Trilogia Aventuras 03: FAMS - A Aventura Continua
14 Capítulo 13: Carga Total!
Notas iniciais
CAPÍTULO 13
CARGA TOTAL!
O PODER DAS TÉCNICAS ESPECIAIS.
Sem que percebessem, D-Noidis e Ivanildo já estavam lutando em meio ao Parque da Cidade de Sobral, tudo graças à pressão exercida pela inimiga reptiliana, que os atacava insanamente segundo após o outro, fazendo-os recuar vez ou outra para mais longe do Centro de Convenções.
— Vocês são uma desgraça! — sibilou a mulher-demônio, a aura dourada reluzindo em seu corpo enquanto ela atacava os dois guerreiros com as garras das mãos. — Lutem como homens! Mostrem-me seus poderes máximos!
D-Noidis tentou avançar com sua espada, balançando-a em todas as direções e em diferentes movimentos, mas as garras grossas e longas dela conseguiam confrontar cada movimento que ele fazia, tornando suas chances de feri-la ainda mais difíceis.
— Sai da frente, cara! — gritou Ivanildo em seu modo de Super Sayajin 3, esferas de luz dourada pairando em suas duas mãos.
O cosplayer de Ichigo viu o que o amigo pretendia e se afastou de imediato, quando as esferas reluziram aos milhares na direção de Bruna, que, com rapidez, tentou se esquivar delas ou repeli-las para longe usando seus braços compridos. Novamente a inimiga parecia ser invencível, enquanto desviava ou repelia cada explosão concentrada das esferas, que acabavam atingindo casas e comércios logo abaixo; nessa hora, D-Noidis viu uma boa chance de virar o jogo.
— Getsuga Tenchou! — gritou o cosplayer, lançando uma rajada negro-avermelhada de raios mortais de sua espada diretamente contra a cavaleira-demônio, que imediatamente buscou uma brecha em meio às esferas que voavam em sua direção, evitando totalmente o perigoso ataque.
No entanto...
— Aaaah! — Bruna se engasgou quando recebeu um soco no estomago, e mal teve tempo de encarar o agressor de longos cabelos dourados, quando ele avançou com mais cinco golpes contra seu rosto e uma grande esfera de energia contra seu corpo, jogando-a contra uma das pontes velhas do Parque da Cidade.
A líder dos espectros arfou enquanto as tábuas de madeira da ponte destruída caíam por cima dela, e xingou seu mestre Sauron instintivamente por tê-la alterado para ser mais forte e inteligente que os espectros comuns, mas incapaz de ignorar a sensação de dor ao ser machucada; diferente dos outros, que mal se importavam até mesmo com cansaço. Uma falha, pensou ela, ao cedê-la tantas capacidades distintas.
“Ou uma estratégia.” Ela sorriu brevemente, entendendo que a capacidade de sentir dor e exaustão talvez fosse uma estratégia dele para poder controlá-la, e talvez até confrontá-la, caso se rebelasse contra ele. “Muito esperto, mas isso não muda o fato de que ainda sou imbatível com o Contrato de Satã ativado, e aqueles dois cosplayers não estão à minha altura.” Ela levantou o rosto para buscar os inimigos enquanto tentava se livrar das tábuas e se levantar, então bufou com surpresa e ódio quando os raios negro-avermelhados do inimigo vestido de preto avançaram em alta velocidade em sua direção, explodindo tudo o que tocava.
De cima, os dois cosplayers sentiram a brisa do vento aumentar brevemente enquanto os raios arrebatavam a inimiga e todo o terreno gramado daquele trecho do Parque da Cidade, e D-Noidis comentou com sua voz gorgolejante debaixo da máscara:
— Será que a gente pegou ela de jeito dessa vez, chapa?
— Eu não tenho certeza, pois ela sabe esconder o seu ki. Mas precisamos vencê-la o quanto antes, já que essas transformações que estamos usando são limitadas. — Ivanildo tinha razão em dizer isso, pois já começava a sentir a exaustão provocada pela transformação em Super Sayajin 3; e, ao seu lado, já era visível notar que a máscara de hollow que D-Noidis usava começava a se rachar, como um sinal de que sua transformação não duraria muito naquele estado. — Vamos conferir cuidadosamente se ela sobreviveu, e acabar com essa luta de uma vez, antes que a gente se dê mal.
