Trigêmeos
8 Capítulo 8
Notas iniciais
- Onde ela está? _ Daniel questiona Dante, assim que ele se senta no sofá a frente dele.
- Está dormindo. _ Responde ele.
- Ela cuidou bem de você? _ Pergunta Danilo malicioso.
- Muito bem, não se preocupe. _ Retribui o sorriso malicioso.
- Como foi a viagem? _ Daniel pergunta em um tom estranho.
~OoO~
Thais despertou sentindo falta de um corpo ao lado dela. A tristeza costumeira voltou, estava se tornando normal. Dante sempre causava isso nela, e ela era tola o suficiente para esperar que ele não o fizesse.
Custava ele permanecer na cama, ou ao menos levá-la a um dos irmãos? Com certeza a aceitariam de bom grado. Resolveu-se por levantar e ir até eles, por si mesma.
Vestiu a camisola que estava jogada no chão e foi para a ala principal. Quando chegou próximo a sala, ouviu-os conversando e parou pra escutar, mesmo sabendo que não era certo. Tinha curiosidade em saber mais deles, e tinha a impressão de que queriam esconder certas coisas dela.
~OoO~
- Por que não vai direto ao assunto, irmão? _ Dante se recosta no sofá, procurando um maço de cigarros.
- Sabemos que a Bruna foi com você. _ Danilo diz sério.
- Sim, ela foi. _ Os dois permaneceram encarando-o. – Ela sempre vai, é minha assistente. O que tem de mais?
- Tem que ela já foi mais do que só sua assistente. _ Diz Daniel irritando-se.
- Contaram a Thais? _ Dante tentou ocultar a preocupação na voz.
- Não, ela não sabe. _ Diz Danilo. – Isso a preocuparia, e ela já estava triste com sua viagem. Só pioraria as coisas.
- Só queríamos ter certeza de que seria uma preocupação desnecessária. _ Diz Daniel retomando seu tom casual.
- É claro que é. _ Se irrita Dante. – Por que essa desconfiança? Ninguém aceitou essa maldita previsão melhor que eu. _ Ele amassa o cigarro, ainda apagado, sobre a mesa.
- Acalme-se irmão. _ Diz Daniel.
- Só não queremos perdê-la. _ Diz Danilo.
- É uma preocupação natural, não tem por que você se alterar assim. _ Continua Daniel.
- Se preocupa em perdê-la? _ Ele ri. – Não fui eu quem casou, foi? _ Pergunta em um tom sugestivo a Danilo. – Por que não me diz o que você faz até tarde no escritório com a Pilar, irmão? _ Diz cínico.
A boca de Thais amargou, sentiu os olhos arderem. Ela não sabia nada deles. Como pudera esquecer-se disso? Respirando fundo, tentando permanecer despercebida, perguntava-se se deveria mesmo permanecer ali. Poderia ela saber de algo pior?
- Sabe muito bem que não tenho mais nada com ela! _ Esbravejou Danilo tentando manter a voz baixa. – Preocupamo-nos, sim, em perdê-la, se fossemos só nós dois não haveria problema, mas você parece não querê-la.
- Mas é claro que a quero! _ Ele diz alto. – É claro que a quero. _ Baixa o tom.
- Não parece. _ Zomba Danilo.
- Você nem sequer tomou sua parte, irmão. _ Daniel disse, o único a permanecer calmo ali.
- Vocês vivem falando pra eu ser mais cuidadoso com ela, pra deixar que ela se acostume conosco. _ Ele tenta explicar, mas se detém. – E, alem do mais, de quem é? É meu, tomo-o quando eu quiser.
- Você sabe bem o que significa. _ Daniel retoma a face séria, quase aborrecida. – Enquanto não a tomar, não podemos aceitar sua decisão de com quem se casará.
- Se aceitou a previsão tão bem, devia saber o quão importante é firmar essa ligação. _ Diz Danilo num tom zombeteiro.
- E eu sei. _ Rebate Dante.
- E por saber se nega a fazer. _ Conclui Danilo.
- Não sabe o que está dizendo... _ Dante diz quase com melancolia.
- Então o que é, irmão? Diga-nos.
- Isso não é importante. _ Daniel impede Dante de se pronunciar.
- Não é? _ Danilo questiona, indignado, Daniel.
- Não, não o é. _ Confirma Daniel. – Se você não a quer, se não a aceita, tudo bem. _ Dirige-se a Dante.
- Não, não o está. Não quero perdê-la Daniel, muito menos por causa de uma atitude infantil dele.
- Como a sua de se casar? _ Provoca Dante, já com sua mascara de indiferença.
- Não vamos perdê-la. _ Afirma Daniel. – Dante, você diz que aceitou a previsão, então mantenha sua palavra. _ Ele confirma. – Não a maltrate, não a machuque, ela sente seu descaso, nos o sentimos. _ Dante da de ombros. – Se diz que a quer, então não vá ter com outra mulher ou não a toque, se o fizer.
- Não estive com outra mulher. _ Dante revira os olhos. – Mamãe disse que se tocássemos outra mulher, estando com ela, daríamos a ela o direito de ter com outro homem, e eu não a quero com outro.
- Nenhum de nós o quer. _ Confirma Daniel. – Apresente Thais a Bruna, mostre seu interesse nela e o quanto são íntimos.
- Por quê? _ Questiona Dante. – Danilo nem sequer disse a Thais que já foi casado.
- Eu o farei. _ Diz cabisbaixo.
- Quando? _ Dante diz num tom de zombaria.
- Ele o fará quando estiver pronto para fazê-lo, isso não diz respeito a você, nem a mim. É entre ele e Thais.
- O mesmo deveria valer para mim. _ Diz Dante.
- Não, não o vale. Suas atitudes põem em risco nossa relação com ela. _ Explica Daniel. – Você não precisa dividir sua vida com ela, mas não a deixe triste.
- Não precisa ser gentil, mas não seja frio. _ Pede Danilo.
- Ela é importante para nós.
- Eu sei disso. _ Dante diz levantando-se. – É importante para mim também. _ Murmura Dante caminhando para o quarto.
Ninguém ouviu suas palavras murmuradas, excerto Thais. Ele estava perto dela, e essas palavras foram as que a incentivaram a correr de volta para o quarto, antes que fosse notada. Precisava refletir sobre suas descobertas, sobre as palavras de cada um. Quando Dante entrou no quarto, Thais estava sentada na beirada da cama, vestia a camisola e calçava um par de pantufas.
- Por que está vestida? _ Ele diz se aproximando dela.
- Vou ao quarto do Daniel. _ Ela se levantou, caminhando para a porta.
- Por quê? Não ficou decidido que ficaria comigo essa noite? _ Ele a abraçou, guiando-a para a cama.
- Não gosto de ser deixada só, Dante. _ Ela diz afastando-se dele. – Sei que com seus irmãos não corro esse risco. _ Abriu a porta.
- Estava conversando com meus irmãos...
- Eu sei. _ Ele a olha apreensivo. – Ouvi vozes. _ Se explica já saindo do quarto.
Dante não a segue, ele não o faria e Thais sabia disso. Era orgulhoso demais para tal. Ao contrario do que lhe disse, ela vai para o seu próprio quarto. Uma das coisas que apreciava neles era que não exigiam ficar com eles 24h por dia.
Ela tinha o tempo dela, o espaço dela. Sempre que queria ficar sozinha, eles se mantinham em seus próprios quartos. E ela queria ficar sozinha, precisava ficar sozinha naquele momento, sabia que eles não a incomodariam.
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