Trilogia Aventuras 03: FAMS - A Aventura Continua
13 Capítulo 12: Superando os limites!
Notas iniciais
CAPÍTULO 12
SUPERANDO OS LIMITES!
OS HERÓIS USAM SEU PODER AO MÁXIMO.
Quando Marcelo enviou a saraivada mortal, Joana não pensou duas vezes, colocando-se logo na frente das amigas, enquanto usava a técnica que Lucivanny lhe sugerira para o plano ainda não explicado. Ela largou a espada no chão e ergueu os dois braços de imediato, chocando os braceletes de metal em ambos os pulsos, um contra o outro, então um clarão de luz combinado com um estrondoso som de trovão soou à medida que vento se misturava a um impulso magnético devastador, encontrando os dardos de luz e os repelindo sem nenhuma dificuldade.
As garotas viram quando os dardos foram afastados, dançando ao som de uma sinfonia desorganizada, e o espectro que vislumbrava tudo logo atrás também acabara sendo tragado pelo impulso, chocando-se contra a parede que, quase se desintegrou completamente com um impacto cinético da energia produzida pelos braceletes de Joana. Pela primeira vez desde que o confronto começara, as garotas perceberam que o inimigo não era tão poderoso quanto aparentava, e elas tinham realmente grandes chances de vencê-lo, mas era cedo demais para comemorar, e Lucivanny sabia que elas precisavam agir logo.
— Agora é a nossa chance, o plano está dando certo!
Joana não sacou o que ela quis dizer com aquilo, uma vez que ela não falara nada a respeito do plano, mas sabia que a técnica que utilizara fazia parte do que a amiga tinha em mente, então ela não falou nada, apenas a seguiu, ajudando no que precisasse.
— O que vocês precisam que eu faça? — perguntou Ursula, cada vez mais pálida e ofegante, tanto devido ao último ataque de Marcelo quanto ao fato de já ter usado magia demais para conjurar tantas proteções diferentes.
— Apenas fique aqui e mantenha a barreira telepática erguida. Vamos lá, Joana.
Lucivanny caminhou mancando, ignorando a dor no machucado em sua coxa, e Joana a acompanhou. Enquanto se aproximavam, elas viram o inimigo já se levantando, dardos reluzentes se formando ao seu redor lentamente, mas a arqueira não permitiu que ele tivesse uma chance de se defender, e disparou duas flechas de energia, atingindo-o na barriga e na coxa esquerda.
— Joana, captura ele com seu laço mágico.
Tão logo Marcelo cambaleou e caiu de joelhos no chão, machucado, Joana obedeceu ao pedido da amiga e sacou o laço preso em seu cinto, capturando o inimigo. Logo atrás, Ursula comemorou a vitória, mas não saiu de seu posto nem desativou a barreira telepática, enquanto se sentava no chão, sem forças para continuar de pé.
— Agora podemos acabar com tudo isso — concluiu Joana, satisfeita.
— Espera um pouco. Primeiro usa seu laço sobre ele, talvez a gente consiga alguma informação útil.
Joana entendeu o que a amiga queria dizer. O laço mágico não apenas capturava suas vitimas, ele também possuía a habilidade de obrigá-las a dizer a verdade. Com isso, elas tinham a chance perfeita de conseguir salvar Marcelo, sem precisar matá-lo.
— Okay, então vamos tentar. — Joana mirou o espectro e ativou a magia do laço enquanto fazia suas primeiras perguntas. — Quem fez isso com você? Quem te transformou num guerreiro do mal?
Marcelo pareceu se contorcer sobre a influência do laço, mas não disse nada.
— Vamos, responda! — Joana insistiu. — Foi Luiz que fez isso com você? E como a gente pode desfazer esse encantamento?
Novamente silêncio.
Joana apertou mais o laço e continuou a refazer suas perguntas diversas vezes e de maneiras diferentes, mas nada adiantava. Era como se o espectro resistisse ao poder do laço. O tempo corria enquanto as duas conversavam, pensando e executando novas alternativas para obrigá-lo a falar; mas nada parecia funcionar.
