Trouble

12 Capítulo #10: Fevereiro de 2010


As visitas de Maria se tornaram cada vez mais frequentes e inesperadas, o que obrigava Annabelle a passar todos os dias no quarto, por precaução.

— Vocês vão se mudar. — Maria disse sorrindo e adentrando a casa.

— O que? — Perguntei surpresa.

— Este lugar está ficando muito suspeito. Você não sabe das coisas, não sai de casa... — Ela deslizou seus dedos em meu rosto, e em seguida seus lábios pressionaram nos meus. — Mas eu estou sempre de olho nas noticias, nas pessoas... — Ela se afastou, abrindo a porta do quarto de Annabelle. — E aquela sua amiga, a Margaret, ela não está fora dessa lista. — Maria falava comigo, mas seus olhos estavam em Annabelle, que pelo horário, estava dormindo. — Você não contou nada a ela, contou?

— Não... — Sussurrei.

— Ótimo. — O sorriso de Maria cresceu. Ela me observou por alguns segundos e se dirigiu para o meu quarto, voltando logo em seguida. — Esqueci que não tinha quase nada aqui... De qualquer forma, não precisa levar nada, deixe tudo para trás, compraremos outras coisas. — Ela andava até a porta. — Acorde a Bela Adormecida. Estamos de saída. Vocês têm quinze minutos.

Depois de acordar Annabelle e explicar-lhe sem muitos detalhes o que estava acontecendo, ela se levantou, tomou um banho. Nós mantínhamos a maior distância possível quando Maria estava em casa. Era como nos primeiros dias em que eu sequestrei Annabelle. Ela me tratava com frieza.

Antes de sairmos daquela casa, Maria m disse que Annabelle deveria usar óculos escuros que ela trouxera, somente para o caso de alguém estar andando por ali; ela trouxe também uma peruca de uma cor totalmente diferente da cor do cabelo de Annabelle. Depois de caracterizada, Annabelle foi rapidamente para a mesma minivan na qual Marcos me trouxe para cá.

— Pode parar. Você vai comigo. — Maria disse quando andei até a minivan.

— Por que?

— Porque eu quero que você vá comigo. Deixe Marcos cuidar de sua princesa. — Suspirei alto, mas por fim apenas balancei a cabeça, aceitando tudo aquilo.

— Me deixe falar com ela...

— Ela mal fala com você. Ela te odeia, lembra? Para que quer falar com ela? Deixe-a apenas te odiar em Paz.

— Quero falar com ela! — Disse num tom mais alto. O que me rendeu mais dos dos vários tapas que Maria me dava frequentemente.

— Não fale nesse tom comigo. — Ela disse como uma mãe fala com sua filha. — Você tem um minuto.

Andei até a parte traseira do automóvel. Abri a porta com um pouco de dificuldade.

— Por que vamos mudar? — Annabelle sussurrou.

— Já te expliquei. — Suspirei. — Você irá com Marcos.

— E quanto a você? — O desespero era notável na voz de Annabelle. — Vou ficar sozinha com ele?

— Eu vou com Maria. Você vai ficar bem, eu a farei prometer isso. — Quando Annabelle ia responder, senti duas mãos me tirarem do chão, e apenas vi as portas serem fechadas em minha frente.

— Seu tempo acabou, Mel.- Maria disse.

— Me prometa que ela ficará bem com Marcos. — Disse rapidamente.

— Não está confiando em Marcos. — Ela fez-se de ofendida levando uma das mãos até o colo de seus seios.

— Apenas prometa, Maria. — Ela ia falar algo, mas eu continuei. — Você me tem em suas mãos. Apenas deixe-a a salvo. — Vi um sorriso aparecer nos lábios de Maria.

— Tudo bem. — Maria disse, em seguida desviou seu olhar de mim, e olhou para Marcos que estava atrás de mim. — Cuide bem de Annabelle, não faça nada contra ela.

– — Mas, Maria... — Marcos ia dizer algo, quando Maria fez um pequeno som a garganta. — Certo.