D-Noidis assentiu, mas antes que pudesse falar mais alguma coisa ou seguir na direção da inimiga abaixo, um vulto veloz surgiu por trás deles, sussurrando:
— Buu!
Surpresos, os dois se viraram rapidamente, só para dar de cara com duas esferas de cor rubra, que os acertou no peito e os lançou com violência pelo ar, abrindo duas grandes crateras no meio da avenida em frente ao Supermercado Lagoa, quando os dois bateram no asfalto.
Doloridos, ambos ficaram imóveis por um instante, tentando se acostumar com a dor. Mas não demorou muito, quando Ivanildo, o primeiro a se levantar, reacendeu sua aura dourada eletrificada e depois localizou a inimiga, que estava parada no ar, com as duas mãos na cintura, basicamente os esperando com desinteresse. Enfurecido, sabendo que a cavaleira-demônio estava menosprezando as habilidades dos dois, o sayajin fez pedaços da cratera voarem pelo ar quando saltou, voando em alta velocidade para atacá-la — ele estava determinado a provar para a inimiga do que era capaz.
Em menos de dois segundos a inimiga já retirava as mãos da cintura, enquanto ele se aproximava, e depois de mais um segundo o olhar dos dois se encontrou. E a pancadaria recomeçou.
☯ ☯ ☯
Elayne viu quando o clarão dos relâmpagos dourados reluziu pelos céus, e então pressentiu que alguma coisa de ruim tinha acontecido com sua amiga Eduarda — da mesma forma que ela também vira acontecer a Anna, que morrera não muito distante dali de forma brutal. Era insano para ela pensar que havia entrado no Time Ren para ajudar a enfrentar um inimigo tão cruel, que forçava até mesmo pessoas do bem a lutar do lado do mal — sem contar o fato de suas vidas estarem em jogo ali. Infelizmente Elayne sabia que estava de mãos atadas ao enfrentar Rony, o Controlador da Terra, e era impossível ajudar os amigos, quando ela mesma não conseguia se ajudar.
“Paft!” Elayne ouviu um som de queda, e percebeu quando Odin, o guerreiro que a cosplayer invocara para atacar Rony, fora jogado para trás, quando micromontanhas flutuantes se ergueram do solo e bateram contra ele.
— Droga, tudo ao redor funciona como uma arma pra esse miserável!
Elayne mordeu o lábio inferior enquanto viu Odin se erguer, protegendo-se com seu escudo quando blocos de pedra foram arremessados mais uma vez. Ela tinha que pensar em um novo plano, sabia disso, ou seu guerreiro seria esmagado muito em breve, e sua desvantagem diante do espectro cresceria ainda mais.
Odin avançou, usando de toda a sua força para empurrar os blocos de pedra que se impactavam contra seu escudo e, com a cimitarra na outra mão, tentava destruir as estalagmites que subiam pelas laterais para perfurá-lo. Enquanto isso acontecia, uma ideia se passou pela cabeça da cosplayer, e ela começou uma caminhada furtiva.
Quando Odin fora invocado no começo, Elayne achara que sua batalha estava garantida, principalmente pelo fato de estar em um terreno aberto, mas o que ela não esperava era que o poder de Rony fosse tão forte a ponto de dar tanto trabalho para Odin, mesmo com ela lhe dando apoio à distância com bolas de fogo arremessadas de suas mãos. Por conta disso, agora a guerreira sabia que não deveria ficar tão confiante por qualquer coisa — sabia que precisava estar sempre atenta e usando estratégias diferentes, se quisesse sair vitoriosa —, por isso ela tomou cuidado, caminhando o mais silenciosamente possível enquanto se escondia entre os grandes blocos de pedra espalhados ao redor.
“Por favor, que isso funcione!” desejou ela, olhando de relance para o espectro que, concentrado, continuava a arremessar infinitas rajadas de pedregulhos contra o coitado do Odin, que já estava quase totalmente afugentado. “Agora!” Elayne impeliu sua magia de fogo sobre as botas para ganhar impulso e deu um gigantesco salto na direção do inimigo, sua Blazefire Saber envolvida em intensas labaredas, pronta para despedaçar o alvo.
— Morra! — ela gritou, e subitamente sua espada retiniu quando o espectro virou seu rosto e bloqueou calmamente o ataque dela com sua espada. No entanto, a cosplayer sorriu, não se dando por vencida. — Você caiu direitinho, otário!
