Troublemaker
3 Capítulo III - Dia dos clubes
Notas iniciais
Daero High School
Um dia tinha-se passado desde a chegada de Miyuki Hirano à escola. Era dia do clube, todos os alunos tinham de escolher um no início do ano e frequentar pelo menos três vezes por semana. Como não sabia o que tinha de fazer, ou quais os clubes disponíveis, Miyuki decidiu ir até à sala do director falar com ele. Chegando lá bateu à porta e esperou que alguém a recebesse.
— Pode entrar. — Ouviu-se uma voz rouca por detrás da porta.
A rapariga encheu-se de confiança e entrou, cumprimentando o director com uma reverência. Não era um homem muito velho, mas também não era muito novo, aparentava ter cerca de uns cinquenta anos.
— Bom dia, Director... — Olhou para a identificação no seu casaco. — Netero. — Completou. — Supostamente teria de estar no meu clube agora, mas não tenho ainda nenhum.
— Bom dia menina Miyuki Hirano. Tem alguma hipótese?
— Na verdade já estive a pensar e não. Não sou boa com nada a não ser criar confusão, mas duvido que haja um clube assim.
— É. — Ergueu uma sobrancelha. — Na verdade não há nenhum assim. — Suspirou. — Os clubes mais famosos são o de literatura, robótica, basquetebol, artes e o de ciência. Algum deste lhe interessa?
— Não sei... — Miyuki pensou. — Literatura está fora de questão, ainda adormecia. Certamente que a Reina está lá. Robótica parece interessante. — Sorriu.
— Entendo, o clube do menino Ren. Muito bom. — Preparou-se para apontar.
— Não! — Gritou e o director olhou-a. — Peço desculpa... Esqueça robótica, é melhor. — Riu-se sem graça. — Não vou estar no clube daquele palerma. — Pensou. — Basquetebol seria uma piada, mal consigo correr direito. Artes seria interessante, além que o Shigeru comentou que está lá... Mas se o clube é artes envolve muita coisa e não sou boa a tudo. — Continuou a pensar. — Ciência acabaria com o resto da minha sanidade. — Despenteou-se um pouco. — Porque não existe um clube onde se come? Oh. — Finalizou o seu pensamento. — Já escolhi, Director Netero. Quero o clube de culinária, se houver.
— Oh sim. Muito bem. — Ele aponta. — Deve dirigir-se à sala 76.
Miyuki agradeceu e saiu da sala, indo procurar a sala 76. No meio do caminho encontrou o Ryuudai sensei.
— Sensei? Você é o meu anjo da guarda? Sempre aparece quando preciso de ajuda. — Falou-lhe inocentemente.
— Quê? — Corou e tapou-lhe a boca. — Não digas isso, alguém ainda te houve e causa um mal entendido. Que se passa agora? Não encontras a casa de banho?
— Nop. E eu não disse nada demais. — Olhou-o confusa. — Onde é a sala 76?
— 76? Oh, és do clube de culinária. Eu digo-te com uma condição.
— Qual? — Cruzou os braços e ergueu uma sobrancelha. — Sensei tarado.
— Não é nada disso! — Negou aflito e tossiu. — Quero que me dês o primeiro doce que fizeres.
— Só isso? Tudo bem. Leve-me lá, sensei. — Sorriu-lhe.
O professor suspirou e levou Miyuki até à sala 76 que fica muito perto do refeitório. Quando chegaram à frente da porta a rapariga acenou-lhe e entrou feliz. Não tinha nenhum aluno que conhecia, uns dois ou três eram da turma dela, mas não sabia nem sequer o nome deles. A professora chegou, tinha cerca de cinquenta anos e ficou a saber depois da apresentação que se chamava Mako Yawa, uma cozinheira famosa da televisão. A primeira tarefa dos membros do clube de culinária era fazer um bolo naquela semana, nesta aula iriam aprender tudo sobre bolos e na próxima iriam começar a fazer.
A hora dos clubes acabou e era hora da aula de japonês, todos foram para a sala, quando lá chegaram viram uma discussão entre Reina e Ren.
— Achas que por seres o melhor ele vai sair impune disto? — Falou-lhe Reina com repugnância.
— Não vou sair de nada, porque não entramos em nada. O que te faz parecer que foi o Nobuo eu que roubei a tua pen-drive? — Ren cruzou as pernas na sua cadeira e esperou resposta.
