Trilogia Aventuras 03: FAMS - A Aventura Continua
4 Capítulo 03: Os Nove Espectros Aparecem!
Notas iniciais
CAPÍTULO 03
OS NOVE ESPECTROS APARECEM!
O MASSACRE COMEÇA NO EVENTO.
“Click!”
Com apenas um estalo de dedos, símbolos estranhos brotaram do chão e das paredes próximas de todas as possíveis entradas do evento, bloqueando-as magicamente com campos magnéticos luminosos de aparência liquida, que eram capazes de eletrocutar qualquer um que os tocassem. Agora, como todo o Centro de Convenções estava lacrado, não havia como qualquer pessoa sair ou entrar no lugar, nem mesmo como ligar e pedir socorro, pois o encantamento criava uma interferência magnética que bagunçava o funcionamento de aparelhos eletrônicos.
Luiz sorriu, satisfeito.
Na madrugada do mesmo dia em que o FAMS aconteceria, Sauron e ele haviam invadido o Centro de Convenções furtivamente, consagrando a área para seus intentos. Graças a isso, eles agora tinham controle total sobre toda a área, e isso não se referia apenas as suas passagens, mas também às almas das pessoas, que após serem mortas, seriam guiadas pela energia do encantamento para o núcleo onde o Grande Ritual se concretizaria. E não havia nada que o Time Ren poderia fazer desta vez, pois as surpresas estavam apenas começando...
— Apareçam, Espectros do Anel! — gritou Luiz, com os dois braços erguidos.
Espantado, Renny viu a projeção dos bloqueios sobre as saídas do lugar e depois sombras oscilantes e esfumaçadas darem forma a guerreiros de armadura que pousaram no chão com grande graciosidade atrás de Luiz. Cada novo desfecho o surpreendia ainda mais, mas não tanto quando ele viu os rostos dos nove cavaleiros negros, curvados e obedientes; todos, amigos ou conhecidos que costumavam frequentar eventos como o FAMS.
— Não... não pode ser! O que significa isso?
— O que foi? Surpreso em saber que dessa vez eu também vim com meu próprio exercito? — perguntou Luiz, sarcástico.
Antes mesmo que Renny pudesse pronunciar mais alguma palavra, Luiz viu quando alguns integrantes do Time Ren vinham ao encontro deles, alguns cosplayers também os acompanhando.
— Luiz, seu viado desgraçado! Você já veio tentar estragar tudo outra vez!? — gritou Josiele, parando ao lado de Renny, totalmente tomada por ódio e frustração. — Mas o que... — Tão chocada quanto os demais que chegavam, Josiele viu os nove cavaleiros negros e os reconheceu na mesma hora. — Lu... Lucas? Bruna? Marce... lo?... Por que vocês...
Pouco depois de Luiz tapar todo o Centro de Convenções com os bloqueios mágicos, Josiele só havia notado a magia de fato em ação quando Lucas Uchoa, seu amigo, que estava com ela na área de k-pop, desaparecera espantosamente numa explosão de fumaça negra bem em sua frente enquanto conversavam algo sobre o campeonato de k-pop que aconteceria logo mais. O desaparecimento de Lucas a deixara em choque por cinco segundos, até finalmente entender o que tinha acontecendo: era Luiz, ele realmente estava no FAMS deste ano, aprontando mais uma das suas. No entanto, neste momento o que a garota não conseguia entender era o porquê de Lucas, Bruna e muitos outros estarem ajoelhados ao lado de Luiz, vestindo armaduras góticas estilizadas, os olhos em seus rostos emitindo um estranho brilho vermelho; sem contar que as nove pessoas não expressavam nenhuma emoção sequer, como se estivessem hipnotizadas.
“Hipnotizadas”, talvez essa fosse a resposta para a sua grande dúvida...
— Que bom ver todos vocês novamente — declarou Luiz, olhando cada rosto conhecido que já havia o enfrentado no passado, como Ursula, Josiele, Karen, Pedro Lyn, Alex... além de alguns novos, que aparentemente haviam se juntado a eles, o que para ele era uma coisa boa: quanto mais gente para enfrentá-lo, mais divertido seria. — Hoje finalmente teremos nossa última batalha de vida ou morte. Apreciem a pequena surpresa que trouxe para vocês... — Com uma olhada rápida para os espectros, Luiz gesticulou um sinal com uma das mãos, fazendo-os se levantar roboticamente, prontos para o comando final. — Ah, e sugiro não subestimá-los, eles são tão fortes quanto eu.
