Trigêmeos
32 Capitulo 32
Notas iniciais
Quando Thais acordou no sábado, estava sozinha na cama. Ou melhor, estava ela e seu nervosismo. Daniel tinha mantido seus planos secretos, mesmo Danilo e Dante não tinham deixado escapar nada. Dormir tinha sido complicado, seus nervos tilintavam, sua mente a mil, na busca pelas possibilidades. Programou um dia de beleza, arrumou as unhas e o cabelo, tinha ocupado sua semana com a busca pelo vestido perfeito. Preparou-se impecavelmente para a noite, esteve pronta as cinco, para o jantar que estava marcado para as sete da noite. Estava ansiosa demais para fazer qualquer coisa e nervosa demais para ficar sem fazer nada. As horas se arrastaram, mas passaram. Quando encontrou com os três, conteve o gemido. Estão tão lindos vestidos com ternos pretos, diferenciando-se pela gravata. Sentiu-se igualmente desejada quando os três deslizaram seus olhares por ela, aprovando a forma como seu vestido bordo se apegava as suas curvas. Respirou fundo e seguiu com eles. Não sabia o que esperar para as próximas horas. Não tinha retornado aquele restaurante, mas sentiu de imediato a entrada nele, ficou ainda mais inquieta. Olhos os acompanharam até a mesa, chamavam a atenção e não gostava da sensação de estar sendo observada, medida, não quando se sentia tão vulnerável e em expectativa. Os pedidos foram feitos e os três mantiveram uma conversa casual enquanto comiam. Thais não pode acompanhar o dialogo, não pode comer, esforçou-se, inclusive, mas não tinha fome. Milhares de borboletas brincavam em seu estomago, tão apavoradas quanto ela. Então aconteceu. Depois que os pratos foram retirados e eles riam e se deliciavam com o vinho e ela se agarrava a taça como se fosse sua tabua de salvação, Daniel se levantou. Ele circulou a mesa a sua esquerda, passando por Dante, indo na direção dela, pondo-se a frente dela, fazendo seu coração falhar em seus batimentos. Ele se ajoelhou a frente dela e não pode respirar. Buscou Danilo e Dante com os olhos, precisando de ajuda, mas os dois pareciam tão aturdidos quanto ela. De repente, seu coração começou a martelar incansavelmente em seu peito, eliminando o frio que se apoderou de sua barriga, agitando as borboletas, descontrolando-as e a ela.
— Thais... _ Murmurou, segurando sua mão. – Depois de conversar com meus irmãos decidi tirar um pouco do peso que colocamos sobre você. Por minha causa. _ Ressaltou. – Não sei se você vai gostar ou concordar com meu método, mas... _ Mostra a caixinha que tinha na outra mão. – Estou aqui, não só por mim, mas também representando meus irmãos. _ Abre a caixinha. – Você quer se casar comigo?
Ela não queria, mas ia chorar, provavelmente já estava chorando. Ele ficou ali, olhando-a, sorrindo, sem pressa, enquanto ela não conseguia articular uma resposta. Acenou, se falasse, se desfaria em lagrimas. Daniel tirou o anel da caixinha, pondo rapidamente em seu dedo, como se temesse que mudasse de ideia. O metal deslizou quente por seu dedo, cheio de significado. Ele a abraçou e seu choro se libertou, juntamente com os aplausos de todos no restaurante. Queria sentir o abraço dos outros dois, mas eles se mantiveram onde estavam, aplaudindo também. E, só por isso, esse não se tornou o momento mais feliz de sua vida.
***
Daniel se jogou no sofá, afrouxando a gravata, rindo da animação de Thais. Mal tinha chegado em casa e ela já se apressara para o quarto, dizendo que tinha que fazer uma ligação. Observou seus irmãos se acomodarem também, Danilo sorrindo e Dante sério. Sentia-se imensamente aliviado por Thais esta carregando seu anel, mais ainda pela felicidade dela. Finalmente tinham dado o próximo passo, e, quando Thais chegasse ao altar e dissesse sim, dariam o passo final. Suspirou em uma mistura de felicidade e preocupação. Seus irmãos se ressentiam com ele, por ter tirado deles a oportunidade de estar em seu lugar, ser o futuro marido de Thais? Diriam lhe isso? O afastariam?
