Trigêmeos

14 Capítulo 14


Notas iniciais
Capitulo 14 de 50.

Daniel entrou no banheiro abotoando a blusa. Thais tinha estendido diversas coisas sobre a pia e se maquiava tranquilamente. Um pequeno problema na empresa interrompera a maravilhosa tarde. Justo quando pretendia estende-la pela cama e tomá-la pela quarta vez naquele dia.

Thais resolvera ir à faculdade, visto que Daniel também estava de saída. Assistiria a ultima aula do dia e ainda chegaria a tempo para jantar com eles.

Daniel encarou todas aquelas coisas, rindo um pouco. Mulheres, ele pensava. Terminou de se vestir e encarou o espelho mais uma vez antes de ir. Assim que desceu os olhos mais uma vez a pia ocupada, visualizou uma caixinha. Estendeu a mão até ela e a pegou, lendo o rotulo.

- O que é isso? _ Ele perguntou, mesmo sabendo o que era.

- Meu anticoncepcional. _ Ela disse olhando a caixa através do espelho.

Daniel nada disse, pondo a caixa no lugar onde havia pegado. Foi para o quarto, separou suas coisas e saiu. No meio do caminho encontrou Dante, que entrava naquele instante. Encarou-o durante um instante antes de caminhar até a porta.

- Você está bem, irmão?

- Sim. _ Parou com a porta aberta. – Por quê?

- Parece... Desolado.

- Estou bem, não se preocupe. _ Saiu.

Dante permaneceu encarando a porta com expressão pensativa. Estudava a fisionomia de seu irmão, traçando e descartando as possibilidades. Pouquíssimas coisas atingiam Daniel, existiam menos ainda as que o desolavam. Não achou, dentre as opções, algo que pudesse ter acontecido.

- Está tudo bem? _ Dante questionou a Thais quando esta surgiu na sala, minutos depois.

- Sim. _ Ela lhe sorri. – Por quê? _ Diz séria.

- É que... _ Ele olha a porta. – Não é nada. _ A encara, deslizando os olhos por seu corpo.

- Vou à faculdade. _ Lhe diz, divertida, quando seu olhar voltou a pousar sobre o dela, inquisidores.

~OoO~

- Daniel ainda não chegou? _ Pergunta Thais sentando-se a mesa.

- Não, e não esta atendendo ao telefone. _ Danilo lhe responde um pouco preocupado.

Acabara por se atrasar para o jantar. Um dos professores que adorava lhe convidara a assistir uma aula. Conseguiu uma cadeira para ela com muito custo e não teve como recusar. Esperava encontrar três irmãos desgostosos com sua demora, mas encontrou apenas dois preocupados.

- Deve estar em alguma reunião. _ Diz Dante com aparente descaso.

- Sim. _ Concorda Thais, preocupada. – Pode ser que o problema tenha se agravado. Logo ele liga.

Convencendo-se disso, os três resolveram comer, sem esperar por Daniel. Após o jantar, cada um seguiu para o seu quarto. Thais permaneceu a primeira hora encarando a porta, esperando Daniel entrar. Mas foi Danilo quem o fez.

- Ainda acordada? _ Ele se aproxima, sentando ao lado dela na cama.

- Sim. _ Ela murmura, abraçando-se. – Estou com um mau pressentimento.

- Daniel me mandou uma mensagem. _ Ele sorriu, um sorriso estranho. – Ele ficou preso com umas coisas, mas já está vindo para casa. Pediu para não esperar por ele.

- Tudo bem. _ Ela suspira, deitando na cama.

~OoO~

- Você deve ser a Thais. _ Bruna diz com um largo sorriso.

- Sim. _ Responde Dante por ela, deslizando uma mão possessiva por suas costas, descansando-a em sua cintura. – Essa é minha assistente, Bruna.

- Prazer. _ Sorri para ela.

- Nós vamos para a minha sala. _ Dante interrompe a resposta de Bruna. – Prepare tudo o que te passei para as coletas e os testes, depois pode ir.

- Claro. _ Ela diz com um sorriso forçado.

~OoO~

Thais observou Dante se preparar para trabalhar nela. As luvas, a mascara... Não podia evitar sentir-se nervosa. Sabia que estava corada. Não era a primeira vez que se encontrava naquela situação, estendida sobre uma maca com as pernas erguidas, nem seria a ultima.

- Abra. _ Ele diz tocando seus joelhos.

- O que é isso? _ Ela diz encarando o utensilio novo que ele carregava.

- Não lhe fará mal. _ Responde ele, e Thais sabia que isso significava que ele não queria explicar.

- Me preocupa o quão bem me fará. _ Responde suprimindo um gemido de deleite.

~OoO~

- Domingo é o ultimo dia, Dan. Será o fim da temporada dessa peça. Tem que ser sexta ou sábado. _ Diz Thais folheando uma revista.

- Desculpe, amor. _ Danilo lhe abraça. – Duvido que consiga sair a tempo na sexta e você sempre chega muito cansada no sábado.

- Não podemos sair no domingo, Daniel nos mata se comprometermos o precioso domingo em família.

- Domingo não é uma opção. _ Ri ele. – Vou da um jeito. _ A beija. – Prometo. _ Sorri.

~OoO~

Thais abriu os olhos e encarou o teto da sala. Sentia o corpo dolorido por ter dormido de modo tão desconfortável. A garganta apertou, sentiu a boca repentinamente seca e os olhos úmidos.

