Trilogia Badlands - O Útimo Inimigo
6 Ao resgate!
Havia amanhecido e havia alguns raios de sol entrando pela janela. Scout se virou de lado, jogou o braço para o outro lado da cama, percebendo que não havia ninguém. Era uma das únicas vezes que ele passava a noite sem Anya e ele se sentia culpado pelo o que havia acontecido noite passada. Ele a amava e não queria estar mais afastado de sua namorada. Após colocar o boné e o headset, ele sai do quarto, a procura do quarto de Miss Pauling. Ao encontrar, bate na porta, que se abre, mostrando uma Miss Pauling de cabelos bagunçados, sem óculos e parecendo cansada.
– Scout, eu recém acordei. O que foi?
– Eu posso falar com a Anya? Eu... Eu fiquei muito mal depois que nós brigamos ontem à noite.
– Vocês brigaram?
– Sim. Ela não te contou?
– Eu não vejo ela desde que o Marloon nos mostrou nossos quartos.
Scout parou.
– Mas... Mas ela disse que iria vir dormir aqui.
– Eu juro pelo meu emprego que eu não a vi!
O mercenário olha por cima do ombro de Miss Pauling, vendo duas camas de solteiro e apenas uma estava bagunçada. Ele sai correndo, deixando a assistente confusa e volta para o quarto. Ele abre o armário, vendo que a mochila de Anya não estava mais lá e começa a revirar o quarto. Enquanto ele revirava o lugar, Miss Pauling, Sniper e Engineer entram no quarto.
– Scout, o que houve? — perguntou Sniper — Estávamos voltando do refeitório quando vimos você correndo para cá.
– Ela desapareceu — disse Scout.
– Oi? — perguntou Engineer.
– A mochila da Anya! — disse Scout — Ela colocou no armário antes de sair do quarto!
– Você acha que ela fugiu? — perguntou Pauling.
– Não, a Anya não faria isso! — disse Scout — Ela deve ter ficado zangada porque nós brigamos ontem à noite e deve estar por ai!
– E porque vocês brigaram? — perguntou Engineer.
– Por causa do beijo que a Kim me deu — disse Scout.
Marloon aparece na porta.
– Gente — todos olham para ele — Scout, eu acho que você precisa ver isso.
Eles chegam no hangar que haviam entrado, onde havia um aglomerado de pessoas perto de uma das portas. Havia um homem com marcas de mão em cima da cabeça com um pouco de sangue escorrendo, que estava caído no chão, junto com cápsulas de balas. Scout observa a cena e olha para Marloon.
– Encontramos ele não faz muito — disse Marloon — Era um de nossos vigias.
O mercenário olha a porta do hangar, vendo um grande espaço que foi aberto no meio do objeto, por alguém que possuía uma grande força.
– Não é a sua namorada que sabe absorver mentes? — perguntou Marloon.
Ele se deu conta.
– O que está insinuando? — perguntou Scout.
– Que a Anya absorveu a mente do meu vigia e fugiu, talvez em busca do Ivan — disse Marloon.
Scout se vira, vendo que o todo o time RED estava observando a cena. Tinha algo errado.
– A Anya nunca faria uma coisa dessas! — disse Scout — Eu conheço ela!
– Desculpe, mas só porque você é o namorado dela, não quer dizer que pode a proteger de tudo — disse Kim — Inclusive o que ela faz.
– Ei garota, não se meta nisso — disse Pauling — Nenhum de vocês conhece a Anya.
– E vocês a conhecem bem? — perguntou um dos homens.
– Claro, ela é parte de todos nós — disse Sniper.
– Então está insinuando que somos mentirosos? — perguntou Marloon.
– Não é isso — disse Scout — Eu prefiro discutir isso a sós com o Marloon.
– Ok, se você prefere — disse Marloon. Ele se virou para os outros — Todos vocês! Voltem ao trabalho!
Todos os colegas de Marloon começaram a se espalhar pelo lugar, enquanto Miss Pauling puxa Scout pelo braço para um canto.
– Scout, se vai conversar com ele, seja cuidadoso.
– Porque?
– Porque tem algo errado com ele ou esse lugar.
– E porque você acha isso?
Ela entregou a carta para Scout.
