Trigêmeos
30 Capítulo 30
Notas iniciais
Thais observou Daniel, confusa. Tinha voltado do almoço com um penteado diferente, parecia mais jovem com os cabelos bagunçados elegantemente. Também carregava um sorriso no rosto, um sorriso suspeito, o olhar dele dizia que estava caçando. Quando direcionou esse olhar a ela, o sorriso ampliou. Não sabia o que ele tinha comido ou bebido durante sua hora de almoço, mas algo estava fora do prumo nele.
– Eu já disse o quanto está bonita hoje? _ Pergunta, sentando-se atrás de sua mesa. – Você está muito bonita.
Thais esperou que a posição robótica chegasse, a expressão séria, o olhar focado, a rigidez dos ombros, mas nada apareceu, nenhum sinal do Daniel robô que ela bem conhecia. Aquele também não era o Daniel humano. O Daniel humano não olharia para ela como se estivesse prestes a saltar sobre ela se ela apenas sorrisse para ele.
– Obrigada.
– Devíamos passar mais tempo juntos, fora do escritório. _ Comentou enquanto ligava o computador. – O que acha de sairmos esse final de semana?
Thais forçou-se a manter sua expressão, embora desejasse erguer uma sobrancelha para ele e perguntar o quanto ele tinha bebido. Ele parecia tão alinhado com sempre, com exceção do cabelo. Não cheirava a álcool, pelo contrario, podia sentir um cheiro fraco de alguma fragrância que jamais associaria ao Daniel normal.
– Para onde iríamos?
– Você escolhe. Teatro, cinema, jantar. _ Sorri, malicioso. – Direto para a sobremesa...
– Jantar parece bom. _ Diz simplesmente. – Preciso que você assine isso aqui para que eu possa mandar para o contador.
– Vou escolher um ótimo lugar para jantarmos. _ Ignora o envelope que ela estendia para ele. – Você vai adorar.
– Dan, o documento. _ Balança o braço para sinalizar. – Preciso que assine.
– Tudo bem, eu assino. _ Pega o envelope e põe sobre a mesa. – Qual seu prato predileto?
– Tenho que mandar para o contador.
– Você já disse, quero saber...
– Ainda hoje. _ O interrompe. – Tenho que mandar para o contador ainda hoje.
– Depois eu assino. _ Vira sua cadeira para ficar de frente para ela. – Você gosta de vinho?
– Você já falou com os sócios sobre as mudanças?
– Thais. _ Diz repreensivo. – Te fiz uma pergunta.
– Eu também.
– Certo. _ Ri. – Façamos assim, você me responde e eu te respondo. O que acha?
– Prefiro o contrario. Você me responde e eu te respondo.
– Os sócios só querem os resultados, não estão interessados em saber dos detalhes. Sua vez. Gosta de vinho?
– Sim, gosto. Agora assine o documento.
– Não, me faça outra pergunta. Quero saber seu prato predileto.
– Você pode assinar o documento, por favor?
– Sim, posso. _ Responde. – Qual seu prato predileto?
– Daniel!
– Daniel não. _ Diz, fazendo uma careta. – Prefiro Dan.
– Assine o documento.
– Você não respondeu.
– Não vou responder mais nada enquanto você não assinar isso.
– Você está mudando as regras do jogo.
– Isso não é um jogo, estamos trabalhando.
– Você esta passando tempo demais com... _ Se detém.
– Com?
– Com esses papeis.
– Passo menos tempo que você.
– Vamos sair um pouco. _ Se levanta. – Vamos almoçar.
– Você acabou de voltar do almoço.
– É verdade. _ Murmura, pensativo. – Vamos tomar um café então. Conheço um ótimo lugar aqui perto.
– O documento.
– Quando voltarmos eu assino.
– Porque esse interesse súbito em sair? _ Se levanta também. – Você acabou de chegar.
– Se eu fizer algum movimento para você aqui, é assedio sexual. _ Responde. – Fora do escritório, não é.
Será constrangedor quando ele voltar ao normal. Pensou Thais em um suspiro, acompanhando-o para fora da sala.
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