei meus próprios lábios, assustada e sem entender o que estava acontecendo.

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Depois que meus membros pareceram normalizar, levantei da cama finalmente. Estava vestida apenas com uma camisa grande e folgada com a logo de algum super herói na frente. Aquilo me fazia pensar se aquele garoto houvera tido que me despir para vestir-me com aquela camisa, o que, com certeza, havia acontecido. Corei um pouco ao imaginar a cena, mas tentei deixar pra lá. Saí do quarto, abrindo a porta com cautela.

Percorri o corredor decorado com fotos e quadros bonitos em suas paredes cor de carmim, chegando então a sala de estar e avistando o garoto de cabelos azuis sentado. Assim que me ouviu, melhorou a postura e pediu que me aproximasse. Assim o fiz.

– Sabe, achei que nunca fosse te ver de cabelo solto. — riu-se.

– Eu.. Costumava usá-lo preso? — toquei minhas madeixas castanhas. — Quer dizer, esse não é o caso.

– Eu sei. — pareceu desconfortável. — Você quer respostas.

– Exato.

– Antes, me... Me desculpe pelo que fiz mais cedo. — corei — Eu não pensei que você realmente não lembrasse de mim.

– Sinto muito.

– Não sinta. — respirou fundo. — Primeiramente, Belle, você estava naquele hospital por ter tido um episódio de amnésia.

– Amnésia?

– Sim. Você havia batido a cabeça muito forte e acabou causando pequena falha, talvez permanente, no seu hipocampo.

– Então.. Eu nunca vou lembrar do que aconteceu comigo?

– Provavelmente, não.

Pausa.

– Quem é você? — indaguei.

– Eu sou Alec. Seu.. — hesitou. — Seu melhor amigo.

– Por que me beijou, mais cedo?

Vi-o corar.

– Porque pensei que talvez com um pouco mais de contato, você lembrasse de mim.

Desconfiei, mas não quis perguntar mais nada sobre aquilo.

– Por que fugimos do hospital?

– Fugir do hospital? — riu. — Ninguém fugiu do hospital. Deixaram você sair de lá, ontem.

– Mas eu vi você e... Tinham explosões — gaguejei confusa.

– Devem ter sido os medicamentos que lhe fizeram delirar.

Fechei minha boca, ponderando em tudo aquilo. Fazia tudo parecer mais confuso ainda, provocava-me dor de cabeça. Pus a mão na testa, massageando-a vagarosamente, como se isso fosse melhorar.

– Está se sentindo bem? — perguntou, preocupado.

– Sim. — respondi rápido. — Eu não quero voltar a dormir, eu só.. Preciso de ar fresco.

Me dirigi ao que aparentava ser uma varanda, mas fui surpreendida no meio do progresso por uma senhora. Era idosa, suas bochechas enrugadas eram rosadas e os cabelos brancos brilhavam ao toque da luz. Segurava uma assadeira de metal, com biscoitos cheirosos dispostos sobre a tal, usando luvas grossas e cor de rosa. Parecia ter saído de um livro infantil.

– Bom dia, querida. — sorriu. — Como está se sentindo?

– Estou bem, obrigada... Senhora.

– Ora, me chame de Cat. — riu. — É uma pena não lembrar de mim nem de meu filho, querida. Tivemos muitas memórias preciosas juntos.

– Eu sinto muito.

– Ora, não sinta! — voltou a sorrir. — Venha almoçar. Você também, Alec.

E virou as costas sem ao menos ouvir nossa resposta.

Olhei para o garoto, sorrindo de canto, vendo-o se dar por vencido, como se não tivesse escolha e levantando em seguida. Seguimos a mulher até a cozinha, onde o cheiro da comida fez minha barriga roncar instantaneamente. Minha saliva encheu as paredes de minha boca, como se me obrigasse a devorar tudo que via. Uma travessa com frango a algum molho que desconhecia repousava ao lado de uma salada colorida. Uma tigela de arroz quente próximo ao que parecia ser um pequeno recipiente com molho. Além disso, uma jarra, aparentemente, de suco de laranja. Tudo parecia muito apetitoso.

Alec puxou uma cadeira para mim, onde sentei e agradeci a gentileza.

Vi-os sentar e comecei a servir-me, ansiosa para satisfazer minha fome. Comi, tão voraz quanto um predador faminto por sua presa, percebendo que o sabor estava tão bom quanto o cheiro. Ao cessar a refeição, agradeci e me retirei da cozinha, realmente me dirigindo à varanda daquela vez.

Vi Alec e Cat se entreolharem rapidamente, depois assentindo e sorrindo.

Ao chegar a varanda, encostei-me na espécie de corrimão a minha frente. Tudo ali parecia tão caloroso e bom quanto a refeição que acabara de ter. Talvez até demais. Algo em mim gritava, arranhava-me internamente, com inquietude. Algo estava errado. Algo estava fora do lugar. Mas o que seria? Tentava forçar minha própria mente a lembrar do passado, porém isso só me causava dores de cabeça infernais. Respirei fundo, sentindo o cheiro da grama verde a minha frente.

Ao julgar pelas árvores e pelo clima, estávamos no outono. Talvez ao final de tal estação, pois a brisa que roçava meus braços era levemente gelada.

Fui surpreendida ao sentir um toque ameno nos ombros. Virei um pouco a cabeça para ver Alec, que sorria gentilmente para mim. Ele se aproximou e encostou-se na varanda, ao meu lado.

– A comida de Catherine é ótima, não é?

– Catherine? — fitei-o. — É o nome dela?

– Sim.

– E você chama sua mãe pelo nome? — estranhando a situação, levantei uma sobrancelha.

– Bem.. — pareceu desconfortável. — Ela não é bem minha mãe. Na verdade, ela costumava lhe considerar mais filha dela que eu.

– Isso... Não é um ato muito legal.

– É, você continua pensando desse jeito, mas tudo bem, eu não ligo.

Mesmo que houvesse dito aquilo, o pequeno tremelique em seus dedos o denunciavam para mim. Porém, como aquilo realmente não era um assunto confortável, mesmo para mim, resolvi cambiar o tema.

– Então.. — murmurei, incerta. — Quem exatamente era eu?

– Seu nome é Isabelle Burckhardt. — recitou como um grito de guerra reduzido, contido. Entonando com convicção o sobrenome de fonemas esquisitos. — Você é uma garota normal de dezoito anos, que tem um passado um pouco triste, mora nessa humilde casa em Estocolmo, Suécia, com seu melhor amigo, Alec Panofsky, e sua mãe adotiva, Catherine Panofsky.

– Eu moro com você? — exclamei. — Mas por que? Eunão tenho pais para quem voltar?

Sua expressão foi desgostosa.

– Seus pais morreram.

Notas finais
Reviews, por favor~ Até o próximo cap. o/
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.