Trouble Couple
3 Episódio 3 - Sob o Visco Celestial
Notas iniciais
Os nove céus era um lugar sempre ensolarado com uma brise matinal que fazia cin que o refrescante e agradável cheiro das flores corressem pelos palácios do Reino Celestial.
O agradável som dos pássaros trazia aos dias e noites igualmente iluminadas a áurea pacífica para a calmaria.
Mas, naquele dia, com a chegada dos eventos do Lorde dos Tesouros Divinos, as ruas brilhantes do reino estavam tomadas por risadas alegres e vozerios apressados dos convidados da Assembleia Real.
A distração do banquete de boas vindas era oferecida a todos, menos para Xuan Nu que mesmo sendo rainha de um importante reino não podia livrar-se do amargo título de traidora que levara desde a grande guerra entre Fantasmas e Celestiais.
Li Jing a havia aconselhado a não se expor, mas era extremamente tedioso ficar presa no palacete de hóspedes como se estivesse me prisão domiciliar.
— Alteza. — o Xamã curvou-se para ela. — Está na hora de medir seu pulso novamente.
A mulher estendeu o pulso esquerdo e fechou os olhos enquanto o Xamã do Reino Fantasma a examinava.
Ela sentia a dor pungente em seu ventre ficar cada vez mais forte a medida que o feto doente mantido com magia negra reagia à sua essencia celestial. No entanto, ela raramente se queixava, sobretudo para Li Jing.
Evitava demonstrar-lhe fragilidade porque temia que ele descobrisse a real condição de sua gestação, mas eventualmente, quando o agouro atingia o limite, ela sempre amenizava dizendo que eram nada mais que enjoos matinais.
E, naquela tarde, a dor era tão extenuante que a fizera desmaiar, no entanto, quando Li Jing finalmente voltou para o quarto, ela escondeu a dor atrás de um sorriso brilhante e contente por ver o marido novamente.
Era sempre um alívio te-lo por perto. Como um presente o qual ela esperava ansiosamente todos os dias.
— Majestade. — ela foi até ele, caminhando com dificuldade.
O Lorde Fantasma voltou-se para ela, mas não retribuiu o sorriso.
Li Jing ainda estava preocupado com o fato de não ter tido oportunidade para desculpar-se com o Lorde Celestial, entrementes, ele perturbava-se com a incrível semelhança entre a mortal Su Su com sua inesquecível A-Yin.
— Conseguiu se encontrar com o Lorde Celestial? — a rainha perguntou.
— Não. — respondeu ele, desanimado.
A esposa tentou consola-lo dizendo que certamente haveria uma ocasião propícia em breve.
— E, onde esteve o dia todo?
— Estive visitando aquela senhorita do outro dia. — respondeu Li Jing fazendo a esposa irritar-se imediatamente.
— Por que se preocupa tanto com ela? — questionou a mulher. — Majestade, você ouviu a consorte, ela é uma pessoa do príncipe herdeiro.
O Lorde Fantasma queria dar a conversa por encerrada porque temia estar prestes a brigar com a esposa novamente, quebrando seu auto acordo de ser tolerante com ela durante a gravidez, porém o ciume de Xuan Nu o sufocava, mas não era como se ele não desse a ela motivos para tanta desconfiança.
Ele sabia da fama de sedutor voraz que sustentava entre os deuses de todos os reinos.
— Eu só me sinto culpado porque foi meu Qilin quem a feriu. — o marido tentou amenizar a situação.
— Majestade, — Xuan Nu procurou a mão dele que dessa vez não a refutou. — não me entenda mal. Estou apenas preocupada que isso possa ofender o príncipe herdeiro e acabar implicando ainda mais o Reino Fantasma.
Li Jing sabia que no fundo a esposa tinha razão.
— Não tenho interesses com aquela mulher. — ele respondeu olhando para o horizonte. — Então, apenas esqueça. A Assembleia só começará em algumas horas. Vou te levar para dar um passeio.
Mediante ao gesto do marido, Xuan Nu sorriu. Seu coração estava tão feliz e aquecido que até se esqueceu da dor que sentira até ali.
