Troca de Esposas
6 Quarto Dia
Notas iniciais
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Sesshoumaru dirigia enquanto Kagome falava alegremente
— Só estou dizendo que pode ser uma boa coisa ir nesse parque de diversões
— Rin está em casa de castigo pelo que fez no colégio, qual o sentido em ir num parque nessa situação?
— Às vezes o mau comportamento tem outros motivos por trás, às vezes punir não é a resposta.
— Eu sou advogado. Quer mesmo me ensinar algo sobre punição e mau comportamento?
— Rin se comportou bem e se divertiu com o dia na cozinha ontem. Momentos assim não valem a pena?
Ele não queria admitir, mas ela estava certa e à tarde que passaram juntos foi melhor do que imaginou.
Flashback
Rin rasgava alface para salada, Kagome cuidava da massa e ele mexia o molho.
— Deixe-me ver se está no ponto – Kagome se aproximou para verificar o molho
As mãos de Kagome estavam remexendo a massa, então para ajuda-la ele levou a colher do molho a boca dela. Ele soprou um pouco tentando dissipar o calor antes de lhe servir.
Ela provou e em seguida ergueu os olhos brilhantes para ele com um sorriso
— Está delicioso, quem diria que o poderoso chefão conhecia alguns truques
O olhar deles congelou por um momento enquanto se encaravam. Por um segundo tudo parecia estático. Para logo em seguida um barulho de queimado tira-los do transe. Sesshoumaru fechou o fogo do molho dando por finalizado sua tarefa.
Fim do flashback
— Você tem filhos?
Ele surpreendeu a ambos perguntando sobre a vida dela. Era a primeira vez que ele se interessava por algo, geralmente ela quem fazia os interrogatórios.
— Não... eu sofri um aborto há pouco mais de um ano. Acho que não era o momento
— Sinto muito
— Tudo bem... O restaurante já toma bastante tempo e com esse programa seria complicado
— Queria tanto assim participar disso?
— Na verdade não.. mas sabe, no final há um prêmio em dinheiro e gastaria de investir num bom curso de gastronomia. Por que entraram no programa? Não acredito que tenha sido pelo dinheiro
— Kagura tem esse sonho de alcançar o estrelato, então ela e o agente dela...
— O Jakotsu
— Isso. Acharam que seria uma boa oportunidade para ela ficar conhecida
De repente a conversa de Jakotsu sobre "oportunidade" se encaixava bem naquele cenário
— Você é um bom marido por apoiar o sonho dela
Ele não respondeu nada e o silêncio se instaurou no ambiente
— Esse programa é meio curioso, Miroku apenas nos joga nos lugares e ficamos por nós mesmos. Imagino como vai conseguir material nos seguindo apenas pela rua
— Eles têm câmeras no apartamento – respondeu casualmente
— O quê? – Kagome disse com voz esganiçada
— Eles têm câmeras em casa para pegar os momentos mais oportunos e pôr no programa. Todos os cantos exceto quartos e banheiro.
— Você sabia disso? – ela disse com olhos arregalados
Ele olhou para ela como se tivesse crescido um terceiro chifre na testa
— Estava em contrato. Tudo ficou acertado em contrato.
De repente uma cena dela pulando nos sofás da sala monocromática com Rin passou por sua mente. Eles não colocariam isso no ar, colocariam?
— Tudo deve estar em contrato para ser exibido – continuou Sesshoumaru alheio ao acontecimento vergonhoso em sua sala – se houver algo fora do imprevisto, como a minha mãe, deve ser acrescentado.
— Então eles não podem exibir Izayoi?
— Oh, Podem. Ela ficou mais do que satisfeita em assinar a autorização
Era uma semana perfeitamente planejada. Ele receberia uma esposa, a acomodaria, faria o acertado com a produção, se despediria da tal mulher após os dias combinados, Rin e sua família, com sorte, nem ouviriam falar do tal programa e ele teria o que desejava. Mas como descobriu assim que abriu a porta naquele dia que Kagome entrou em sua vida; nada seria como planejado...
Houston – Texas
Kagura estava encostada na varanda da casa, admirava o céu estrelado, era um bonito céu... iluminado por estrelas e não pelas luzes incandescentes como ocorre na Times Square... Sim, era um local bem diferente de seu habitual, mas de certa forma... tinha seu charme.
