Trouble.
9 Que tal uma aposta?
Notas iniciais
Fazia umas duas semanas que o assunto no qual Taylor só sabia falar era sobre a festa que iria rolar em sua casa – leia-se mansão, já que a casa dela é enorme e de gente com grana – e depois de muita insistência dela, resolvi ir, mas só se Avallanah fosse. Como eu sabia que Ava odiava festas eu tinha total certeza que ela já tivesse recusado, mas não. Ela iria. E provavelmente com o intuito de ser percebida por Jared.
E agora, eis eu aqui. Sentada na cama de dossel de Taylor enquanto observo ela fazendo a pobre Ava de boneca que parecia estar gostando de todos aqueles cosméticos, cremes e brilhos que ela jogava nela. Porem, o mais surpreendente foi Ava ter soltado o cabelo. O cabelo castanho claro levemente ondulado que sempre ficava preso num coque firme, agora era uma cascata enorme que batia ate a cintura.
– Pronta para olhar no espelho para uma nova versão de Avallanah? – perguntou Taylor animada batendo palminhas.
– Sim – Taylor deu um sorriso confiante, e olhou para mim – Mas antes, me de a sua opinião Lid. – ela olhou para mim em busca de uma resposta.
– Sempre foi bonita, jogar um reboco na cara só deixou mais – dei um meio sorriso e ela então se virou para se olhar no espelho.
– MEU DEUS, ESSA SOU EU? – ela colocou a mão sob o peito espantada.
– Sim, é você. Agora é a vez de a Lidia ter o seu momento. – ela me puxou pelo braço, mas me desvencilhei.
– Não, não, não e não. Me recuso a passar massa corrida na cara, pelo amor de Deus. Já estou aqui, é suficiente. – tentei fugir, mas Taylor conseguiu me fazer ficar sentada na cadeira da tortura.
– Você vai ficar aqui, sem dar um pio e sem se mover.
– Ava, faz alguma coisa. – supliquei.
– Não Lid, você vai gostar.
– Ótima melhor amiga que eu fui arranjar – cruzei os braços e esperei pela tortura começar. E começou justo com uma pinça arrancando metade da minha sobrancelha, logo depois veio corretivo, base, pó, aquele trequinho que deixa os cílios duros, e aquele pó colorido que ela passa nas maças do rosto. Em seguida senti meu roupão sendo tirado, e eu ficando apenas com a minha calcinha e sutiã, enquanto Taylor jogava cremes e brilhos pelo meu corpo. Depois ela começou a mexer no meu cabelo – e ela o puxou diversas vezes – mas resolvi que não iria reclamar, já que Taylor provavelmente iria me mandar calar a boca.
– E o toque final – disse Taylor enquanto passava algo nos meus lábios – Pode olhar.
Girei a cadeira e me olhei no espelho, e uau! Eu estava estranha, diferente, mas ainda assim bonita. Com os cabelos soltos e cacheados levemente ate um pouco abaixo do peito, o rosto com uma maquiagem leve, sem sombra, e o que mais se destacava em mim: a boca com o batom vermelho.
– Lidia, você esta maravilhosa – disse Ava.
– Sem exageros, eu também estou me vendo. – retruquei.
– Lidia pelo amor de Deus, seja mais delicada – disse Taylor.
– Mais do que eu já sou? – fiz cara de ofendida e levei a mão ao peito.
– Sem exageros, também estamos vendo você – imitou ela. – Mas, agora, vamos trocar de roupa, temos que estar lindas hoje à noite.
– Momento tortura – Parte II – resmunguei fazendo Ava me dar um leve empurrão.
– Ora, vamos Lid, vai ser divertido – falou ela.
– Imagino.
Taylor nos direcionou para o closet dela, que na verdade parecia do tamanho do meu quarto juntamente com a minha cozinha.
– Sintam-se a vontade meninas. Escolham o que mais acharem apropriados – ela abriu os braços e deu um giro de 360°, toda animada com a festa.
Dei um boa olhada naquela montanha de roupas, e peguei a calça jeans mais básica e um regata branca.
– LIDIA ADELE EVANS – urrou alguém atrás de mim. Virei-me assustada e dei de cara com uma Avallanah bem séria.
– Pelo Anjo menina, não me assuste assim – coloquei a mão sob o peito e o senti totalmente descompassado.
– Não me assuste assim você. Nem pense que eu irei deixar você ir de jeans e regata nessa festa, não pense nisso por um segundo. – ela cruzou os braços e semicerrou os olhos.
– Mas a Taylor disse que era pra escolher o mais apropriado. – resmunguei.
– Taylor irá reformular a frase – disse ela aparecendo do nada – Eu e Ava iremos escolher para você uma roupa apropriada, e você irá usá-la sem reclamar – SENHOR! O que eu fiz para merecer isso?
– Vocês são péssimas melhores amigas, não pensem que eu não irei ter a minha vingança. – sentei no chão e esperei por as duas Marias escolherem a roupas que elas mais achavam apropriado para mim.
– Veste esse Lid – Ava me jogou um vestido, e eu o coloquei. Digamos, que ficou perfeito no meu corpo, valorizando nos lugares corretos. Era estampado, de alças finas, um pouco curto demais, não fazia meu estilo, já que deixava as duas coisas esqueleticamente brancas que eu chamo de perna à amostra.
– Se eu fosse lésbica eu te pegaria. Céus você é muito gostosa. – disse Taylor boquiaberta – Acho que iria ficar confusa em qual das duas eu pegaria primeiro.
– Se eu não gostasse do irmão da Lid, eu também pegaria vocês – disse Ava.
– Se eu não gostasse do... espera ai, eu não gosto de ninguém – falei.
– Mas e o Dylan? – perguntou Taylor
– Não gosto do Dylan, vocês sabem disso – falei.
– Tenho minhas duvidas, ainda acho que vocês vão se acertar – disse Ava
– Quieta Avallanah – repreendi minha amiga, que começou a rir.
– Vamos fazer uma aposta – disse Taylor.
– Não – falei
– Sim – disse Ava. Pelo Anjo, o que deu nessa menina para ficar cortando tudo o que eu digo?
– Duas contra uma, sinto muito Lid – disse Taylor com um sorriso macabro.
– Ta, o que você quer apostar?
– Que tal você se declarar para Dylan? – Avallanah só poderia estar com os hormônios à flor da pele.
– Assim não, tem que ser algo mais caliente – disse Taylor.
A morena ficou pensando por algum tempo, enquanto eu e a coisinha que eu chamo de amiga ficávamos a observa – lá.
– Já sei! Você vai levar o Dylan para o quarto de hospedes, jogar ele na cama e o beijar ate ele enxergar estrelas.
– Não. — retruquei
– Sim.
– Não.
– Eu já disse que não.
– AH Lid, vamos, qual é o problema em dar uns pegar em Dylan ein? – disse Avallanah
– Ok. Mas com uma condição. – disse a elas sorrindo diabolicamente.
– Qual? – perguntou Taylor.
– Ava vai ter que beijar o meu irmão.
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