A Blazefire Saber se inflamou mais ainda, e a espada do espectro se partiu em dois, pedaços derretidos do metal escorrendo sobre o chão, enquanto a lâmina flamejante ainda fazia seu percurso, abrindo um corte na armadura do inimigo.
Acuado, o espectro tomou distância, largando o cabo da espada quebrada, e ergueu suas duas mãos, fazendo pedaços de pedras do tamanho de bolas de futebol flutuarem no ar e voarem na direção da cosplayer, mas Odin surgiu inesperadamente no percurso do ataque e a defendeu com seu escudo.
— Obrigada, Odin — agradeceu a cosplayer, e a criatura emitiu um “Humf” abafado, como se dissesse um “de nada!” a ela. — Muito bem, vamos acabar com isso de uma vez por todas. Mudar! — ordenou ela, e de imediato Odin começou a se transformar, cada parte de seu corpo girando e se ajustando, até que ele se tornasse um grande e belo cavalo metálico, que relinchou com empolgação, agitando seus cascos sobre o chão.
De longe, o espectro viu a mudança da criatura, sabendo que o nível da batalha subiria ainda mais, então sua aura esverdeada brilhou com ainda mais intensidade sobre seu corpo e milhares de pedaços de pedra de tamanhos diferenciados começaram a flutuar mais uma vez, se grudando nele, como que formando uma segunda armadura para protegê-lo.
Elayne viu o ogro de pedra de quase três metros de altura com surpresa, mas ela não hesitou enquanto dava um novo sorriso para o monstro inimigo.
— Você curte uma transformaçãozinha, né? Mas eu também tenho meus truques.
Se concentrando enquanto fazia sua magia flamejante subir de seu interior, Elayne visualizou o que desejava e fez as chamas dançarem ao redor de seu corpo, fazendo surgir uma veste preta e uma armadura prateada com detalhes dourados, semelhante a de uma Valquíria; transformando, também, sua Blazefire Saber em uma nova gunblade parecida com uma espada tradicional, com a escritura de Etro desenhada em sua lâmina.
Com a nova proteção e aumento de poder, a cosplayer saltou, montando em seu cavalo, depois encarou o inimigo, enquanto ajustava o escudo redondo no seu braço esquerdo, que ganhara no processo da transformação, então deu uma leve batida com um dos pés na lateral do animal, dando sinal para que ele avançasse, e ela ergueu a nova espada, produzindo intensas chamas em sua lâmina à medida que seu cavalo disparava para destroçar o inimigo.
☯ ☯ ☯
Trovões rugiram pelo céu parcialmente enegrecido quando Goku, ou melhor, Ivanildo, começou a desferir uma sequência veloz e poderosa de socos e chutes contra Bruna Timbó, que também fazia o mesmo, seus punhos e pernas encontrando os do cosplayer a cada instante.
Mas, por mais que Ivanildo utilizasse sua transformação Super Sayajin 3 ao máximo para confrontar a inimiga, não parecia que ele ainda estava a altura dela, e D-Noidis sacou isso ainda dentro da cratera em que fora jogado momentos antes. Ele podia ver como seu colega infligia socos e chutes que, a olhos humanos, seriam basicamente impossíveis de se detectar, e viu também como a inimiga parecia acompanhar os movimentos sem muita dificuldade, desviando apenas quando julgava necessário; e o mais interessante de tudo, avaliou D-Noidis, era que Bruna dificilmente atingia o adversário, tirando um soco ou arranhão de suas garras, que vez ou outra pegavam o sayajin de raspão.
— Essa maldita está apenas brincando com ele — concluiu o cosplayer de Ichigo, fazendo esforço para se levantar e ajudar o amigo, entendendo finalmente porque eles dois foram escolhidos para enfrentar aquela mulher: somente o trabalho em equipe poderia vencê-la.
Apertando o cabo de sua zanpakutou, D-Noidis ficou de pé e avaliou rapidamente a situação de seus poderes... Metade de sua máscara já havia se esfarelado no rosto, e ele sabia que não adiantaria nada renovar a máscara e as habilidades, pois seu atual nível de poder iria regredir, e ele já não mais estaria à altura da inimiga.
“O tempo está correndo pra nós dois...” D-Noidis também sabia que não demoraria muito tempo até que o poder de Super Sayajin 3 de Ivanildo o exaurisse completamente, e a prova disso eram os seus movimentos, que aos poucos ficavam mais lentos. “Precisamos encerrar isso de uma vez!... Com nossas técnicas mais poderosas!”
