Trigêmeos
11 Capítulo 11
Notas iniciais
- Você não? _ Ela questionou, sem saber se ao Dante ou se a ela mesma.
- Normalmente as mulheres têm receio quanto a isso, não posso evitar totalmente a dor. _ Ele tenta explicar-lhe porque deveria ter receio, não querendo pensar em porque ele o tinha.
- Ouvi histórias de que a dor é quase insuportável, que parece que se está sendo rasgada ao meio, que a mulher não sente prazer nenhum, só o homem... _ Ela lista sem dá importância ao que falava.
- Posso fazer ser prazeroso pra você. _ Ele diz tentando passar segurança a ela, o que a fez sorri. – Mas não posso tirar a dor, não totalmente, ainda mais sendo virgem.
- Então vai fazer? _ Ela ri, impedindo-o de responder. – O que eu estou dizendo? _ Pergunta-se. Estava se perguntado se ele a tomaria, quase tinha esquecido que era um sonho. – Eu já não devia ter acordado?
E desta vez, ele ri. Deita-se novamente na cama, rindo e olhando o teto. Então a abraça, puxando-a de encontro a ele, ainda rindo, amando o olhar confuso dela. Então afasta o cabelo dela do rosto, aproxima-se de sua orelha, mordendo-a, sentindo-a se arrepiar.
- E se não for um sonho? _ Sussurra e ergue o rosto para vê-la corar-se por completo.
- Claro que é um sonho! _ Ela o olha, completamente vermelha e então se afasta dele, sentando-se na cama. – É um sonho...
- É um sonho. _ Ele a puxa de volta para a cama, para o lado dele, para os braços dele.
- Claro! Você não é... _ Procura a palavra. – Você não age assim. Não é... _ Detém-se ao encontrar a palavra.
- Gentil. _ Dante completa para ela.
- Eu não ia dizer isso. _ Defende-se ela, não conseguindo evitar um bocejo a seguir.
- Tudo bem, não vai acontecer de novo.
- Dante...
- Você tem razão, eu não sou assim, não ajo assim.
- O que aconteceu então? _ Ela o abraçou, roçando seu corpo nu no dele.
- Adoro quando você faz isso, não pare de fazê-lo. _ Ele diz vendo-a olhá-lo novamente confusa. – Meus irmãos estão dizendo que não me importo com você, que não a quero, só não queria que pensasse a mesma coisa.
- Não penso isso. _ Mentiu já sentindo os olhos pesados. – Eu gosto do seu jeito, não quero que mude. _ Ela surpreendeu, não só a ele, mas a si própria por constatar ser uma verdade.
- Bom... _ Ele ri baixo ao ver que ela já não estava totalmente consciente. – Então não preciso me preocupar em perder você? _ Pergunta selando levemente seus lábios.
- Por hora, não. _ Ela respondeu da mesma forma inconsciente.
- Não gosto disso. _ Sussurra.
Dante olhou o teto, pensativo. Sentia algo ruim dentro de si, sentimentos estranhos e desconhecidos. Não sabia nomeá-los, mas um ele conhecia muito bem. Medo.
Não gostava do modo como ela dissera “por hora, não”. Parecia que escondia algo, que planejava deixá-los. Talvez não os irmãos, mas a ele, sim.
Depois de quase uma hora de divagações, ele se afasta dela. Levanta-se disposto a não deixar vestígios de sua estada ali. Era melhor que ela pensasse que fosse um sonho. Seria menos humilhante para ele, quando ela o deixasse.
~OoO~
A primeira coisa que Thais pensou ao acordar foi em seu sonho. Dante... Não estava ao seu lado. O quarto estava idêntico a quando tinha se deitado, ele não parecia ter estado ali, embora ainda o sentisse em seu corpo.
Levantou-se mesmo com o corpo pesado. Tomou um banho frio para despertar e perdeu alguns instantes frente ao espelho, sem saber o que pensar ou o que sentir. Rumou a cozinha, onde encontrou Danilo pronto para sair e Daniel começando a tomar café da manhã.
Eles a cumprimentaram, recebendo um sorriso e um beijo em troca, mas ela não estava atenta aos assuntos tratados. Estava pensativa, confusa, distante. Perguntava-se onde estava Dante, se realmente tinha sonhado.