***
— Onde vamos, majestade? — ela perguntou enquanto caminhavam pela brilhante rua que levava até os jardins.
— Há um lótus de inverno muito bonito. — respondeu Li Jing.
O Lótus de Inverno era uma flor de coloração azulada que fora dada de presente ao Lorde Celestial pela Tribo Fantasma como um selo para a paz depois da guerra em que Qing Cang fora derrotado.
A planta extremamente rara e bela, nativa dos lagos congelados das Terras do Ártico ficava graciosamente alojada em um poço particular dentro de um coreto de jade, cercado pela áurea fantasma que o mantinha vívido e viçoso.
Xuan Nu, ligava ao braço do marido admirava o pequeno artefato mágico de longe, encantada com sua beleza.
Aquela era a primeira vez que ela pisava nos jardins dos Nove Ceus.
Sua baixa posição no Clã das Raposas nunca lhe permitira muito mais do que os pequenos palacetes de Qing Qiu.
— É um lugar maravilhoso, majestade. — disse ela, sorrindo. — Obrigada por dedicar um tempo para mim.
Li Jing apenas sorriu.
— Você tem estado tão frágil por causa da gestação e tão isolada desde que chegamos que achei que seria bom para sua saúde respirar um pouco de ar fresco.
— Me sinto melhor de fato. — ela agradeceu.
Eles continuaram a caminhada, passando por lagos cheio de flores coloridas e terraços brilhantes. Eles se aproximavam de um especialmente interessante cuja energia os intrigava.
Foi quando ouviram uma voz os chamando de longe.
— Senhor Fantasma.
Li Jing e Xuan Nu olharam para a direção da voz e chegaram a uma criada do Reino Celestial que levava uma bandeja de frutas para algum lugar desconhecido estava apenas alguns metros deles.
— Algum problema? — Perguntou o Lorde Fantasma, temendo ter violado alguma regra local.
A criada fez uma breve reverencia e respondeu:
— A Rainha Fantasma está gestante, não é mesmo?
— O que isso te interessa? — Xuan Nu rebateu impetuosa.
A criada olhou para a rainha a sua frente e curvou-se em reverencia, depois respondeu educadamente:
— O terraço Zhaode não é um lugar auspicioso para uma mulher grávida. — alertou a criadinha.
Li Jing olhou para a esposa. Xuan Nu apenas baixou o olhar.
Embora não fosse uma pessoa do Reino Celestial, Xuan Nu conhecia da má fama do Terraço em questão .
Segundo os mais antigos, ali era um ambiente de sorte duvidosa.
A criada ainda estava parada a frente dos convidados.
— Obrigado por nos alertar. — agradeceu Li Jing. — Eu estava apenas mostrando o Lotus de Inverno a minha esposa.
A criada curvou-se educadamente e se retirou logo depois.
O Lorde Fantasma olhou novamente para o Lótus de Inverno e disse:
— Está tarde. Vamos voltar para o quarto.
Mas antes que ele se movesse, Xuan Nu segurou delicadamente a manga de suas vestes azuis, tão longas que arrastavam no chão.
— Majestade. — ela disse baixinho olhando diretamente para o marido. — O passeio está tão agradável além de que estou tão feliz que tenha tido um espaço em seu dia para dedicar-se a mim. Por favor, vamos ficar por mais algum tempo.
O Lorde Fanstama teria de comparecer a assembleia dentro de algumas horas e gostaria de se preparar antecipadamente, no entanto, Xuan Nu o olhava com olhos de quem realmente estava apreciando o momento.
Desde que chegaram ao Reino Celestial, ela havia sido confinada no salão de hóspedes como uma tentativa de preservar sua saúde e também de não ofender o celestiais com sua presença e aquela era a primeira vez que ela saíra do Reino Fantasma em setenta mil anos.
- Tudo bem. — disse o marido. — Vamos caminhar mais um pouco.
Xuan Nu não conseguiu esconder o sorriso.