Seu habitual... Se Jakotsu a visse naquele ambiente, servindo mesas, tentando cozinhar... oh céus... que tudo aquilo valesse a pena.
— Kagura?
Ela se virou cortando a linha de pensamento, dando de cara com Bankotsu e duas taças de vinho. Ele ofereceu uma a ela. Ela olhou brevemente para a taça pensando se teria chance de ser um chardonnay... não, com certeza não, mas dane-se. Um pouco de álcool faria bem.
— Você fez um grande alvoroço lá embaixo, Kagura
— Sua família não se agradou muito... – disse dando um gole no vinho
— Não ligue para eles, são muito presos ao passado. Você é uma mulher de muitas habilidades. O que fez aqui foi impressionante.
— As vezes as pessoas me menosprezam, pensam que sou apenas fútil... É bom ser reconhecida vez ou outra.
Ela olhou para os olhos sedutores do homem, era bonito, mas um pouco simplório para seu gosto.
— Sabe, eu gostaria de fazer algo assim, trazer ao restaurante um ar mais moderno, mais vivo... como você fez! Você é uma mulher de visão e essas pessoas não a conhecem de verdade.
— Fale-me de sua esposa
— Kagome? Ela é uma mulher de bem com a vida, alegre, consegue trazer todos para seu redor e só está satisfeita com todo mundo em volta de uma grande festa
Kagura deixou escapar um sorriso
— Ela deve estar sendo um pesadelo para Sesshoumaru, ele gosta de estar no canto dele, resolver os assuntos e definitivamente não suporta que invadam seu espaço pessoal
— Têm filhos?
— Tenho uma enteada, mas ela passa mais tempo no internato que em casa, não nos damos tão bem. Foi um dos pontos acordados com Miroku, que a casa que me recebesse não tivesse crianças.
— Não gosta de crianças?
— Sesshoumaru quer mais um filho, meu cunhado tem três, mas sei lá... não é muito compatível com os meus planos... – o olhar de Kagura ficou distante
— Imagino que complique um pouco na carreira de uma modelo em ascensão
O olhar taciturno de Bankotsu atraiu a atenção de Kagura e depois de uma longa golada de vinho ela respondeu;
— Sim, você está certo... eu não sou nenhuma modelo de renome, meu agente deu a sugestão desse programa como forma de alavancar minha carreira. Então convenci Sesshoumaru a participar
— Deve ter sido uma grande barganha para convencê-lo. Logo vi que uma mulher que se veste tão bem quanto você não seria atraída por um mero prêmio de vinte mil
— Ele quer um filho, então... sei lá, começar uma família, imagino que ele deve pensar que isso me aproxime mais de minha enteado, sei lá, talvez vire uma conexão entre nós.
— E isso te preocupa?
— O que quer fazer com o dinheiro?
Ela cruzou os braços e encostou-se na sacada da varanda. Sua postura “fechada” deu a clara mensagem; eis o meu limite na conversa. Bankotsu respeitava isso, havia muitos mistérios envolvendo aquela mulher.
— Exatamente o que fez. Quero trazer modernidade ao restaurante, fazer isso crescer, talvez abrir uma filial..
— E é o que sua esposa quer?
— Ela tem o desejo bobo de fazer algum curso de culinária e tal... seria uma ajuda, é verdade, mas isso não é minha prioridade no momento
Kagura elevou a taça, girando o liquido, admirando o como se fosse a coisa mais interessante do planeta
— E imagino que está tão interessado em me contar esse detalhes porque a “nova esposa” quem escolhe o destino do dinheiro para a família. Isso não vai criar discórdia no feliz casal?
— Você é inteligente Kagura, mas está fazendo o mesmo que eu. Agindo pelos próprios interesses aos desejos do outro
Kagura parou de brincar com a taça e desviou o olhar para o moreno a sua frente. Ele bebeu todo o liquido e partiu deixando-a só com seus pensamentos.
Manhattan – Nova York
Eles chegaram ao supermercado
— Diga de novo, por que estamos aqui se eu já pago alguém para fazer isso?
— Porque precisamos de mantimentos e vai ser muito mais divertido assim.
