Trigêmeos

13 Capítulo 13


Notas iniciais
Capitulo 13 de 50.

Thais entrou no quarto em silencio. Retirou a toalha dos cabelos e começou a penteá-los frente ao espelho. Danilo pegou uma boxer azul em uma das gavetas e vestiu. Thais o encarou através do espelho revirando o armário atrás de algo. Ele bufou, praguejando algo sobre os irmãos usarem suas roupas e fechou o armário, se jogando na cama.

Thais deixou o pente e caminhou até ele que ergueu o rosto e se apoiou nos cotovelos quando ela se ajoelhou na cama. Ela subiu e ficou sobre ele, apoiando uma perna de cada lado, sentando-se sobre seus joelhos.

Tocou-lhe o peito, deslizando seus dedos pela pele que cobria os músculos firmes daquele homem. Ele era quente e soltou um suspiro quando seu dedo alcançou o tecido fino que lhe cobria. Ela sorriu e se debruçou sobre ele juntando sua boca com a dele.

Danilo lhe beijou, beijos rápidos, calmos. Acariciou-lhe as costas, passou o dedo por seus cabelos. Olhavam-se nos olhos, e os olhos estavam expressivos. Ele ergueu toda a sua estrutura, sentando-se na cama e aproximando-a mais para seu corpo. Thais envolveu-lhe o rosto com ambas as mãos, fazendo-o olhá-la.

- Faz amor comigo?

Os olhos dele abriam-se de par em par, surpresos. Ele a encarou por um instante, estudando-a, confirmando suas intenções, seus sentimentos, antes de beijá-la. O beijo que se seguiu foi calmo, carinhoso, firme, transbordando um sentimento.

Danilo a abraçou, beijando a curva de seu pescoço enquanto girava na cama. Deitou-a cuidadosamente sobre o colchão, encarando-a com curiosidade, afeto.

Thais lhe encarava com olhos grandes e escuros. Os verdes estavam intensos, fortes e amáveis. Danilo tocou a toalha com a ponta dos dedos e a olhou mais uma vez, como se pedisse seu consentimento. Ela sorriu, um sorriso cálido e gentil. Foi então que Danilo percebeu: amava aquela mulher.

~OoO~

Daniel entrou no quarto de Thais, abrindo a porta com cautela, imaginando que pela hora estaria dormindo. Encontrou-a nos braços de Danilo, ambos suados, nus. Trocavam caricias, sussurravam coisas, seus rostos tão próximos que respiravam o mesmo fôlego.

Daniel sorriu com a cena, não se constrangendo em permanecer olhando. Danilo sorriu, radiante, ao vê-lo. Deslizou uma mão pelo corpo feminino nu que se arrepiou. Thais suspirou se aconchegando no corpo maior e fechando os olhos.

- Ficará comigo essa noite. _ Diz a Daniel.

Daniel assentiu, saindo do quarto e apagando a luz. Danilo se voltou a Thais mais uma vez, beijando-lhe o rosto, acariciando-lhe os cabelos. Respirava ainda desconforme, mas seu coração batia calmo, tranqüilo, em paz. Sentia-se inteiramente feliz. Fechou os olhos, deixando de encarar a escuridão do teto, mas sem perder a linha curvada de pura satisfação que enfeitava seus lábios.

Sustentou Thais firmemente em seus braços, ela soltou um gemido de prazer e logo roçou seu corpo com o dele, aconchegando-se no novo aperto.

- Amo-te. _ Diz ele contra seus cabelos.

- Sei. _ Ela sorri contra seu peito. – Amo-te também.

~OoO~

Danilo tinha o mais belo sorriso quando atravessou a cozinha e se sentou a mesa. Seu rosto era sereno e sentia o peito leve. Era incrível o que uma simples frase podia fazer com uma pessoa. Ele estava radiante, emitia felicidade.

- Onde está Thais? _ Perguntou Daniel que já estava à mesa com Dante.

- Está se vestindo.

- Por que esse sorriso, irmão? _ Dante o encara curioso. – Feliz porque ela não te pôs de castigo por causa da Pilar?

