Trouble.
6 Quer uma carona?
Notas iniciais
– Jared, pare com isso – disse minha mãe. Jared, um retardado como sempre, estava atirando pão com geléia para o gato feio e rabugento da vizinha que mais fica na minha casa do que própria casa da vizinha. – Se você envenenar o gato da Sra. Drew terá que dar outro a ela.
– EU só estou fazendo o que ELA não faz – falou ele irritado.
– Uma vez na vida eu vou concordar com esse acéfalo mãe, a vizinha realmente não alimenta o pobre coitado – disse a ela. Papai nos olhava por cima do jornal e preferia não falar nada.
– Ei, eu não sou acéfalo – disse Jared com a boca toda cheia de pão, enquanto escorria geléia pelo queixo.
– Sim você é, concordo de você dar comida ao gato, mas de dar pão com geléia ao pobre coitadinho não – dei de ombros e sai da para escovar os dentes e pegar a mochila.
Chequei meu celular e vi que continha uma mensagem de um numero desconhecido:
Passo ai para te buscar – D
Nem consegui raciocinar direito quando escutei barulhos de buzina.
– Lidia! Desce rápido – gritou minha mãe em algum lugar lá em baixo.
Eu ainda estava tentando procurar pelo meu cérebro que de repente havia ficado extremamente lento. Deve ser muito tempo compartilhando o mesmo ar que Blythe e Dylan, e olha que eu não fiquei nem dez segundos naquele corredor.
– Ô estranha, Dylan ta ai em baixo, desce logo – disse Jared. Me virei para olhar para ele, que estava na minha frente procurando decifrar a anomalia que era eu. – Lid, eu to falando com você.
– Oi? – serio mesmo que isso foi o que eu respondi?
– Você ta bem? – ele parecia preocupado.
– Uhum – balancei a cabeça positivamente.
– Hm, ok. Então lá para baixo – ele me guiou pelos ombros ate a sala. Para encontrar a cena mais deplorável de toda a minha vida.
Dylan, mamãe, papai e o gato da vizinha. Todos no sofá. Como se fossem uma família feliz. Posso vomitar?
– O que você esta fazendo aqui, com o gato da minha vizinha e com a minha caneca de leite? – perguntei semicerrando os olhos.
– Bom dia Lidia – respondeu ele sorrindo educadamente, quem vê pensa.
– Lidia, olha os modos com o rapaz – disse meu pai. Meu pai. Meu próprio pai defendendo Dylan McCallen, debaixo do meu teto. Um mero desconhecido para ele.
Limitei-me a revirar os olhos e sair de casa, mas a tempo de ouvir Dylan falando que eu era uma garota muito difícil de lidar. Resolvi ir andando, dane-se a carona McCallen, e dane-se também o ônibus escolar.
Andei um bom pedaço ate escutar buzinas, extremamente irritantes. E como se tivesse brotado do concreto, Dylan apareceu com seu carro extremamente de rico.
– Entra logo Evans – disse ele abaixando a janela.
– Não – continuei a andar, e ele a me seguir devagarzinho com o carro.
– Não tenho a manha toda para você Lidia – disse ele suspirando.
– Pois bem, pode ir – fiz sinal para ele ir embora, mas ele era relutante.
– Lidia, eu estou mandando você entrar nesse carro agora – disse ele.
– Me obrigue – acho que eu realmente não deveria ter dito isso. Ele parou o carro bruscamente me assustando. Saiu deixando a porta aberta e veio ate mim.
– Você tem mesmo que ser tão teimosa? Céus, eu só quero te dar um carona garota, será que é impossível ser gentil com você? – ele gritou.
– Você é realmente estúpido garoto! Eu não quero sua ajuda, não quero sua carona, não quero você perto de mim – rebati de volta.
Ele não respondeu de volta, apenas me pegou pela cintura e me enfiou dentro do carro, passando o cinto sobre mim, e batendo a porta logo após.
