Trivialmente Incomum.
1 Prólogo
Notas iniciais
Se tiverem alguma dúvida avisem (sou de Portugal por isso pode haver algumas diferenças entre certas palavras e até mesmo a nível gramatical, por isso não hesitem em perguntar) :)!
“I´m scared that you won’t be waiting on the other side…”
10/05/2015
Senti o resto de bebida descer pela minha garganta e embater no meu estomago como pedra. Aquela seria a garrafa número três? Quatro? Há muito que tinha perdido a conta e a noção do tipo de álcool que no momento ingeria, apenas sabia que aquela tinha sido a última…
Dei outra tragada no cigarro e soltei um riso nasalado. O único pensamento que tive foi o de quando me terei tornado tão deprimente. Eu sabia a resposta, apenas não a iria admitir, não agora, não neste momento, não após três ou quatro ou sabe Deus quantas garrafas do que quer que fosse que o ajudante daquela loja imunda me vendeu, não depois de ela me ter deixado.
O meu escritório estava um zona, papéis, vidros partidos, garrafas vazias, livros abertos em páginas aleatórias, e provavelmente o resto da pouca sanidade que me restava estavam espalhados naquele lugar.
- Quando me terei tornado tão deprimente! – Desabafei, mas desta vez sem ninguém para me ouvir.
Sempre achei ridícula a ideia de entupir de álcool o cérebro por causa do término de uma relação, e aqui estou eu o hipócrita a fazer justamente o que nunca pensei fazer. Ah, mas não terá sido a minha vida justamente isso? Uma grande hipocrisia? Sim, sempre o foi.
Levantei-me e fui cambaleando pela sala até chegar ao aparelho de som e dar replay, mais uma vez a voz de Lana Del Rey enchia a sala. Ah, Lana um dia gostaria de entender o porque de tamanho interesse por uma alma tão atormentada! Será por partilharem o primeiro nome?
Minha doce Lana… O que me dói mais foi nem ter tido um adeus teu. Porque me envolveste na tua vida e me largas do nada?
Não, eu sei que não eras capaz disso. A tua frontalidade não te deixaria partir sem no mínimo uma última “troca de palavras em tom mais elevado” (como lhe gostavas de chamar) onde terias a última palavra, só porque teimavas que sim.
As memórias são uma coisa perigosa minha querida, destroem com a mesma facilidade com que arrancavas um sorriso dos meus lábios. Mas não as trocaria por nada deste mundo. Depois de te conhecer acredito que tudo tem uma razão, ou terão sido estes últimos anos da minha vida em vão?
Não foram. Não desisti de ti Lana, não depois de me teres mostrado tanto.
Ouvi suaves batidas na porta do meu escritório.
- Sr. Sullivan tem uma reunião em 20 minutos, o Sr. Campbell desmarcou a reunião do meio-dia e que ligaria a remarcar um novo encontro.
- Obrigada Anne. – Respondi sem grande entusiasmo. Quando terá amanhecido? Não importa, seria apenas mais um dia que se arrastaria.
Ah Lana, por onde andarás agora? Quando foi que te perdi e não dei conta?
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