- Feliz, mas não por isso. _ Diz Danilo abrindo o jornal.

- Bom dia. _ Thais surge sorrindo.

- Bom dia. _ Diz Danilo recebendo um beijo.

- Bom dia. _ Diz Daniel se curvando até ela, que se sentou no colo de Danilo, para beijá-la.

- Planos para hoje? _ Dante questiona de seu lugar, sem aparentar qualquer intenção de mover-se até ela.

- Pensei em ficar na cama lendo até um de vocês voltar. _ Diz comendo a torrada de Danilo. – Por quê?

- Necessito amostras suas.

- Pode tirá-las amanhã, irmão? Tem algum compromisso? _ Daniel questiona Thais que nega com a cabeça. – Gostaria de passar um tempo com ela hoje. _ Diz ao irmão.

- Não vai à empresa?

- Tenho que levar alguns documentos, mas voltarei em uma ou duas horas.

- Então ela irá comigo ao laboratório amanhã. _ Diz Dante. – Danilo?

- Tudo bem, marcamos de sair na sexta. _ Lhe acaricia a coxa passando a pagina do jornal sobre a mesa.

Daniel se levantou, dirigiu-se a Thais e saiu depois de beijá-la. Dante permaneceu mais alguns minutos olhando Danilo e Thais se acariciando ternamente. Deixando seu café pela metade, coisa que nunca fazia, ele se levantou da mesa. Caminhou para fora da cozinha em silencio, tencionando não ser percebido pelo casal. Como se eles fossem notar sua ausência. Pensou ele.

- Dante? _ Ele se deteve e virou-se para olhá-la. – Já está indo?

- Sim. _ Sua voz saiu rouca como se fosse um sacrifício falar. – Já vou. _ Desviou os olhos dela para Danilo que parecia entretido demais no jornal.

- Não vai se despedir de mim? _ Sua voz era baixa, firme, casual, mas não ocultava totalmente a magoa.

Dante se aproximou dela novamente, sem deixar de encarar os olhos que antes transmitia pura alegria e agora o encarava empalidecidos e feridos. Beijou-a com extrema calma, com medo de que um gesto bruto aumentasse a dor nos olhos dela.

Seguiu olhando-a por um minuto mais antes de se afastar e segui para seu destino. Não pode evitar olhar para trás antes de deixar a cozinha, nem omitir o tímido sorriso que surgiu em seus lábios.

~OoO~

- Parece feliz. _ Dante escuta a voz de Bruna, perto demais. – Está de bom humor hoje?

- Sim. _ Responde distraidamente.

- Qual o motivo do bom humor? E onde está mulher que queria que eu conhecesse?

- Virá amanhã.

- Por que está tão feliz? _ Ela toca-lhe as costas.

- Tive uma excelente noite com minha mulher. _ Lhe diz sério, afastando-se de seu toque.

- Sua atual? _ Diz debochada.

- Permanente. _ Ela lhe encara surpresa.

- Disse que não queria compromissos.

- Disse que não o queria com você.

~OoO~

- Ficará bem? _ Diz Danilo envolvendo sua cintura.

- Não é a uma criança que está deixando só em casa, Dan. _ Provoca Thais.

- Sei. _ Lhe beija. – Daniel não deve demorar.

- Aproveitarei um pouco de tempo comigo mesma.

- Sim, faça isso. _ Ri ele. – Duvido que terá qualquer tempo quando ele chegar.

~OoO~

Quando Daniel chegou encontrou Thais enroscada em muitas cobertas, estirada preguiçosamente sobre a cama. Meteu-se entre as cobertas e a prendeu em seus braços com incrível facilidade. Demorou mais tempo retirando suas roupas do que transpassando as muitas camadas de cobertas.

A forma como ela lhe recebeu, como relaxou com sua presença, encheu-lhe de satisfação. A respiração lenta, tranqüila de sonolência, a intimidade da situação. Beijou-lhe a nuca, fazendo-a se arrepiar, e começou a deslizar suas mãos por seu corpo.

Não era sua intenção tomá-la, mas tampouco deixá-la dormir. Queria um tempo com ela, para conversar, para senti-la. Apenas para apreciar sua companhia, para orgulhasse de tê-la.