— Não vai adiantar, criança. O Contrato do Anel é mais poderoso e sugestivo do que pensam — disse uma voz maligna, subitamente.
Joana e Lucivanny se viraram para detectar o dono da voz e ficaram aterrorizadas ao ver Ursula erguida no ar pelo pescoço, sendo enforcada por uma criatura enorme, vestida numa armadura metálica negra diferente de tudo o que elas já tinham visto.
— Quem é você? — perguntou Lucivanny, já erguendo seu arco mágico instintivamente.
O sujeito pareceu ignorar a atitude dela, mas respondeu a pergunta:
— Eu sou Sauron, o criador dos Nove Espectros do Anel.
A pronúncia daquele nome fez as duas se lembrarem do que Renny dissera na mensagem: aquele era o parceiro de Luiz.
— Solte ela agora mesmo, e faça o Marcelo voltar ao normal — esbravejou Joana, dando um passo a frente com seus punhos fechados.
— Vocês me divertem, garotas. — Sauron gargalhou, sua voz abafada e distorcida ressoando como a voz de um demônio. — Mas vocês não estão em condições de ordenar nada, nem muito menos de me enfrentar. — Sauron aumentou seu aperto sobre o pescoço de Ursula, e ela começou a se contorcer, ficando azul.
— Então se você quer da maneira difícil, tudo bem! — Lucivanny mirou seu arco, tendo o cuidado para evitar atingir Ursula, e disparou uma das flechas de energia, atingindo Sauron bem no capacete espinhoso que lhe ocultava a face totalmente.
A explosão foi intensa, mas Sauron não se moveu, nem muito menos diminuiu o aperto sobre o pescoço de Ursula, que agora começava a apagar, sem forças. Vendo a situação crítica, Joana agiu, largando o laço que segurava em sua mão e avançando contra o sujeito com um poderoso soco.
— O quê!? — Chocada, Joana viu seu soco nem mesmo abalar a postura da criatura; mesmo sua superforça não parecia ser grande coisa contra ele.
— Vocês realmente são teimosas, não são? — Sauron soltou o corpo vivo, mas inconsciente, de Ursula sobre o chão, e com apenas um tapa com as costas de sua mão, lançou Joana contra o resto da parede que ainda estava de pé, fazendo sua estrutura, e também a do forro do teto, desabar sobre ela e o espectro capturado. — Não consigo mesmo acreditar que meus espectros estejam tendo tanta dificuldade para matá-los. Isso é humilhante! — Sauron começou a caminhar na direção de Lucivanny, a única ainda de pé, e ela estremeceu. — Bom, criança, só restou você de pé. Eu te dou duas escolhas: aliar-se a mim ou morrer em minhas mãos. Qual você escolhe?
Com o cenho fechado e os dentes cerrados, Lucivanny levantou seu arco e bradou:
— Eu... eu escolho lutar! — E começou a disparar múltiplas flechas explosivas sem descansar.
☯ ☯ ☯
Quando chegou em cima do Centro de Convenções, Josiele viu com espanto a situação decadente em que Kevin havia ficado em tão pouco tempo que saíra de seu lado. O colete azul dele estava meio rasgado e chamuscado em alguns pontos entre as pernas, braços e barriga, deixando visível parte de sua pele, cujas veias estavam enegrecidas em meio às manchas roxas — decorrentes do recebimento das descargas elétricas infligidas por Lucas —, e a armadura de combate já nem mais podia ser chamada assim, pendurada no peito apenas por um alça, já que quase a metade toda de um lado estava despedaçada.
— Kevin, você está bem? — gritou Josiele, se aproximando dele e usando sua magia de cura básica para tentar reanimá-lo.
— Eu... Benny, cuidado! — Kevin a jogou para o lado quando rajadas elétricas despencavam do alto.
Josiele viu seu amigo ser novamente atingido pela eletricidade de Lucas Uchoa, caindo novamente enfraquecido; e ela, enfurecida, convocou suas chamas e voou pelo céu, na direção do cavaleiro despreocupado.