– Ele disse que recebeu uma carta de uma tal Helen. Agora, analisa essa carta, aquele homem que morreu, que ele diz que foi a Anya que absorveu e tenta pensar.
A assistente olhou para o resto da equipe e os manda sair de lá. Scout observa a carta, observa o homem morto no chão, que ainda sangrava e lê novamente a carta. E... Um dos homens de Ivan soca o rosto de Anya, que devagar, volta a olhar para o homem. Todo o seu nariz sangrava, como um lado da boca e um dos lados da testa. Após voltar a consciência, ela olha o homem e respira fundo.
– É o melhor que pode fazer? — perguntou Anya.
O homem lhe deu outro soco. Ela acaba engolindo um pouco de sangue que vinha do nariz e tenta respirar. Seu nariz já estava falhando e sua visão começou a ficar distorcida. A garota tenta se mexer na cadeira, sendo que ela estava amarrada nas mãos e nos pés ao objeto e volta a olhar para o homem, sabendo que se levasse outro soco poderia desmaiar.
– Qual é o problema? — perguntou Anya — Perdeu a força?
O homem olha para Anya e sai da sala, deixando seu colega tomar contar da garota, até que ele sai do lugar e deixa alguém entrar. Era Maykon. Ele tinha alguns curativos no rosto e vê quem estava preso a cadeira.
– Anya? — Ele olha o rosto da garota e corre até ela — Meu Deus! O que eles fizeram com você?
Ele se ajoelha na frente da garota, tira um pedaço de pano e tenta limpar o sangue que havia no rosto dela, até Anya se virar, sem olhar para Maykon.
– O que houve?
Ela continuava em silêncio.
– Eu não acredito que você nos traiu. Contou ao Ivan onde eu e o Scout moramos, onde ficava a base... Eu acho que Scout tinha razão, eu deveria ter me afastado de você.
Maykon parou e pensou.
– Não. Não! Não fui eu! Anya, me escute, você me conhece e sabe muito bem que eu nunca faria isso! — ele estava desesperado — Ivan me sequestrou e me ameaçou se eu não entregasse você, mas eu não entreguei! Eu entendi o jogo dele, ele não mata ninguém que seja inocente e que não tenha nada a ver com a história e eu não te entreguei! Eu juro!
Anya parecia ter ignorado o colega, mas enquanto ele começa a limpar o sangue, ela se lembra.
– Meu Deus — ela olhou para Maykon — Scout. Ele sabia todo esse tempo.
E... Scout bate em uma porta. Logo em seguida, Marloon a abre, vendo que já estava a espera do mercenário.
– Ah! Scout — disse Marloon — Entre, por favor. Estava lhe esperando.
Marloon voltou para a sala, enquanto Scout o segue e fecha a porta. O lugar era cheio de jornais dobrados e amarrados em pequenos montes. Todos estavam espalhados pela sala, no ventilador, jogados em um canto e em cima dos móveis. Marloon havia entrado em outra sala ao lado e parecia estar revirando o lugar atrás de algo.
– Sente-se ali perto da minha mesa — ele derrubou o que pareciam ser panelas — Eu só vou encontrar uma caixa com uns envelopes e já falo com você. Só cuidado com os jornais!
Scout vai tentando não pisar nos jornais, enquanto se aproximava das cadeiras. Ele empurra uma pilha de jornais para o chão e se sentou. Aquele cara era mais louco que Maykon.
– Hã... O jornaleiro entregou todos os jornais do ano, hoje? — perguntou Scout.
– Claro que não. Eu coleciono jornais desde que eu era um garoto. Espera... Eu acho que eu encontrei! Eu já vou ai.
O mercenário observa o lugar, vendo uma mochila familiar ao lado da mesa. Ele observa para ver se Marloon não havia voltado da sala e puxa a mochila para seu colo. Ele a conhecia. Quando a abriu, viu algumas caixas de munições de rifle, uma peruca loira, uma prancheta, potes com comida e o que fez ele entender tudo: Um colar com um diamante. Filho da mãe.
– Scout, estou indo!
Marloon saiu da sala, carregando vários envelopes e vê Scout de costas.
– Scout, tudo bem? — perguntou Marloon.
– Seu maldito.
– Como é?
O mercenário se virou.
– O que você fez com a Anya? — perguntou Scout.
