Demorou um pouco até alguém perceber que eu e Al estávamos aqui. O tempo se passou muito rápido quando eu abraçara Al, estava quase amanhecendo quando Myrtle, uma iniciada apareceu.
Myrtle era pálida, tinha longos e lisos cabelos ruivos e olhos azuis
–Os pombinhos não estão com sono?
Eu fico vermelha por ela ter nos chamado de “pombinhos”, é claro que eu e ele estávamos abraçados, como se só houvesse eu e ele no mundo em plenas cinco horas da manhã no fosso.
–Já estamos indo pra cama – diz Al
–Muito bem – ela faz uma pausa – usaram camisinha?
Eu fico mais vermelha e envergonhada ainda, a mulher me chamou e o garoto que tentou me matar de pombinhos e ainda deduz que eu e ele fizemos sexo?
Eu queria dar um soco na cara dela, mas Al me segurou pelos ombros e disse
–Não Teve nada aqui
–O. K. Pode deixar que eu não vou contar a ninguém do que teve aqui.
Ele olha pra Al e pisca para ele. E depois desce as escadas e vai em direção ao refeitório.
Al para e me olha.
–Tente descansar um pouco – diz Al – Vai precisar
–Tudo bem – digo
Nós andamos até o dormitório. Paramos. Eu encaro Al um pouco, me levanto e dou um beijo em seu rosto. Não digo nada apenas vou pra minha cama.
Me deito, penso em Al e penso em como seria se ele se matasse, eu ia ser culpada de tudo. Penso em desculpar Al pelo o que ele fez, mesmo que tudo seja imperdoável, eu e ele queríamos ter uma vida feliz, e sem culpa. Ele se arrependeu muito pelo que fez, ao ponto de tentar se matar. Logo depois Quatro vem em mente, ele era a pessoa perfeita, eu o amava, mas tinha alguma coisa me puxando para Al.
Eu me viro de lado, mas já era tarde, Quatro estava em pé no meio do dormitório, batendo palmas para que todos levantem. Eu fui a primeira a levantar e Al o segundo. Eu fico o encarando, com um leve sorriso no rosto, sei que deveria ter vergonha de estar encarando um homem enquanto eu estava com cara cheia de cicatrizes e hematomas.
Mas ele também estava
Todos se levantam, todos estavam com uma cara amassada e com cabelos bagunçados, menos nós e Al que estávamos em perfeitos estados.
Quatro pega um folheto e lê em voz alta
–Hoje começa a segunda parte da iniciação da audácia... – Ele explica tudo o que acontecera nos próximos dias.
Todos nós se arrumamos. Quando Christina chega perto de mim.
–Olá – diz ela vestindo um casaco – você parece não ter dormido nada
–Eu não dormi
Ela faz uma cara seria
–O que aconteceu Tris? – ela pergunta
Eu olho para o lado para verificar se não havia ninguém por perto para eu desabafar para ela
–Ontem de madrugada eu vi Al indo para o fosso
–O que ele estava tentando fazer?
–Se matar – digo – ele tinha pegado cordas e havia amarrado elas no pescoço.
E claro que não mencionarei do longo tempo em que fiquei abraçada com Al.
–E o que você fez? – pergunta ela perplexa
–Eu o impedi – digo
Ela suspira aliviada e se levanta.
Já não tinha ninguém no dormitório então eu e ela resolvemos correr.
Não corremos muito até acharmos onde todos estavam.·.

...

Todos os testes acabam e todos estavam apavorados, todos vão para o refeitório para o jantar quando Al puxa meu braço. Ele me olha feliz, e me abraça.
–Olá Tris – ele diz
–Olá Al – digo sorrindo
–Então – ele faz uma pausa e olha para baixo – você me desculpa?
Eu olho seria para ele, estava com duvida, se perdoava ele por ter tentado me jogar no fosso e me espancar ou o perdoava e teria uma vida feliz na audácia.
–Eu o perdoo Al – digo
Aliás, o que a gente não faz por amor.
Ele sorri. Seu sorriso era lindo, seus lábios grossos e bem detalhados faziam uma sintonia atraente.
Voltando a terra
Eu o desculpei por realmente sabia que ele estava muito arrependido de ter feito aquilo, ele tinha colocado a vida em jogo por causa de seu arrependimento, e a vida é uma coisa valiosa que não se pode colocar em jogo. Ele colocou a minha e a dele no meio do tabuleiro como não se importasse.
Eu também fiquei arrependida de não ter desculpado Al, eu queria me desculpar das palavras que eu disse ontem, mas não vou.
Por que eu estava certa
A raiva que eu tenho de Al vai morrer um dia, não sei quando, pode ser amanhã, daqui a alguns anos.
Eu senti dor pelo que fizeram em mim, e eles também.
Agora estou em confusão.
Me lembro de Quatro me salvando, de ele lutando por mim, de ele me cuidando.
Mas por que eu estou apaixonada pelo homem que me causou toda essa dor?
Estou em duvida.
Al me solta e eu e ele resolvemos ir jantar.
Eu não sabia se eu dava a mão para ele, acho que eu devo bancar a difícil para ter o que quero.
Eu vou à mesa de sempre, com Christina, Will, e Quatro
Quatro me observa como sempre. Com nojo. Mas sei que ele me ama. Ele olha para Al, com a mesma cara que ele olha pra mim, com nojo.
–Saia daqui – diz Quatro
Al faz uma cara de ofendido
–Pare com isso Quatro – digo brava – Al já se desculpou
Quatro ri com deboche
–De que forma? – pergunta Quatro
Olho para Al, com medo.
O que eu falarei?
Al gesticula um “sim”, então sem pensar me viro.
–Al tentou se matar por mim – digo tremula.
Quatro arregala os olhos.
–Como? – pergunta Quatro
–Ele ia se jogar do fosso, mas eu o impedi – digo
–Fez errado em impedir
–Quatro – grito – ele não me matou então não e justo ele se matar.
–Sério Tris? , ele tenta te jogar no fosso e te espanca e você ainda fica com esse monstro?
–Ele se arrependeu Quatro – digo
Olho para Al para saber que ele realmente tinha se arrependido. Ele estava com uma cara muito envergonhada e seu rosto estava vermelho.
Quatro ri de deboche. E depois começa a me encarar
Não gosto daquilo, pois isso me atrai.
Eu desvio o olhar, e começo a comer.
Penso em Al e Quatro ao mesmo tempo. Quatro gosta de mim, do mesmo jeito que eu gosto dele, Al gosta de mim e eu também gosto dele.

Notas finais
Espero que gostaram.