— Como vocês estão? _ Perguntou, tentando parecer calmo e indiferente. – Eu...
— Está tudo bem, irmão. _ Danilo o tranquiliza. – Foi uma ótima solução.
— Dante?
— Já sabíamos que ela ia te escolher.
— Ela estava relutante porque não queria nos ferir e você não teve paciência para esperar que se sentisse segura. _ Confirma Danilo. – Mas, sim, já imaginávamos que você seria o escolhido.
— Por que achavam isso?
— Eu já fui casado e não queria me casar de novo e Dante, bem...
— Você era a melhor opção e sabíamos disso. _ Dante o interrompe. – Estamos bem com isso, você só acelerou o processo, o que não é ruim.
— Agora é marcar a data e começar os preparativos.
***
— Estou noiva, estou noiva, estou noiva!
— Nossa, calma. _ Diz rindo. – Você já não estava noiva, estava noiva, estava noiva?
— Não. _ Se joga na cama, sorrindo. – Fiquei noiva hoje.
— Como você tinha que escolher um para casar, considerei você em um estado de noivado. _ Explica. – Mas, então, você escolheu?
— Fui escolhida.
— Foi escolhida? Por quem?
— Daniel, ele me pediu em casamento hoje e foi lindo!
— Pedido de casamento, é? Se ajoelhou e tudo?
— E tudo!
— Você está mesmo feliz.
— Eu estou, mãe, estou muito feliz. _ Suspira. – Você nunca me disse o que realmente acha de tudo isso. Eu sei que é fora do comum, mas...
— Faz você feliz. _ A interrompe. – Isso é tudo que importa. Você sempre tomou as melhores decisões, eu confio nas suas escolhas.
— Obrigada. _ Diz com a voz embargada. – Você vai conhece-los?
— Eventualmente.
— Tudo bem. _ Suspira. – Como foi a viagem? Já decidiu para onde vai agora?
— A viagem foi maravilhosa, mas não o que eu esperava. Estou me sentindo um pouco aventureira, passarei uns dias em casa pesquisando meu próximo destino com mais cuidado.
— Então desejo que tenha uma ótima viagem, independe do lugar. _ Ri. – Vou voltar para os meus noivos.
— Thais. _ Chama em um murmúrio. – Tenho muito orgulho de você.
— Eu sei.
— Você é mais do que eu esperava e desejava em uma filha. _ Continua. – Você me orgulha como filha, como mulher e como pessoa. Estou agradecida de fazer parte da sua vida.
— Tudo que eu sou, é graças a você. Eu agradeço por ter sido dada a você.
— Volte para os seus noivos, filha. E seja feliz.
***
— Não vem comer? _ Pergunta Daniel, entrando no quarto. – O que está fazendo?
— Só vendo umas coisas. _ O empurra para fora do quarto. – Vamos.
— O que estava vendo? _ Pergunta, rindo, sendo puxado para a cozinha. – Revistas de casamento?
— Eu estou noiva, Daniel, é normal que eu esteja vendo revistas de casamento.
— Revistas de casamento? _ Pergunta Dante. – O que tem?
— Ela tem uma coleção inteira no quarto. _ Diz Daniel.
— É mesmo? _ Danilo lhe sorri.
— São só algumas revistas, não façam disso um grande negocio.
— Só queremos saber o que você tem em mente, o que esta planejando. _ Diz Danilo. – Compartilhe.
— Eu queria fazer uma cerimonia pequena, só com os amigos.
— Isso vai ser difícil. _ Diz Daniel. – Além da imprensa, podemos ter grandes problemas com os que não forem considerados amigos.
— Eu sei. _ Suspira. – O que vocês acham de fazer uma cerimonia secreta?
— Secreta?
— Sim, só nós e os amigos mais íntimos. _ Explica. – Dez pessoas, no máximo.
— Você não quer uma grande festa? _ Pergunta Danilo.
— Podemos fazer uma grande festa depois da cerimonia, mas preferiria que a cerimonia fosse simples e mais intima.