Ficamos alguns minutos sem nos falar, já que eu me recusava a abrir a boca, e ele estava bufando de raiva ao meu lado. Paramos no farol, e ainda continuávamos em absoluto silencio.
– Sabe, seus pais são realmente legais. – disse ele. Olhei para ele de soslaio e prestei atenção em cada detalhe nele. Desde os cabelos escuros, a pele clara, a jaqueta azul do time de futebol, a calça jeans, os pés com um tênis surrado. Os dedos batucavam nervosamente no volante.
– Eu sei – respondi.
– Queria ter uma família igual a sua – ele olhou para mim, e ergui uma sobrancelha.
– Mas você deve gostar da sua família – disse a ele.
– Não sei como me sinto exatamente – desabafou ele – Meus pais são separados, vivem em pé de guerra, minha irmã mora com meu pai e não mantém mais contanto comigo. Fico sozinho em casa o dia todo, vou pessimamente mal na escola, minha namorada me trai com um dos caras do time e acha que eu não sei, e ainda tem você no meio dessa confusão toda. E eu realmente não sei como eu devo me sentir em relação a você.
– E-em relação a mim? – gaguejei na hora de falar, droga, nunca fui boa com palavras.
– É, não sei se te odeio, se eu te desprezo, ou se eu deveria confiar em você. Acho que no momento eu estou com a terceira opção – o farol finalmente ficou verde e ele acelerou o carro. – Acabei de falar uma coisa legal, e você vai ficar ai com essa cara de idiota sem falar nada?
– O que eu deveria dizer? – aquele era um momento realmente constrangedor, e eu não tinha palavras. Primeiramente: ele havia acabado de falar que me despreza e me odeia tudo bem, ele não sabe realmente se sente isso, mas no fundo ele sente. Ótimo, eu nutro a mesma coisa por ele. Nunca gostei de gente burra mesmo. Segundamente: ele disse que confiava em mim. Porque diabos ele iria confiar em mim?
– Bom, nesse caso você poderia dizer que eu sou uma boa pessoa, e que você confia em mim também – respondeu ele.
– Mas eu não confio em você – disparei de volta.
– Confia sim, se não, não estaria aqui neste carro comigo – ele deu um sorrisinho vitorioso, porem não dessa vez.
– Eu não confio em você, simplesmente pelo fato de você ter me colocado a força dentro desse carro – cruzei os braços e mordi a bochecha por dentro. Esse garoto era realmente burro ou ele se fingia, acho que ele é burro mesmo.
– Hm, ok. Dessa vez você tem razão. – ele não parecia ter se dado por vencido, mas calou a boca ate chegarmos à escola e estacionarmos.
– Não vou agradecer porque eu não queria a carona, então tchau. – abri a porta do carro, mas ele me puxou de volta.
– Espera aqui, na hora da saída. Te levo pra casa – ele soltou meu braço lentamente e então percebi o quanto estávamos próximos, apenas alguns centímetros de distancia nos separavam.
Consegui murmurar um ok e finalmente sai do carro, com as pernas ainda bambas, deve ter sido por causa da velocidade horrenda que Dylan anda, é, é por isso.
*
– Garota do céu! Todo mundo está comentando o fato de você ter pego uma carona com o Dylan. – disse Taylor baixinho enquanto colocava a bandeja na mesa e se sentava conosco.
– É, até eu estou sabendo – comentou Ava.
– Não tenho culpa se ele me colocou a força no carro – dei de ombros e mordi os lábios.
– Como assim a força? – perguntou Taylor.
Contei toda a historia, desde o café da manha até o estacionamento, nos mínimos detalhes. Não sabia por que, mas confiava naquelas duas o suficientemente para dar todos os detalhes. Quer dizer, a Ava é minha amiga desde sempre, e a Taylor, bom, ela merece um voto de confiança. Depois que contei tudo a elas, as duas trocaram olhares nervosos entre si – algo que eu não entendi muito bem – e tiveram uma troca de palavras que ainda ecoam na minha cabeça:
– Ainda acho que essa historia tem muito que rolar – disse Ava
– Ô se tem, e como.
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