— Vai se arrepender por ter feito isso, Lucas! Eu garanto!
Com o corpo todo envolvido em labaredas, a Guerreira das Chamas Douradas avançou, lançando bolas de fogo e depois tornados incandescentes, um ataque após o outro, sem cessar. Todavia, a eletricidade que cercava o espectro não apenas o fortalecia como também o deixava um pouco mais rápido, e assim ele conseguia evitar as investidas da garota — ou, pelo menos, parte delas...
Uma bola de fogo havia explodido quase próximo ao rosto do cavaleiro, deixando-o desorientado por um instante, e então Josiele atacou com o punho em chamas, desferindo um soco sobre o rosto dele, que o arremessou à distância; depois ela ergueu as duas mãos, e uma serpente de fogo gigantesca se formou, sibilando enquanto avançava e engolia o espectro em queda, que caiu por cima de uma árvore próxima de um grande edifício.
Mas a batalha não havia terminado como ela pensava. Dez segundos após o impacto, descargas elétricas azuis cintilaram onde Lucas havia caído, e pessoas ali por perto correram com medo, tanto por causa dele quanto das outras batalhas que se desenrolavam ainda. Um momento depois, a figura do espectro emergiu em meio às chamas e relâmpagos, voando ao encontro da adversária, e Josiele se preparou, ampliando suas chamas tanto quanto pode.
— Cai dentro! — ela sussurrou, avançando também.
☯ ☯ ☯
Quando o interior do Auditório Plutão explodiu, tudo vindo abaixo, Natália Cunha, a cosplayer de Ravena, e Edmar, o espectro que manipulava as chamas negras, saltaram para fora do local destruído e recomeçaram a batalha no meio da avenida.
Natália investia ainda transformada no Modo Demoníaco, projetando braços com garras de energia ou disparando múltiplos ataques telecinéticos concentrados, sem cessar, mirando precisamente em Edmar. Mas o mesmo não ficava atrás em termos de poder, pois graças à ativação do Contrato da Alma, os seus poderes também haviam se ampliado extraordinariamente, criando chamas negras ainda mais intensas.
“Booom!” Os dois se encontraram mais uma vez numa investida de raios e chamas negras, espalhando destruição pelo meio da avenida perto do Divinus Pizza Express.
À distância, Natália podia ver de relance pessoas correndo e viaturas da policia surgindo, com policiais correndo de um lado para o outro sem saber se deveriam ser idiotas o bastante de se meter no meio da briga de seres superpoderosos; e ela mesma chegava a conclusão de que aquilo tudo era uma grande loucura surreal, mas sabia que estava envolvida e tinha um objetivo a cumprir: evitar o fim do mundo.
Natália esbravejou mais uma vez e atacou, socando o inimigo com gigantescos punhos de energia, entretanto ele repeliu os ataques dela com a espada em chamas, destruindo facilmente os construtors telecinéticos. Cerrando os dentes, Natália se viu decepcionada com o rumo que sua batalha seguia, pois mesmo com o aumento de seus poderes, ela ainda não parecia à altura do cavaleiro, que ficava cada vez mais forte à medida que as chamas cresciam.
“Chamas... fogo... É isso!” Com uma rápida conclusão mental, Natália pensou numa ideia eficaz para reduzir as habilidades do inimigo a um nível aceitável em que ela pudesse atacá-lo, então ela voou para trás, entrando numa rua onde havia residências e uma distribuidora de aço, e ergueu suas mãos, concentrando-se em sua magia.
— Azarath Metrion Zinthos!!! — Ela pronunciou, disparando seus raios negros sobre o asfalto abaixo, e, poucos instantes depois, a terra estremeceu, fazendo canos e dutos de esgoto saltarem para fora, jorrando litros de água.
Vendo que Edmar a seguira — as chamas negras dançando e destruindo o asfalto em que ele caminhava —, ela sorriu em aprovação e, com sua magia, controlou o fluxo da água e o lançou contra o inimigo, banhando-o em toneladas do liquido que emergia dos canos e do esgoto.
— Você pode ser poderoso, mas cai na armadilha dos outros com muita facilidade.
