Outubro, 2018

Alana Souza, acorda assustada com o grito da mulher ainda ecoando em seus ouvidos. Com o coração acelerado e mãos trêmulas, ela começa a respirar fundo para se acalmar e repete até sua respiração normalizar.

— Foi só um sonho, Alana, só um sonho – diz como se fosse um mantra, — E daí que você tem o mesmo sonho há meses e eles estão cada vez mais vividos e claros? – ela diz para si mesma tentando aliviar seu coração com humor.

— Daqui a pouco, passa e você sonhará com Henry Cavill, respira.

Alana olha para o celular e vê que ele está prestes a tocar o alarme para ela levantar e se preparar para o trabalho.

— Bora levantar e esquecer isso por algumas horas! – diz ela decidida.

Ela pega seu uniforme já separado e vai tomar banho para começar o dia.

Ao colocar o uniforme, se olha no espelho e analisa seus traços e as bolsas embaixo dos seus olhos pelas noites mal dormidas que anda enfrentando nos últimos meses.

Coloca uma base para esconder isso e não assustar sua mãe, arruma os cabelos castanhos em um rabo de cavalo e tenta dar um destaque nos olhos verdes para tirar o foco das bolsas enormes que enfeitam seu rosto.

Alana vive com a mãe Lúcia, em uma casa pequena, mas delas. Seu pai faleceu quando ela era ainda uma menina, portanto tem poucas lembranças dele. Mas, sua mãe nunca mais encontrou alguém que sentisse vontade de compartilhar a vida.

Ela dizia para Alana: — Depois que você prova o verdadeiro amor, não há como se contentar com qualquer coisa genérica.

Alana em seus 22 anos, achava que a mãe tinha era que provar o genérico mesmo, se divertir ser feliz, mas, respeitava a decisão da mãe. Elas eram proprietárias de uma pequena loja de roupas no centro da pequena cidade que viviam, Luz da Fé.

Ao chegar na cozinha, Alana vê sua mãe já sentada na mesa tomando café e pronta para o trabalho.

— Bom dia, mãe – diz Alana, animada — Madrugou foi?

— Não tive um sono tranquilo esta noite – disse Lúcia com um semblante preocupado — Não sei, acho que vem tempestade por aí.

— Tempestade? – diz Alana confusa olhando pela janela — O céu está azul sem nuvens, mãe, nada de clima de tempestade.

— Não esse tipo de tempestade, Alana – diz sua mãe sorrindo, mas um sorriso contido que fez um arrepio subir pela espinha de Alana — Tempestade que muda vidas.

Alana sentiu uma vibração passar pelo corpo e estremeceu. Sua mãe sempre sabia quando elas enfrentariam problemas, sejam quais fossem: financeiros, emocionais... Qualquer tipo de problema ela saberia antes.

— Alana... Como você está se sentindo ultimamente? – Lúcia pergunta para filha com voz séria.

— Eu? – Alana pondera se deve ou não deve contar seus sonhos para sua mãe, mas, decide que não, para quê preocupá-la mais? — Estou bem, firme e forte e pronta para abrir a loja!

Sua a mãe a observa e decide deixar o assunto de lado.

— Tudo bem, vamos abrir a loja, então.

As duas vão para loja, abrem-na e o dia começa a correr normal. As vendas andam á toda com um festival que vai rolar na cidade, e parecia que todas as mulheres de Luz da Fé, decidiram que precisavam de vestidos novos.

Em um momento de paz na loja, Alana olha distraída pela vitrine enorme que cobre a parede da frente da loja e vê um homem alto observando-a do outro lado da rua. Ele deveria ter pelo menos uns 2 metros de altura, cabelos castanhos e olhos azuis pacíficos. Ao olhar para aquele homem, Alana sentiu uma familiaridade estranha e um calor envolvendo seu coração, como se um manto de paz descesse sobre ela.

— Mãe, venha aqui um minuto, – diz Alana virando em direção a mãe — Olha aquele homem ali no outro lado da rua e veja se...– Alana vira para apontar o homem para sua mãe, mas ele não estava mais lá.

— Que homem? – pergunta Lúcia confusa.

— Ele estava ali! Mas sumiu agora.

— Não imaginou não, menina? – Lúcia brinca com a filha.

— Minha imaginação estava boa então, porque ele era bonitão! Mas, engraçado... bonito de um jeito diferente, sabe? Como se fosse um amigo querido, que eu não via há muito tempo. – Alana diz confusa, porque ao ver um homem bonito automaticamente uma mulher saudável já pensa se ele era solteiro ou coisa assim, mas aquele homem... aquele homem só lhe desperta amor fraternal, estranho.

Lúcia olha para filha com um olhar meio conformado, como se ela soubesse algo que a filha não sabia e não sabia se estava feliz ou triste.

— Então, minha filha, acho que ele vai voltar. – diz Lúcia com voz firme.