“Click!”
Bastou apenas mais um estalo de seus dedos, para que os guerreiros agissem; todos saltando na mesma hora, criando uma breve brisa que balançou os fios castanhos da franja de Luiz enquanto tomavam impulso e voavam para pontos específicos do Centro de Convenções.
— Comecem a matança, Espectros do Anel — bradou Luiz o mais alto que pôde, ainda com uma expressão feliz e insana em seu rosto —, e usem de toda a sua força contra aqueles que tentarem atrapalhá-los!
Tão logo saltaram, os nove guerreiros se espalharam e começaram a matança com suas espadas de dois fios, decapitando pessoas ou despedaçando seus membros com frieza e crueldade. Gritos agonizantes ecoavam pelo Centro de Convenções enquanto as pessoas tentavam fugir dos impiedosos assassinos, correndo e esbarrando umas nas outras desesperadamente.
Josiele viu quando uma mulher loira caiu no chão ao ser empurrada por um homem que corria em pânico. A mulher tentava se levantar e correr, mas quando viu Lucas Uchoa se aproximando com sua espada ensanguentada, ela travou de medo, e apenas teve tempo de gritar quando a espada eletrificada desceu em seu crânio, cruzando a pelve, até finalmente ser partida em dois; uma onda de sangue e tripas se esparramando pelo chão.
— Droga! — xingou Josiele, dando uma última olhada com nojo para Luiz antes de correr na direção de Lucas. Ela não podia permitir que seu amigo cometesse mais atrocidades como essa, e o impediria a qualquer custo.
Vendo o morticínio que acontecia pelo lugar e a atitude de Benny, como assim era conhecida Josiele, outros membros do Time Ren correram atrás de outros espectros que atacavam, o que preocupou rapidamente Ursula, que estava atrás de Renny, vestindo um short, uma blusa preta de alça fina com um sutiã de tiras cruzadas por baixo, além de um óculo de grau de armação escura, espelhada em verde, no estilo John Lennon.
— Renny, o pessoal está saindo aleatoriamente atrás dos amigos hipnotizados deles, a gente tem que parar eles. Esse negócio de amigo brigar com amigo não vai dar cedo.
— Sua amiga tem razão — confirmou Luiz, ainda parado no mesmo lugar com a guarda baixa, admirando a beleza da moça forte de aproximadamente dezoito a dezenove anos de idade, de pele morena e cabelos compridos ondulados com luzes platinadas quase num tom azul gelo. — Seus amigos estão em desvantagem. Enfrentar seus melhores amigos é bem difícil, ainda mais se você acaba se convencendo que talvez a única solução de impedi-los é matando-os, porque não será uma tarefa nada fácil conseguir imobilizá-los, sem contar que tentar convencê-los a parar o que estão fazendo é totalmente fora de questão. E meus espectros não têm emoções, nem mesmo reconhecem os seus próprios amigos, o que significa que eles não vão hesitar nem um pouco em matá-los logo na primeira oportunidade.
Luiz estava tão convencido de que sua tropa era imbatível, que não se preocupava em fornecer informações úteis para o Time Ren, no entanto Renny estava tão perplexo com a aparição de Luiz e a descoberta de que ele estava manipulando pessoas boas e conhecidas, que permaneceu imóvel ali, encarando o adversário sem reação, sem saber o que deveria fazer, até que uma mão logo atrás o tocou, tirando-o de seu torpor.
— Ren, cara, acorda! Não fica preocupado, vai dar tudo certo! Nós vamos acabar com esse animal aí e salvar nossos amigos. Confia na gente, mano.