Natália não sabia como funcionavam as chamas negras, era um tipo de fogo que queimava sem expelir fumaça do que consumia, mas ainda assim era fogo — e era quente! —, e talvez a água pudesse ser seu oposto e apagá-lo. Então, enquanto movia o fluxo infinito de água contra ele, derrubando-o no chão devido a pressão do liquido, ela analisou atentamente o que acontecia às chamas negras; e soltou uma exclamação, ao perceber que o fogo parecia tentar queimar a própria água.
Realmente era um fogo diferente de tudo o que já tinha visto, pensou ela, e suas fraquezas pareciam ser imprevisíveis — se é que existiam fraquezas naquele fogo sobrenatural. Mas apesar das chamas ainda se manterem fortes o bastante, Natália sabia que ainda tinha uma chance de sair vitoriosa, pois o cavaleiro estava afugentado pela pressão que lhe arrebentava o corpo contra o chão. Então ela avançou, sem perder tempo.
Com o Modo Demoníaco mais intensificado do que nunca, ela se aproximou mais e o atacou com uma poderosa rajada de energia negra telecinética, gerando uma onda de explosão que espalhou lama e pedaços de asfalto por todos os lados — além de um cavaleiro aparentemente morto, com sua armadura em pedaços. Natália então se aproximou mais, cuidadosa, de modo a conferir se ele estava realmente morto, quando foi pega por uma surpresa inesperada: seus poderes se reduziram, e ela caiu no chão de joelhos, completamente exausta.
Durante sua batalha contra Edmar, ela utilizara tanto os poderes no Modo Demoníaco, que não se dera conta de que, apesar de estar lutando como Ravena, havia limites para o uso deles naquele modo. A personagem em si talvez pudesse durar bem mais tempo, mas ela não era a personagem, apenas ativara um feitiço que a permitia usar as habilidades dela, então os limites se ajustavam de maneira diferente a si.
— Não importa, pelo menos eu consegui vencer essa luta — sussurrou ela para si mesma, erguendo seus olhos cansados para ver o inimigo morto... que já não estava mais lá! — O quê... Aonde ele foi!?
Natália sentiu uma aproximação por trás, e se virou de imediato, tarde demais para evitar a lâmina que lhe atingiu o ombro esquerdo. Ela gritou quando a lâmina a cortou, e se engasgou quando o espectro lhe deu um chute na cara, arremessando-a contra o chão molhado.
Com dor, mas ainda consciente de tudo a sua volta, ela olhou o inimigo de relance e notou, com alegria, que tanto as chamas quanto a aura brilhante dele não estavam mais projetadas ao redor de seu corpo, e, além disso, ele ofegava, tão exausto quanto ela.
— Parece que você ainda é humano também e tem seus limites, não é? — sussurrou ela, fazendo um esforço rápido para se erguer e, ao mesmo tempo, desviar da espada que já vinha novamente em seu encalço.
Ambos estavam exaustos, Natália avaliou, mas ele ainda possuía a vantagem de ter uma arma — e ela precisava tirá-la dele depressa.
“E a melhor e mais rápida forma de conseguir isso é...”
Natália avançou em direção ao inimigo, ignorando a dor no maxilar e no ombro, sua atenção totalmente focada no cavaleiro e na espada, então ela projetou raios telecinéticos em ambas as mãos e segurou a lâmina afiada que penetrou em suas costelas direitas.
— Te peguei! — disse ela com dor e fúria, as mãos energizadas segurando a lâmina sem se cortar; todavia, Edmar não se importou com o que ela dissera ou com o que planejava fazer, apenas incendiou um pouco de suas chamas negras ao redor de seu corpo e da espada, e observou enquanto a adversária se contorcia ainda mais ao sabor do fogo que a tocava. — Não... não pense que venceu... Seu maldito!
Em um último esforço desesperado, Natália ativou o Modo Demoníaco mais uma vez, sua pele ficando avermelhada e dois novos olhos brilhantes se projetando acima de suas sobrancelhas, então a espada do espectro se quebrou em dois com um apertão forte dado pela cosplayer, e ela cravou uma de suas mãos dentro do peito do inimigo, atingindo seu coração.
