Trouble.
3 Dangerous.
Notas iniciais
–... Os pais dele são bem gentis, e me trataram bem diferente do que o Brandon trata a gente, o pai dele diz que é porque ele anda com o Dylan e diz que ele é má influencia, mas eu acho que não, é malandragem dele mesmo – Ava tinha contado toda a conversa com os pais de McVey, e eu a minha, isso tudo enquanto comíamos o lanche que ela trouxe para nós.
– Para mim, os dois são apenas idiotas, que se acham, porque são bastante conhecidos, porque namoram as lideres de torcida mais gostosas e porque jogam futebol. – respondi a ela
– Também – disse ela, e rimos, pois era engraçado falar mal deles.
Quando o sinal tocou subimos a escada e nos deparamos com o casal Brandon e Taylor, uma das lideres de torcida. Ela era realmente bonita, alta, morena, e de olhos bem escuros, uma coisa que eu acho bem diferenciado, já que os meus são azuis, porem não são legais. E ela usava salto na escola, ou era retardada ou era retardada mesmo, porque ninguém usa salto na escola – e ela consegue ficar bonita – resumindo, ela parecia uma amazona. Íamos passar rápido, para não atrapalhar, mas Taylor resolveu falar conosco. Sim, isso mesmo.
– Ei meninas – ela veio correndo atrás de nós, e Brandon veio atrás sossegadamente com as mãos nos bolsos.
– Quié? – perguntei querendo logo de cara cortar o assunto com aquelazinha.
– Lidia – Avallanah chamou minha atenção. – Desculpe o jeito de Lidia. – falou ela sem graça.
– Tudo bem, não tem problema – a menina ria sempre, parecia que a boca era costurada de tanto sorrir. — Qual de vocês vai dar aula para o Bran?
Ava levantou o braço prontamente, e Taylor deu um pulinho de felicidade. Menina estranha.
– Posso pedir um favor? – Brandon ao lado dela apenas erguia uma sobrancelha.
– O que estiver ao meu alcance – olhei feio para ela, pois esse era o grande problema de Ava, não conseguir dizer não.
– Você também pode me ajudar a estudar? Eu sou péssima em historia e álgebra. – ela suspirou e deu um sorrisinho.
– Posso, já que eu vou ajudar Brandon mesmo – Ava deu de ombros e de presente ganhou um abraço de Taylor, mas acho que ela ficou assustada e nem conseguiu retribuí-lo.
– Obrigada mil vezes – ela piscou e sorriu de novo, e depois foi embora com o namorado.
– Estranha ela – comentei enquanto andávamos e observávamos ela andar.
– Não mais que a gente Lid – resmungou ela ao meu lado.
– Nós não somos estranhas, somos apenas diferentes – falei a ela, que se limitou a virar os olhos pelas orbitas.
Continuamos a andar até nos depararmos com Dylan e sua turminha de amigos mais tapados que ele, céus, eu não agüentava mais ver a cara desse garoto, mas só de pensar nas notas a mais que eu iria ganhar, pensava em fazer algum esforço.
– Lid – chamou Ava.
– Fala – continuei andando distraidamente ate trombar em algo, na verdade era alguém. Esse alguém era Blythe Jones, porem quando se trata dela, para mim é apenas um troço no meio do caminho mesmo.
– Você não olha por onde anda não estranha? – disse ela com aquela voz estridente.
– Olho, pelo visto você não – respondi amarga.
– Vou dizer uma coisa pra você... – ela ia dizer, quando Dylan apareceu ao lado dela e ela se calou.
– Acontecendo algo? – perguntou ele. Blythe deu um sorrisinho e o abraçou de lado.
– Não amor, estamos apenas conversando – respondeu ela docemente, que cretina.
– Hm, percebi. Vamos? – ele fingiu acreditar e não questionou.
– Pode ir, hoje eu não vou – ela deu um beijinho rápido nele, que se distanciou rapidamente, quando ele estava longe o suficiente, ela fechou a cara. Onde estava o sorriso simpático de antes?
– O que você quer Blythe? – Ava perguntou. Céus, um milagre acontecendo, Avallanah debatendo com alguém.
– Quero deixar uma coisa muito clara para você – ela apontou o dedo para mim, e percebi que não tinha uma verruga na ponta igual ao da nossa querida – nem tanto – diretora.
– Para mim? – perguntei ainda olhando o dedo dela.
– Sim. Eu sei que você vai dar aulas para o meu namorado – ela deu uma ênfase básica no meu, que nojenta, como se eu quisesse Dylan McCallen como ‘’meu’’ – porém, eu quero distancia entre vocês dois, entendido?
– O que você quer dizer com distancia? Como se eu quisesse dar aulas para ele, só estou fazendo isso porque sou uma pessoa caridosa. – respondi sarcasticamente.
– Quero dizer, que se você se aproximar mais do que deve, você não vai gostar do resultado – ela sorriu docemente, como se não tivesse acontecido nada.
– Você está me ameaçando Jones? – perguntei erguendo uma das sobrancelhas.
– Avisando apenas Evans, avisando. – ela virou as costas e saiu rebolando, enquanto atraia olhares por onde passava.
Suspirei pesadamente, e olhei para Ava que me observava.
– Que foi? – perguntei retomando a minha caminhada para fora do colégio.
– Ela nunca superou o que você fez – disse Ava dando um risinho.
Blythe Jones sempre foi uma vaca, desde pequena ela era um limão estragado, chantageava as outras crianças em parquinhos para darem o lugar para ela, quebrava bonecas das meninas, e até rasgou o trabalho de uma menina uma vez, porque achou que ela estava dando em cima de Dylan.
O fato era que, um dia, quando éramos pequenas, nossos pais, que são conhecidos, resolveram fazer uma festinha, e fomos ate a casa dos Jones. Chegando lá, Blythe quebrou a minha boneca, e para me vingar dela, eu quebrei toda a casinha de bonecas que ela tanto amava, joguei tudo escada a baixo, e a culpa ainda ficou para ela. Ela me odeia desde então, e eu também.
Outra vez, quando éramos um pouco maior já, ela derrubou refrigerante no meu livro, e eu tive que comprar um novo para dar a biblioteca, já que era emprestado, nunca consegui me vingar direito depois dessa.
– É, acho que ela nunca vai superar. Que tal você fazer uma planta de uma casa de bonecas enorme e construir para ela quando você virar arquiteta? – falei a Ava.
– Acho que ela não merece – respondeu ela rindo.
– Acho que não mesmo – ri junto com ela.
– Lidia – alguém me chamou. Olhei para trás e vi Jared correndo atrás de mim. Os olhinhos de Avallanah brilharam quando viram ele se aproximando. Sim, se você esta pensando nisso, a resposta é sim.
– Quié? – perguntei
– Vou para a casa do Dylan depois do treino, tudo bem você voltar sozinha? – perguntou ele
– Tudo, sem problemas – respondi dando de ombros.
– Ok, cuidado na rua – ele deu um tapinha na minha cabeça, e piscou para Ava que ficou verde de vergonha.
Ele se afastou rapidamente indo em direção de Dylan e os amigos acéfalos, e por uns instantes, nossos olharem se encontraram e se prenderam. O mais difícil, foi saber que eu não conseguia desviar os olhos dele.
– Acho que você realmente gosta do perigo – comentou Avallanah.
– Pior que eu gosto.
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