Notas iniciais
Depois de descobrir que as pessoas com quem mora não são seus pais verdadeiros, Helena decide visitar o Oráculo de Delfos para descobrir quem são seus pais verdadeiros. O que será que o Oráculo tem a dizer para Helena?

Quando saí pelas ruas da vila, sozinha e de madrugada, não senti medo. Eu sabia que os ladrões sempre atravessavam cidades à noite, mas não me preocupei. Não levava nada de valor mesmo. Só vestia minha túnica branca e levava dois dracmas de ouro para ofertar ao Oráculo.

Eu estava passando pela estrada na orla da floresta quando ouvi um farfalhar de folhas bem perto de mim. Não demora muito e vi Klaus, um garoto magro de 16 de cabelos castanhos e enrolados que sempre foi um de meus amigos na vila.

— Não é tarde para uma moça andar sozinha pelas ruas da vila? Você sabe que os ladrões sempre atacam quem estiver passando. — Klaus falava muito depressa, as palavras quase que jorravam de sua boca. — Mas me diga, para onde você está indo sozinha?

— Me deixe em paz! — gritei. Eu não estava nervosa, mas gritei para tentar me livrar de Klaus — Aonde eu vou não é da sua conta. Aliás, você também devia estar em casa. O que você está fazendo aqui?

— Se eu contar, você conta para onde você está indo?

Depois de refletir um pouco, concordei.

— Eu estava caçando uma coruja.

— Meus deuses! A deusa Atena pode te castigar severamente por caçar o animal sagrado dela!

— Não me importo. Eu estou precisando de carne de coruja. Você não sabe o tanto que são deliciosas.

— Está bem. Você fica com suas corujas e eu vou embora.

Klaus me segurou pelo braço e me fez sentar em uma pedra ao lado dele.

— Não sem antes me contar para onde você está indo.

Já que juramentos não podem ser quebrados, eu contei tudo pra ele. Contei que as pessoas que viviam comigo não eram meus pais, que era por isso que os adultos não ligavam para mim e que eu estava indo consultar o Oráculo. Ele ouviu em silencio, coisa que eu acho que foi muito difícil para ele. No final, Klaus disse:

— Você tem certeza que quer falar com o Oráculo? Você sabe que nós, os plebeus, só podemos consultá-lo uma vez na vida? — Pela primeira vez, Klaus parecia preocupado comigo.

— Você não sabe o tanto que esse desejo de saber quem são meus pais está me corroendo. Acho que se eu não descobrir agora eu posso morrer de curiosidade.

— Está bem. Mas me diga a profecia, talvez eu possa ajudar você a compreendê-la.

— Obrigada. Sei que posso contar com você. — E com essas palavras me despedi, saindo pela estrada.

Eu morava em uma vila pequena, mas essa vila era ponto de passagem de muitos gregos. Ela era bem ao lado da cidade de Delfos, onde morava o Oráculo. Quando cheguei em Delfos, estava um pouco cansada, mas nada que ia me impedir de falar com o ele.

Entrei no templo de colunas que servia de abrigo ao Oráculo. Logo vi que uma mulher muito bonita estava sentada em um trono adornado de esculturas e no centro do templo havia um braseiro.

Atirei os dois dracmas de ouro que levava no braseiro e a mulher foi invadida por uma névoa verde. Ela disse:

— Eu sou o Espírito de Delfos, porta-voz das profecias de Febo Apolo, assassino da poderosa Píton. Aproxime-se, você que busca, e pergunte.

Aproximei do Oráculo e disse:

— Ó poderoso Espírito de Delfos, porta-voz das profecias de Febo Apolo, assassino da poderosa Píton, mostre-me quem são meus pais.

O Oráculo fez uma pausa, como se tentasse lembrar algo. Ele disse:

A filha do astro vive agora sozinha

E logo a lua e as estrelas serão sua companhia

Um amor poderoso pode por tudo a perder

Mas a lealdade deverá prevalecer

Viverá bastante e cansarás de sua condição

E terá seu fim em um abismo de escuridão.

O Oráculo voltou a ficar em silêncio. Saí do templo, repetindo toda a profecia na cabeça, para não esquecer nenhuma parte. Tudo era confuso para mim. As profecias podem ter diversas interpretações e nem sempre a que pensamos ser a certa é a certa.

Notas finais
Parece que a profecia não foi muito esclarecedora. Será que Helena será boa o bastante para entender o que o Oráculo quer dizer?