— Morra! — bradou ela, um grito demoníaco de pura determinação e fúria.
Mas ele não caiu.
Edmar se agarrou ao punho dela dentro de seu peito e inflamou suas chamas para produzir um último ataque a fim de levá-la junto consigo; porém, Natália entendeu a artimanha de autossacrifício que ele planejara, e aumentou os raios ao redor de seu corpo, de modo a atingi-lo antes que ele conseguisse realizar sua ideia.
— Para... para proteger as pessoas do mundo, para salvar... o futuro... — gritou ela, tomada pela dor pungente, enquanto chamas e raios negros novamente se encontravam uma última vez. — Azarath Metrion ZINTHOS!!!
Em um único instante, fogo e raios se misturaram numa explosão negra avassaladora, e os dois guerreiros tragados pela destruição desapareçam brevemente no meio da densa fumaça que subia aos céus.
Minutos mais tarde, um vulto caminhou cambaleante para fora da fumaça, e o vencedor da disputa apareceu — era Natália. Ela estava viva e havia vencido!
Exausta e muito ferida, a cosplayer caiu de cara contra os escombros do asfalto destruído, e com um último sorriso de satisfação pela árdua vitória conseguida, ela desmaiou.
☯ ☯ ☯
Josiele voava, acuada pelos ataques velozes e violentos do espectro que a atacava segundo após segundo, sem descanso. E para piorar a situação, a guerreira já sentia sua magia do fogo diminuindo, enquanto uma grande exaustão a dominava — ela estava chegando ao seu limite.
Com mais um disparo de duas bolas de fogo, que foram facilmente esquivados pelo Espectro dos Raios, ela tentou uma investida arriscada, tentando atingir o inimigo com seu punho em chamas; mas, para seu azar, tão logo desviara dos projeteis de fogo, Lucas Uchoa a interceptou com uma das mãos, segurando o punho flamejante da garota e desferindo-lhe dois socos contra sua barriga com a outra mão. Josiele arfou, sua mente brevemente confusa com a dor e a falta de ar nos pulmões, e, então, quando ela conseguiu inspirar o ar e se preparar para contra-atacar, Lucas a soltou e a atingiu com um novo soco contra seu rosto, fazendo-a cair em alta velocidade contra o telhado do prédio principal do Centro de Convenções.
De cima, o cavaleiro a fitou com despreocupação, sentindo sua própria exaustão diminuindo e seus poderes se intensificando novamente como antes; então ele apontou o dedo indicador direito para a adversária caída, e um brilho de luz azul se formou na ponta dele, crescendo e formando tentáculos dançantes, que logo atingiram seu ápice e voaram de encontro à garota que estava com o nariz ensanguentado.
“Ssssssss!” O relâmpago em queda sibilou, e parecia ser o fim de Josiele. Mas um vulto dourado se projetou na linha de fogo e rebateu a corrente elétrica, fazendo-a tomar outro trajeto.
— Desculpe te deixar na mão, Benny. Eu sou um idiota mesmo — confessou Kevin, olhando-a brevemente de relance com tristeza e decepção, antes de retornar sua atenção para o inimigo. — Mas dessa vez esse maldito me paga. Ele vai se arrepender de ter batido na minha amiga!
De repente os músculos do cosplayer cresceram um pouco mais e suas veias quase saltaram para fora, à medida que seu poder crescia consideravelmente mais, se expandindo através da aura, que se agitou num turbilhão luminoso ao redor de seu corpo. Relâmpagos surgiram de repente e uma ventania sobrenatural agitou as redondezas, fazendo os demais cavaleiros e membros do Time Ren, que lutavam por perto, sentirem a mudança no clima e a terra tremer à medida que Kevin gritava cada vez mais.
