Notas iniciais
Helena se juntou as Caçadoras. Ela fez certo ou errado? (Esse capítulo é dedicado à OhDarling, que está lendo e acompanhando desde o inicio.)

Uma parte de mim quis se atirar do trenó e ir correndo para os braços de Klaus e a parte que ainda continuava magoada com ele queria nem olhar para a cena. A segunda parte venceu a primeira e eu parti sem olhar para trás.

A vida com as Caçadoras era bem legal. O braço direito de Ártemis era uma garota chamada Zöe, ela e eu nos tornamos melhores amigas, do tipo que compartilha tudo. O resto das Caçadoras eram somente colegas, mas era bem divertido passar bastante tempo com garotas da minha idade, podendo falar sobre como algum garoto francês era tão romântico ou como as flores holandesas eram perfeitas para fazer arranjos no cabelo. A deusa Ártemis era um doce em pessoa, mas sempre em 21 de junho e 21 de dezembro, ela desaparecia sem deixar rastros. Somente dias depois ela aparecia.

À respeito dos pais que me criaram, Ártemis sempre deixava as Caçadoras que tinham família ainda viva, visitarem seus parentes duas vezes ao ano. Quando expliquei a meus pais sobre os motivos que me levaram a me juntar a Caçada, eles entenderam perfeitamente e disseram que se eu estava feliz, eles também estavam felizes.

Quase todo dia eu pensava em Klaus e se eu tomei a decisão certa ao deixá-lo sozinho. Eu queria ser livre e, com certeza, Klaus iria me prender se eu me casasse com ele. Klaus era muito ciumento e possessivo, eu teria que ser somente dele e de mais ninguém. Era impossível esquecer os tapas que ele me deu. Em cada luta, a cada golpe que eu recebia, eu pensava estar sendo atingida por Klaus e chorava, as Caçadoras até tentavam me consolar quando eu tinha uma crise de choro compulsivo, mas elas nunca tinham se apaixonado, então não podiam falar de algo que não sabiam.

O Leão de Nemeia foi o primeiro e mais difícil monstro que eu combati.Ele não podia ser morto por ter couro de algo impenetrável para humanos e todos os que tentavam enfrentá-lo ficavam completamente aterrorizados pelo seu rugido, que podia ser ouvido a quilômetros de distância. Além disso, arma alguma podia penetrar o couro do animal, e todos que o tentavam matar com lanças ou flechas acabavam sendo devorados. A solução que Ártemis encontrou foi taparmos nossos ouvidos com bastante algodão e depois, de cima do trenó, atirarmos todas juntas nossas flechas. No primeiro momento, o leão ficou somente aterrorizado, mas com uma nova chuva de flechas, ele morreu.

Assim, os dias foram passando. Amizades, monstros, combates, tudo acontecia da mesma forma.

Quando voltei a vila, 50 anos depois que saí, descobri que Klaus havia morrido. Não pude resistir e caí no chão, chorando. Zöe se aproximou, tentando me consolar, mas eu não conseguia dizer nada além do meu choro. Ainda que ele tivesse me batido, eu ainda o amava, gostava dele como nunca gostei de ninguém na vida. Assim que esgotei o estoque de minhas lágrimas, subi no trenó. Passei um mês inteiro sem falar com ninguém, eu vivia pelos cantos chorando. Ártemis tentava conversar comigo, mas eu só conseguia chorar.

Demorou cerca de vinte anos para eu começar a me recuperar. Eu tinha perdido todo o animo de vida. Sinceramente, eu queria morrer. Mas, como morrer quando se é imortal?

Uma batalha, eu precisava de uma batalha, coisa que não havia. O mundo estava tão calmo, que a Caçada só andava a toa, verificando se havia algum problema.

Em uma noite, depois de pensar muito, decidi o que eu tinha que fazer. Levantei-me cedo no dia seguinte e fui à cabana onde Ártemis estava. A deusa já estava pronta para sairmos. Assim que ela se virou e me viu, eu lhe disse:

— Eu te desafio para um duelo. Pegue sua arma e lute contra mim!

— O que deu em você, Helena? Você não pode me desafiar assim! — Ártemis estava muito brava, coisa que nunca tinha acontecido. Mesmo assim, continuei firme.

— Você é uma deusa tão fraca que não consegue lutar com uma das suas Caçadorazinhas? Covarde! Lute, se for capaz de me enfrentar! Ou será que você está com medo de perder para uma das suas servas?

— Não é isso, Helena — Ártemis deixou-se cair no chão. — É que... é que eu... simplesmente não posso lutar com a filha do meu irmão gêmeo, Apolo.

Notas finais
Helena finalmente descobriu quem é seu pai. Ela jamais esperaria ser filha de um deus.....