D-Noidis subitamente saltou, avançando até os dois combatentes tão logo viu quando Bruna aparentemente se cansara da brincadeira, atingindo Ivanildo com dois socos sobre o rosto e mais um chute lateral no peito.
— Peguei você! — disse D-Noidis, agarrando o amigo que caía.
— Ora, ora, o dorminhoco finalmente resolveu aparecer — sacaneou a inimiga, encarando-o com prazer.
— Tá tudo bem, cara? — perguntou D-Noidis para Ivanildo, ignorando as palavras da mulher-réptil. — Acha que consegue continuar?
— Sim, sim... mas minha exaustão tá crescendo. Ela é muito forte, mesmo pra um Super Sayajin 3.
Bruna viu com calma enquanto os dois trocavam olhares românticos de preocupação, cochichando alguma coisa no ouvido um do outro, para finalmente depois armarem suas posições de combate.
— Humpf, bando de vermes fracotes. Quando vocês vão cair na real? Não podem me vencer, não importa o que façam. Estão muito longe de conseguir atingir o meu nível...
Sem se importar com as palavras desanimadoras da inimiga, os dois cosplayers começaram a circulá-la, esperando o momento certo para agir. Bruna continuou:
— ...Mas se são tão teimosos assim para encarar os fatos, acho que vou ter que dar a vocês uma palhinha do meu poder máximo. Raaaaaaaaaa!... — De repente a aura da cavaleira se expandiu ainda mais, reluzindo com intensidade, enquanto relâmpagos azuis dançavam ao seu redor e seus músculos se expandiam mais e mais debaixo das escamas blindadas que lhe cobriam a pele; então o vento começou a ficar violento e as nuvens enegrecidas no céu começaram a se mover numa espiral, ganhando a aparência de um vórtice negro. — ...Raaaaaaaaa!... — A cavaleira continuou, seu poder se expandindo ainda mais, gerando uma pressão esmagadora que assustava os cosplayer e os impossibilitava de atacá-la.
Um segundo depois, a líder dos espectros silenciou sua voz demoníaca, e o vento e a pressão ao redor diminuíram consideravelmente.
“Eu sabia!” confirmou D-Noidis, hesitante. “Essa maldita estava se segurando enquanto lutava com a gente. A gente nunca vai...”
— Calma, amigo, vai dar tudo certo — disse Ivanildo, calmamente, como se estivesse lendo os pensamentos do colega.
D-Noidis acenou de longe, sentindo sua coragem retornar, então aguardou até que fosse a hora de executar o plano, enquanto continuava a circular silenciosamente a inimiga, que novamente sorria ao apontar suas mãos abertas para a direita e a esquerda, mirando em espaços vazios.
— Droga, não se atreva a fazer isso! — gritou D-Noidis, entendendo rapidamente o que a inimiga planejava, mas ela o ignorou, fazendo as esferas condensadas de núcleo negro e exterior dourado crescerem em suas mãos.
— Vejam uma prova do meu poder absoluto... — ela sussurrou, então disparou as duas bolas de energia, que voaram em alta velocidade, se perdendo na distância.
Quase cinco segundos depois, um clarão irrompeu na esquerda, e mais dois segundos depois, outro surgiu da direita; ambos crescendo e crescendo ainda mais, quase tocando as nuvens negras no céu, enquanto o barulho da explosão surgia e tempestades de vento surgiam e se chocavam, vindo das duas partes.
Ivanildo viu tudo aquilo com terror, sem conseguir imaginar quanto de Sobral havia sido destruído com aquele poder — sem conseguir calcular quantas vítimas haviam sido abatidas no processo. Ela era mais perigosa do que se podia imaginar, e ele precisava agir o quanto antes, se quisesse evitar que a mesma cena assustadora se repetisse com mais vítimas inocentes.
Sem mais demora, o sayajin parou de circular a inimiga, ficando de frente para ela, e depois deu um estalo com a língua, como um sinal para D-Noidis — que agora estava por trás da cavaleira-réptil, cobrindo os olhos com os braços —, então ele levantou suas duas mãos abertas com as costas viradas para frente, na altura da testa e gritou:
— Taiyoken!
