Scout sobe as escadas do hotel e vai até o quarto de Anya. Ele bate na porta.

– Vai embora, Scout — disse Anya, de dentro do quarto.

– Anya! — disse Scout — Vamos conversar!

Um silêncio no lugar.

– Pronto, acabamos de conversar — disse Anya, de dentro do quarto — Agora vai embora!

– Sério, Anya! — disse Scout — Me desculpe pelo o que aconteceu!

– Aposto que foi o Soldier que te mandou aqui só para depois você querer saber tudo sobre a minha vida — disse Anya, de dentro do quarto — Eu não confio em você mais!

– Eu juro que não! — disse Scout — Eu juro... Eu... Eu juro por tudo o que eu tenho de baseball em casa e você me conhece! Sabe que baseball é tudo para mim!

Outro silêncio tomou conta do lugar. Anya abriu a porta e olhou para o mercenário. Ele finalmente havia percebido os olhos azuis da garota.

– Isso me parece sincero e eu te conheço — disse Anya — Eu te desculpo, mas, eu ainda não confio totalmente em você.

Scout sorriu.

– Já é algo — disse Scout.

Um silêncio desconfortável ficou entre os dois, até que Scout se lembrou de algo.

– Tive uma ideia... Quer andar pelos telhados? — perguntou Scout — Engineer disse que vai chover, então é melhor irmos logo.

Anya riu, puxou a mão de Scout e os dois saíram hotel a fora. Soldier bate na porta da sala de vigilância.

– Entre.

Soldier entrou na sala e viu Miss Pauling conversando com a Administradora pelo computador.

– Ah, senhor Doe — disse a Administradora, pelo computador.

– O que foi, Soldier? — perguntou Pauling.

– Quero que aquela garota vá embora — disse Soldier.

– Qual a razão? — perguntou a Administradora, pelo computador.

– Ela é muito suspeita! — disse Soldier — Ela me jogou longe!

– Isso não me surpreende — disse a Administradora, pelo computador — Senhor Doe, ela é muito importante para nós.

– Porque? — perguntou Soldier — Nós, principalmente eu, temos o direito de saber porque ela é importante!

– Você vai saber no tempo certo — disse a Administradora, pelo computador — Se era apenas isso que você queria falar, já pode ir embora, porque eu e Miss Pauling temos que discutir algo.

Soldier saiu da sala e Miss Pauling anotou algo na prancheta.

– Acha que eles estão suspeitando? — perguntou a Administradora, pelo computador.

– Talvez sim — disse Pauling — Estou mais preocupada com o Scout. Ele se apaixonou por ela.

– Isso é um perigo? — perguntou a Administradora, pelo computador.

– Para ele não — disse Pauling — Mas para ela, sim.

A Administradora jogou o cigarro no chão, o apagou com o salto e suspirou. Scout e Anya estavam no topo do prédio, olhando o sol, que recém havia se levantado e ainda não estava coberto pelas nuvens negras.

– Sabe, para uma garota, você consegue jogar um homem bem longe — disse Scout, rindo.

– Eu vou aceitar isso como um elogio — disse Anya, rindo.

– Se consegue jogar o Heavy e o Soldier longe, então jogue minha bola perto do limite da cidade — disse Scout.

Ele tira uma bola de baseball do bolso e dá para Anya.

– Eu não posso jogar sua bola longe — disse Anya — É da sua coleção.

– Não me importo — disse Scout — Eu pego depois.

Anya riu e jogou a bola longe, parando perto das últimas casas. Scout olhou a distância e riu.

– Olha, estou impressionado — disse Scout.

– Agora vá pegar — disse Anya — Duvido ser mais rápido do que eu.

– Isso é um desafio? — perguntou Scout, rindo.

– É — disse Anya, rindo — Agora vai lá.

Scout saiu correndo, chegando perto do limite da cidade. Ele viu a bola escondida, atrás da última casa, bem no fundo.

– Como ela parou ali? — perguntou Scout.

Scout vai até lá e pega a bola. Ele percebe que tem mais alguém ali.

– Muito bem garoto.

Era Gray, ele estava atrás da casa. Scout pega o taco e aponta para o homem.

– Calma, calma! — disse Gray — Não vim aqui brigar.

– Se você veio aqui, é porque quer briga! — disse Scout.

– Eu só quero conversar — disse Gray.

– Não tenho nada para conversar com você! — disse Scout.

Scout vai indo embora.

– E que tal falar sobre sua amiga Anya? — perguntou Gray.

Ele parou e olhou para Gray.

– Como você sabe sobre ela? — perguntou Scout.

– Ela ainda não te contou? — perguntou Gray — Há uma coisa sobre ela que você não sabe, Scout.

– É mentira sua! — disse Scout.

– Então, porque ela até agora não falou porque estava dentro do meu tanque de robôs? — perguntou Gray — Porque os robôs estavam a perseguindo?

– Como você sabe sobre essas coisas? — perguntou Scout.

– Pergunte a ela! — disse Gray — Ela esconde algo de você que envolve todo o time RED! Até mesmo você.

Scout pensou e voltou a estrada, vendo Anya, de costas. Ele procura Gray novamente, mas o homem havia sumido. Scout sobe a rampa e vê Anya, sentada.

– Finalmente — disse Anya, se levantando — Pensei que não ia...

– O que você não contou para mim? — perguntou Scout.

O sorriso da garota sumiu.

– O que? — perguntou Anya.

– Você sabe de algo que me envolve — disse Scout — O que é?

– Como você sabe? — perguntou Anya.

– Eu falei com o Gray — disse Scout.

– Gray? — perguntou Anya — Você nos traiu?

– Não mude de assunto, Anya! — disse Scout.

Ela ficou em silêncio e Scout largou o taco e a bola no chão.

– Então é verdade? — perguntou Scout, surpreso — O seu segredo envolve todos nós? Todo o RED?

– Se envolve, para que você quer saber? — perguntou Anya.

– Eu estou envolvido! — disse Scout — Meus colegas estão envolvidos!

Anya se afasta e se vira.

– Anya, agora chega — disse Scout — Você já escondeu muito de todos. Eu pensei que podia te proteger do Soldier, mas isso passou dos limites.

Ela olha para Scout.

– Qual é o segredo? — perguntou Scout.

A garota ficou nervosa.

Continua...