Marloon olhou a mão de Scout, vendo que estava segurando o colar com o diamante de Anya e a mochila estava em cima de uma das cadeiras.
– Scout, eu encontrei a mochila perto do corpo do meu vigia — ele parecia tranquilo — Eu ia te contar assim que pudéssemos conversar, mas...
– Mentiroso! — gritou Scout — Anya nunca fugiria sem o colar dela, isso é valioso para ela. E aquele homem... Minha namorada pode matar pessoas, tanto quanto armas como absorvendo mentes, mas nunca mataria um inocente!
– Sua namorada fugiu, Scout. Aceite isso.
– Não. Não, eu não aceito — ele colocou o colar no bolso da calça — Sabe porque? Porque vocês todos dessa base são mentirosos, inclusive você. Quando a Anya absorve mentes, a pessoa não fica com marcas de mão na cabeça e nem sangra, como aquele cara. E mais, você disse que recebeu uma carta de uma tal Helen. Helen é o nome da nossa chefa, mas na carta apenas dizia Administradora, que é como nós chamamos ela. Em nenhum momento ela mencionou o real nome dela na carta. E eu acho que Maykon não conhece ela, para ter te falado o real nome dela. Então, Marloon? Você tem resposta para isso?
Marloon o olhou e do nada, chutou Scout para o outro lado da sala, derrubando várias pilhas de jornais.
– Eu nunca quis fazer isso, mas você não me deu escolha — disse Marloon.
Scout se apoiou em uma cadeira e se levantou, cambaleando, quando se deu conta de tudo. Era Marloon o malvado, não Maykon.
– Foi você! Deus, foi você! — ele olhou para Marloon — Você trabalha para o Ivan, entregou seu irmão para ele e foi assim que sabiam onde era meu apartamento! Que tipo de irmão você é?
– Meu irmão é um idiota! — disse Marloon — Eu ofereci muito mais do que você ganhou em todos esses anos no RED, mas ele amava tanto aquela garota que eu resolvi tomar uma medida drástica. Sim, Ivan é o meu chefe e já que o próprio Maykon não entregou seu apartamento, eu usei o rastreador.
– Não foi o Maykon que nos entregou? — perguntou Scout.
– Claro que não, seu idiota — disse Marloon — Eu tinha dito para Ivan que meu irmão nunca entregaria a Anya e como ele não mata ninguém que é inocente, eu dei o número de acesso do rastreador da pulseira que o Maykon deu para a Anya. Quando ele me pediu para eu arrumar aquele troço velho da minha mãe, eu vi a chance de encontrar a garota e ele nunca soube.
– Todos aqueles sonhos que eu tive eram para me alertar que era você o traidor! — disse Scout — E eu pensando que o Maykon era o inimigo. Mas agora, onde está a minha namorada?
Marloon o encarou e Scout entendeu.
– Você a entregou para o Ivan — disse Scout.
– Você também teve culpa, Scout — disse Marloon — Ela estava fácil de apagar por sua causa.
– O que você fez com ela? — perguntou Scout.
– Eu a encontrei chorando no corredor depois da briga de vocês — disse Marloon.
– Anya, o que houve? Está chorando?
– A única coisa que eu fiz foi a drogar com anestesia — disse Marloon.
– O que... — Anya tirou a seringa do pescoço e jogou no chão — O que você fez?
– Calma ai, garota. Isso é só para fazer você relaxar.
– Eu a coloquei em uma van e esperei — disse Marloon — Ivan me ligou meia hora depois dizendo que tinha a recebido.
Scout puxou a espingarda.
– Seu filho da mãe! — disse Scout, irritado.
– Não atiraria em um homem desarmado, não é? — perguntou Marloon — Você não tem honra?
– Eu sou um mercenário! — disse Scout — Minha honra já se foi a muitos anos, junto com todos os homens que eu matei e eu aposto que foram muito mais do que você matou!
O mercenário atira em Marloon, que cai no chão, pega a mochila na cadeira e sai correndo da sala. Marloon se arrasta até o corredor, quando vê sua namorada andando de costas para ele.
– Kim! Aqui atrás!
Kim se vira, vê o namorado e corre até ele, estando assustada.
– Meu Deus, Marloon! — ela o ajudou a levantar — O que você fez?