Um grande clarão de luz branca surgiu, cegando momentaneamente a vilã pega de surpresa, então D-Noidis avançou com os olhos ainda fechados, desferindo cortes velozes com sua espada no local onde a inimiga deveria estar. Ele não sabia o quão resistente eram as escamas blindadas da cavaleira, mas quando a luz intensa cessou e a mulher-réptil gritou de dor, ele recuou, abrindo seus olhos e vendo pequenos arranhões nas costas dela e a parte traseira agora sem cauda.
Em seguida, foi Ivanildo que atacou, lançando uma sequência infinita de bolas de energia dourada, que explodiram e jogaram a inimiga contra o que restava do chão gramado.
— Agora! Ka-me-ha-me-... — começou Ivanildo, reunindo todo o poder possível que ainda possuía em suas palmas das mãos. D-Noidis também agiu, concentrando todo o seu poder shinigami e hollow sobre a zanpakutou Zangetsu, que dançou em raios negro-avermelhados, encobrindo-o com uma cortina densa e infinita.
Quando viram a cavaleira cega se colocar de joelhos, totalmente desorientada devido o que havia acontecido, os dois cosplayers agiram, lançando suas poderosas técnicas em nível máximo, suas vozes gritando em uníssono:
— GETSUGA TENCHOU!
—...HAAAAAAAAAA!
O mar negro de energia que brotou da espada transformou-se num tornado, levando dentro de si o poderoso raio de energia azulada, e, um instante depois, ambos arrebentaram contra a líder dos espectros no terreno abaixo, criando uma grande explosão que estremeceu a terra e devastou tudo ao redor.
A perigosa batalha finalmente havia acabado — e Bruna Timbó, a líder dos Nove Espectros do Anel, estava morta.
Ou, pelo menos, assim os dois esperavam...
☯ ☯ ☯
“Boomp...! Boomp!...” Micro icebergs negros caíram do céu em grande velocidade, mas Karen desviava, saltando entre as pilastras de gelo branco que cresciam no chão ao seu comando. “Boomp!” Ela desviou de mais um, então avançou pela ponte de gelo branco que se formou instantaneamente, ondulando debaixo de seus pés até o encontro de Lucas Dixon.
Já havia se passado cerca de dez minutos desde que ela se transformara e atacara o Espectro do Gelo Negro com sua nova e cintilante espada branca, e neste curto intervalo de tempo, Karen já havia presenciado a trágica morte de Anna perto do cruzamento a apenas alguns metros dali, e, infelizmente, ela não pôde ajudá-la, pois estava ocupada demais tentando dar conta do próprio inimigo.
Inicialmente, ambos haviam trocado golpes furiosos e violentos com suas lâminas, mas Karen havia se saído melhor na investida, já que, como tinha maior especialidade em lidar com armas mágicas, sua destreza com a espada era espetacular, e isso lhe garantiu uma boa série de golpes efetivos contra o inimigo, infligindo-lhe cortes que arrancaram lascas da armadura negra e fizerem filetes de sangue brotar depois de alguns ataques — um deles lançando a ridícula tiara com o emblema do pinguim para longe. Mas, apesar do sucesso imediato, o inimigo percebeu sua fraqueza diante da adversária, e recuou, largando a espada no chão e apelando para suas habilidades máximas com aquele gelo negro cancerígeno. O espectro, então, lançou diversos ataques consecutivos contra a heroína, projetando estalagmites no solo, lançando dardos pontiagudos de todas as direções e, agora, os pequenos icebergs que brotavam do céu para esmagá-la. Desde então a batalha seguiu um rumo maçante, pois nem um dos dois sofria danos, já que Karen não conseguia atacá-lo enquanto se desviava dos ataques sequenciais ou os bloqueava com muralhas de gelo branco.
Mesmo assim, Karen estava confiante de que se sairia vitoriosa dessa batalha à medida que avançava pela ponte ondulante que se formava no meio do ar, indo ao encontro do cavaleiro desprotegido, que viu a aproximação e projetou dois gigantescos braços de gelo negro para atacá-la. Porém, Karen estava atenta, e saltou quando um dos braços destruiu a ponte com seu punho, pousando por cima dela e saltando novamente quando o segundo veio e destruiu o colega de gelo. Nesse momento a garota usou sua espada longa e atacou o espectro desesperado, que no calor, ou melhor dizendo, no frio do momento, ergueu sua espada para se defender mas caiu para trás no instante seguinte, quando o impulso do ataque da adversária congelou e partiu sua lâmina em estilhaços, abrindo também um corte profundo em seu ombro.