“Se eu não posso me tornar o Super Sayajin Blue, como gostaria, ao menos vou fazer meu poder superar o Super Sayajin 2...” refletiu Kevin enquanto se concentrava na cena que vira no começo do anime Dragon Ball Super, quando o deus da destruição Bills havia batido em Bulma, provocando a ira de Vegeta. “Se eu conseguir misturar minha fúria insana com meu poder, assim como Brolly, Gohan, Vegeta e o Trunks do futuro fizeram, eu posso ganhar um poder ao nível, ou ainda maior, que o Super Sayajin 3.”
O poder cresceu ainda mais, à medida que Kevin misturou sua raiva ao pensar no que Lucas fizera a Josiele e nas mortes que ele e os demais inimigos causaram enquanto o FAMS acontecia — como a morte de sua querida irmã.
Subitamente, o poder do cosplayer explodiu ao extremo, seus globos oculares ficando totalmente brancos e sua aura dourada ganhando uma aparência densa e fluída como a do Super Sayajin Blue, além de um brilho azulado que se espalhou ao redor de seu corpo. Pensar na morte da irmã, que ele havia ignorado durante a chegada de Luiz, para evitar agir por instintos e se dar mal, o havia feito sentir uma fúria que nunca em toda a sua vida havia sentido, completando o ódio de que necessitava, para atingir o nível de Super Sayajin Fúria, a mesma transformação usada por Trunks para enfrentar o Goku Black no anime.
— Eu vou acabar com você!!! — gritou Kevin numa expressão insana, avançando em alta velocidade contra o inimigo, que mal conseguiu ter tempo de se defender ou mesmo prever os movimentos de ataque, quando veio o primeiro golpe contra seu rosto. — Esse aqui é pela Benny! E esse outro... — Kevin desapareceu por um instante, surgindo por trás do inimigo. — É pela minha irmãzinha!
O cavaleiro caiu em alta velocidade contra a calçada de uma padaria ali perto, afundando no solo, após receber um poderoso chute contra suas costas. Demorou cinco segundos antes do espectro se levantar, quando a aterrorizante figura do sayajin enfurecido surgiu em sua frente e gritou:
— E isso é pelas pessoas que você e os outros mataram durante o evento!
Kevin começou a desferir dezenas de socos precisos e violentos contra o corpo do inimigo, os golpes parecendo uma espécie de metralhadora de trovões, enquanto o chão ao redor se despedaçava devido a extrema pressão de energia cinética liberada.
Com o rosto já ensanguentado, o cavaleiro quase inconsciente viu quando um novo chute lhe atingiu o rosto, e ele foi jogado para o alto, seu corpo de repente sofrendo o impacto de explosões de energia desferidos pelo inimigo logo abaixo.
— Dadadadadadada...! — Kevin disparava e disparava sem cessar diversas esferas de energia contra o inimigo, sem pena e sem receio, mas quando uma explosão elétrica reluziu no céu, protegendo brevemente o inimigo, que já acumulava energia em suas mãos para uma última tentativa desesperada de derrotá-lo, o cosplayer sabia que estava na hora de finalizar a batalha; até porque nem ele mesmo sabia por quanto tempo mais poderia manter aquela transformação ativa.
Esticando os braços para frente e concentrando a energia em duas bolas nas mãos, Kevin fundiu as esferas douradas de energia concentrada e esperou alguns instantes até que seu inimigo terminasse de carregar seu próprio ataque elétrico e o lançasse contra ele; quando Lucas fez isso, lançando um turbilhão de relâmpagos devastadores, o cosplayer finalmente disparou sua poderosa rajada de energia dourada, gritando furiosamente:
— FINAL FLASH!
A rajada elétrica do espectro e o Final Flash do sayajin se encontraram, uma energia empurrando a outra, porém logo o resultado da batalha foi definido, quando Kevin urrou e sua rajada dourada avançou até o encontro do cavaleiro, tragando-o completamente e despedaçando o seu corpo enquanto a luz subia para o céu e o raio atravessava as nuvens escuras e sobrenaturais que encobriam a região, se dissipando quase que completamente e deixando o brilho solar familiar a todos os sobralenses surgir.
