Troublemaker
1 Prólogo - Desconhecido
Notas iniciais
Bem, espero que gostem o/
Minha cabeça já latejava há tempos e a claridade que adentrava o quarto contribuía para isso. O calor era desconfortável, mas eu realmente não estava disposta a sequer me mover e sair dali.
A enorme janela em frente a cama de casal deixava que a luz do sol viesse diretamente em nós.
Me virei de lado na cama e pude mais uma vez observar o rapaz ao meu lado. Sua pele branca era extremamente macia, os cabelos negros caiam sobre sua face enquanto seus olhos estavam fechados em um sono profundo. Seu peitoral, descoberto pelo lençol, ainda tinha marcas vermelhas da noite passada. A respiração era calma, o que me dava vontade de observá-lo pelo resto do dia. Mas também me dava vontade de acordá-lo. Pelo menos assim eu descobriria quem era ele.
Estou de parabéns dessa vez, eu me superei, dormi com um cara que eu nem sei ao menos o nome. Bem, talvez fosse melhor assim, evitava maiores aproximações e também futuros problemas.
Não quer dizer que por saber o nome dele eu ia querer casar. Tipo "Oi fulano, quer ser o pai dos meus filhos?". Não, nunca. Mas saber o nome dele, virar amiga dele, conviver com ele nas minhas noites de bebedeira significava a possibilidade de me apaixonar, e isso era cansativo, e sem graça e eu simplesmente...
Ah, eu odeio me apaixonar.
Tudo bem, nem era provável que isso também acontecesse com esse cara, afinal, foi apenas uma noite, nada mais. E enquanto eu pensava em não ter nada além dessa noite com ele, percebi que seus olhos já estavam abertos. Fiquei hipnotizada com aqueles orbes escuros, seu olhar era penetrante.
Assim dificulta tudo, eu tento dizer que nunca mais vou vê-lo e ele simplesmente consegue me fazer pensar o contrário com apenas um olhar. Então ele sorriu de canto, totalmente ciente do efeito que isso teve sobre mim. Droga.
- Bom dia.
- Bom... dia — Respondi ainda sem jeito, pois até a sua voz me fazia ter arrepios. Não me lembrava muito bem desse timbre rouco e totalmente sexy que ele tinha, apenas me lembrava dos seus gemidos altos de ontem.
Na verdade não me lembro de nada mais que não seja eu, o cara de cabelos negros e a cama dele batendo na parede. Somente sabia que tinha ido para uma festa com Ino e Gaara, depois disso, nada. Posso ter sido sedada, vendida como escrava sexual para o filho de algum mafioso e não saber.
O cara de cabelos negros se sentou na cama, de costas para mim. Os fios bagunçados e arrepiados estranhamente, davam um ar rebelde à toda aquela beldade, suas costas estavam arranhadas. Se levantou, pegou uma cueca box preta em cima de uma cadeira e saiu do quarto sem dizer nada.
Continuei deitada encarando o teto branco. Na verdade, tudo naquele quarto era branco demais, apenas os móveis eram de uma madeira bem escura, tudo estava em seu devido lugar. Parecia organizado demais para o quarto de um homem. Na verdade era bem mais organizado que o meu próprio quarto.
Depois de uns minutos resolvi levantar. Meu corpo doía em várias partes e minhas pernas estavam moles, fiquei parada por alguns instantes tentando evitar a tontura. Vesti uma camiseta masculina estampada com o logo de alguma banda hipster por aí, e prendi meu cabelo em um coque bagunçado, sem nem ao menos querer ver o estado trágico em que ele estava.
Ao sair do quarto, me deparei com um corredor — paredes também brancas, vale dizer — e fui recebida por um ar fresco que vinha de duas enormes janelas, nem me importei em olhar o lado de fora. Havia duas portas ao lado direito. No final do corredor avistei o que parecia ser a sala e fui até lá.
Os dois sofás que tinham naquele enorme espaço eram de couro preto e os móveis — assim como os do quarto — eram de madeira escura. Não havia nada de muito especial, nada de fotografias de família, livros ou revistas, e nem roupa havia espalhada ali. Apenas um enorme quadro de arte abstrata ficava na parede ao fundo.
Podia ser a casa de um homem, mas tudo era incrivelmente limpo e organizado, o piso claro era bem polido e a decoração era simples o bastante para se tornar bonita. Ou ele era super obcecado por organização ou tinha dinheiro o suficiente para pagar uma empregada. Ou a pior das hipoteses, ele tinha uma esposa ou namorada que morasse com ele.
Ótimo. Agora me passa pela cabeça que eu sou a amante. Talvez a esposa/namorada tenha viajado para a casa dos pais nesse feriado. Está lá com a família enquanto aqui, ele aproveita para ter noites depravadas com garotas que encontra em festas.
Enfim, parando de imaginar coisas desnecessárias.
Vi o cara de cabelos negros perto do fogão, o cheiro da comida era ótimo, o que fez minha barriga roncar.
A cozinha era de um tamanho perfeito. Não era grande demais e nem tão pequena. Chegando perto apenas me debruçei sobre um balcão de azuleijos pretos e esperei que ele dissesse algo, ou então pelo menos me percebesse ali.
- Com fome? — Ele perguntou de repente, sem nem ao menos olhar para mim.
- Sim. Na verdade, muita.