– O Scout descobriu — disse Marloon — Me leva para a enfermaria e avisa o pessoal que o RED é inimigo agora.
Scout encontra Engineer, Miss Pauling e Sniper na frente de um dos quartos dos mercenários e corre até eles.
– Scout, o que houve? — perguntou Engineer.
– Falou com o Marloon? — perguntou Pauling.
– Não é hora para explicações — disse Scout — Junta todo o pessoal, temos que fugir daqui.
– Fugir? — perguntou Sniper — Porque e para onde?
– Base do Ivan — disse Scout — Vamos salvar a Anya e o Maykon.
Os quartos de todos os mercenários são arrombados por Marloon e seus colegas. Ao chutar a porta do último quarto, Marloon percebeu que todo o RED já sabia e que eles possivelmente estavam planejando fugir.
– Nem sinal dos mercenários, senhor.
– Eles ainda estão nessa base, não tem como alguém sair sem ser visto pelo pessoal — disse Marloon.
– Senhor!
Os gritos vinham do hangar, fazendo todos correrem para fora, vendo um jipe em velocidade máxima destruindo o lugar e era o RED que estava dentro.
– Dirige isso, Sniper! — disse Scout.
– Isso não é uma van! — disse Sniper — Eu não sei como dirige essa coisa!
– Tem um volante, um motor e quatro rodas — disse Spy — É a mesma coisa que um veículo normal, agora dirige!
O jipe vai indo em direção as portas, que estavam fechadas.
– Alguém dá um jeito de abrir aquelas portas! — disse Pauling.
– Soldier, Demoman, vocês são os caras das explosões! — disse Scout — Dêem um jeito!
Soldier e Demoman se levantaram e jogaram foguetes, granadas e stickybombs nas portas, que explodiram, deixando um grande buraco de saída. O jipe sai do lugar, deixando Marloon furioso.
– Todos vocês, peguem as motos, vão atrás deles! — disse Marloon — Quero que todo o RED esteja vivo e aqui!
Os homens de Marloon montam nas motos e vão atrás do RED. Sniper conseguiu controlar o jipe e a equipe vai indo longe das montanhas.
– Espera, espera — disse Scout — Para onde você está dirigindo?
– Vamos sair de Dustbowl — disse Sniper — Não vou esperar que os caras nos sigam, o que provavelmente eles vão fazer.
– Sair de Dustbowl? — perguntou Scout — Temos que salvar a Anya!
– Ela nos colocou nessa história! — disse Soldier — Não temos nada a ver com isso! Eu iria me mandar daqui!
– Concordo — disse Demoman.
– Então pare esse jipe, porque eu vou salvar minha namorada — disse Scout — Esqueceram de tudo o que ela nos ajudou?
– Esqueceu do que ela fez em dois anos? — perguntou Soldier — Ela nos enganou, tentou nos matar, é filha do Gray Mann, que também tentou nos matar e foi culpa dela que quase Teufort ficou destruída por causa de um robô gigante!
– Soldier, você foi a primeira pessoa a achar que a Anya era uma má pessoa — disse Spy — Ela é parte de todos aqui, então, se ela é uma má pessoa, é sua parte que foi para ela.
Os mercenários começaram a rir.
– Eu não achei graça — disse Soldier.
– Vai virar essa van para o outro lado ou vai parar ela para eu descer? — perguntou Scout.
– Se você descer, eu vou junto com você — disse Pauling — Não se abandonam os amigos quando eles mais precisam.
Pyro: Eu também. Ela é como se fosse minha filha e eu não vou a abandonar.
– Eu vou junto — disse Heavy — Ela é do RED. Do BLU também, mas é mais do RED e é parte da equipe.
– Ela é parte de toda a equipe, colegas — disse Engineer — É melhor virar esse troço para as montanhas, camper.
– Eu também iria com vocês, companheiros — disse Sniper — Mas vocês sabem onde está a base do Ivan?
Um tiro acerta algo no jipe, o quebrando. Vários mercenários se viram, vendo várias motos sendo pilotadas pelos homens de Ivan, que começaram a atirar na equipe.
– Temos companhia! — disse Medic.
– Então finjam que eles são o BLU e atirem neles! — disse Sniper.
– Não precisa dizer duas vezes! — disse Spy.
Continua...
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