Ele andava com as mãos nos bolsos e olhar aborrecido, ao lado de Kagome que empurrava o carrinho alegremente.
— O que quer fosse, Kaede não se incomodaria em vir.
— Mesmo a-ALI!
Ele parou de repente surpreso por Kagome correr para sessão de frios procurando algo. Quando ela foi pegar uma mulher puxou de repente o que ela queria.
— EU vi primeiro
— E eu o peguei. É assim que funciona!
— Não, mas você não entende, eu preciso disso!
— E eu também preciso. – rebateu a mulher mais velha puxando o pacote contra o peito
Kagome começava a ter uma cara de desolação. Sesshoumaru decidiu intervir
— Com licença
— O salmão é meu e nada do que diga vai mudar isso – disse olhando agressivamente para o advogado
— De modo algum. Só gostaria de saber o que acha de sua imagem sendo transmitida pela televisão numa atitude tão desleal e mesquinha
— Ah? Como? Do quê está... – mas antes que pudesse concluir a frase Sesshoumaru continuou
— A senhorita aqui está sendo seguida por câmeras para um programa, vim avisar pois a Sra pode não gostar de aparecer desavisadamente numa situação tão... indelicada
A mulher engoliu as palavras e de mal gosto entregou o salmão a Kagome partindo dali
— Achei que tivesse dito que eles não poderiam usar imagem indevidamente
— E não podem
— Mas você disse...
— Ela não sabe disso – Kagome ficou atônita com o feito do advogado – Vamos, pois tenho a impressão que você ainda vai me manter aqui por muito tempo
Ele disse pondo as mãos de volta nos bolsos, enquanto Kagome ainda estava sem palavras
— O-obrigada
Ela o olhou com um brilho de admiração que o aqueceu por dentro.
Eles voltaram para casa repletos de sacolas com uma Kagome feliz e animada.
— Vamos Sesshoumaru, vai ser divertido.
— Eu já disse, ela está de castigo. Qual o seu conceito de castigo?
Kagome abriu a porta e qual foi a surpresa de ambos ao se deparar com Jakotsu sentado na sala de estar comendo biscoitos. Ele usava um terno de azul berrante e calças no mesmo tom, uma echarpe fúcsia completava o visual.
— Enfim chegaram.
— Jakotsu?!
— Olá minha diva! – ele deu dois beijinhos nas bochechas dela – e você, como sempre um colírio para os olhos
O “elogio” de Jakotsu foi respondido com um rolar de olhos do advogado.
— O que quer aqui?
— Dar uma estupenda notícia! Kagome, foi tão bem no ensaio fotográfico que conseguiu um contrato! Um cliente adorou e está interessado numa campanha para novos alimentos gourmet!
— Oh, Jakotsu, eu agradeço de verdade, mas eu só vou ficar aqui mais dois dias, em breve eu volto pra casa.
Sesshoumaru olhou por um momento para Kagome. Sim, a semana passou tão depressa que ele quase esquecera que estava acabando, não havia senhorita, apenas uma senhora que em breve voltaria para o marido. Ele pegou a sacola que ela carregava e foi para a cozinha guardar as compras. Os três aventais estavam presos nos ganchos de parede, ao vê-los não evitou o pensamento de como as coisas haviam mudado.
Ele, Sesshoumaru Taisho fazendo compras e negociando um pedaço de salmão! Claro, era seu prato preferido, mas era algo fora de sua realidade ter tanto trabalho por algo tão trivial. Ele voltou a sala de estar observando Kagome sentada com Jakotsu comendo os mesmos biscoitos
— Rin está na cidade? – Jakotsu disse observando uma mochila vinho com uma coroa bordada escondida no canto da sala
— Viu, mais um motivo para ela ter divertimento. Deixando as coisas jogadas por ai – ele disse como se favorecesse seu ponto de vista
— Tem toda razão, Sesshoumaru! Meu pai também foi bem rígido comigo, estude, se comporte, ande na linha, trace seus objetivos e lute por eles. E olhe só como me dei bem!
Ele disse fazendo uma pose exagerada abrindo os braços alegremente. Sesshoumaru se inclinou levemente para Kagome.
— Que horas abre o parque?
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