- Hn. Já terminei — Então desligou o fogo. Pegou dois pratos rasos em um ármario, depois mais algumas coisas na geladeira e pôs tudo no balcão. Sentamos nos dois bancos altos que tinham ali.
- Hm. Obrigado. — Nunca tive vergonha quanto a comida e eu estava com fome, não podia simplesmente esperar que ele preparasse seu café primeiro. Tenho intimidade para isso, com licença. Eu transei com ele. Coloquei leite em uma xícara e comi um pedaço de panqueca afogado na calda de chocolate. — Então, olha, eu realmente não lembro do seu nome.
- Sem nomes.
- Como?
- Foi nosso trato. Eu não saberia seu nome e você não saberia o meu. — Ele respondeu calmamente, enquanto eu fiquei o encarando. Ele tinha movimentos rápidos e bem coordenados, seu braço era musculoso e firme.
Nossa, estou pensando isso como se fosse algo extraordinário, mas por favor, ele só está cortando um pedaço de panqueca. Quando percebeu que eu ainda esperava uma resposta mais detalhada me explicou rapidamente.
- Nada além de uma noite. — Ele completou.
- Ah sim. Agora entendi. — Continuei a comer enquanto um silêncio se instalou no local. Nada além do ruído de talheres batendo contra a porcelana do prato. Isso já começava a me incomodar. — E, eu disse algo sobre não sabermos exatamente 'nada' um do outro?
- Na verdade, disse. Algo sobre "eu não quero de forma alguma me apaixonar por você futuramente. Nada de informações importantes, sem gentilezas desnecessárias e nem quero saber seu nome". Eu aceitei isso porque também só queria uma transa. Ver você dançando em cima da mesa, jogando seus cabelos rosas sedutoramente me deixou interessado. -A maior resposta que tinha saído dele até agora.
Fiquei pensando apenas na parte "você dançando em cima da mesa". Provavelmente Ino me largou lá, como uma criança rejeitada. Eu devia estar completamente bêbada, pois nunca faria algo assim no meu estado normal. Não mesmo. Já que o trato era não saber de detalhes um do outro, não havia assunto entre nós.
Ah não ser que eu pergunte se ele gosta de batatas. Batatas sempre é um ótimo assunto para conversar depois que você dorme com um cara. É tão interessante quanto, "E aí? Quando vamos nos ver de novo?". Hehe. Não, né.
Já eram duas da tarde quando terminamos nosso "café da manhã". Somos pessoas chiques. Por favor.
Continuamos em silêncio, sentados no mesmo lugar.
- Bem, acho que... Eu vou pra casa. — Disse depois de alguns minutos.
Me levantei e fui até o quarto buscar minhas roupas. Eu não encontrei minha calcinha, e nem lembro se eu realmente estava com uma antes de vir pra cá. Apenas vesti o short jeans e a camiseta branca, o tecido transparente realçava a cor vermelha do sutiã. Calçei o all star preto e peguei minha bolsa. Celular, dinheiro, documentos, preservativos e meu pacote de biscoito. Sim, eu sempre carrego comida dentro da bolsa. Nunca se sabe né.
Soltei o cabelo e as mechas cor de rosa caíram sobre meus ombros até a cintura. Sim, meu cabelo é rosa. Haha. Morram de inveja. Ou não. Acho que isso é uma completa irresponsabilidade pra quem faz faculdade de medicina, até porque não é nem um pouco normal você estar no hospital e "Olha, aquela médica tem o cabelo rosa. Quero ser atendido por ela!". Mas enfim, eu não vou mudar ele.
Caso eu não consiga ser médica legalmente, vou ter chances no mercado negro. Muito legal. E prático sabe? Certamente, eu seria presa se alguém escutasse isso. Depois acham que eu quero traficar órgãos de crianças chatas e irritantes.
Por isso e outros motivos, agradeço por ninguém ter a capacidade de ler meus pensamentos. Na verdade, eu sempre desconfio de alguém que possa ter esse poder. Geralmente, quando estou em lugares com muitas pessoas e de repente passa um cara bonito do meu lado, eu penso em tantas coisas inapropriadas, mas daí, eu paro e olho para os lados tentando pensar em algo diferente, como "Eu quero um unicórnio". Vai que alguém lê meus pensamentos, né?
Ao voltar pra sala, o cara de cabelos negros estava deitado no sofá. Quando me viu "arrumada" para ir embora, ele se levantou e me guiou até a porta. Assim que ele a abriu, uma senhora que saía do apartamento da frente com suas duas netinhas — ou sei lá — ficou completamente pasma e tampou os olhos das meninas. Saiu quase correndo dali. Só não foi correndo porque a idade avançada não permitiu.
Ele ainda estava apenas de cueca, mas não pareceu se importar com a reação da pobre senhora. No meu caso, não me importaria de me deparar com uma cena dessas sempre que saísse de casa.
- Er... Então, é isso. Foi bom passar a noite com você.
- Igualmente. — Ele mais uma vez deixou que seu sorriso de canto me seduzisse. Fiquei meio abobalhada e finalmente consegui dizer tchau.
Assim que saí do prédio, logo dei sinal para um táxi que se aproximava.
- 120 Cherry Street, Two Bridges. — Quando o carro começou a andar finalmente me localizei. Estava em alguma área perto do Central Park. Era a 5th Avenida.
Essa seria provavelmente a última vez que estaria por aqui, pois não queria a possibilidade de me encontrar com o cara de cabelos negros. Na verdade queria, mas seria melhor evitar isso.
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