— Temos uma família grande, a festa teria que ser grande. _ Diz Daniel. – Mas gosto da ideia da cerimonia secreta.
— Está pensando em por nós três no altar, não é?
— Se você não quiser, Dante, não precisa ficar.
— Eu não estava reclamando, foi só uma pergunta.
— Me desculpe. _ Suspira pesadamente. – Estou um pouco nervosa.
— Quem você vai convidar? _ Pergunta Danilo, mudando de assunto para desfazer o clima tenso. – Para nossa cerimonia secreta.
— Duas amigas e, talvez, minha mãe.
— Sua mãe? _ Perguntam os três ao mesmo tempo.
— Sim.
— Você tem uma mãe? _ Pergunta Daniel, atordoado. – Você nunca falou de nenhum parente. Por que não conhecemos sua mãe?
— Talvez ela seja contra. _ Diz Dante. – Ela sabe de nós? Ou de algum de nós?
— Por que nunca falou da sua família?
— Calma, os três.
— Thais, nos conhecemos há três anos e você nunca falou da sua mãe.
— Vocês não ficam falando da mãe de vocês, ficam?
— Porque ela não está mais viva! _ Diz Daniel, irritado. – Se ela tivesse, teríamos apresentado vocês. Você considerou alguma vez isso? Nos apresentar, mesmo que um de nós, a sua mãe?
— Provavelmente não. _ Diz Danilo. – Ela sequer a mencionou nesses mais de dois anos de relacionamento.
— Nenhuma mãe apareceu durante a gravidez ou depois. _ Pondera Dante. – Sua mãe sabe que você está comprometida?
— Me escutem!
— Pensei que você tinha parado de fugir, que tinha aceitado nossa relação. _ Diz Daniel, magoado. – Thais...
— Minha mãe sabe de vocês, ok? _ Se levanta, surpreendendo-os. – Ela sabe tudo e ela aceita. Agora, vocês poderiam me escutar antes de colocar em duvida tudo o que nós temos?
— Se ela sabe de nós, porque não sabemos dela?
— É complicado...
— Thais, a data do casamento está para ser marcada e nós não sabemos nada sobre a sua família. _ Diz Danilo. – Não importa qual seja a historia, nós vamos ouvir e não vamos julgar.
— Não sou muito próxima da minha mãe, ela esta sempre viajando... Espera, melhor eu começar do inicio. _ Fecha os olhos e massageia a testa. – Minha mãe engravidou de um namorado, ainda nova. Foi mal vista e expulsa de casa por causa disso. Meu pai a deixou quando eu tinha oito meses, não o recordo e nunca mais o vi. Minha mãe tinha apenas dezenove anos. Me criar sozinha foi...
— Difícil?
— Sim, difícil. Eu fui criada para ser forte, para me manter nos meus pés e nunca depender de ninguém. _ Explica. – Para não me importar com a opinião dos outros e ser a melhor em tudo que eu fizer.
— Isso explica muita coisa. _ Murmura Dante.
— No inicio, lidar com a grande expectativa dela, mais toda a minha família por parte de mãe esperando que eu fosse um fracasso, era difícil. _ Respira fundo. – Não fui uma filha ou uma aluna exemplar, tive minhas crises, mas cresci, amadureci e os ensinamentos ficaram gravados em mim.
— Tenho certeza que ela se orgulha muito de você.
— Ela não mede palavras para demonstrar isso. _ Ri. – Eu me formei e, quando tive condições, fiz com que deixasse de trabalhar. Agora ela só curte a vida, está sempre viajando, não temos muito contato.
— Por isso não considerou nos apresentar? _ Pergunta Daniel. – Porque ela está sempre viajando?
— Sim e não. Minha mãe teve outros relacionamentos ruins, além do meu pai. Vamos dizer que ela não tem um bom olho para homens. Isso a deixou um pouco pessimista e falar sobre relacionamentos com ela sempre foi complicado.
— Ainda mais o nosso.