De repente, uma rajada de vento frio soprou pelo caminho em que passavam fazendo com que a capa fina do vestido da Rainha esvoaçasse.
Xuan Nu, com os braços nus encolheu-se imediatamente, mas logo em seguida começou a caminhar, mas Li Jing a segurou pelo braço.
Ele então desabotoou sua própria capa densa e brilhante e colocou sobre os ombros dela.
— Majestade... — ela murmurou sem entender.
— Está frio. — respondeu o marido. — Não quero que fique ainda mais doente.
Ela não conseguia esconder o sorriso enquanto o marido involuntariamente tocava-lhe a pele do pescoço, e ele ao mesmo tempo, não podia deixar de sentir a pele macia da esposa sob seus dedos.
A ultima vez que ele se lembrava de te-la tocado fora na noite em que haviam concebido a criança que agora lutava para se estabelecer no ventre de Xuan Nu.
No entanto, sempre que o Lorde Fantasma voltava aquela noite, não era o rosto da esposa que vinha a sua mente, mas sim o de A-Yin, e Li Jing honestamente nunca entendera como poderia telas confundido dessa forma.
Li Jing sentiu a respiração ofegante da mulher enquanto ele abotoava-lhe a capa e percebeu que pela primeira vez em muito tempo ela voltara a emitir a leve cintilância de sua áurea imortal.
O homem então arrumou a gola da capa e eles voltaram a caminhada até que Xuan Nu parasse de repente.
- Algum problema?
— Veja, Majestade. — a mulher apontou para um ponto brilhante bem a frente.
Li Jing estreitou os olhos olhos para enxergá-lo.
— O que é aquilo? — perguntou ele.
Xuan Nu virou-se para o marido e respondeu sorridente.
— É um visco celestial. — ela voltou-se novamente para o visco — Diz a tradição do Reino Celestial que, ver um visco celestial atrai bons pressários.
O Lorde Fantasma não conhecia da cultura celestial, mas Xuan Nu sendo imortal havia lhe ensinado algumas coisas, mas nunca havia mencionado o visco.
Talvez por que ela mesma não se lembrava dele, afinal, viscos celestiais existem apenas nos nove céus, portanto, nunca havia visto um de perto.
— Interessante. — Li Jing sorriu.
— Não é maravilhoso que tenhamos visto um visco logo agora que seremos uma família completa? — Xuan Nu colocou as mãos sobre seu ventre.
— Certamente. — ele respondeu, embora não soubesse dizer se acreditava naquela tradição.
— Um visco celestial?
Uma voz irrompeu atrás do casal. Era Si Ming, o Lorde das Estrelas que caminhava rumo à recepção da Assembleia.
— Lorde Fantasma. — Si Ming curvou-se em reverencia, depois voltou-se para o visco — Diz a tradição que quando o visco celestial aparece, se um casal estiver abaixo dele, devem trocar um beijo para perpetuar o amor.
— O Reino Celestial possui muitas tradições interessantes. — respondeu o Lorde Fantasma, não dando muita atenção ao ponto brilhante no céu. O reino Fantasma não é tão rico em termos culturais.
O Lorde das Estrelas então se despediu deixando Xuan Nu e Li Jing sozinhos novamente enquanto o visco brilhava intensamente sobre suas cabeças.
— Quando eu era jovem e ainda sonhava em me casar, imaginava se um dia teria a oportunidade de ser beijada sob um visco. — Xuan Nu comentou olhando para o pontinho cintilante. — Na verdade, esse é o sonho de qualquer jovem imortal.
O Lorde Fantasma apenas escutava silenciosamente. Os dedos de Xuan Nu acariciando delicadamente sua mão. Ele por sua vez, se perguntava se A-Yin também teria tido esse sonho e imaginou a si mesmo beijando-a sob o visco. Quão feliz ele seria se seus pensamentos fossem verdade?
— Majestade. — ele ouviu a esposa o chamando delicadamente o trazendo de volta a realidade. As mãos dela, antes entrelaçadas nas dele, agora estavam tocando seu rosto, enquanto ela o olhava fixamente.