Com a batalha finalmente terminada, Kevin regrediu seu poder até o super sayajin comum, já sentindo a exaustão tomando-lhe por ter levado seu corpo ao limite naquela transformação poderosa, mas sabia que ainda não era momento de descansar, pois à direita, bem perto de onde ele estava, Karen ainda lutava contra um dos espectros, e à esquerda, numa distância considerável — provavelmente próximo do Supermercado Lagoa e do Parque da Cidade —, uma outra batalha também prosseguia, e o inimigo, seja lá quem fosse, tinha um poder que superava, e muito, o de Lucas Uchoa, para estar provocando explosões tão devastadoras.
Sem pestanejar, Kevin se levantou e começou a caminhar até a direção de Karen, mas o pensamento de Josiele machucada no telhado passou-lhe pela mente, e ele decidiu de imediato voar até o encontro dela, para ver como ela estava — até porque, pelo curso da batalha de Karen, ela parecia estar indo bem, e poderia esperar um pouco mais.
— Desculpa aí, Karen. Eu já volto pra te ajudar — sussurrou ele, de longe, e voou pelo céu, cujo sol novamente brilhava, espalhando seu torturante calor infernal.
☯ ☯ ☯
Renny corria de quatro como um animal feroz e astuto, fugindo dos projeteis negros que explodiam o solo bem atrás, e, à distância, Luiz parecia se divertir enquanto mirava o dedo da sua mão — como se manuseasse um revolver — e disparava freneticamente, tentando atingir o adversário.
— Fuja! Fuja como a maldita kitsune covarde que você é! — provocou o anjo negro, concentrado em suas ações, sem perceber que o Núcleo das Almas ao seu lado começava estranhamente a pulsar.
De repente, Luiz sentiu duas grandes energias se impactarem em algum lugar do lado de fora, provavelmente algum dos espectros chegando ao limite para conseguir vencer o inimigo, o que, de certa forma, ele achava ridículo, pois era inaceitável que os soldados criados justamente para liquidar de vez com a tropa do Time Ren, estivessem tendo tanta dificuldade. E Luiz falaria sobre os Espectros do Anel com Sauron depois — os fantoches dele eram dignos de pena.
— Você baixou a guardar! — gritou Renny, dando um grande impulso veloz em suas pernas e avançando com uma nova e surpreendente velocidade que Luiz ainda não havia visto. Em menos de dois segundos, ele já estava bem em cima do inimigo, e o atacava com uma lança de fogo esverdeado fixada em seu braço.
Meio espantado com a chegada repentina, Luiz conseguiu desviar do ataque no último instante, mas de repente teve uma de suas asas dilaceradas quando Renny girou seu corpo e atacou com as garras energizadas da outra mão.
— Vou te matar, seu verme! — Irado, o vilão projetou sua espada de trevas sobre o punho e avançou disposto mais do que nunca a matar seu rival, tanto pela asa destruída quanto pelo orgulho ferido pela... Ele não sabia mais quantas vezes já havia passado ao ridículo.
Renny bloqueou o ataque da espada com sua lança, o solo afundando e se transformando numa cratera enorme quando as duas armas se chocaram uma contra a outra, e ao lado, o Núcleo das Almas começou a pulsar mais rápido, fazendo, desta vez, tanto Renny quanto Luiz perceberem o ocorrido, virando seus rostos para ver quando a bolha rosada se incendiou em luz dourada e se transformou num minissol.
“Droga!” xingou Renny em sua mente, seu rosto não escondendo a decepção do perigo que aquela esfera representava, caso Sauron a usasse para criar o Um Anel. Ao seu lado, Luiz apenas deu um meio sorriso, indiferente a novidade.
Subitamente o que restava do telhado acima deles explodiu, e duas figuras pousaram no chão, bem perto da esfera brilhante: um dos indivíduos era Josiele, que estava inconsciente, segurada pelo pescoço por... por Sauron.
— Finalmente o Núcleo das Almas atingiu o seu ápice! — exclamou a criatura metálica enquanto jogava o corpo inerte de Josiele no chão. — O grande momento finalmente chegou!
A chance de mudar o trágico futuro está por um tris.
O que Renny fará para impedir os dois inimigos?
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