— Sim, ainda mais o nosso. Não achei que ela aceitaria bem, mas ela aceitou. De qualquer forma, minha relação com ela só é boa a distancia. Somos muito diferentes. _ Sorri com a lembrança, ficando séria em seguida. – Ela não veio quando soube que eu estava gravida ou quando soube que eu perdi a criança porque, como eu disse, fui criada para ser independente, para ela, eu não preciso de apoio.
— A maior parte do tempo, você não precisa mesmo. _ Diz Dante. – É muito teimosa e irredutível.
— Eu sou teimosa e irredutível? _ Ofegou, fazendo todos rirem. – Dante, você é a pessoa mais teimosa e irredutível que conheço!
— Só perco para você.
— Isso é tão absurdo que nem merece uma resposta.
— Fale mais sobre nosso casamento secreto. _ Pede Daniel. – O que mais você decidiu?
— Estou mais interessado na lua de mel. _ Diz Danilo, sorrindo para ela. – Para onde vamos?
— Praia? _ Propõe Thais. – Eu gosto de...
— Nem pensar. _ Diz Dante em um bufo. – Você não vai ficar desfilando em um biquíni em nossa lua de mel. Nem fora dela. _ Ressaltou. – Nada de praia para você.
— Dante, isso é ridículo. _ Franze o cenho para ele. – Eu gosto de ir à praia.
— Não é como se fossemos deixa-la sair do quarto. _ Diz Daniel, ignorando-a. – Podemos procurar um quarto com uma piscina particular, ninguém a veria.
— Daniel!
— Uma praia deserta. _ Pondera Dante. – Tenho certeza que é possível alugar uma praia deserta para lua de mel.
— Vou procurar.
— Será que eu opino sobre onde será minha lua de mel? _ Reclama, cruzando os braços. – Eu sou a noiva.
— Você queria praia, vamos para a praia. _ Daniel lhe acaricia o rosto, rindo de seu olhar assassino. – Quanto tempo ficaremos?
— Uma semana? _ Propõe Danilo. – Sem você e a Thais aqui, não há ninguém de confiança para fazer a empresa andar.
— Algo para se pensar no futuro. _ Diz Thais. – Você precisa treinar um substituto, Daniel.
— Tem razão. _ Diz pensativo. – Espero que um de nossos filhos se interesse pelo cargo.
— Filhos? _ Murmura Thais, mexendo-se inquieta em sua cadeira. – Eu não quero pensar nisso, Daniel.
— Você não precisa. _ Diz Dante, encarando Daniel com censura. – Volte para as revistas de casamento, queremos você casada o mais rápido possível.
— Conte-nos qualquer coisa nova que decidir, mantenha-nos informado. _ Diz Danilo, inclinando-se para beija-la antes de deixa-la ir. – Daniel. _ Repreende o irmão assim que Thais sai. – Não a force assim.
— Eu não estava forçando, apenas pensei alto. _ Se defende. – Sei que ela anda está sensível com a perda.
— Não vamos falar nada sobre crianças até que ela esteja bem. _ Diz Dante. – Nem mesmo pensamentos. _ Encara o irmão. – Controle-se.
— Sabemos o quanto você quer um filho, irmão, nós também queremos, mas não é o momento para tratar disso com ela.
— Eu sei. _ Suspira. – Foi um deslize, não vai acontecer de novo. Não quero deixa-la triste.
— Por hora, vamos tratar apenas do casamento. _ Propõe Dante. – Você a ajuda com a lua de mel e Danilo com a festa.
— E você?
— Eu vou acompanhar a nossa cerimonia secreta. _ Se recosta em sua cadeira, respirando fundo. – Vamos apressar os preparativos, já passou da hora de finalizarmos isso, não quero mais esperar.
— Certo. _ Assente Daniel. – Estarei em cima dela.
— Pensei que você preferisse ficar embaixo. _ Implica Dante.
— Posso satisfazê-la de ambas as formas, embaixo e em cima.
— Vocês dois não vão começar com isso. _ Diz Danilo, rindo.
— Eu vou lá distrai-la da minha falha. _ Diz Daniel, se levantando. – Vou limpar a mente dela e tudo que ela vai conseguir pensar quando eu terminar é em seguir respirando.
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