— Tudo. Ontem depois do teste deixei as minhas coisas em cima da mesa e todos saíram, todos menos o Nobuo. Quando voltei tinha desaparecido.
— Tás a dizer que sou um ladrão, miúdinha? — Levantou o rapaz ruivo, furioso.
— Olha como me diriges, rufia. — Reina enfrentou-o
Miyuki aproxima-se e mete-se no meio deles. Olhando para os três.
— Que se passa?
— Nada que te diga respeito. — Respondeu-lhe a outra rapariga.
— Ouve lá, segunda. — Ren aproximou-se de Reina e olhou-a. — Se ele diz que não foi ele, não foi ele. E vou provar a inocência dele mesmo que tenha de falar com o meu pai.
— Falar com o teu pai? — Ela riu-se. — Estás a levar isto mais a sério do que esperava. — Ela desvia o olhar para Nobuo, mas depois volta a presta atenção no Ren. — Porque faria isso por um amigo? Por mais próxima que seja nada te faria falar com o teu pai... a não ser... — Ela sorriu-lhe de lado. — Sempre achei estranha a tua amizade com ele. Vocês são só amigos? Ou há algo mais?
Ren riu-se e encurralou-a contra a parede, lançando-lhe um olhar ameaçador, mas logo volta a sorrir do jeito que só ele sabia.
— Isso é entre mim e ele, não te diz respeito. Queres provas que não foi ele? Muito bem. Eu vou-te arranja-las. — Ele preparou-se para sair, mas olhou-a. — Não é isso que vai tirar do primeiro lugar, melhor arranjares outra coisa. Afinal, quem nasceu para ficar em segundo, nunca ficará em primeiro. — Ele riu-se e saiu, sendo seguido pelo amigo.
Reina irritou-se profundamente e sentou-se no seu lugar, abrindo os cadernos e esperando a chegada do professor. Estava a tremer, mas logo voltou ao normal e começou a ficar mais calma.
— Vais ao fundo, Ren Chiba. — Ela pensou, furiosa — E sei exactamente o que fazer para isso acontecer.
O professor Ryuudai chegou na sala e começou a dar a aula. Miyuki não prestou muita atenção, estava mais curiosa sobre a discussão de à pouco. Quando a aula acabou todos saíram, então Miyuki decidiu ir para uma sala de repouso que situava-se no primeiro piso. Sentou-se numa cadeira e apoiou-se na mesa a pensar.
— Ren e Nobuo parecem bem chegados. Será o mesmo caso que eu e o Shigeru? Mas e se o que a Reina disse for verdade? Será que eles realmente... namoram? — Murmurou e suspirou. — Bem, até acho fofo, mas mesmo assim não me parece que eles tenham esses gostos. — Levantou-se e coçou a cabeça. É melhor ir para o dormitório.
Quando ela passou pelo corredor viu algo vermelho no chão e curvou-se. Curiosa tocou e aproximou a substância da sua cara para ver melhor. Arregalou os olhos, não queria acreditar no que aquilo era, cheirou e definitivamente chegou à conclusão que era sangue. Começou a ficar assustada e a perguntar-se o que fazia sangue ali, alguém tinha-se magoado numa queda? Ou será que teria sido algo pior? Apavorada ligou ao Shigeru, mas este não atendeu.
— O que faço agora? Será que conto à Reina? Não, é melhor não... Não sei o que fazer! — Ela encostou-se a uma parede, amedrontada.
Ela começou a ouvir passos, rapidamente morreu de medo e escondeu-se atrás de uma mesa que havia ali perto. Espreitou um pouco para ver se via alguém, quando focou mais a sua visão viu um rapaz de cabelos negros a andar em direcção ao refeitório.
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— Ren? — Pensou. — Não... não é ele.
O rapaz olhou para traz, mas como não viu nada, tirou uma caneta do seu bolso e continuou até ver a poça de sangue, olhando fixamente. Tirou um lenço do seu bolso e limpou tudo sem deixar vestígio. Guardou-o de volta e seguiu caminho para fora dali.
Miyuki foi a correr para o quarto e lavou as mãos, olhando-se no espelho. Tinha quase a certeza que o dono daquele sangue era aquele rapaz, ou pelo menos ele tinha algo relacionado com isso. Abanou a cabeça e deitou-se na cama, tentando dormir.
— Desculpa, pais... Acho que não vou conseguir cumprir a promessa. — Ela cobriu-se totalmente com o cobertor e encolheu-se.
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