Renny se virou, encarando os olhos confiantes de Kevin, que estava fantasiado do cosplay de Vegeta Super Sayajin, personagem do anime Dragon Ball Z. Ele usava uma grande peruca loira de cabelos espetados feita de EVA, um colete azul cobrindo a extensão do peito até as pernas — suas mãos e pés cobertos por luvas e sapatos brancos —, além da armadura de combate branca com detalhes amarelados sobreposta na região do peito, abdômen e costas. O guerreiro cosplay era um dos mais novos integrantes do Time Ren, mas que infelizmente no passado lutara do lado do mal como Andróide 17, ao ser controlado pelo encantamento de Luiz. Kevin estava confiante e queria compensar pelo que já fizera de ruim no passado, e não deixaria que seus amigos se machucassem ou ficassem aterrorizados com a situação, tanto quanto ele estava, e Renny sentia os sentimentos sinceros emanando do amigo, o que acabou lhe dando forças para voltar à realidade.
Com a confiança renovada, Renny puxou algo do bolso e novamente olhou para o inimigo, que só percebeu o que ele pretendia fazer um segundo depois da rajada de fogo sair do objeto em sua mão, atingindo o vilão numa explosão brilhante e barulhenta.
— Time Ren, reagrupar! — gritou Renny enquanto corria, tomando uma distância segura de Luiz e dos espectros que provocavam o caos no FAMS.
Enquanto isso, no meio da fumaça, Luiz se levantava com um sorriso no rosto. Era verdade que ele baixara sua guarda e o ataque do inimigo lhe pegara meio que de surpresa, mas com sua resistência e poder atual, ele não se intimidou nem se enfureceu com a ofensiva, até porque não sofrera nenhum dano físico, exceto pelas roupas chamuscadas e algumas cinzas em seu corpo. Com paciência, ele saiu do meio da fumaça e buscou seus adversários, encontrando-os de imediato próximos da área de k-pop, onde os espectros ainda não haviam atacado. Eles estavam reunidos em circulo, como se debatendo algum assunto importante, e dois segundos depois todos eles juntaram as mãos e, com um grito de guerra, se separaram, correndo para alas distintas do Centro de Convenções — indo na direção dos Nove Espectros —, exceto por um único individuo, que vinha em sua direção, caminhando com tensão enquanto ajustava uma espécie de cinturão de couro em sua cintura, com uns objetos estranhos presos a ele, e que o vilão não pôde reconhecer de imediato.
— Por enquanto, apenas eu vou lutar com você — disse Renny, sério.
Luiz sorriu ainda mais quando Renny caminhou calmamente para mais perto dele, o que aumentava ainda mais sua ansiedade enquanto dava uma boa olhada no perfil do rival, que usava sapatos pretos, uma bermuda jeans verde-lodo, o cinturão estranho preso na cintura, além de uma blusa preta estampada com as imagens do coringa e da arlequina, meio escondida pela jaqueta jeans azul; e quanto mais perto o garoto de cabelos platinados se aproximava, mais Luiz via com nitidez as pedras que enfeitavam o cinturão.
— Uau, quem diria! — Luiz olhou com admiração para os objetos que estavam presos no cinturão, finalmente os reconhecendo. — Você foi bem criativo dessa vez, ein. Usou sua magia para recriar o poder dos talismãs mágicos de Shendu, do desenho das Aventuras de Jackie Chan. Que foda! Por que eu não pensei nisso antes!?
Renny soltou um meio sorriso enquanto revelava o talismã do dragão grudado em sua mão esquerda, o mesmo que momentos antes quase incinerara Luiz totalmente.
— É, eles são bem fodas mesmo — De repente, alguns dos talismãs que estavam no cinturão brilharam com intensidade enquanto Renny começava a levitar e de seus olhos emanavam raios dourados —, e vão ser com eles que eu vou acabar com você hoje!
Luiz se animou e fez sombras negras brotarem em suas mãos.
Finalmente a batalha pela qual ele tanto esperava ia começar!
☯ ☯ ☯
Josiele não sabia exatamente o que fazer ou dizer para convencer seu amigo Lucas Uchoa a parar com as matanças. Após dividir aquela mulher em dois de maneira insana e fria, ele agora se dirigia a mais uma vítima, uma garota de cabelo curto, que parecia ter por volta de treze anos de idade.
— Lucas! Lucas, já chega! Não faça isso! — berrou Josiele, agora muito perto dele.