Machucado, com muito sangue escorrendo do ferimento, Lucas Dixon não sentiu dor, mas recuou, rolando pelo chão enquanto muralhas enormes de gelo negro emergiam para o alto, afastando a inimiga, então ele se colocou de pé e se deu conta de que o braço não se movia mais, totalmente inutilizado — para o seu azar.
Karen viu o feito de longe, enquanto um pilar de gelo branco a erguia acima das muralhas, e com um meio sorriso, sussurrou:
— Mais um ponto pra mim, ein.
Sem demora, a garota saltou e se colocou frente a frente com o inimigo mais uma vez, a apenas três metros de distância dele, e a menos de oito metros de distância de onde jazia o corpo de Anna (transformada em dragão) e Milena (ou o que restara dela). Atrás, um clarão de luz irrompeu no céu, afastando as nuvens escuras que encobriam o céu parcialmente, e o sol novamente mostrou sua face, fazendo os dois tipos de gelo cintilarem. Karen não se virou para ver o feito que havia provocado aquilo, mas pelo grito “Final Flash”, a voz se assemelhava muito a de Kevin; e ela esperava que ele estivesse indo bem em sua batalha, e também que nem pensasse na hipótese de querer ajudá-la, caso já tivesse vencido sua luta, pois ela o enxotaria dali definitivamente, se resolvesse se intrometer em sua luta.
Karen estava tão confiante de que podia lidar com aquela batalha sozinha à medida que caminhava lentamente na direção do rival, que não previu que o mesmo ainda possuía mais uma cartada na manga; quando, subitamente, uma nevasca negra irrompeu ao redor do espectro, avançando com violência até a heroína, que só conseguiu proteger seu rosto com os braços no momento. Acuada, Karen se abrigou dentro de um iglu que ela construíra ao seu redor, notanndo uma brisa leve e flocos negros entrando através da pequena passagem que ela deixara exposta do lado contrário de onde a nevasca se projetava.
— Esse maldito me atacou com neve negra? — resmungou ela, limpando os flocos negros em sua armadura branca. — Mesmo com aquela cara sem sal, ele tem mais criatividade do que aparenta, mas eu também tenho os meus tru...
De repente, Karen caiu de joelhos, vomitando sangue. Sua visão ficou brevemente turva e a pele exposta em alguns espaços da armadura começou a queimar. Em choque, ela se analisou e viu manchas roxas e pequenas bolhas de pus se formando nos espaços que eram possíveis ver. Mas não parava por ali, o formigamento seguido de queimação aos poucos se espalhava por outras partes da armadura, e em desespero, ela começou a arrancar partes de seu traje especial e olhar ao redor, horrorizada ao ver como o envenenamento do gelo negro se espalhava rapidamente ao redor de seu corpo.
— Não pode... ser. Foi apenas por um instante, e a neve só se encostou em alguns pontos do meu corpo. — De súbito, Karen chegou à conclusão que o efeito da doença desconhecida talvez tivesse se agravado também pelo fato dela ter respirado parte dos ventos infectados da nevasca enquanto se protegia, e vendo pela saída do iglu o vento violento entrar e espalhar flocos pretos pelo chão, ela entendeu que a contaminação ainda estava em curso e que todo o ar a sua volta era perigoso; então ela precisava tomar uma atitude o mais rápido possível, se não morreria, ou pior, o espectro permaneceria vivo e causando problemas. — Vamos lá, pense em alguma coisa... pense... — murmurou para si mesma, forçando sua mente a trabalhar, mesmo com toda a dor que lhe percorria o corpo.
Do lado de fora, a nevasca continuou firme e o espectro Lucas Dixon, que movia sua tempestade negra com apenas uma das mãos erguidas com a palma virada para frente, viu quando o iglu de gelo explodiu repentinamente, jogando pedaços que ele evitou facilmente, enquanto vislumbrava a garota apática e doente surgir com... um grande canhão de gelo branco apoiado sobre o ombro.
— Se eu vou cair, então você vai comigo, seu infeliz! — gritou ela, no meio da tempestade barulhenta; então uma luz branco-azulada brilhou na grande e redonda boca do canhão, e um poderoso raio de gelo foi jogado contra o espectro, congelando e esfarelando o seu corpo à medida que Karen continuava gritando: — Mooooooorraaaaaa!!!...