Xuan Nu discretamente foi se aproximando até que ela fechou os olhos esperando por um beijo, mas antes que ela o conseguisse, Li Jing a afastou.
— Não é apropriado. — disse ele.
— Por que? — ela quis saber.
— O Reino Celestial é muito conservador. — o Lorde Fantasma desconversou — Como seriamos vistos se fossemos pegos sendo imorais?
— Imorais? — ela suspirou indignada. — Majestade, como seriamos imorais? É apenas um beijo e além do mais, somos casados. Vamos até ter um filho.
A mulher voltou a segurar as mãos do marido, ficando cada vez mais perto dele, mas Li Jing sempre buscando afastá-la.
— Por favor. — ela pediu por fim. Seus olhos fixos nos dele.
Era apenas um beijo. Mas, Li Jing não ousaria considerar beijar a esposa, não com o fantasma de A-Yin a espreita.
— Vamos voltar para o quarto. — ele disse por fim.
Xuan Nu o soltou imediatamente, baixou o olhar tentando esconder sua frustração e a dor por ter lhe sido negado um beijo.
Até isso lhe era negado.
Ela se sentiu miserável. Pequena. A mais indigna entre as mulheres, mesmo assim, naquele dia ela não tinha disposição para brigar ou implorar.
Xuan Nu apenas se afastou, virou-se para o caminho contrário e começou a caminhar de volta para o quarto.
Entre um passo e outro, Li Jing conseguia ouvi-la suspirando e ele a viu limpar uma lágrima.
Ela havia dado apenas alguns passos quando de repente, subitamente sentiu-se puxada pelo braço, e antes que pudesse entender o que acontecera, o Lorde Fantasma tocou-lhe os lábios por breve segundos, esperando que aquilo fosse suficiente para livrar sua consciência, no entanto, quando ia afastar-se dela, viu sua expressão inebriada, os lábios vermelhos e quentes.
Quando ela abriu os olhos, o encarou, tão confusa quanto ele que naquele momento, a segurando firmemente em seus braços, sentia a estranha vontade de beijá-la novamente.
— Majestade, — Xuan Nu sussurrou, mas antes que pudesse completar a frase, fora calada com um novo beijo. Dessa vez, ardente, urgente e de certa forma, apaixonado.
Li Jing levou uma de suas mãos até o rosto dela, guiando o beijo, enquanto a outra repousava nas costas da esposa como se a estivesse segurando para que ela não fugisse.
Da mesma forma, Xuan Nu abraçou o marido pela cintura, levando suas mãos até o dorso onde o acariciava sob os longos cabelos negros e sedosos.
Enquanto o beijo acontecia, ambos estavam tomados por sentimentos muito distintos.
Li Jing, confuso pelo desejo repentino de proteger e tocar sua esposa. Se ele pudesse, certamente naquele momento, a tomaria nos braços, a levaria para o quarto onde na luz tênue e sem nenhuma plateia cumpriria o papel de marido o qual ele negligenciava há muito tempo.
Em contrapartida Xuan Nu, enquanto sentia os lábios quentes do marido só podia se lembrar das noites em que passaram juntos ao pé da Montanha Kunlun há setenta mil anos. Em como o toque de Li Jing ainda lhe era prazeroso, em como ela se sentia maravilhosamente feliz em estar em seus braços.
Naquele momento, era como ter voltado aos tempos onde os beijos de Li Jing eram frequentes e cheios de carinho, mas como num passe de mágica, toda a felicidade do momento se dissipara imediatamente após a dor em seu ventre a forçar se afastar dele.
A Rainha Fantasma pendeu para o lado, segurando firmemente o lugar onde seu filho doente lutava para livrar-se da essência imortal da mãe.
— Xuan Nu! — Li Jing a amparou imediatamente. — O que houve?
— Majestade. — ela murmurou dolorosamente. — Minha barriga doi muito.
— Vamos voltar para o quarto. — ele respondeu com urgência, em seguida, sem pestanejar, içou a mulher em seus braços e a passos largos e apressados, correu na direção do quarto de hóspedes.
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