Trick Or Treat?

1 Perfect Memories


Enquanto Flowzen tocava freneticamente dentro do carro, eu pensava em tudo que ficou para tras. Era engraçado como a gente vive querendo crescer e quando isso acontece, quer virar criança de novo. No caminho pra uma das festas mais badaladas do Rio de Janeiro, eu lembrava de tudo que eu tinha deixado de ser. Sempre fui a nerd da sala, sem auto estima nenhuma e que as pessoas adoravam implicar. E por mais que eu soubesse dar belos foras, aquilo ainda me atingia. Obvio! Tinha poucos amigos, mesmo estudando na mesma turma a anos e me sentia uma estranha em meio aquele monte de filhinhos e filhinhas de papai. Situação chata! Alias, situação péssima, porque eu me sentia muito mal com aquilo tudo. Tão mal que resolvi mudar. Tirei o cabelo de tras das orelhas, botei minha calça jeans preferida e resolvi perder a vergonha. Andou funcionando, as pessoas ja estavam começando a me notar. E eu me sentia com mais coragem pra viver. Bom, a coragem teve que vir na mala. Fazia poucos dias que eu tinha saido do interior do estado pra vir para a capital. Ótima oportunidade de mostrar a nova Madú. Era tudo que eu queria. Mas dentro daquele carro com os meninos rindo e o som nas alturas, enquanto chegávamos a Copacabana, eu pensava no que ficou la. Meus amigos, os amores impossiveis, minha barbie preferida, o outro penteado. Tudo ficou com a antiga Maria Eduarda e com a antiga cidade. Agora, daqui pra frente, eu tinha jurado que aprenderia a viver, a ter coragem e me divertir. Só esperava que a vida me reservasse boas surpresas.

- Vei, cadê os convites da festa? — um menino de cabelo castanho, procurava no porta-luvas. Tinhamos sido apresentados, mas pra ser sincera, não lembrava o nome dele.

- Tava ai, cara. Dentro de uma carteira.- o Rodrigo respondeu do volante, sem tirar os olhos da rua.

- Essa porra não ta aqui.- o outro reclamava enquanto ainda revirava o local que tinha de tudo, inclusive camisinhas.

- Procura que tu acha e rapido. Ja to entrando na rua da Carol. — meu primo falou ja perdendo a paciencia e virando na rua a esquerda. O som dava pra ouvir do começo da rua, como dava pra ver algumas meninas super arrumadas andando pela rua. A maioria com uma garrafa de Absolut na mão.

- Merda. Não sei pra que tanta tralha nesse troço.- o outro ainda reclamava e eu não pude evitar de rir. Desde que eu me lembrem, o Rodrigo nunca foi muito bom em arrumações.- Achei! — ele falou vitorioso e o meu primo sorriu, logo estacionando.

- Chegamos.- ele olhou para tras e sorriu para mim.- Vou te mostrar o que é uma festa de verdade.

- Nossa, agora eu estou com medo.- eu falei rindo e fazendo cara de assustada.

- Relaxa, to aqui pra te proteger.- ele ainda sorria e nos ja saiamos do carro;

- Uhum, é claro.- eu falei ironica. Bem mais facil ele sumir na festa e nem lembrar de mim.

- E ai, brother?! — nem deu tempo dele responder, ja que um menino loiro e forte logo chegou perto dele com mais dois garotos.

- Fala, Fafael. Hoje ta top hein?! — o Rodrigo falou para as meninas passando por ele e riu.

- E tu ja trouxe uma que porra ... E ai, gatinha?! — ele veio se aproximando de mim. Enquanto eu revirava os olhos. Odiava quando os meninos falavam assim de mim.

- Ei, essa ta interditada.- o Rodrigo se meteu na frente. Super — protetor. — É minha prima.- ele disse justificando.

- Ah, foi mal então.- ele falou sorrindo e me olhando.- Mas que é linda, é linda.- ele piscou e o Rodrigo bufou. Soltei uma risada novamente.

- Vamos entrar, vai. Quero ver a tal festa.- eu disse puxando o Rodrigo pela mão e andando. Tinha dois dias que eu tinha chegado ao Rio. Ainda tinha o restinho das ferias, ate a faculdade começar. E nesse tempo que cheguei, o Rodrigo so falava da tal festa fodona da Carol. Pareve que é aquele tipo de festa que so entra gente da elite, mas parece que tambem não foi dificil pra ele conseguir os convites.

- Opa, gostei dela.- o Rafael soltou outra de novo e eu ri mais ainda. Ele não desistiria tão facil. Caminhamos uns 5 metros e chegmaos na porta de uma casa enorme. Varias luzes vinham de dentro da casa e dava pra ver que o som tava estourando. Logo no portão, tinham dois caras. Provavelmente segurança. Apos entregar os convites, pudemos entrar e fomos ate a porta. Abrimos a mesma e entramos. Era um espetaculo. A casa era linda por dentro e tinha sido transformada em uma verdadeira boate. Tinha luzes para todos os lados, fumaça, o chão brilhava e tudo mais que uma festa precisasse. Alem de copos personalizados, cabine de fotografia e bebidas (caras, muito caras!) totalmente liberadas.