- O que passa com a faculdade? _ Ela se virou de frente pra ele, abraçando-o. – Não tem ido.

- Não é o que eu esperava. _ Ele permanece um tempo em silencio, parecendo meditar em suas palavras. – Falta algo.

- É boa. _ Ele diz por fim. – A sério, é muito boa no que faz. _ Lhe acaricia o rosto. – Sabe disso.

- Não sei, não é o que quero fazer. Acho que não, não sei realmente.

- Está para se formar, verdade?

- Sim.

- Termina-o e decide depois o que fará. Sempre poderá escolher outra área.

- Queria me estabilizar. _ Suspirou. – Construir algo, uma carreira.

- Tem nome. Em todas as áreas que escolheste, seu nome é conhecido.

- Mas não me especializei em nenhuma. Não quero começar de novo.

- Não precisa começar de novo. Sequer tentou, não pode desisti.

- Pensarei a respeito, talvez tente algo. _ Lhe sorri. – Como estão as coisas na empresa?

- Muito bem, caminhando como deve ser.

- Por que não compra a sociedade?

- Tenho pensado nisso. _ Ele se pôs de barriga para cima, levando-a a deitar-se sobre seu ombro. – Danilo e Dante ficaram responsáveis pela reforma.

- Verdade?

- Dante disse que a pessoa que custeia sua pesquisa pagaria pela parte do laboratório, que é o mais complicado. Danilo disse que não tinha tido muito com o que gastar. Depois que se separou só fez trabalhar. _ Recordou-se. – Assim, decidiu por custear a reforma.

- Vocês poderiam me incluir nas despesas. Não sou uma indigente, sabe? _ Brinca ela.

- Sei que não. Imagino que ganhou muito quando reergueu a Har’s quando estavam as portas da falência e com a tese sobre a formação da psique.

- Como sabe sobre isso? _ Ela ergueu-se sobre ele, o encarando surpresa.

- Interei-me sobre você antes de chamá-la para trabalhar comigo.

- Pesquisou-me?

- Sim, claro. Mas eu já conhecia a tese sobre a psique e como isso influencia no meio empresarial.

- Não imaginei que soubesse. _ Sorri para ele, voltando a se deitar.

- Quando disse que é boa, disse a sério porque conheço seu trabalho. _ Lhe acaricia os cabelos. – De qualquer forma, não há porque você se preocupar com isso. Temos o suficiente para nos sustentarmos. Você pode apenas estudar.

- Maravilha. _ Revira os olhos. – Os três maridos ricos. _ Recorda ela uma série de livros que sempre teve curiosidade de ler.

- Ricos não, estáveis. _ Mantém o tom casual, apesar do deboche dela. – Danilo é um excelente advogado, sem família para manter. Dante, eu imagino, deve ter progressos com sua pesquisa, ou já teria perdido o patrocínio. Eu gerenciava uma empresa de construção com Marco antes de assumir a empresa. _ Ri aparentemente sem motivo. – Juntos nós estamos bem, e poderíamos até pagar sua faculdade se você deixasse.

- Ao menos isso eu tenho que fazer. _ Desliza a mão sobre o peito dele. – Vocês não me deixam comprar nada.

- Não é verdade. _ Entrelaça sua mão na dela. – Você comprou aquela mesa para a cozinha.

- Só porque eu estava sozinha. Se eu tivesse avisado que compraria, teria me deixado comprar?

- Talvez. _ Ela bufou e ele riu. – Não, não teria. _ Leva a mão dela aos lábios e deposita um beijo. – Só queremos cuidar de você.

- Sinto que estou sendo mimada.

- Que mal há nisso?

- Nenhum mal, realmente. _ Sorri para o nada. – Estive pensando sobre nossa conversa. Sobre isso tudo. _ Ela gesticulou.

- Chegou a alguma conclusão?

- Sim.

- Qual?

- Talvez haja mais que só desejo.

- Talvez?

- Você entendeu. _ Ela brinca com a palma de sua mão.

- E o que há?

- Amor.

Notas finais
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