Antes que não conseguisse se impedir de perguntar por ele, Dante surge na cozinha. Ele dá um bom dia único a todos, sem se dirigir a ninguém em especial. Não se dirige a Thais, não fala com ela, não a olha. Daniel e Danilo estranham, mas nada dizem.
Dante não se senta a mesa, apenas pega uma faca e retorna ao quarto. Logo depois de sua saída, Daniel faz um sinal para Danilo que o segue até o quarto. Ele entra, vendo o irmão sentado na beirada da cama, como que se o esperasse. Parecia triste, apreensivo, quase desesperado. Danilo deixa suas coisas perto da porta, já estava pronto para ir trabalhar, e se aproxima do irmão, ficando de pé a frente dele.
- Aconteceu alguma coisa?
- Não. _ Afirma Dante, rápido demais para ser convincente.
- E o que é esse vermelho no seu pescoço? _ Danilo questiona divertido.
- Nada. _ Dante tampa a marca com a mão, não a tinha percebido e esperava que Thais também não.
- Me parece um chupão, irmão. _ Continua Danilo no mesmo tom de diversão.
- Ela vai nos deixar... _ Ele diz baixo. – Vai me deixar. _ Se corrige.
- Por que ela faria isso? _ Ele cruza os braços. – Ainda mais depois de ontem, o hotel inteiro deve tê-la escutado. _ Conclui. – O que você fez?
- Não fiz nada, nada errado... _ Apóia a cabeça nas mãos. – Perguntei se corria o risco de perdê-la e ela disse: por hora, não.
- Isso te preocupa? _ Ele descruza os braços, suavizando a expressão. – Apenas quer dizer que está tudo bem. _ Pega as coisas para sair do quarto. – Se continuar tudo bem, não precisa se preocupar, mas se fizer algo errado, sim. _ Abre a porta. – A menos que pretenda fazer algo errado, está se preocupando á toa. _ Sai do quarto.
~OoO~
- Onde está Thais?
Dante questiona ao passar pela sala. Daniel estava sentado na escrivaninha cercado de papeis e Danilo no chão, do mesmo modo. Daniel tentava elaborar um contrato e Danilo precisava ler os processos cujas audiências estavam próximas. Dante saíra do quarto, pela primeira vez aquela noite e esperava ver Thais, ocasionalmente, na sala com os irmãos. Sentia falta da presença dela, sentia-se incomodado por isso, mas não iria até ela.
- Está trancada no quarto faz algumas horas. _ Responde Danilo sem desviar seus olhos do papel que lia.
Nesse momento, Thais abre a porta de seu quarto, fazendo os três olharem para a direção do som de seus passos e aguardarem o surgimento de sua silhueta. E ela surge. Surge com os cabelos soltos, ondulados e caindo por seus ombros, cobrindo suas costas. Surge com uma blusa tomara que caia listrada e uma calça Jeans preta, com salto alto preto e bolsa de mesma cor.
- Vai sair? _ Danilo pergunta, soltando o papel que tinha nas mãos.
- Vou. _ Responde simplesmente.
- Pra onde? _ Pergunta Daniel.
- Com quem? _ Pergunta Dante.
- Vou sair. _ Diz sorrindo para Daniel. – Com amigos. _ Responde a Dante, já se movendo para a porta.
- Vou com você. _ Três pares de olhos o encaram.
- Vai com ela? _ Pergunta os irmãos em unissom.
Os irmãos sabiam que dos três, Dante era o mais caseiro. Detestava sair. Não gostava de baladas, lugares barulhentos, muitas pessoas. Um típico ante-social que no momento se oferecia para acompanhar Thais, para onde quer que ela fosse. O que era muito provável que se enquadrasse em todas as coisas que ele odiava. Thais parecia tão surpresa quanto eles, mas obviamente por outros motivos.
- Eu posso ir, irmão. Você não precisa...
- Eu vou. _ Dante corta Danilo.
- Por que quer ir? _ Thais o questiona confusa.
- Não posso te impedir de sair para onde quiser ou com quem quiser. _ Ele diz caminhando em direção ao quarto. – Mas não vou deixar minha mulher, linda desse jeito, sair desacompanhada.
Thais voltou-se para os dois irmãos, tão perplexos quanto ela, assim que Dante sumiu de vista. Eles deram de ombro, não entendendo, assim como ela, a atitude dele. Thais se sentou, aguardando o retorno dele. Fosse o que fosse, seria bom que ele fosse. Mostraria a ele que tinha outras opções. Sorriu encarando o corredor.
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