- Uau! — eu falei olhando tudo de boca aberta. A garota com certeza era milionaria e sabia muito bem como gastar o dinheiro.

- Não frequento coisa ralé, gatinha.- o Rodrigo falou piscando e eu fiz careta. Sempre foi metido, desde pequeno.

- E a Clara? Não disse que vinha com você? — o loiro la, que provavelmente se chamava Rafael, perguntou.

- Sabe como aquela la é. Não gosta muito dessas coisas.- o Rodrigo falou fazendo careta. — Talvez a Jéssica consiga arrasta-la pra ca. O assunto foi cortado novamente, agora uma garota morena de cabelo longo e escorrido vinha berrando na direção do Rodrigo.

- OMG, você veio.- ela falou o abraçando e lhe dando um beijo. UAU!

- Como ficaria longe de você? — ele falou retribuindo o beijo. Que galanteador.

- Oun, que lindo.- ela falou dengosa e deu outro gole no seu copo. Parecia meio bebada (ou com certeza estava).

- Me deem licença, mas agora eu sou da Carol.- o Rodrigo disse piscando para nos e saindo com ela empurelada nele, Ok, agora eu sabia como ele conseguiu os convites com tanta facilidade.

- E nós, o que faremos? — o Rafael veio se aproximando e sorrindo. — Você eu não sei, mas eu vou dançar.- eu falei lhe dando um leve empurrão e sorrindo, saindo logo em seguida. Não tinha muita paciencia pra essas coisas e com certeza preferia dançar. Foi o que fiz. Tocava Naldo freneticamente e apesar de eu não ser uma funkeira, o adorava. Então fui dançando pela casa, a procura do bar, Não foi muito dificil de achar. Alias, o mais complicado foi achar algo sem alcool para beber. Voltei com o copo na mão e fui para a pista de dança. Era horrivel estar em uma festa sozinha, mas eu não conhecia ninguem. Então era o que me restava. Fiquei horas dançando, cantando e me divertindo. Vi o Rodrigo subir para a parte de cima com a tal de Carol. Ele não perdia uma mesmo. Conversei com alguns meninos e ate algumas meninas simpaticas. Depois de quase uma hora, vi o Rodrigo descer as escadas. Ao me ver, veio em minha direção.

- Cadê a Carol? — eu perguntei implicando e ele riu.

- Ta no quarto, se ajeitando. — ele falou me olhando e ja observando as garotas ao redor.

- Sempre achei que você tinha dom pra galinha, mas nem tanto assim. — eu disse rindo e dando um gole no meu refrigerante.

- Eu posso surpreender.- ele falou piscando e voltando a olhar ao redor.,- Cadê o Rafael?

- Não sei.- eu falei dando de ombros.

- Ué, não ficou te fazendo companhia? — ele perguntou voltando a me olhar.

- Digamos que o mandei embora.- eu falei rindo.

- Você é ma.- ele falou e nos caimos na gargalhada. Não foi dificil acha-lo, ja que falando na criatura, ele logo apareceu.

- Porra, tava te procurando.- ele falou chegando perto de nos.

- Tava fazendo um servicinho com a Carol.- ele falou fazendo cara de safado e o Rafael sorriu.

- É boa? — ele perguntou interessado.

- Porra, nem te conto, vei. Aquela la é gostosa pra caralho. E faz tudo que você pedir ... — ele ia continuar, mas sinceramente não era o tipo de assunto que eu gostava.

- Ei, eu to aqui.- eu falei interrompendo os dois.- Por favor .. — eu falei botando as mãos na cintura.

- Acostume-se, boneca. Agora mora com um homem. — o Rodrigo falou rindo e continuou a contar detalhes do seu serviço. Era muito pra mim.

- Então vou pegar bebida.- eu falei ja saindo, ja que o papo ja estava nojento. Fui caminhando ate uma mesa de frios e comecei a beliscar. Ate sentir alguem me puxar. — Ai.- eu disse puxando meu braço e virando. Pude reconhecer o menino que estava com o Rodrigo no carro.

- Sabe onde esta o Rodrigo? — ele logo perguntou.

- Ta com o Rafael ... — eu comecei a falar, mas ele me interrompeu.

- Vamos ate la.- ele saiu me puxando pelo braço, sem direito de resposta. Fomos ate la e antes que eu falasse algo, ele mesmo falou.

- Rodrigo, tu não sabe.- ele falou meio assustado.

- O que foi, vei? -ele se virou para o menino e perguntou.

- A Clara ... ta no hospital.- ele falou o olhando e o Rodrigo arregalou os olhos.

- O que?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.