Era uma segunda-feira de manhã, ainda estava escuro. Tinha ido ao quarto do Daniel no inicio da madrugada e ele não estava. Dissera que chegaria tarde, coisa que se tornara habito nos últimos dias. Decidira-se por esperar por ele na sala, para conversar sobre o que pudesse estar acontecendo.

Primeiro achou que fosse algum problema serio na empresa, mas descartou a ideia. Era ela, o problema era com ela. Ele estava diferente, evitando-a sempre que podia, frio em suas palavras e toques.

E agora tinha certeza. Ele passara todo o domingo fora. Seu precioso domingo, que exigia a presença de todos. Ele não estava lá. Adormecera no sofá. Daniel jamais permitiria que passasse a noite na sala, se a tivesse visto. Mas ele não viu. Ele não dormiu em casa. Ele tinha outra. Era tudo o que podia pensar. Outra. Sim, outra mulher.

Era um acordo entre os irmãos que não a tocasse se estivessem com outra, e ele não tinha feito nada além de beija-la quando a ocasião exigia. Como quando se despedia dela, nas poucas vezes que o viu durante a semana. A consciência doía. Uma coisa extremamente dolorosa saber que logo ele tinha optado por quebrar suas promessas, o acordo entre eles.

Logo Daniel, o único que, apesar de não verbalizar, havia deixado bem claro que a amava. Que faria tudo por ela, com ela. Que desejava uma vida, uma família. Por que Daniel? Jamais esperaria isso dele. De Dante talvez, mas não dele. Nunca dele.

Caminhou sem pressa para o quarto, encontrando Dante no caminho. Ele a encarou, sua aparência desgrenhada de quem acabou de acordar, olhou na direção da sala e franziu o cenho, porem nada disse.

Thais continuou seu caminho, entrando no quarto e trancando a porta. Só queria pensar, só queria estar um pouco sozinha. Só precisava pensar, só precisava estar um pouco sozinha e chorar. Sim, chorar lhe faria muito bem. Pensou se jogando na cama e agarrando o próprio travesseiro, deixando as lagrimas caírem.

~OoO~

- Recepção? _ Pergunta Daniel ao entrar.

- Onde passou a noite? _ Dante foi direto.

- No escritório, trabalhando. _ Daniel responde passando pelos irmãos em direção ao quarto.

- Por que não ligou? _ Danilo se interpõe entre Daniel e a porta do quarto.

- Avisei que chegaria tarde.

- Mas não que chegaria à tarde do dia seguinte. _ Zomba Dante. – Eu não dou a mínima para o que você faz, como você não da a mínimo para o que eu faço. _ Suspira irritado. – Foi você mesmo que disse que deveria me preocupar com o que a Thais pensa!

- Ela não se preocupa com o que pensamos, por que deveria me preocupar com o que ela pensa? _ Bufa ele tentando ultrapassar Danilo.

- Do que você esta falando Daniel? _ Pergunta Danilo preocupado.

- Não importa. Só quero descansar. Ainda tenho que voltar para a empresa mais tarde.

- Você não vai a lugar algum. _ Diz Dante contendo a irritação. – Explique isso. Por que diz que ela não se preocupa com o que pensamos?

- Você não vai gostar de saber. _ Diz com um sorriso sádico, quase melancólico.

- Diz logo. _ Se impacienta Danilo.

- Não podemos tomar certos remédios. Você disse que algumas substâncias alteram os resultados dos seus testes...

- Sim. _ Lhe incentiva a continuar.

- Você sabia que ela toma anticoncepcional?

- Não, ela não toma. _ Afirma Dante com total convicção.

- Eu vi.

- A viu tomando?

- Não, vi nas coisas dela.

- Eu a avisei desde o inicio. Esperei duas semanas para começar os testes, para que as substancias deixassem seu organismo. Eu saberia se ela tivesse voltado a ingerir qualquer coisa. Coleto seu sangue periodicamente.

- Por que manteria guardado, se não toma?

- Pode só ter esquecido de jogar fora. _ Diz Danilo.

- Ela não se preocupou em engravidar? _ Questiona Daniel a Dante.

- Sim, mas contei a ela que não poderíamos engravida-la sem um tratamento especifico.

- Inferno. _ Daniel suspira passando a mão no rosto.

- Você é um idiota. _ Diz Dante entre os dentes. – Podia ter apenas falado com ela ou comigo.

- Eu... _ Começa a se explicar, mas se detém. – Como ela esta?

- Passou o dia trancada no quarto. _ Danilo encara a porta do quarto dela. – Quando chamamos, ela disse que queria ficar um pouco sozinha.

- Vou conversar com ela. _ Diz Daniel, suspirando.

- Dormiu no sofá te esperando. _ Dante diz sombriamente. – Dê um jeito nisso. _ Se afasta para ir para o seu próprio quarto.

Danilo o encarou por um instante. Um olhar acusativo. Afastou-se sem dizer uma palavra. Daniel encarou a porta do quarto onde estava Thais. Poderia chamar, mas sabia que ela não o deixaria entrar. Havia uma copia da chave de todos quartos em uma gaveta na sala, para qualquer emergência, mas temia que ela visse isso como uma invasão. Precisava esclarecer tudo, precisa estar bem com ela ou não conseguiria viver nem um minuto mais.

Notas finais
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