Lucas se virou calmamente para avaliá-la, e quando ele fez isso, Josiele pôde dar uma olhada melhor em seu visual: ele usava uma armadura metálica negra, personalizada com detalhes em azul-metálico que se estendiam por todas as peças, com exceção das coxas, antebraços e abdômen, que não estavam protegidas pelo traje de combate, mas estavam cobertos pelo colete interno acinzentado de pano que ele vestia por baixo de sua defesa gótica; na cabeça, o cabelo estava amarrado em um rabo de cavalo e havia uma tiara metálica negra no formato de um animal que ela não conseguia reconhecer, parecido com uma cobra ou uma minhoca, que lhe circulava a região da testa. Em silêncio, Lucas permaneceu imóvel por um instante, seus olhos vermelhos brilhando no rosto inexpressivo, fitando-a com atenção. De repente, ele apertou com mais força o cabo negro da espada e com um movimento de baixo para cima, tentou golpear Josiele sem piedade; ela, por outro lado, tão concentrada nas feições frias de seu amigo, quase não viu a tempo o ataque mortal chegando, desviando apenas no último instante para trás, escapando da lâmina ensanguentada, que apenas lhe rasgou o macacão azul e abriu um pequeno corte na bochecha direita.
— Lucas, para com isso, por favor! Eu não quero lutar contigo. Eu não quero te machucar.
Sem dar ouvidos às súplicas da garota, o cavaleiro manejou sua espada mais uma vez para atacá-la, desta vez, com relâmpagos dançando na lâmina de dois fios. Ele a atacou com movimentos variados, de cima para baixo, da esquerda para a direita e tudo mais o que podia — sem piedade, sem compaixão —, e a garota apenas recuava, desviando o máximo que podia, ou bloqueando as fincadas com bolas de fogo que ela projetava em suas mãos — pirocinese era sua grande especialidade mágica.
— Lucas, já chega! Por favor, tenta se lembrar de mim. Luta contra isso dentro de você. Resista!
Por mais que Josiele insistisse, por mais que tentasse de todas as formas possíveis, ela já começava a perceber que o Lucas que ela conhecia, o mesmo amigo que rira com ela de bobagens, que compartilhara coisas tristes e alegres de sua vida, não estava mais ali — aquela era uma pessoa totalmente diferente da que ela conhecia. No entanto, ainda assim, ela não conseguia revidar, não conseguia atacar um amigo querido. Não era a intenção dele fazer o que estava fazendo; ele estava sendo forçado, e machucar um inocente era algo que ela não conseguia fazer. E para piorar tudo, ela não conhecia nenhum tipo de magia de imobilização, para que pudesse ao menos incapacitá-lo por um tempo, até que achasse uma maneira de tirá-lo desse controle hipnótico do inimigo.
— Ahhh! — Josiele gritou, quando um golpe rápido da espada eletrificada lhe arranhou novamente o macacão, dando-lhe um choque e fazendo-a cair sentada no chão com o coração acelerado e o corpo ainda tremendo. Paralisada e sem forças, ela encarou mais uma vez a face sem emoções de Lucas, que agora erguia a espada e preparava-se para desferir o golpe final. — Lucas, por favor, não...
Josiele fechou os olhos e ergueu uma das mãos — uma reação automática do corpo na tentativa de se proteger —, então tudo pareceu girar em câmera lenta. Ela ouviu o silvo da espada descendo, cortando o ar enquanto se aproximava cada vez mais dela, os relâmpagos sapateando na lâmina afiada, convidando-a para conhecer o mundo dos mortos...
Um momento depois, a espada se calou.
— Você está bem, Benny?
Ainda viva, Josiele ouviu uma voz familiar, e então abriu os olhos lentamente. Acima dela, a espada não mais eletrificada estava parada a apenas dez centímetros de distância de sua cabeça, segurada por apenas dois dedos de alguém. Ela olhou um pouco mais para a direita e viu seu salvador, cujos cabelos dourados brilhavam dentro de uma aura esfumaçada também dourada, que percorria todo o seu corpo.
— Kevin?
Ao ouvir seu nome ser pronunciado, o rapaz a olhou de relance e sorriu.
— E aí, tá precisando de uma mãozinha aqui?
A ajuda chega no último instante!
Vegeta entra na batalha!
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