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Ivanildo e D-Noidis desceram até a grande cratera fumegante para verificar se Bruna Timbó havia morrido com o poderoso ataque combinado deles. Como era impossível sentir a energia emanada pela cavaleira, ter certeza se ela estava ou não morta era uma prioridade, pois eles não poderiam arriscar abandonar o lugar, para depois serem pegos novamente de surpresa pelas costas. E como ambos estavam exaustos da batalha, a ponto de não manter mais seus poderes como antes, Ivanildo voltou à forma comum de cabelos pretos bagunçados e D-Noidis agora não mais possuía a máscara que usava antes, exibindo seu rosto de traços maduros e barba por fazer.
Era difícil ver com toda aquela fumaça ao redor, que emergia constantemente das profundezas da cratera de aproximadamente dez a quinze metros de profundidade — que outrora fora parte do Parque da Cidade —, todavia os dois heróis fizeram um grande esforço para vislumbrar bem o fundo, e usaram um pouco de seus poderes restantes para repelir a densidade da fumaça que os fazia tossir.
Mas nada da cavaleira.
Bruna Timbó não estava em parte alguma.
— Acha que o corpo dela foi totalmente destruído com nossos ataques? — perguntou Ivanildo, vendo que seu colega estava com uma expressão de dúvida tão grande quanto a dele.
— Espero que sim. — Foi tudo o que ele disse, bem antes de um clarão flamejante irromper bem ao longe dali, na parte do céu onde, minutos atrás, enquanto eles lutavam com a cavaleira, um raio dourado havia afastado parte das nuvens negras da área do Centro de Convenções.
Os dois olharam com espanto para as labaredas de fogo misturadas às sombras que irrompiam do solo para o céu, e, subitamente, se lembraram do alerta que receberam na misteriosa mensagem telepática, pouco antes de voarem para longe do Centro de Convenções.
— Temos que ir — disse D-Noidis, e ao seu lado, Ivanildo deu uma última olhada para a cratera abaixo dele, antes de assentir com hesitação.
Os dois esperavam que a inimiga estivesse mesmo morta e que não os causassem mais problemas. No entanto, o medo que os dois sentiram ao vislumbrar aquele fogo apocalíptico se misturando com o céu ao longe, formando nuvens de fogo e sombras, os deixou bem mais preocupados do que a inimiga que enfrentavam momentos antes.
Com pressa, Ivanildo voou pelo céu e D-Noidis o acompanhou logo atrás, correndo no meio do ar com sua habilidade “Plataforma de Reiatsu”, uma das habilidades de shinigami que o permitia andar no meio do ar, e que fora muito útil em sua batalha.
Mesmo exaustos, os dois cosplayers ainda tinham forças para lutar, mas o que quer que fosse aquele fogo estranho, ambos torciam para que não fosse nada tão grave com o que se preocupar.
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Minutos após a saída de Ivanildo e D-Noidis, um estalo irrompeu do fundo da cratera fumegante e uma rachadura surgiu, depois outra, então milhares delas se espalharam até ocasionar uma explosão de pedregulhos, com uma mulher-reptiliana emergindo do interior da terra, aterrissando no meio da avenida semidestruída, longe do espaço que quase fora sua cova.
A líder dos espectros estava brutalmente machucada, mas aos poucos os seus poderes a curavam, deixando apenas cicatrizes horrendas no lugar dos ferimentos onde, outrora, suas escamas douradas reluziam.
— Então ele conseguiu... — sussurrou Bruna, olhando com admiração para a torre de fogo ao longe que subia até o céu.
De repente, pessoas começaram a correr pela avenida ou pelas calçadas, vindas de onde aquele feito sobrenatural se projetava, e algumas até se espantaram e mudaram seu curso, tão logo viram a mulher-demônio parada ali, exibindo agora um sorriso insano de dentes pontiagudos, com ideias diabólicas percorrendo sua mente.
— O apocalipse finalmente se aproxima — concluiu a cavaleira, sua aura dourada acendendo em torno de si. — Essa é a oportunidade perfeita.
Com um impulso sutil, a líder dos espectros alçou voou e se dirigiu rumo à pilastra de fogo no Centro de Convenções — rumo ao acontecimento que mudaria completamente o mundo muito em breve, caso Sauron e Luiz saíssem vitoriosos.
Mas Bruna Timbó tinha algo mais em mente, e isso poderia alterar toda a sequência dos fatos predestinados para o futuro.
Uma terrível catástrofe está em curso...
O que aguarda os nossos heróis no Centro de Convenções?
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